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Com o lançamento do Plano Brasil Sem Miséria, essa ação ganha uma visibilidade ainda maior, tendo em vista que a universalização do acesso à água no semiárido passou a ser uma de suas metas e a cisterna uma das formas de assegurá-la.

O primeiro passo foi identificar a demanda por cisternas no semiárido. Essa estimativa partiu da intersecção de quatro variáveis para a definição do público-alvo prioritário do Programa a ser identificado no Cadastro Único8: a) ser domiciliado em municí-pio do semiárido; b) ser domiciliado na zona rural do municímunicí-pio; c) ter o perfil de elegibilidade ao Programa Bolsa Família9; e d) não possuir acesso à rede pública de abastecimento de água.

A definição da meta de 750 mil famílias ainda foi projetada retirando da demanda o quantitativo de famílias que já haviam sido atendidas com cisternas até 2010. Naquele momento essa meta constituía um enorme desafio, visto que a estimativa de aten-dimento em quatro anos representava mais do que o dobro de entregas de cisternas realizadas nos oito anos anteriores.

8 Foram identificadas com “Perfil Cadastro Único” as famílias com renda per capita igual ou inferior a R$ 232,50, uma vez que também constam no cadastro famílias com perfil de renda acima desta faixa.

9 À época, eram consideradas elegíveis ao Programa Bolsa Família famílias com renda per capita inferior a R$ 70,00, e famílias com renda per capita entre R$ 70,01 e R$ 140,00 com filhos entre 0 e 16 anos incompletos.

Esse compromisso foi materializado posteriormente no Programa Água Para Todos, instituído pelo Decreto nº 7.535, de 26 de julho de 2011, que reforçou a importância dos sistemas de captação e armazenamento de águas pluviais como alternativa para a promoção da saúde, segurança alimentar e do desenvolvimento local das populações rurais e em situação de vulnerabilidade social.

Para dar consequência às metas apresentadas foi fundamental a articulação dos órgãos e instituições federais com competência legal em temas como segurança alimentar e nutricional, infraestrutura hídrica e de abastecimento público de água, de saúde e meio ambiente, bem como a articulação com estados, municípios e com a sociedade civil organizada. Era preciso uma ação coordenada de governo e, nesse sentido, outros órgãos de governo foram envolvidos e diversas reuniões foram realizadas no MDS no sentido de formatar um programa abrangente de acesso à água. Neste contexto, duas instâncias foram responsáveis por realizar a coordenação intersetorial do tema, o Grupo Gestor do Programa Água Para Todos (APT) e a Sala de Situação do APT no âmbito da estrutura de coordenação do Plano Brasil sem Miséria.

Considerando a diversidade de parceiros responsáveis pela execução da meta, e considerando a amplitude do desafio, em um primeiro momento foi fundamental a organização da atuação de cada um desses parceiros, buscando evitar a sobreposição de executores. Assim, foram definidos agrupamentos de municípios onde cada um poderia realizar suas contratações. Essa “territorialização” resultou em um mosaico bem definido de distribuição das metas, considerando que cada parceiro deveria atuar em territórios bem definidos na perspectiva de universalizar o atendimento naquele território.

Ao cruzar informações do Cadastro Único com informações do SIG Cisternas10, o Sistema de Gerenciamento da Universalização do Acesso à Água – SIG Água, ti-nha a perspectiva de oferecer, via web, a lista de famílias a serem atendidas em cada município, incluindo a localização dessas famílias, facilitando o planejamento para a mobilização e atendimento do público alvo do Programa, além do trabalho de busca ativa a ser realizado.

Diante desse cenário, além da inclusão de outros órgãos e instituições na execução das metas do Programa Água para Todos, tais como o Ministério da Integração Nacional, da Fundação Banco do Brasil, do Ministério do Meio Ambiente e da Fundação Na-cional de Saúde – FUNASA, o próprio MDS buscou novas parcerias.

Nesse contexto, foram formalizadas novas parcerias ou ampliadas parcerias já exis-tentes com oito dos nove estados abrangidos pela região do semiárido legal, além de expandidas as ações para estados da região Sul, Sudeste e Norte do país e fortalecida a parceria com a Associação Programa Um Milhão de Cisternas - AP1MC. Também foram firmadas parcerias com o Banco do Nordeste, a partir de contrato de prestação

10 O SIG Cisternas é um sistema infor-matizado desenvolvido pelo MDS e utilizado pelos parceiros para o registro das cisternas e das demais tecnologias implementadas, agregando ainda um conjunto de informações sobre a família e sua propriedade rural, e constituindo como importante ferramenta de gestão e monitoramento da execução das ações do Programa.

de serviços, e firmados convênios com consórcios públicos de municípios, atores que até então não participavam do processo.

Ou seja, a estratégia de universalização envolveu a participação de um conjunto am-plo de atores, num esforço significativo de coordenação e execução que garantisse o atendimento da demanda inicialmente levantada. Ao MDS coube a maior parte da meta: 450 mil cisternas de placas para o consumo humano e a integralidade da meta associada à água para a produção.

Esse amplo esforço, refletido na ampliação significativa do orçamento do Programa e, consequentemente, na ampliação dos contratos, resultou na entrega direta pelo MDS de 378,2 mil cisternas de placas e mais de 65 mil tecnologias sociais de acesso à água para a produção de alimentos, conforme disposto no Gráfico 1 abaixo11.

GRÁFICO 1: CISTERNAS DE PLACAS E OUTRAS TECNOLOGIAS IMPLEMENTADAS PELO MDS NO ÂMBITO DO PROGRAMA CISTERNAS.

 

Fonte: SESAN/MDS e SESEP/MDS.

11 Importante destacar que, além da atuação direta pelo MDS, foram reali-zadas, no âmbito do BSM, articulações institucionais com a Fundação Banco do Brasil, a Petrobrás e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômicco e Socil – BNDES que resultaram na entrega de mais de 80 mil cisteranas de placas de 16 mil litros e 35 mil tecnologias de acesso à água para produção de alimentos (não

contabi-FIGURA 2: CISTERNA DE PLACAS DE 16 MIL LITROS

 

Foto: Arquivo MDS.

FIGURA 4: CISTERNA DE ENXURRADAS DE 52 MIL LITROS, COM PEQUENA PRODUÇÃO DE HORTALIÇAS ASSO-CIADA AO CARÁTER PRODUTIVO.

 Foto: Arquivo MDS.

FIGURA 3: CISTERNA CALÇADÃO DE 52 MIL LITROS

 

Foto: Arquivo MDS.

FIGURA 5: BARRAGEM SUBTERRÂNEA

 

Foto: Arquivo MDS.

FIGURA 6: BARREIRO TRINCHEIRA FAMILIAR.

 

Foto: Arquivo MDS.

FIGURA 7: BOMBA D’ÁGUA POPULAR

FIGURA 8: TANQUE DE PEDRA

 

Foto: Arquivo MDS.

FIGURA 9: QUINTAL PRODUTIVO ASSOCIADO À IMPLEMENTAÇÃO DE UMA CISTERNA DE ENXURRADAS. PRODUÇÃO DE HORTALIÇAS COM FRUTEIRAS AO FUNDO.

 

Foto: Arquivo MDS.