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4.2 Professores: sua formação acadêmica e o campo profissional

No documento fabianagomesdemagalhaes (páginas 83-87)

Quem são os sujeitos que participaram da pesquisa? Para traçar um breve perfil, apresentam-se os dados referentes à formação acadêmica e à atuação profissional que auxiliaram para uma melhor compreensão dos dados pertinentes à formação continuada. Quanto à área de formação demonstrada na Tabela 2, obtida por meio do cruzamento entre o critério de escolha das escolas (IDEB) e sua formação, há um fenômeno interessante: muitos licenciados de outras áreas do conhecimento ministrando aulas no segmento do 1º ao 5º ano, o que demonstra que anteriormente foram formados em curso de magistério de nível médio. No entanto, a maioria é formada em Pedagogia. Cabe destacar que apenas só um dos professores que responderam ao instrumento possuía magistério e quatro professores ainda não eram formados: estavam em andamento o curso de graduação em Pedagogia e Letras. Desde a promulgação da LDB Lei 9394/96, há um movimento em busca da formação em nível superior, pois a mesma instituiu que todos os profissionais que atuarem na educação básica, a partir de sua promulgação, devem ter formação em curso superior. Esse universo já aponta o perfil dos participantes, uma vez que a maioria é formada em Pedagogia (48), seguido de outras Licenciaturas (14) e ainda pessoas com somente o Magistério (1), demonstrando um movimento dos professores para se especializaram em alguma área do conhecimento.

84 TABELA 2 - IDEB ESCOLAS * FORMAÇÃO ACADÊMICA DOS

PROFESSORES QUE PARTICIPARAM DA PESQUISA. (q.1)

FORMAÇÃO ACADÊMICA Total Pedagogia Magistério (Ensino Médio) Outras Licenciaturas

IDEB ESCOLAS Maior IDEB 17 0 0 17

Menor IDEB 31 1 14 46

Total39 48 1 14 63

Fonte: Políticas de Formação Continuada de Professores: dos marcos legais à realidade da rede municipal de ensino de Juiz de Fora/MG. MAGALHÃES (2012).

Outro fator importante refere-se à formação dos professores quanto à pós- graduação (Tabela 3). São 45 profissionais, ou seja, 67 % dos que responderam já possuem especialização concluída. Sendo que a maior parte dos respondentes atua em escolas de baixo IDEB. Além disso, têm-se professores que atuam em ambas as escolas com mestrado concluído. Esse quadro demonstra uma busca por formação que vai além da graduação, mesmo que isso seja devido à prerrogativa da Lei de Cargos e Salários do município que acresce à remuneração 20% para especialização, 50% para mestrado e 100% para doutorado.

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Os dados apresentados são os dados válidos, ou seja, dados das questões que obtiveram respostas. Sendo assim, algumas tabelas possuem uma diferença em relação ao total de professores que responderam o questionário.

85 Quando indagados sobre o campo de trabalho, 77,6% dos respondentes exercem sua profissão somente na rede municipal de ensino, 11,9% trabalham na rede municipal e estadual de ensino, 7,5 % trabalham na rede municipal e particular e ainda 1,5% além trabalhar na rede municipal de ensino complementa sua renda com outra atividade profissional. (Tabela 4).

TABELA 4 - REDE DE ENSINO EM QUE TRABALHAM OS PROFESSORES QUE PARTICIPARAM DA PESQUISA. (q.5)

Frequência Percentual Percentual Válido

Municipal 52 77,6 78,8 Municipal e Estadual 8 11,9 12,1 Municipal e Particular 5 7,5 7,6 Municipal e outra atividade profissional 1 1,5 1,5 Total 66 98,5 100,0

Missing Não respondeu 1 1,5

Total 67 100,0

Fonte: Políticas de Formação Continuada de Professores: dos marcos legais à realidade da rede municipal de ensino de Juiz de Fora/MG. MAGALHÃES (2012).

TABELA 3 - PÓS-GRADUAÇÃO REALIZADA PELOS PROFESSORES. (q.4) * IDEB ESCOLAS

IDEB ESCOLAS

Total Maior IDEB Menor IDEB

PÓS-GRADUAÇÃO Especialização em andamento 0 2 2

Especialização concluída 13 32 45 Mestrado em andamento 0 2 2 Mestrado concluído 1 1 2 Doutorado em andamento 0 1 1 Nenhum 4 9 13 Total 18 47 65

Fonte: Políticas de Formação Continuada de Professores: dos marcos legais à realidade da rede municipal de ensino de Juiz de Fora/MG. MAGALHÃES (2012).

86 Quando perguntados sobre o número de escolas em que trabalham, os professores das instituições com maior e menor IDEB (Tabela 5), apontaram com predominância (35) a opção em que o trabalho é realizado em somente uma escola. Contudo, levando em consideração o IDEB, as escolas com menor índice possuem um quadro considerável de professores (20) que trabalham em duas escolas. Isso acaba refletindo em questões como: tempo reduzido para se dedicar à escola, para participar de formação continuada, fragilidade das relações interpessoais, sensação de não pertencimento ao ambiente de trabalho; enfim, professores com jornadas extenuantes que pouco se voltam para seus ambientes de trabalho, o que acaba refletindo em sua prática de sala de aula.

TABELA 5 - IDEB ESCOLAS * NÚMERO DE ESCOLA EM QUE TRABALHAM OS PROFESSORES. (q.6)

NÚMERO DE ESCOLA EM QUE TRABALHAM

Total Apenas uma Duas escolas Três escolas ou mais

IDEB ESCOLAS Maior IDEB 10 6 2 18

Menor IDEB 25 20 3 48

Total 35 26 5 66

Fonte: Políticas de Formação Continuada de Professores: dos marcos legais à realidade da rede municipal de ensino de Juiz de Fora/MG. MAGALHÃES (2012).

Confrontando esses dados referentes ao número de escolas em que o professor trabalha com os que mostram o vínculo empregatício dos mesmos nessas instituições (Tabela 6), o panorama é o seguinte: 39 são profissionais contratados, desse universo, 19 são professores contratados que trabalham em pelo menos duas escolas.

87 TABELA 6 - NÚMERO DE ESCOLA EM QUE TRABALHAM OS

PROFESSORES. (q.6) * VÍNCULO EMPREGATÍCIO NA ESCOLA EM QUE RESPONDEU AO QUESTIONÁRIO. (q.7)

VÍNCULO EMPREGATÍCIO Total Efetivo Contrato Efetivo e Contratado NÚMERO DE ESCOLA EM QUE TRABALHAM Em apenas uma 11 20 4 35 Em duas escolas 11 15 0 26 Em três escolas ou mais escolas 1 4 0 5 Total 23 39 4 66

Fonte: Políticas de Formação Continuada de Professores: dos marcos legais à realidade da rede municipal de ensino de Juiz de Fora/MG. MAGALHÃES (2012).

Esse dado pode ser tomado como um dos fatores que explica o movimento de professores com esse tipo de vínculo trabalhar em mais de uma escola. Não podemos deixar de considerar que há também um movimento de profissionais efetivos, 12 professores buscam mais de um campo de trabalho. Isso pode ser considerado um fator que impede o investimento por parte dos profissionais em alguma atividade de formação continuada. Essa dupla, ou até mesmo tripla jornada, pode fazer com que eles tenham uma menor iniciativa ou disponibilidade de tempo para participarem de ações de formação continuada. Além disso, a falta de valorização dos profissionais em educação faz com que busquem mais de um campo de trabalho para melhor prover seu sustento.

No documento fabianagomesdemagalhaes (páginas 83-87)