Grupo de Trabalho busca recursos e parcerias
A discussão sobre o programa Coleta Seletiva Solidária tem sido intensa nos últimos dois anos. Neste tempo, sociedade civil e organismos públicos vem trabalhando juntos pelo resgate da cidadania do catador e pelo tratamento racional, ecológico e re-aproveitável do lixo na cidade de São Paulo. Catadores, ONGs e Poder Público tem se esforçado, num processo de gestão compartilhada, para fazer realidade o funcionamento das Centrais de Coleta Seletiva Solidária.
O Decreto Nº 42.290, de 15 de Agosto de 2.002, da
prefeita Marta Suplicy, foi a confirmação do bom trabalho realizado até agora e o aval legal para continuá-lo. Momento importante neste processo foi a reunião do dia 11 de Setembro entre representantes dos catadores, ONGs e Poder Público (SSO e sub-prefeitura regional da Sé). Nesta reunião formalizou-se o Grupo de Trabalho (G.T.) que se encarregará de pôr em funcionamento a Central da região da Sé. A prefeitura já destinou um local para o projeto, verba para sua reforma (R$ 200.000´00) e maquinária para seu funcionamento.
A Central funcionará em vários galpões num terreno da sub-prefeitura da Sé, sito na Avenida do Estado. O Núcleo será entregue na segunda quinzena de Novembro a uma cooperativa de segundo nível, formada por cooperativas de catadores da zona centro. Esta cooperativa estará encarregada da gestão da Central, assessorada por ONGs e Poder Público.
A verba liberada para o Programa Coleta Seletiva Solidária, que prevê dez (10) Centrais na cidade de São Paulo, é de 1,6 milhões de reais. Esta verba foi destinada a reformas e recursos das centrais da Mooca, Leopoldina e Sé, também para containers para diferentes pontos de entrega voluntária e para equipamentos para os dez núcleos.
Agora, a missão do G.T. do núcleo da Sé é pôr em funcionamento a Central da região. Para que isso aconteça, o G.T. está buscando recursos, com a finalidade de criar um capital de giro inicial para despesas administrativas e de recursos humanos, até que a Central se torne auto-sustentável. O G.T. também procura firmar parcerias com empresas que encaminhem todo seu material reaproveitável para a central. Também busca a colaboração de grupos e organizações preocupados com os problemas da ecologia e do desperdício do lixo, que ajudem na divulgação do programa e na conscientização da população. Esta Central contará com uma infraestrutura capaz de absorver todo o material re-aproveitável produzido na zona centro de São Paulo. Possibilitará ao mesmo tempo maior poder de negociação e, conseqüentemente, maior renda para os catadores, melhorando sua qualidade de vida.
Falta só a colaboração de todos na hora de criar consciência e educar à sociedade. Igualmente torna-se necessária a colaboração de empresas com responsabilidade social e ecológica.
Para contatos, informações e colaboração de qualquer tipo, escrever para [email protected], ou ligar para OAF (11) 3208-5096 e (11) 3209-3419, falar com Miguel.
Miguel Angel Monroy Rodriguez Secretário do G.T. Central da Sé Segue o decreto na íntegra:
DECRETO Nº 42.290, DE 15 DE AGOSTO DE 2002 Institui o Programa Socioambiental Cooperativa de Catadores de Material Reciclável, e dá outras providências. MARTA SUPLICY, Prefeita do Município de São Paulo, no uso das atribuições que lhe são conferidas por lei, CONSIDERANDO que, atualmente, grande parte do lixo gerado na Cidade de São Paulo é constituído de material passível de reciclagem;
CONSIDERANDO a importância da segregação do lixo para proteger o meio ambiente e combater a poluição; CONSIDERANDO que a coleta seletiva propicia o efetivo reaproveitamento do lixo pela indústria e, em conseqüência, o aumento de vida útil dos aterros sanitários;
CONSIDERANDO a importância de formalizar a atuação, hoje informal, dos catadores de resíduos recicláveis no programa de coleta seletiva do Município;
CONSIDERANDO ser relevante a geração de renda para essa parcela excluída da população, garantindo-lhe meios de se tornar cidadã;
CONSIDERANDO a necessidade de que a atividade de catação seja menos insalubre e danosa à saúde dos catadores,
DECRETA:
Art. 1º - Fica instituído, no âmbito do Município de São Paulo, o Programa Socioambiental Cooperativa de Catadores de Material Reciclável, a ser desenvolvido com a participação da sociedade civil, com a finalidade de promover a defesa do meio ambiente, a mudança de comportamento social e a geração de emprego e renda. Art. 2º - O Programa ora criado tem os seguintes objetivos:
I - estimular a geração de emprego e renda;
II - fomentar a formação de cooperativas de trabalho; III - resgatar a cidadania mediante o reconhecimento do direito básico ao trabalho;
IV - promover a educação ambiental;
V - propiciar a defesa do meio ambiente pela coleta seletiva e a reciclagem do lixo;
VI - apoiar as cooperativas de trabalho, visando ao aprimoramento de suas atividades.
