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Professor reflexivo (a importância da reflexão)

No documento Relatório Final de Estágio Profissional (páginas 35-38)

3. Enquadramento da Prática Profissional

3.4 O papel da orientação pedagógica

3.4.1 Professor reflexivo (a importância da reflexão)

“Ninguém começa a ser educador numa certa terça-feira às quatro da tarde. Ninguém nasce educador ou marcado para ser educador. A gente se faz educador, a gente se forma, como educador, permanentemente, na prática e na reflexão sobre a prática”. (Paulo Freire, 1991, p. 58).

O próprio modelo de estágio criado pela faculdade, promove um desenvolvimento profissional que assenta numa elevada capacidade reflexiva na formação de professores críticos, que procurem constantemente novos conhecimentos, pois, como Freire afirma, “não há docência sem discência”, ou seja, é fundamental o compromisso entre os saberes adquiridos e a busca contínua por novos. Neste sentido, a reflexão surge como um instrumento indispensável para a (re)construção da uma identidade profissional que não pode ser considerada como estática e pré-determinada.

Um professor reflexivo será aquele que é capaz de se interrogar, analisando criticamente a sua própria prática e fazendo juízos de valor sobre o seu trabalho e o produto que dele resulta (Amaral et al., 1996).

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Portanto, a reflexão deve englobar toda a atividade que influência a tomada de decisão do professor: contexto escolar, métodos e estratégias de ensino, finalidades e objetivos, conhecimento e capacidades que os alunos estão a desenvolver, fatores que influenciam a aprendizagem, o processo avaliativo, em suma, a razão de ser professor (Alarcão, 1996).

Então a reflexão desenvolve-se sobre a prática docente e de tudo que a condiciona. Verificando uma imagem mais alargada, deve ser alvo, de um bom professor, uma análise crítica e reflexiva do sistema educativo, dos programas nacionais, do contexto real da escola em que leciona, assim como o seu enquadramento no meio social, promovendo uma consciência crítica que contribui para a conquista da autonomia e desenvolvimento de uma identidade. A reflexão crítica sobre a prática, propriamente dita, coloca em evidência o trabalho realizado pelo professor, o que correu bem ou mal, se a preparação foi suficiente ou insuficiente, se as propostas de aprendizagens são adequadas, e como é natural, o professor não é detentor de todo conhecimento e deverá recorrer à pesquisa sempre que for necessário.

O bom professor deverá ser capaz de uma enorme flexibilidade, uma vez que cada turma coloca um desafio distinto, uma nova meta e modo de estar, assim como situações de aprendizagem ajustadas às necessidades de cada turma. Para que tal aconteça é essencial que se dê lugar à reflexão durante todo o processo educativo, pois, no ensino, não há receitas, a aplicação de determinadas técnicas não pode ser imutável, rígida e inflexível. É fundamental que se analise o contexto real de cada situação, de cada momento, de modo a agir em conformidade com a necessidade.

"If the only tool you have is a hammer, to treat everything as if it were a nail." (Abraham Maslow, 1966, p. 15-16)

Ou seja, quanto maior for a bagagem de conhecimentos teóricos e científicos melhor poderá ser a atuação do professor, visto que o domínio dos conteúdos se encontra plenamente assegurado. Contudo, isto só não basta, os professores devem realizar o seu juízo próprio de cada situação, daquilo que deve ou não fazer, já que estes são os responsáveis pelas decisões e ações a desenvolver em função da sua capacidade reflexiva (Pearson, 1989).

