4 METODOLOGIA
5.2 Produtos gerados
5.2.2 Produtos do CTM para a comunidade Fazendinha
O CTM criado para a comunidade Fazendinha foi a relação traçada entre o levantamento socioeconômico realizado pelo ICMBio e o levantamento geodésico feito nos imóveis de 50% das famílias entrevistadas nesta comunidade. O mapa a seguir (Mapa 6) é o primeiro integrante do CTM, ele apresenta a localização da comunidade Fazendinha no município de Magalhães Barata, os imóveis – de 50% dos entrevistados e possíveis beneficiários – espacializados com os pontos adquiridos no levantados geodésico e seguidamente processados (tabela 1).
Tabela 1 – Pontos coletados e processados
Latitude Longitude 0°46'57,02611"S 47°35'49,70593"W 0°46'57,02390"S 47°35'49,70395"W 0°46'57,02325"S 47°35'49,70390"W 0°46'56,94182"S 47°35'49,64725"W 0°46'56,94236"S 47°35'47,97455"W 0°46'57,21843"S 47°35'48,38624"W 0°46'56,42203"S 47°35'48,90746"W 0°46'56,12867"S 47°35'48,52672"W 0°46'57,36325"S 47°35'49,09987"W 0°46'57,78894"S 47°35'49,72811"W 0°46'57,28189"S 47°35'50,09051"W 0°46'56,79895"S 47°35'49,46178"W 0°46'56,03412"S 47°35'46,83348"W 0°46'55,59055"S 47°35'47,07680"W 0°46'56,65874"S 47°35'47,79791"W 0°46'56,34819"S 47°35'47,99521"W 0°46'59,37955"S 47°35'48,14582"W 0°46'58,84104"S 47°35'48,78736"W 0°46'58,96201"S 47°35'47,62805"W 0°46'58,35164"S 47°35'48,29140"W 0°46'58,26221"S 47°35'47,07164"W 0°46'57,82012"S 47°35'47,65244"W 0°46'59,25602"S 47°35'46,14076"W 0°46'58,63805"S 47°35'45,37516"W 0°46'57,02015"S 47°35'46,79138"W 0°46'58,18382"S 47°35'45,04776"W 0°46'56,69009"S 47°35'46,30625"W 0°46'57,53249"S 47°35'44,90020"W 0°46'56,97874"S 47°35'44,39187"W 0°46'55,84290"S 47°35'45,08373"W
0°46'56,30281"S 47°35'45,76030"W 0°46'55,57115"S 47°35'44,53152"W 0°46'56,59923"S 47°35'43,84671"W 0°46'56,38779"S 47°35'50,69310"W 0°46'56,02882"S 47°35'50,90101"W 0°46'55,65558"S 47°35'49,98138"W 0°46'55,90879"S 47°35'49,85269"W 0°46'58,85265"S 47°35'49,36787"W 0°46'58,45480"S 47°35'49,71788"W 0°46'59,12723"S 47°35'50,81823"W 0°46'59,71311"S 47°35'50,43909"W 0°47'01,01228"S 47°35'49,05323"W 0°47'01,57294"S 47°35'49,45355"W 0°47'00,07000"S 47°'35'00,11566"S 0°46'59,73929"S 47°35'49,84125"W Fonte: O autor, 2019
As informações dos mapas a partir do próximo (mapa 6) são a localização do rio Cuinarana na comunidade, o qual é uma das vias de acesso a ela e também mostra qual parte da comunidade se encontra dentro da área da REM – estas informações são comuns em todos os mapas do CTM -.
As informações distintas são as das tabelas contidas nos mapas e estas estão vinculadas aos imóveis através dos números atribuídos a eles. Neste primeiro mapa consta as áreas e perímetros desses imóveis apresentadas a seguir (Quadro 6).
Quadro 6 – Tabela contida no Mapa 6
O próximo mapa (Mapa 7) apresenta a caracterização quanto a moradia nesses imóveis constituintes do CTM, nele consta as informações se o morador é proprietário do imóvel, caso ele seja, têm-se a informação se ele possui a alguma documentação que ateste isso.
Caso não possua nenhuma documentação, tem-se a informação do seu vínculo com o proprietário do imóvel, esta informação é importante para saber se são posseiros7, se o imóvel é cedido ou alugado, assim pode-se mensurar a regularização da posse destes imóveis e o quantitativo de imóveis da comunidade que estão regularizados (para o caso de um CTM amplo pode-se descobrir essa informação para toda ou toda as comunidades) e se for o caso pode até ser feito algum programa para a regularização destes imóveis. As informações passadas estão a seguir (Quadro 7).
Quadro 7 – Tabela contida no Mapa 7
Fonte: ICMBio (adaptado pelo autor).