Art. 3º - As ações do Programa incluirão:
I - apoio à formação de cooperativas de trabalho; II - implementação progressiva de coleta seletiva de lixo, por meio das cooperativas de trabalho referidas no inciso
I deste artigo;
III - triagem e reciclagem do material coletado em unidades regionais, a serem operadas pelas próprias cooperativas de trabalho;
IV - desenvolvimento de atividades de educação ambiental.
Art. 4º - A Secretaria de Serviços e Obras será responsável pela Coordenação Geral do Programa, estabelecendo normas e procedimentos para sua implementação, controle, acompanhamento e fiscalização.
Art. 5º - O Programa será gerido, de forma compartilhada, por representantes do Executivo, das cooperativas de trabalho, de entidades sindicais e da sociedade civil.
Parágrafo único - Entende-se por cooperativa o grupo de catadores de material reciclável legalmente constituído, que gerenciará a unidade regional encarregada de coletar, triar, armazenar e comercializar os resíduos sólidos recicláveis.
Art. 6º - O Programa contará com uma comissão de apoio, que terá por atribuição o contínuo acompanhamento, a avaliação e a formulação de sugestões para seu aperfeiçoamento e será constituída pelos representantes dos seguintes órgãos:
I - Administração Direta Municipal:
a) Secretaria Municipal de Assistência Social - SAS; b) Secretaria Municipal do Meio Ambiente - SMMA; c) Secretaria do Desenvolvimento, Trabalho e Solidariedade - SDTS;
d) Secretaria Municipal de Educação - SME; e) Secretaria Municipal da Saúde - SMS;
f) Secretaria de Implementação das Subprefeituras - SIS; II - Sociedade Civil:
a) Fórum Lixo e Cidadania do Município de São Paulo; b) Fórum Recicla São Paulo;
c) Fórum de Desenvolvimento da Zona Leste; d) Comitê Metropolitano de Catadores;
e) demais entidades que desenvolvam trabalhos afins no âmbito do Município de São Paulo;
III - entidades sindicais;
IV - instituições de ensino e pesquisa.
Parágrafo único - As funções da Secretaria Executiva do Programa serão exercidas pela Secretaria de Serviços e Obras.
Art. 7º - As cooperativas de trabalho participantes do Programa terão as atribuições de executar a coleta, a triagem, o armazenamento, a reciclagem e a comercia- lização dos resíduos sólidos recicláveis, conforme diretrizes a serem estabelecidas pela Secretaria de Serviços e Obras.
Parágrafo único - A receita da comercialização de resíduos sólidos recicláveis reverterá integralmente às cooperativas participantes do Programa.
Art. 8º - As diretrizes e as atribuições das cooperativas e sua área de atuação serão especificadas em convênio a ser celebrado entre a Municipalidade, representada pela Secretaria de Serviços e Obras, e as cooperativas participantes do Programa.
Parágrafo único - O convênio terá a validade de 2 (dois) anos, podendo ser renovado.
Art. 9º - Somente poderão participar do Programa as cooperativas em que todos os trabalhadores sejam cooperados, vedada a contratação de empregados para atividades diretamente associadas à coleta e à reciclagem de resíduos sólidos.
Art. 10 - Este decreto entrará em vigor na data de sua publicação, revogadas as disposições em contrário. PREFEITURA DO MUNICÍPIO DE SÃO PAULO, aos 15 de agosto de 2002, 449º da fundação de São Paulo. MARTA SUPLICY, PREFEITA
ANNA EMILIA CORDELLI ALVES, Secretária dos Negócios Jurídicos
JOÃO SAYAD, Secretário de Finanças e Desenvolvimento Econômico
JORGE FONTES HEREDA, Secretário de Serviços e Obras
ENY MARISA MAIA, Secretária Municipal de Educação ALDAÍZA SPOSATI, Secretária Municipal de Assistência Social
EDUARDO JORGE MARTINS ALVES SOBRINHO, Secretário Municipal da Saúde
JILMAR AUGUSTINHO TATTO, Secretário Municipal das Subprefeituras
STELA GOLDENSTEIN, Secretária Municipal do Meio Ambiente
MÁRCIO POCHMANN, Secretário do Desenvolvimento, Trabalho e Solidariedade
Publicado na Secretaria do Governo Municipal, em 15 de agosto de 2002.