Durante uma aula ou tarefa prevista, muitas das vezes, é necessário intervir e alterar particularidades das situações de aprendizagem face a variados fatores e

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condicionalismos que a própria prática impõem ao professor, visto ser um ambiente de elevada imprevisibilidade. Nestes momentos o professor deverá ter a capacidade de refletir e atuar no próprio momento - reflexão na ação (Schön, 1983), quer sejam intervenções de carácter individual, caso um aluno demonstre claras dificuldades na compreensão ou execução do exercício, assim como para a generalidade da turma no caso de faltarem alunos, da tarefa se revelar pouco, ou demasiado, exigente, quando há recusas em realizar a atividade proposta. Esta capacidade é uma capacidade de importância extrema, e que, fundamentalmente distinguem as qualidades dos profissionais de educação. É necessário o domínio da matéria de ensino, triangular a situação momentânea com situações já vivenciadas, procurar encontrar a solução que se adeque à própria turma, tentando promover uma situação desafiante e com os conteúdos que haviam sido propostos a trabalhar. Deste modo o professor não é, apenas, um mero transmissor de conhecimentos, mas sim um promotor especializado de experiências e vivências enriquecedoras para os seus alunos. É indispensável, então, otimizar uma articulação dinâmica e flexível entre os conteúdos que se pretende desenvolver e as situações particulares de aprendizagem.

Schön (1983) afirma, um outro aspeto muito importante na atuação do professor, este prende-se com a análise após a realização da atividade/aula, ou seja, é um momento onde são evidenciadas situações relevantes para o processo educativo dos alunos, tanto de carácter positivo ou negativo, de modo a permanecerem determinadas estratégias e atuações que se consideram vantajosas, e por outro lado procurar soluções ou outras formas que permitirão uma aplicação futura do exercício mas de modo mais ajustado e significativo. Esta capacidade denomina-se de reflexão sobre a ação, é uma tarefa que todos os professores devem realizar, pois é o próprio mediador do processo do docente. Durante este ano letivo, ambos os tipos de reflexão estiveram muito patentes na minha atuação. A ação sobre a reflexão que foi acontecendo ao longo de todo o ano letivo, foi um marco, bastante importante, que me permitiu evoluir como professor, que me permitiu “avaliar” a minha prestação e dos alunos. A reflexão na ação, considero que foi uma das tarefas mais complexas, uma vez que é fundamental cruzar todo o tipo de informação, conhecimento e vivências de modo a tomar as decisões mais corretas e coerentes. Os meus alunos não tinham uma assiduidade regular, portanto, o trabalho prévio de formação de grupos e exercícios de acordo com o nível dos mesmos que era realizado, tinha por diversas vezes no momento real da aula de ser ajustado e alterado. Por vezes a

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tarefa não foi fácil, mas, sem dúvida que estas dificuldades me tornaram mais prático e mais ciente de qual é o papel que o professor deve desempenhar.

Como cita Bento (1995), “ não existem receitas que possam ser guardadas como soluções para futuras situações”, cada situação é irrepetível, e determinada estratégia para a turma A funciona como o pretendido, na turma B poderá ser a pior solução. Neste sentido a tomada de decisões, de qualquer nível, deve ser refletida sobre as suas vantagens e desvantagens para a situação e contexto que esta acontece. Uma das dificuldades que se apresentam e não nos podemos esquecer é que no processo de uma aula as decisões têm de acontecer no imediato, em que as decisões deverão ser tomadas em meros segundos ou até espontaneamente, sem nunca saber o resultado da intervenção antecipadamente. Por vezes as decisões terão de surgir quase automaticamente. O que se espera que seja uma solução poderá criar um outro problema inesperado. Então uma caraterística que o bom professor deve desenvolver prende-se com a capacidade de mobilizar e cruzar dados e informações, no mínimo tempo disponível, para que a sua atuação seja refletida, eficaz e ajustada. Cada uma destas situações deve ser alvo de posterior reflexão, aferindo então se a decisão tomada foi a mais acertada, pois afirma Domingos (2003) que, “a reflexão facilita o desenvolvimento de competências de resolução de problemas ao promover a capacidade de reformular a experiência, gerar alternativas e fazer interferências com base no conhecimento prévio, e ainda avaliar ações no sentido de construir novas aprendizagens”.

No documento Relatório Final de Estágio Profissional (páginas 35-38)

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