CAPÍTULO III – PROGRAMA SIMPLES PARA ATENDER FAMÍLIAS COMPLEXAS
3. Programa bolsa família
“[...] programa de transferência de renda com condicionalidades para famílias pobres (...) São dois tipos de benefício: básico e variável. O básico, de R$50,00, é concedido às famílias com renda mensal per capita de até R$50,00. O benefício variável, no valor de R$15,00, é concedido a todas as famílias que tenham filhos de até 15 anos, gestantes, e mães amamentando, até o valor de R$45,00. O benefício variável também poderá ser recebido pelas famílias com renda mensal per capita de R$51,00 a R$100,00. Com isso, cada família pode receber de R$15,00 a R$95,00 por mês. O valor dos benefícios significa um importante incremento de moeda circulando nas economias locais, estimulando o seu dinamismo. O programa cria possibilidades de melhoria das condições de vida, contribuindo para a emancipação dos grupos familiares e do desenvolvimento local sustentável e promove o acesso à rede de serviços públicos, em especial de saúde, educação e assistência social, contribuindo para que o responsável pela família mantenha suas crianças e adolescentes de 6 a 15 anos na escola e também faça acompanhamento de saúde e nutrição das pessoas da família, principalmente das de 0 a 7 anos, das mulheres grávidas e das que estão amamentando” ( MDSCF, s/d:13).
O Bolsa-Família foi criado em outubro de 2003, com o propósito de ser um grande e amplo programa de transferência de renda que substituiria os demais programas sociais (Bolsa-Escola, Vale Gás, Cartão Alimentação, PETI, Bolsa Alimentação) existentes em nível federal, por meio do estabelecimento de um cadastro único.
As famílias incluídas nos diversos programas federais de transferência de renda estão sendo recadastradas no Bolsa-Família. Até o momento, ainda não foi concluído o recadastramento das famílias no cadastro único do programa. Por duas vezes, o MDS já prorrogou o prazo de encerramento do recadastramento das famílias no programa, considerando que muitas delas não compareceram para se recadastrar. O último prazo estabelecido pelo MDS foi 31 de março de 2006.
Passados dois anos da implantação do Bolsa-Família, o programa é hoje considerado o maior programa de transferência de renda já existente no país.
“O Bolsa-Família é considerado uma inovação no âmbito dos Programas de Transferência de Renda por se propor a proteger o grupo familiar como um todo; pela elevação do valor monetário do benefício; pela simplificação que representa e pela elevação dos recursos destinados a programas dessa natureza, de modo que, segundo os idealizadores do Programa, não há possibilidade de diminuição da transferência
monetária em relação ao benefício então prestado por qualquer dos outros programas” ( Silva et alii, 2004:137).
Estudo realizado no final de 2005 pelo Instituto Polis em Belo Horizonte indica que a condição de vida das pessoas incluídas no Bolsa-Família melhorou ou ficou muito melhor depois de suas famílias terem sido incluídas no programa. O levantamento realizado a pedido do MDS indica que o rendimento médio das famílias beneficiárias do programa aumentou 21,3%, o que contribuiu para que 61,7% dos adultos e 66% das crianças dessas famílias conseguisse fazer três refeições ao dia.
O jornal Folha de S. Paulo, do dia 29 de janeiro de 2006, publica reportagem intitulada: “Pobreza cresce em São Paulo e cai no Brasil”. A matéria publica dados do relatório do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade, que se baseou na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio do IBGE. Uma das informações diz respeito à queda do número de pobres no Brasil. A pesquisadora do Instituto Sonia Rocha discute que uma das razões da queda está relacionada com a existência das transferências de renda dos programas sociais, particularmente, o do Bolsa Família.
“No país como um todo a proporção dos pobres caiu de 35,,6% em 2003 para
33,2%, principalmente por causa do crescimento do emprego, da valorização do salário mínimo e da expansão das bolsas pagas pelo governo, como as do programa Bolsa- Família.”
Dados do Ministério do Desenvolvimento Social e de Combate à Fome afirmam que o programa já incluiu, até 2005, 8.907.275 famílias, e pretende incluir, até o final de 2006, 11 milhões de famílias. No estado de São Paulo o programa está implantado nos 645 municípios, e o número de famílias incluídas no programa Bolsa-Família é de 890.615.
Na capital paulista esse número é de 170.805 famílias. A Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social (SMDS) informa que o número de famílias incluídas no programa nos dois distritos é de 8.696. Destas, 5.241estão Incluídas no distrito do Itaim Paulista e 3.455 no Jardim Helena. Das quarenta famílias deste estudo, dezoito são beneficiárias do Bolsa-Família, sendo onze do distrito do Itaim Paulista e sete do Jardim Helena.
Programas sociais com pretensões como as preteridas pelo Bolsa-Família, como combater a pobreza e a exclusão social, necessitam ter a amplitude necessária para fazer a cobertura de atendimento universal da parcela da população, que sofre com as conseqüências resultantes da questão social. Precisa ter proposta que possibilite a construção de estratégias metodológicas que superem a lógica fragmentada e isolem da complementação de renda. Nesse sentido, o Bolsa- Família precisa se constituir de fato em serviço com condições de prestar atendimento efetivo e com qualidade às famílias. O atendimento a que me refiro precisa ir além dos limites da transferência de renda. Na verdade, estou me referindo ao trabalho de acompanhamento social das famílias. Para tanto, se faz necessário que o Bolsa-Família avance para o patamar de serviço do Sistema Único de Assistência Social (SUAS), patamar que vai permitir que o programa se transforme em serviço cuja lógica seja a da complementaridade, com condições de oferecer atenção e proteção.social às famílias.