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PROFISSIONAL: UMA EXPERIÊNCIA EM NORMATIZAR

Lidiane Barreto Alves ZWICK; Mônica Grazieli MARQUET; Sílvia Maria de Oliveira PAVÃO

PROFISSIONAL: UMA EXPERIÊNCIA EM NORMATIZAR

As estratégias organizadas pela UFSM, frente à inclusão e acessibilidade, repercutem nas matrículas da instituição. No gráfico abaixo, podemos observar as alterações do quantitativo das matrículas nos últimos anos.

Gráfico 1: Número de matrículas de alunos com surdez no período

entre 2008 e 2016.

Fonte: Coordenadoria de Ações Educacionais- CAED/UFSM Fonte: Coordenadoria de Ações Educacionais- CAED/UFSM

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Perante o crescente ingresso de alunos e professores surdos na instituição, a fim de suprir a insuficiência de profissionais no recorte temporal 2009/2016, foram realizados quatro concursos públicos para provimento do cargo de TILS e ainda a terceirização de vagas, com distribuição conforme o quadro abaixo.

Tabela 1 – Distribuição dos profissionais tils por forma de ingresso

Provimento

ANO

Nº de vagas

disponibilizadas Concurso Terceirizado Total

2009 2 2 5 7

2013 9 9 0 9

2014 2 2 0 2

2016 2 2 0 2

Fonte: Coordenadoria de Ações Educacionais- CAED/UFSM

A partir dos relatórios institucionais (UFSM, 2015), é possível perceber que a área da surdez tem ocupado 10% do espaço no meio acadêmico, entre estudantes surdos que ingressam em diferentes cursos, abrangendo diferentes áreas do conhecimento. Surgem, assim, desafios, pois o tradutor/intérprete de Libras começa a atuar em quaisquer espaços onde estiverem surdos, como seminários e aulas, possibilitando o acesso às informações e à cidadania, garantido por lei.

Partindo deste contexto, a UFSM lança, no primeiro semestre de 2016, uma Normatização, a fim de oferecer à comunidade da instituição orientações acerca da atuação do profissional tradutor/ intérprete de Libras na Universidade (Normatização e atuação do tradutor/intérprete de Libras (TILS) na UFSM, 2016b). A iniciativa dessa Normatização surge da necessidade de organização e conhecimento do serviço por parte da comunidade, da atuação que o profissional

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Estratégias para acesso e permanência de alunos surdos no ensino superior

tradutor/intérprete de Libras vem exercendo em sua função dentro da instituição e das implicações desse serviço para as demais categorias profissionais da instituição, principalmente para os estudantes.

A Normatização foi desenvolvida pela equipe técnica, com a expectativa de que seja utilizada e difundida nas práticas cotidianas da Universidade. Segundo a Normatização (UFSM, 2016 b), o tradutor/ intérprete de Libras, sendo um servidor da UFSM, tem como função traduzir e interpretar a Língua Portuguesa oral/escrita para a Língua Brasileira de Sinais (Libras) e vice-versa nos diferentes ambientes e atividades de natureza acadêmica em que isso for solicitado, tais como: sala de aula, seminários, congressos, bancas (concursos públicos, trabalhos de conclusão de curso, monografias, qualificações, defesa de mestrado, defesa de doutorado), trabalhos científicos, reuniões de departamentos, secretarias.

A conscientização do papel do TILS torna-se importante, na medida em que a crescente demanda do profissional é uma forma de melhorar a qualidade do trabalho, o que repercute na aprendizagem, possibilitando a permanência e o desenvolvimento das pessoas surdas no espaço acadêmico.

Um dos grandes desafios da profissão é garantir a todos os acadêmicos e professores surdos o atendimento, para que sejam incluídos e tenham acesso a todas as informações em quaisquer atividades das quais participem. A presença do profissional intérprete é mais um elemento de acessibilidade, mas não o único recurso, sendo um apoio que aproxima o aluno surdo das interações do professor e vice-versa, para que, dessa forma, o estudante se sinta parte da classe.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Ao longo deste trabalho, discutimos sobre a fomentação de estratégias de acessibilidade no ensino superior, destacando aquelas organizadas pela UFSM que contemplam as pessoas com surdez.

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O ingresso de pessoas com deficiência nas instituições de ensino superior tem ocorrido gradativamente nos últimos anos, fortalecendo a perspectiva educacional inclusiva, pois demonstra que podemos aprender em espaços comuns, desde que as singularidades sejam respeitadas. Com relação às pessoas com surdez, considerar a acessibilidade linguística assume relevância neste cenário. Assim, é urgente pensar em estratégias que atendam às demandas de inclusão.

Pensando nas complexas questões que envolvem a inclusão no ensino superior, a UFSM implementa sete estratégias que contemplam os diferentes momentos da vida acadêmica: ingresso, permanência e conclusão. As estratégias proporcionadas pela Universidade destinam- se às diferentes deficiências, contudo, evidencia-se que quatro delas – as estratégias de convocação, correção da prova da redação, LIBRAS Tri e Presença de TILS – eram direcionadas especificamente às pessoas com surdez, considerando suas peculiaridades.

Podemos observar que as estratégias de acessibilidade influenciam não apenas o processo educacional, como também toda a organização institucional. No caso da UFSM, alguns movimentos estão inter-relacionados, dos quais, a reserva de vagas e o planejamento diferenciado das atividades, envolvendo diferentes profissionais de interpretação em Libras e gerando condições de acesso nas diferentes atividades acadêmicas disponibilizadas pela instituição.

À medida que as estratégias são implementadas, observa-se a elevação dos índices de matrículas de alunos com surdez, surgindo à necessidade de novos profissionais para suprir essa demanda – os TILS, que atendem a essa especificidade linguística. Diante da pluralidade de atividades que constituem a formação acadêmica, normatizar as atividades deste profissional proporciona melhores condições de atendimento.

Ao concluir este artigo, é possível perceber a importância de fomentar diálogos sobre a formulação de estratégias no ensino superior, embora nem todas as estratégias se mantenham ativas

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Estratégias para acesso e permanência de alunos surdos no ensino superior

na UFSM, ainda constituem o processo e são relevantes a fim de proporcionar o acesso, a permanência e o sucesso dos alunos com deficiência.

Compreende-se que as reorganizações ocorridas na UFSM sejam disparadoras para outras instituições de ensino que recebem alunos com deficiência, pois criar formas de organizar suas práticas pedagógicas e de suporte a esses estudantes é imprescindível para a democratização do ensino.

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