7 Posseiros são indivíduos que detém direito apenas sobre as benfeitorias existentes sobre o terreno. Quando o indivíduo tem direito sobre as benfeitorias e sobre o terreno ele tem o direito de propriedade.
O mapa seguinte (Mapa 8) expõe a caracterização quanto ao acesso a comunidade, e mais especificamente aos imóveis mostrados no mapa, como quanto tempo o morador reside no local de residência atual, se fica nele durante todo o ano, isso para saber se existem problemas para acesso a sua casa e consequentemente a comunidade em alguma época do ano. Caso ocorra algum tipo de problema, informa-se em que época esse problema relatado ocorre.
Também é informado qual o meio de transporte que o morador usa nesse acesso e se na época do problema relatado (caso tenha sido) ou em outra, este morador precisa sair para outra residência. Além disso o mapa informa se esta pessoa já foi beneficiada por algum programa do governo e caso tenha sido, por qual programa. Desta forma se tem uma noção de onde a administração pública pode atuar na área em relação a moradia e ao acesso dos moradores a comunidade. A tabela abaixo (Quadro 8) exibe as informações coletadas quanto ao acesso que constituem o Mapa 8.
Quadro 8 – Tabela contida no Mapa 8
O Mapa 9 representa o uso os dados referentes ao acesso a medicamentos pelos residentes da comunidade Fazendinha, tanto de medicamentos tradicionais quanto de medicamentos farmacológicos.
Nele tem as informações do tempo que o morador usa os recursos da REM, se ele sabe da existência na comunidade de pessoas com conhecimentos sobre medicamentos tradicionais, caso conheça, se ele e a sua família procuram essas pessoas, com que frequência procuram e para que tipo de doenças.
Informa-se também como o morador e seus familiares tem acesso a medicamentos, se tem acesso apenas aos tradicionais. Deste modo pode-se mensurar o quantitativo da população que consegue obter os serviços de saúde municipal, e o quanto são dependentes dos medicamentos tradicionais – os quais provavelmente advém dos recursos naturais da REM. A seguir (Quadro 9) a tabela com as informações prestadas em relação ao acesso da comunidade a medicamentos.
Quadro 9 – Tabela contida no Mapa 9
O próximo mapa (Mapa 10) é o último do CTM, ele exibe informações a respeito das benfeitorias dos imóveis da comunidade Fazendinha, listando-as para cada imóvel. Também descreve o tipo de material que predomina na edificação da residência do morador (paredes, teto e piso). Com essas informações é possível estimar um valor de mercado para o imóvel, assim como com as outras informações do CTM, sabendo-se que o valor do imóvel também depende de sua localização e dos serviços públicos nas proximidades, assim podendo servir para mensurar o valor destes imóveis. Abaixo (Quadro 10) é apresentada a tabela do Mapa 10 com as informações a respeito das benfeitorias existentes nos imóveis do mapa.
Quadro 10– Tabela contida no Mapa 10
6 CONCLUSÃO
Tendo em vista a importância que o CTM vem ganhando para a gestão de territórios, inicialmente para a área urbana e mais recentemente em outras áreas, como na ambiental para melhor administração e proteção dessas áreas, alguns estudos já foram feitos em UC. Para a REM Cuinarana a intenção foi primeiramente o entendimento do cadastro dos beneficiários e posteriormente o aproveitamento dos dados socioeconômicos para a sugestão de um CTM para uma das 16 comunidades para que seja apresentado o conceito e havendo interesse possa ser criado em outras comunidades.
O levantamento socioeconômico do ICMBio foi essencial para a proposta de CTM por este ser bastante extenso e ter informações de assuntos diferentes, como saúde, moradia, educação, renda, etc. No entendimento que obtive a partir desta pesquisa, para ser mais completo servindo como base para a criação do CTM ainda precisariam ser acrescentadas mais perguntas no questionário a respeito da regularização dos imóveis. Porém a regularização fundiária exige uma pesquisa aprofundada para uma informação confiável além de que o ICMBio não necessita delas para a finalidade do seu cadastro (perfil de beneficiário).
O levantamento geodésico foi o complemento para transformar os dados socioeconômicos em CTM, pois foi por meio dele que pude espacializar estes dados levantados pelo ICMBio. Isso é o CTM, é a relação de dados de áreas distintas que possam ser relacionados para se complementar, alcançando assim uma multifinalidade que como consequência passa a ser uma ferramenta bastante abrangente para a administração de um território, indo além da regularização deste, servindo para administrar a organização do território, como distribuição de renda na aplicação em obras para melhorias no acesso a saúde, transporte, educação, proteção ambiental, moradia, lazer e até em estudo para definição de um zoneamento e zona de amortecimento, este último totalmente voltado para UCs.
