• Nenhum resultado encontrado

I. PARTE TEÓRICA

5. Marketing pessoal

5.1. Produto e marca pessoal

Num mundo cada vez mais competitivo, tal como uma empresa ou destino pensa o seu produto antes de o

lançar no mercado também o profissional candidato a emprego deve-se trabalhar como um produto onde o

marketing pode desempenhar um papel fundamental.

As decisões e a ação de marketing são muito complexas, segundo Pires (1994), iniciam com a análise externa

da macro e micro envolvente procurando, quer adaptar-se ao contexto macro, quer dar resposta às necessidades

do mercado (atuais e potenciais clientes).

A suscetibilidade da indústria turística às mudanças ocorridas no ambiente externo geral em que se insere

nomeadamente e segundo Batista (2003) e Uysal, Sirgy, Woo e Kim (2016) face às alterações económicas,

entre outras, apresentam-se um desafio pela incapacidade de controlar estes fatores, exigindo a necessidade de

análise contínua procurando adaptar-se às constantes alterações. Quanto ao ambiente externo específico que

segundo Batista (2003) afeta diretamente cada setor de atividade ou empresa torna-se complexo pela variedade

de segmentos que possui, exigindo a sua análise mediante critérios próprios e específicos procurando

compreender a mobilidade entre as empresas do mesmo setor e entre setores diferentes (Tomazoni, 2007).

Zikic e Saks (2009) alertam para a definição clara dos objetivos e nomeadamente do tipo de trabalho ou

profissão pretendida pensando bem no que quer e se existem profissões alternativas.

Hooley, Saunders e Piercy (2005) referem a importância do indivíduo estabelecer a sua missão, definindo onde

ele está ou pretende estar posicionado sendo que, segundo os autores, esta resulta da união da definição de

mercado com as habilidades e competências próprias, ou seja, o indivíduo deve selecionar os principais alvos

que pretende atingir detetando as funções ou necessidades que pode colmatar. Ferreira et al. (2010) referem a

importância de definir as carreiras de interesse identificando para cada uma delas as qualificações e

competências necessárias. Uma vez definidos os perfis dos segmentos de interesse torna-se necessário

comparar o perfil do indivíduo com os dos segmentos, analisando os atributos relevantes nomeadamente as

qualificações e competências essenciais, permitindo-lhes assim traçar um plano que permita aumentar a

qualificação com vista ao alcance do posicionamento pretendido.

Batista (2003) e (Ferreira et al., 2010) alertam para a importância de conhecer e analisar os concorrentes já

que, e segundo Lindon et al. (2004), o posicionamento dos candidatos dependerá da sua identificação que

representa o produto em si, ou seja, de que género de produto se trata e da diferenciação, ou seja, o que o

distingue dos produtos do mesmo género.

O marketing, através da análise SWOT, fornece os pontos fulcrais de pesquisa e reflexão ao mesmo tempo que

facilita a avaliação por permitir a compatibilização entre as oportunidades e ameaças detetadas no ambiente

externo e os pontos fortes e fracos internos ou neste caso pertencentes às características próprias dos indivíduos

(Batista, 2003; Robbins et al., 2017).

O indivíduo é confrontado, desde logo, com a necessidade de adequar o seu perfil nomeadamente as suas

competências pessoais, relacionais e profissionais às necessidades do empregador (Seco et al., 2009). Tal,

exige a redefinição do seu perfil como seja a descoberta de pontos fortes e possíveis aspetos a alterar

evidenciando a importância do planeamento na procura de emprego.

Considerando o profissional como um produto que se apresenta ao mercado torna-se necessário trabalhar as

suas habilidades e características próprias bem como criar e desenvolver uma aparência agradável para que

conteúdo e embalagem se completem, ou seja, é necessário planear as mudanças necessárias sejam de atitudes,

ações ou ferramentas que conjuntamente permitam potencializar os resultados pessoais e profissionais

esperados (Barros & Júnior, 2015; Chempe, 2013; Tascin & Servidoni, 2005). Segundo Lashley et al. (2007),

na indústria da hospitalidade ou em qualquer outra indústria de serviços e como tal interativa, os empregadores

estão interessados quer nas atitudes quer na aparência dos empregados (aesthetics labour) que contribuirá para

a imagem da empresa.

Aasheim, Li e Williams (2009), referem a pertinência dos conhecimentos sobre a indústria específica em causa

ou setor de atividade bem como, e tal como Costa, Bakas, Breda, Durão, Carvalho e Caçador (2017) referem,

a pertinência do conhecimento prévio da empresa ou instituição em causa. Duarte (2015) considera importante

o conhecimento sobre a empresa ou instituição em causa, bem como das suas valências e até mesmo do

entrevistador até porque, e como Pimentel, Paula e Oliveira (2016) referem, o desconhecimento do profissional

por parte dos empregadores apresenta-se como um entrave à contratação.