RUI GOETHE DA COSTA FALCÃO, Secretário do Governo Municipal
A RT I G O S
Reciclagem: uma solução que exige muito esforço Por Cosmo Fernando Pacetta *
O trabalho de reciclagem exige esforço, boa vontade e conhecimento. Exige uma cuidadosa seleção do material a ser reciclado, para seguir na preparação,
extrusão e injeção das peças. Portanto, reciclar é tão caro quanto usar matéria-prima virgem. O controle da reciclagem é rigoroso. Requer pessoal treinado e escolha adequada e perfeita dos materiais, sobretudo diante da infindável quantidade de plásticos processada nos últimos anos.
É indiscutível que cada vez mais a reciclagem se torna necessária. Na Juntafácil, enfrentamos o mesmo problema enfrentado por tantas outras indústrias que trabalham com reciclagem: a política de impostos adotada pelo governo, que insiste em tributar materiais que já foram utilizados e que, portanto, já responderam por suas responsabilidades. Esse sistema vem inviabilizando a transformação do plástico. Não existe qualquer tipo de incentivo ou isenção de impostos por parte do governo. Se este não estudar rapidamente a questão ambiental e a questão tributária sobre os materiais reciclados, certamente daqui a cinco anos, teremos um rio de PETs substituindo o rio Tietê.
A Abividro - Associação Técnica Brasileira das Indús- trias Automáticas de Vidro observou, no ano passado, que das 869 mil toneladas de embalagens que as vidrarias forneceram, 67%, ou seja, 582 mil toneladas, destinaram-se a bebidas, e desse total 378 mil toneladas acondicionaram cervejas. A entidade infor- ma que o Brasil é o quarto produtor mundial de cer- veja, com produção de 8,2 milhões, sendo que o setor já estuda o uso do PET no engarrafamento do produto. Portanto, se a atitude do governo persistir, teremos milhões de garrafas não retornáveis, gerando um grave problema ecológico para o país, onde o plástico ocupa entre 15% a 20% do volume do lixo brasileiro. Dentro de cinco a seis anos, viveremos um caos insus- tentável. Excetuando-se a atitude de pequenas em- presas, ninguém está preocupado em retirar estes resíduos plásticos em favor do meio ambiente.
* Cosmo Fernando Pacetta é diretor-presidente do Grupo Juntafácil
O hábito de descartar
Por Mônica Lobo de Athayde *
Vivemos numa sociedade que gera resíduos, aos quais é fundamental que se dê um destino adequado, seja através de reciclagem, ou através da criação de subprodutos. Em todos estes processos, uma etapa muito significativa é o momento do descarte.
consciência quanto à importância do hábito de descartar. As pessoas de maneira geral possuem dificuldades em descartar materiais adiando ou realizando de forma inadequada este processo. O descarte deve ser conduzido de forma consciente e responsável, visto que todos sabemos do ônus para o meio ambiente e para o homem quando os resíduos não são devidamente tratados. A poluição do meio ambiente e as suas conseqüências são problemas que são herdados há gerações.
Entretanto, muito pode ser feito para que o meio ambiente seja preservado. A separação de resíduos (orgânicos e inorgânicos), durante o descarte, confere a este processo não somente agilidade como também qualidade e racionalização a etapas posteriores, que poderiam ser a reciclagem ou mesmo a criação de novos produtos.
É preciso perceber o processo de reciclagem de forma integrada com a busca de qualidade de vida na qual o descarte é uma etapa importante. Quando descartamos os produtos de forma adequada agregamos valor a este processo, melhoramos os índices de reaproveitamento, barateamos o custo de produção com limpeza e triagem de materiais estimulando o crescimento da reciclagem.
Neste sentido, a coleta seletiva é fundamental e deve ser estimulada nas comunidades e conduzida com competência, criatividade e continuidade. Assim, através de parcerias, a viabilização econômica de projetos e serviços de coleta seletiva pode ser facilitada.