Com toda a pesquisa foi constatado a importância do CTM para a gestão territorial e o quanto ele tem para acrescentar na melhora dessa gestão se bem feito e corretamente usado, a principal conclusão foi que se houvesse o complemento de mais informações a respeito de regularização fundiária e espacialização do território, que poderia ser por meio de uma parceria entre o gestor da UC e a Prefeitura do município onde ela se encontra - tanto para o planejamento quanto para a execução
do levantamento de informações - haveria uma ferramenta bem completa que ajudaria demais ambos.
A parceria seria importante por causa da dificuldade que se tem em adquirir tais informações e na ausência de recursos para um cadastro deste tipo pelo ICMBio, lembrando que apesar de não ser essa a finalidade do cadastro realizado por ele, um cadastro deste tipo ajudaria demais na gestão dos territórios sob sua responsabilidade. O cadastro contendo informações para multifinalidade se torna ótima ferramenta para a gestão do município como um todo, além do retorno com a cobranças de impostos que poderiam servir para melhorias do território e serviços municipais.
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ANEXO A – INSTRUÇÃO NORMATIVA DO ICMBIO Nº 35/2013
MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE INSTITUTO CHICO MENDES DE CONSERVAÇÃO DA BIODIVERSIDADE
INSTRUÇÃO NORMATIVA Nº 35, DE 27 DE DEZEMBRO DE 2013
MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE
INSTITUTO CHICO MENDES DE CONSERVAÇÃO DA BIODIVERSIDADE DOU de 30/12/2013 (nº 252, Seção 1, pág. 834)
Disciplina no âmbito do Instituto Chico Mendes, as diretrizes e procedimentos administrativos para a elaboração e homologação do perfil da família beneficiária em Reservas Extrativistas, Reservas de Desenvolvimento Sustentável e Florestas Nacionais, com populações tradicionais.
O PRESIDENTE DO INSTITUTO CHICO MENDES DE CONSERVAÇÃO DA BIODIVERSIDADE - INSTITUTO CHICO MENDES, no uso das atribuições que lhe confere o art. 21, do Capítulo VI, do Anexo I do Decreto nº 7.515 de 8 de julho de 2011, publicado no Diário Oficial da União do dia subsequente, que aprovou a Estrutura Regimental do Instituto Chico Mendes e deu outras providências e, nomeado pela Portaria nº 304, de 28 de março de 2012, da Ministra de Estado Chefe da Casa Civil da Presidência da República, publicada no Diário Oficial da União de 29 de março de 2012,
considerando a Lei nº 9.985, de 18 de julho de 2000, que institui o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza, regulamentada pelo Decreto nº 4.340, de 22 de agosto de 2002;
considerando a Convenção sobre a Diversidade Biológica, que ratifica a pertinência da plena e eficaz participação de comunidades locais e setores interessados na implantação e gestão de Unidades de Conservação;
considerando o Decreto nº 6.040, de 7 de fevereiro de 2007, que institui a Política Nacional de Desenvolvimento Sustentável de Povos e Comunidades Tradicionais;
considerando a Instrução Normativa nº 2, de 18 de setembro de 2007, que disciplina as diretrizes, normas e procedimentos para formação e funcionamento do Conselho Deliberativo de Reserva Extrativista e de Reserva de Desenvolvimento Sustentável;
considerando a Instrução Normativa nº 11, de 8 de junho de 2010, que disciplina as diretrizes, normas e procedimentos para a formação e funcionamento de Conselhos Consultivos em unidades de conservação federais;
considerando a Instrução Normativa nº 29, de 5 de setembro de 2012, que disciplina, no âmbito do Instituto Chico Mendes, as diretrizes, requisitos e procedimentos administrativos para a elaboração e aprovação de Acordo de Gestão em Unidade de Conservação de Uso Sustentável federal com populações tradicionais; considerando as proposições apresentadas no Processo ICMBio nº 02070.002291/2013-03, resolve:
CAPÍTULO I
DAS DISPOSIÇÕES PRELIMINARES
Art. 1º - A presente Instrução Normativa disciplina, no âmbito do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade - ICMBio, as diretrizes e procedimentos administrativos para a elaboração e homologação do perfil da família beneficiária em Reservas Extrativistas - Resex, Reservas de Desenvolvimento Sustentável - RDS e Florestas Nacionais - Flona, com população tradicional.
Art. 2º - Para fins desta Instrução Normativa entende-se por:
I - População Tradicional: populações culturalmente diferenciadas e que se reconhecem como tais, que tem no extrativismo dos recursos naturais renováveis o meio de reprodução física e social essencial para seu modo de