Segundo Nickson (2007), ao procurarem candidatos externos, as empresas, socorrem-se de diferentes meios

consoante a imagem que pretendem passar e consoante o cargo disponível alertando, os indivíduos, para a

necessidade de adequarem os meios de contacto à empresa ou cargo pretendido, uma vez que por trás de cada

meio as empresas buscam diferentes perfis de candidato. Ferreira et al. (2010) referem a importância da análise

e seleção dos canais ou meios de distribuição consoante o produto em questão já que existem meios mais

apropriados a uns produtos do que a outros, devendo atentar também nos produtos concorrentes suportados por

esses meios.

Tal como os destinos, os indivíduos devem definir o posicionamento pretendido e a partir daí definir a estratégia

que lhes permita lançar a sua marca no mercado, sendo o seu sucesso tanto maior quanto a similitude entre a

imagem de marca pretendida e a imagem de marca percecionada pelo público-alvo. Rakita e Sipragić (2014)

referem que a perceção dos consumidores é a soma das perceções individuais dos diferentes componentes do

destino, logo a marca é construída em cada contacto entre clientes e os respetivos elementos do destino. Da

mesma forma, a marca pessoal será formada através do contacto entre os indivíduos e os diferentes públicos

com que este se relaciona, onde cada elemento ou característica própria dos indivíduos influenciará as

perceções criadas sobre o mesmo.

Segundo Rial, García e Varela (2008) a imagem criada na mente dos consumidores depende dos atributos do

destino, ou neste caso do indivíduo, bem como da impressão global do mesmo ou imagem mental, ou seja, os

resultados serão influenciados quer por elementos tangíveis quer intangíveis até porque, e tal como Cipriano,

Bezerra e Silva (2015) referem, a imagem na mente dos consumidores influenciará a sua seleção/escolha ou

não. Considerada como a marca de um produto, a imagem serve para se diferenciar dos concorrentes, apoiada

nos pontos mais marcantes da personalidade e na melhor forma de comunicar em público (Barros & Júnior,

2015).

Uma vez criada uma imagem de marca pessoal, esta trará consigo uma promessa consistente de um conjunto

de caraterísticas, benefícios e serviços, apresentando uma garantia da qualidade oferecida (Kotler &

Armstrong, 1999). O ideal de qualquer marca é garantir um nível de qualidade capaz de assegurar a escolha e

fidelidade do consumidor reforçando, tal como Kotler e Keller (2012), a necessidade das pessoas, tal como os

produtos, se promoverem enquanto marca. Costa (2011) refere a importância do networking (rede de

relacionamentos) neste processo visto serem as pessoas com quem o indivíduo estabelece os seus vínculos que

permitem uma rápida divulgação daquilo que ele é e sabe fazer. O autor frisa a importância das tecnologias de

informação e comunicação pelo seu contributo na manutenção e alargamento das redes sociais.

Segundo Labrecque, Markos e Milne (2011) as informações prestadas através dos meios eletrónicos, implícita

ou explicitamente, acabam por definir a marca pessoal. Tal, alerta para a necessidade de coerência na

informação divulgada que pode levar ao extravio da marca, pela dificuldade em separar os aspetos pessoais e

sociais dos profissionais, alertando para a dificuldade de promoção de uma marca única e coerente.

Embora havendo aspetos ou atributos essenciais ao produto pessoa, cada indivíduo deve gerir o seu produto e

correspondentes atributos procurando criar uma marca pessoal diferenciadora (Barros & Júnior, 2015). A figura

9 procura ilustrar as principais etapas deste processo.

Figura 9: Técnicas de marketing pessoal versus profissionalização

Fonte: Elaboração própria com base em Barros e Júnior (2015); Batista (2003); Chempe (2013); Cipriano et al. (2015); Kotler e Keller (2012); Robbins et al. (2017); Seco et al. (2009); Tascin e Servidoni (2005); Uysal et al. (2016)

Marketing pessoal

Pesquisa

Análise e avaliação

Planeamento

Estratégia

O profissional

Definição do produto

Criação da marca

Recrutamento e seleção

Imagem e

posicionamento dos

candidatos

Neste contexto, os trabalhadores têm que apostar efetivamente no desenvolvimento dos seus conhecimentos,

competências e atitudes, inatas ou adquiridas, potenciando ao máximo o seu capital humano (Oliveira, 2011).

De acordo com Neves, Garrido e Simões (2015) as competências são importantes mecanismos que ajudam os

indivíduos a adaptarem os conceitos, atitudes e comportamentos à realidade em causa.

Documentos relacionados