Ocorre que a coleta seletiva também pode ser beneficiada se houver um trabalho educativo no sentido de conscientizar e orientar as pessoas quanto à importância e o significado do descarte. O descarte não pode ser visto como um processo de livrar-se de materiais e resíduos que não servem mais. É preciso ter uma visão mais abrangente e perceber o descarte como um elo de um processo que é a reciclagem. A reciclagem pode ser dinamizada com ações integradas e consolidar-se como uma atividade promissora, cujos benefícios serão amplos para a sociedade e para a formação de cidadãos mais responsáveis quanto à necessidade de uma melhor qualidade ambiental.
Ressaltamos que a mudança de comportamentos e a criação de novos hábitos demandam tempo e investi- mentos, nos quais a educação é o meio para desencadear ações. O acesso a informações deve ser ampliado através de múltiplos canais para gerar
reflexão, questionamento, consciência e compromissos com a mudança.
A responsabilidade pela melhoria do processo de reciclagem deve ser compartilhada pela sociedade a fim de que possamos não somente dar um destino aos resíduos gerados, mas também garantir a todos uma melhor qualidade de vida.
* Mônica Lobo de Athayde é consultora organizacional Resíduos perigosos no Brasil e a Convenção de Basiléia
Por Luciana Ziglio*
A Convenção da Basiléia sobre o Controle de Movimentos Transfronteiricos de Resíduos Perigosos e seu Depósito, ou simplesmente, Convenção da Basiléia, caracteriza-se como o documento que estabelece mecanismos de controle de movimentação entre fronteiras1 de resíduos perigosos e seu respectivo depósito.
Por resíduos perigosos compreende a convenção que será o objeto que cause uma crescente ameaça à saúde humana e ao meio ambiente. No entanto, apenas esta definição torna-se superficial. O documento determina a relação de resíduos dos quais considera deste comportamento sendo exemplos as substancias explosivas, inflamáveis, farmacológicas e fotográficas. O Brasil, por meio do Decreto numero 875 de 1993, ratificou sua permanência como integrante da convenção, internalizando assim o documento em nosso país. A partir de então, todo o comércio internacional de resíduos perigosos entre o Brasil e o exterior passou a ser regulamentado. O Brasil assim sendo signatário da Convenção de Basiléia sobre o Controle de Movimentos Transfronteiricos de Resíduos Perigosos e seu Deposito mantém através do Conama – Conselho Nacional de Meio Ambiente proibida a importação de resíduos perigosos. A transferência de resíduos entre estados e países fica permitida desde que autorizada pelos órgãos estaduais e nacionais envolvidos e competentes.
Os resíduos perigosos constituem, no Brasil, motivo de preocupação das autoridades e órgãos ambientais, seja devido às quantidades que vêm sendo geradas, principalmente como resultado da elevada concentração industrial em algumas regiões do país, seja pela carência de instalações e locais adequados para o tratamento e destino final destes resíduos. Os quantitativos de resíduos perigosos gerados no Brasil
são largamente estimados e não se dispõe, efetivamente, de valores precisos. A Cetesb, órgão ambiental do estado de São Paulo por exemplo, estima que em 1992 apenas a região metropolitana gerou 200 mil toneladas de resíduos perigosos. Contudo esse valor é considerado subestimado, pois foi elaborado a partir de autodeclarações dos próprios geradores. Em nível nacional, estima-se que o total de resíduos industriais gerados anualmente oscile na ordem de 1,9 milhões de toneladas, estando incluídos perigosos ou não, no caso, inertes.
Recentemente nota-se uma preocupação dos órgãos ambientais brasileiros em suas diversas esferas com a criação de regulamentos, leis que orientem o destino dos resíduos perigosos. Para a expansão da convenção, as esferas atuantes até o presente momento encontram-se no patamar federal.
Iniciativas legislativas, ainda em elaboração, propõem a obrigatoriedade do retorno de certos produtos usados aos seus fabricantes. Resíduos como: pilhas, baterias, pneus e óleo lubrificante torna o fabricante responsável pelo destino ambientalmente correto. No entanto, apenas a aplicação da lei não é suficiente. Acompanhada desta deverá existir o gerenciamento integrado do resíduo. Assim, surge a busca das empresas às certificações ambientais e à adoção dos programas de atuação responsável, com o objetivo de redução dos seus resíduos para atingir deste modo os princípios da análise do ciclo de vida submeta da busca da eco-eficiência 2.
