terizarem o sub-sistema de enfermagem polarizado entre os com ponentes estruturais e funcionais, sendo que ambos estão sendo tratados empiricamente sem considerar alternativas para trans formá-lo num compromisso moral com o paciente.
"Na orientação sobre o diagnóstico, o meu contato às vezes com o paciente é superficial para eu con tar, quando o território é perigoso dou uma de pouco informada, saio de fininho, é melhor do que dizer o que não deve..." (ID.21 ADM)
"O grande problema das enfermeiras é não assumirem a responsabilidade por estarem inseguras. Elas se omitem, não vão fundo, por falta de conhecimento, insegurança do conteúdo teórico e prático. A enfer meira não está preparada para dar assistência livre de riscos, principalmente dentro das atividades de triagem. Quando acontece um erro a tendência é camuflar." (ID.17 E)
A omissão, e portanto, a co-responsabilidade pessoal se torna tanto mais significativa quanto mais importante for a função que se exerce (Anjos, 1988).
Os depoimentos corroboram com o alerta que Davis & Aroskar (1983) fizeram a respeito dos valores reforçados nas escolas, e que favorecem atitudes passivas por parte das en fermeiras. É bem provável, que devido a pouca prática de en- frentamento, falte às enfermeiras a segurança fundamental para que possam assumir o risco de responderem pela assistência. Como se observa no exemplo, a respeito da troca ou não do cu rativo. Ressalte-se que as enfermeiras também pesquisam novas formas terapêuticas e, que este cuidado não deveria ser exclu sividade de uma profissão. No entanto, o modelo administrativo contraria sua autonomia. A enfermeira deve ter clareza da am biguidade dos papéis e não cooptar com ideologias que os desvalorizem.
"Uma empresa quer que eu gerencie, e isto diminui meu tempo junto ao paciente. Já tivemos mais enfer meiras, mas acharam demais, não dão pela falta por
que nós suprimos. Se tivéssemos mais, as tarefas seriam melhor distribuídas, pelo menos uma por plantão..." (ID.21 ADM)
De outro modo, na relação entre a equipe de saúde, a o- missão persiste talvez pelo desconhecimento das formas legais e éticas de encaminhamento das denúncias, ou pelo medo de re- talhações por parte da diretoria administrativa dos órgãos de saúde.
"Em relação a equipe de enfermagem a gente tem como exigir, agora com relação a outros profissionais, quando cometem atitudes irresponsáveis, a gente não tem como ficar cobrando, porque eles não estão su bordinados à enfermeira..." (ID.06 A)
Faz parte das responsabilidades institucionais manter a observância e a avaliação da qualidade e competência dos ser viços realizados pelos profissionais que esta contrata, contu do, esta avaliação muitas vezes deixa de acontecer.
"Não são punidas as pessoas por falhas como a gente tem os itens de responsabilidade no código. São m ui to maiores do que as que o código aponta, acho que depende muito da instituição que se está, não só da parte do paciente, tem toda uma parte da empresa que você está vestindo a camisa, uma enfermeira cobra da outra. Mas, as coisas ficam quietinhas, muito abafadas, quando uma enfermeira ou médico cometem erros..." (ID.05 ADM)
"Já fiz muitas atividades que não tinham nada a ver com a responsabilidade do enfermeiro. Mas acabei e- xecutando porque muitas vezes não tinha o outro pro fissional ou porque você entra no esquema de conhe cer e eles sabem que você faz. Mas acho que tem que ser uma aprendizagem, é muito difícil chamar a atenção de um médico..." (ID.23 E)
Esta conivência algumas vezes é assumida buscando proteger a clientela de maiores desgastes.
"Quando se faz encaminhamentos dos pacientes crôni cos para o especialista somos nós que preenchemos, porque o serviço prevê que o médico os forneça sem passar pela consulta, só que para assinarem já o querem preenchidos, caso contrário o paciente tem que ficar na fila desde às cinco da manhã e fazer consulta, isto daria uma confusão ainda maior..."
