humanísticos na interação mantida com a clientela enquanto seres humanos.
"Eu gosto de colocar bem meu lado pessoa para os p a cientes se sentirem melhor. Assim eles passam o que estão sentindo, quebra a barreira, eles se sentem mais iguais. Esta pessoa está insegura, numa cama que não é a sua..." (ID.07 ADM)
Embora busquem garantir a segurança nos cuidados presta dos as enfermeiras aparentemente, defrontam-se com a desvalo rização institucional a esta prática.
"Solicitei coisas simples como coletores fechados de urina, só agora, devido a vigilância sanitária, é que foram adquiridos. Por exemplo, as macas não tinham grades, cansei de alertar sobre os riscos de transporte, obtive um ano depois." (ID.05 ADM)
A responsabilidade existe para assegurar que os padrões de qualidade profissional sejam levantados e implementados. A profissional deve estar preparada para agir e assegurar suas ações com fundamentos sólidos. Aparentemente, as respondentes acreditam que não basta prestar cuidados físicos se a "alma" está ferida e precisa de cuidados tanto ou mais importantes que os primeiros. Este seria assim, o verdadeiro cuidado moral, tal qual mencionado por Watson (1988).
"A gente tem procurado e, não é difícil, tentar maior humanização, as crianças recebem maus tratos em casa, temos alguém continuamente conversando com as crianças e eu acho que isto traz segurança apesar dos procedimentos invasivos." (ID.25 ADM)
Curtin (1979) considera que liberdade, respeito, e inte gridade são essenciais para o pleno desenvolvimento das pes soas. Essas necessidades são intensificadas pela doença e as enfermeiras estão em posição privilegiada dentre os profis sionais da saúde para atender o paciente/cliente enquanto úni co, porque elas são capazes de compartilhar experiências com
eles, enquanto seres humanos. A doença traz limitações, não só fisiológicas e psicológicas, penetra na individualidade e existência das pessoas. A doença atinge a autonomia e indepen dência, obrigando a aceitar deficiências ou defeitos e a pedir para que seja aliviada a dor ou a perda. Muitas vezes, os pro
fissionais de saúde deixam de considerar e de conhecer os v a lores do paciente em relação a como enfrentam seus problemas de saúde, impondo-lhes seus sistemas de valores.
De acordo com Garver apud Curtin (1979) a "violência não é tanto uma questão de força, quanto é uma questão de violar as pessoas física, intelectual e psicológicamente."
A habilidade para prover assistência segura e livre de riscos, requer também por parte da enfermeira sensibilidade para atender os seres humanos nas suas necessidades criadas pela doença.
Qualidade como Valor no Desempenho do Próprio Exercício Profissional:
Qualidade: é o atributo, conjunto de características que torna possível avaliar, aprovar, aceitar ou recusar qualquer coisa que não esteja condizente com os padrões profissionais estabelecidos.
A busca da qualidade enquanto condição condizente com pa drões profissionais, aparece de forma difusa entre as respon- dentes. Os depoimentos referentes à qualidade, relacionam-se às necessidades pessoais de conhecimento técnico-científico, ou à falta de condição física, material e de pessoal para garantí-la.
"Você está sempre procurando melhorar, têm muitas enfermeiras acomodadas, o interesse na formação é importante porque nos formamos bem jovens e é peque-
no o período de estágio..." (ID.25 ADM)
"É importante estar sempre cuidando para que sejam aplicados os princípios científicos da profissão, para não ferir a integridade do paciente, incluindo o psicológico. Seguir as normas técnicas para promover o bem-estar dos pacientes" (ID.06 A)
Evidencia-se uma certa preocupação com a responsabilidade social, no entanto, embora as enfermeiras iniciem sua consci entização o seu comprometimento ético ainda é pouco eviden ciado.
Valores Pessoais x Valores Institucionais no Desempenho do Exercício Profissional:
Valores Pessoais versus Valores Institucionais: é quando os valores humanistas das enfermeiras se confrontam com valo res institucionais que contradizem os direitos das pessoas do ponto de vista ético e moral.
Nos depoimentos que se seguem, percebe-se a fragilidade do sistema ético pessoal e profissional das respondentes,
frente ao sistema gerencial das instituições de saúde. Confor me Young (1987) a ética profissional reflete dinamicamente a cultura na qual as enfermeiras praticam e é reforçada, ajus tada, e muda de acordo com os eventos culturais.
"Dentro da instituição, é cobrado eficiência não pelas suas funções, mas é a eficiência para que o setor ande, para que funcione em relação ao pessoal, ao cuidado e em termos de custos." (ID.25 ADM)
"Você normalmente faz o que a instituição te manda, não faz o que seria os direitos do paciente, isso supera até mesmo as questões do 'eu' enfermeiro. Se me pedirem para dar assistência numa UTI pediátrica, com respirador pediátrico, eu nunca lidei, não sabe ria. Mas a instituição te manda; o enfermeiro tem alguma noção do certo e do errado, e acaba assumin do mesmo sem competência. Não precisa ser muito experiente para saber que vai dar problemas..."
Young (1987) alerta para dilemas éticos enfrentados por profissionais da saúde, em relação às questões sociais. Dentre eles, determinar se saúde é um direito, uma obrigação ou um privilégio. A autora supra citada destaca que a crença de que saúde seja um direito está muitas vezes submetida a programas governamentais. Do ponto de vista da saúde pública espera-se que cada pessoa tenha por obrigação manter-se saudável o su ficiente para não afetar a saúde de outros. Nas instituições de cuidados à saúde, o processo de recuperação da saúde acaba sendo um privilégio daqueles com adequada fonte financeira.
"O Pronto-Socorro é a porta de entrada de dinheiro de todo hospital e eu questionava por que internava paciente particular, e não tinha vagas para o previ- denciário, que morria do lado de fora". (ID.23 E)
"Para mim está claro entre a empresa e o paciente, eu fico com o paciente. Fico com o princípio da h o nestidade, espero não ter que fazer esta opção..."
(ID.21 ADM)