A Convenção de Basiléia sobre o Controle de Movimentos Transfronteiricos de Resíduos Perigosos e seu Depósito propõe, desta forma, ser um suporte para a busca do gerenciamento integrado dos resíduos perigosos no país. Tem atingindo este objetivo no sentido de facilitar um maior intercâmbio de informações e tecnologias para a otimização do uso de recursos naturais. No entanto, a convenção ainda demonstra-se pouco explorada pelos diversos segmentos: esfera pública, privada e sociedade civil. 1 Fronteira: segundo a convenção, transporte de resíduos entre municípios, estados ou países.
2 Eco-eficiência: processo que combina desempenho econômico e ambiental, permitindo que a produção possa ser mais eficiente com menores utilizações de recursos naturais, e ao mesmo tempo de reduzir os resíduos gerados.
BIBLIOGRAFIA CONSULTADA
VALLE , C. Resíduos Perigosos no Brasil. IN : 1 Guia
de Tecnologias Ambientais Brasil e Alemanha. 2000. Câmara do Comércio Brasil e Alemanha, São Paulo, p.182
COMPROMISSO EMPRESARIAL PARA RECICLAGEM. Manual de gerenciamento integrado do lixo. São Paulo : CEMPRE, 2000, p. 369.
Reduzindo, reutilizando, reciclando: A indústria eco- eficiente. São Paulo: CEMPRE, SENAI , 2000, p. 83. A Convenção da Basiléia sobre o Controle de Movimentos Transfronteiricos de Resíduos Perigosos e seu Depósito. São Paulo: Secretaria Estadual do Meio Ambiente,1997, p. 62
* Luciana Ziglio
Geógrafa (USP) , especialista e consultora Ambiental CARTAS
Isopor reciclável
Primeiramente, Parabens. Enfim um setor tão importante como o da reciclagem ganha um veiculo especializado. Muito bom e torço por vocês.
Gostaria de comentar sobre o artigo sob o título "temos uma atitude coerente?". O conteudo da matéria é coeso e faz sentido, agora me entristeceu um pouco quando o autor se refere às pessoas ditas conscientes que "tomam café em copinhos de isopor.". Eu explico: Sabemos, é claro, que o isopor é uma composição quimica que leva seculos para se extinguir na natureza, porem, o maior fabricante mundial desse produto, DART container, possuem um premiadissimo programa de reciclagem de copos e que este se faz presente na maioria das unidades fabris da Companhia na America.
Eles transformam copos usados em réguas, redes de pesca, fôrros de agasalhos e dezenas de outros produtos de qualidade. Eu tenho conhecimento disso por que durante algum tempo atuei como representante de vendas da empresa importadora desses copos e tive várias oportunidades de conversar com os executivos americanos a respeito do tema reciclagem. Bem agora vem a pergunta: Como aqui em nosso país não existe nenhuma iniciativa em torno da reciclagem desse material, será que não seria oportuno um contato com os fabricantes?
Você encontra informação no site
www.dartcontainer.com clique em environmet e depois no programa CARE (Cups Are REcyclabe) espero estar ajudando. Abraços a todos
Carlos Fernando Miranda e Silva Olá Carlos,
o consumo, muito menos contra algum material específico, mas pelo consumo consciente e pela reciclagem auto-sustentável.
O artigo realmente poderia trazer alguma má interpretação e, aproveitando que ele já estava caduco, foi tirado do ar.
É necessário que fique claro que precisamos pensar globalmente na reciclagem. Gostaria de pensar que todos os participantes de eventos de reciclagem separam o lixo em casa. Organizadores de eventos dessa natureza poderiam distribuir blocos e folders de papel reciclado, os brindes das empresas teriam mais valor agregado se fossem feitos com materiais reciclados, os copinhos ou embalagens poderiam usar materia-prima que facilite a reciclagem. De todo modo já se notam muitas iniciativas favoráveis.
Quanto a reciclagem do isopor, na verdade EPS, padronizado como número 6 na reciclagem dos plásticos (são sete tipos padronizados), existe muita informação desencontrada:
o site da Comlurb classifica isopor como altamente poluente e não reciclável. Os sites de empresas fabricantes de EPS dizem que o isopor não agride a natureza e é 100% reciclável.
O ótimo site da Unilivre na "experiência 339" fala de substitutos ecológicos para o isopor, porque ele não é reciclável. Na "experiência 366" fala do reaproveitamento do isopor na construção civil. Ainda no site da Unilivre, aproveitamos o trecho: "Considerado um dos "vilões" do lixo - porque ocupa muito espaço nos aterros sanitários - o isopor é composto por 98% de ar e apenas 2% de plástico e, portanto, economicamente inviável para a reciclagem (derretimento do produto para reaproveitá-lo como matéria-prima)".