121 (ID.06 A)
Atitude Paternalista no Desempenho das Respon sabilidades do Próprio Exercício Profissional:
Paternalista: é quando as enfermeiras decidem pelo que julgam ser o melhor para a clientela não permitindo com isso que a clientela exercite escolhas e considere o que seja o melhor para ela.
Além das dificuldades próprias que as enfermeiras en frentam em termos de relações e condições de trabalho, em al gumas situações elas tentam soluções dividindo com o cliente parte dessas responsabilidades. As enfermeiras tomam certas atitudes como orientar o cliente a procurar o serviço no ho rário em que se é possível ter as consultas. Apesar desta pos tura por parte de algumas enfermeiras, ainda percebe-se atitu des paternalistas em relação ao atendimento. No entanto, esta atitude muitas vezes reproduz valores sociais introjetados e que não são questionados nas relações de trabalho. Por vezes, até se omitem "lavando as mãos" diante dos fatos que violam direitos das pessoas.
"Os adultos aceitam mais as coisas, ele se contenta com um comprimido de AAS, você tem que convencê-lo a voltar, para o controle e acompanhamento da hiper tensão. Minha responsabilidade é com o cliente, mas ele tem responsabilidade de saber que o posto abre às sete e meia, porque só apareceu no posto às nove horas, quando eu já não tenho mais consultas?"
(ID.03 A)
"Eu resolvo os problemas por necessidade dos pacien tes, eu não vou colocá-lo em risco por problemas administrativos..." (ID.21 ADM)
Os serviços de saúde ainda não apresentaram propostas al ternativas para os trabalhadores, para aquela maioria que te ria a necessidade de ter atendimento fora do horário de traba-
lho. Assim, não perderiam o dia de serviço, considerando-se que muitos são autônomos ou vivem de sub-empregos. Nas classes mais desprovidas de recursos econômicos, tanto a ignorância, quanto outras condições sociais,dificultam e acentuam a baixa qualidade dos padrões de vida e saúde. Um problema social quase que rotineiro, que imobiliza os profissionais para questões da ética social nas periferias.
Na prestação dos cuidados, muitas vezes a enfermeira re passa a dominação pelo saber, acreditando nos avanços tecnoló gicos da medicina, julgando estar fazendo o que é melhor para o paciente, influindo ou decidindo por ele.
"Quanto às decisões relacionadas aos cuidados, acho que o paciente deve ser convencido do que é o melhor..." (ID.04 A)
As enfermeiras com tais atitudes não assumem seu compro misso ético perante sua clientela, nos primeiros depoimentos a responsabilidade de assistir está parcialmente satisfeita e no segundo não permite a escolha livre por parte do pacien te. Aparentemente, as enfermeiras tutelam sua clientela não considerando que o agir ético deva ter por base a liberdade consciente de escolha. Neste último depoimento, considerando- se que o consentimento informado seja uma instância especial da autonomia dos pacientes, tão bem como levanta questões que conflitam com as obrigações profissionais.
Atitude de Delegação no Desempenho das Responsa bilidades do Próprio Exercício Profissional:
Delegação: é quando enfermeiras distribuem tarefas para o cumprimento das responsabilidades de assistência junto aos demais membros da equipe de saúde.
A atenção à saude requer profissionais com formação huma nista e visão holística para diminuir conflitos éticos (Dayle,
1985). A responsabilidade da enfermeira ao delegar funções d e ve conhecer a idoneidade técnica e moral de seu pessoal e co legas. Também deve considerar as situações e as tarefas para não colocar em risco o paciente e a família.
"Você vai fazendo um exame físico rápido e passando as tarefas para os funcionários." (ID.05 ADM)
As enfermeiras embora se preocupem com erros durante o treinamento ou posteriores para a pessoa do paciente ou ao próprio pessoal, admitem ter poucas alternativas. A situações envolvem riscos. A responsabilidade ética e moral da enfermei ra ao delegar é delicada, devido ao despreparo dos subordina dos quanto às habilidades técnicas.
"Quando você está na chefia você delega para aquele que você confia, praticamente não existem auxilia res, eu tenho medo dos erros em pediatria, mas por outro lado tenho que deixar fazer"(ID.20 E)
CONDIÇÕES DE DESEMPENHO DAS