4 INFORMÁTICA EDUCATIVA NO CEARÁ: PRIMEIROS PROGRAMAS
4.4 Programas e projetos de informática educativa desenvolvidos no Estado do Ceará
4.4.5 Programa Um Computador por Aluno (UCA)
O Programa Um Computador por Aluno foi instituído pela Lei nº 12.249, de 14 de junho de 2010, também de acordo com o Decreto nº 7.750, de 08 de junho de 2012, que regulamenta o Programa e nos apresenta o UCA, cujo objetivo é promover a inclusão digital nas escolas das redes públicas de ensino federal, estadual, distrital, municipal ou nas escolas sem fins lucrativos de atendimento a pessoas com deficiência, mediante a aquisição e a
utilização de soluções de informática, constituídas de equipamentos de informática, de programas de computador (software) neles instalados e de suporte e assistência técnica necessária ao seu funcionamento.
O UCA é uma iniciativa do Ministério da Educação, coordenado pela Secretaria de Educação a Distância (SEED/MEC) e financiado com recursos do PROINFO Integrado. Propõe a criação e a socialização de novas formas de utilização das tecnologias digitais nas escolas públicas brasileiras, buscando ampliar o processo de inclusão digital, além de promover o uso e a apropriação tecnológica das tecnologias digitais nas escolas. O uso de um computador por aluno enseja novas relações e tendências educacionais possibilitando a articulação de vários conhecimentos e de redes de interação de alunos e professores. Para Carvalho (2013, p. 45),
Esta iniciativa propõe a mudança do conceito de informática educativa, que prevê um computador para muitos alunos, para o modelo um para um (1:1), ou seja, cada aluno e professor passam a ter um laptop individual em sala de aula. Nesse novo paradigma, os computadores fixos são substituídos por máquinas móveis. Com a chegada dos laptops educacionais, o uso do computador deve deixar de ser experiência pontual nos laboratórios de informática em momentos raros e previamente planejados para tornar-se uma prática corrente da cultura da sala de aula, podendo ser utilizado pelo professor e alunos, a qualquer momento, como uma ferramenta para potencializar o conhecimento.
O Programa intensificou o uso de tecnologias digitais nas escolas, por meio da distribuição de computadores portáteis aos alunos da rede pública de ensino. Além dos equipamentos, promoveu a instalação de banda larga e infraestrutura de rede sem fio para os estabelecimentos de ensino participantes, além da capacitação dos professores para uso do equipamento e utilização dessa tecnologia no processo pedagógico escolar.
Os equipamentos adquiridos contêm sistema operacional específico e características físicas que facilitam o uso, uma vez que foram desenvolvidos para uso no ambiente escolar. O FNDE facilita a aquisição desses equipamentos com recursos dos próprios estados e municípios por meio da adesão ao pregão eletrônico, para que os estados e municípios possam comprar com recursos próprios ou com financiamentos.
Figura 02 – Netebooks da marca CCE desenvolvidos para o UCA.
Fonte: Disponível em:
<http://1.bp.blogspot.com/_TsIhLnArKvA/TCJDt2HZ1hI/AAAAAAAAABY/2SWSE62EcRo/s1600/uquinha.jp g>. Acesso em: 16 de março de 2017.
Com a chegada do Programa Um Computador por Aluno, as escolas tiveram que repensar novas maneiras de utilização desses recursos. Almeida e Valente (2011, p.14) explicam que essa ação do Governo brasileiro foi inspirada na proposta de distribuição de laptops para crianças pela Organização One Laptop per Children (OLPC) que tinha por objetivo “proporcionar a inclusão digital do aluno oriundo das classes populares por intermédio da escola e a utilização dessas tecnologias nos processos de ensino, aprendizagem
e desenvolvimento do currículo”.
Nascimento et. al. (2011) relembram que, no Brasil, esse programa assumiu inicialmente 300 escolas distribuídas em todos os estados da Federação. Foi lançado, incialmente, no ano de 2006, pressupondo a organização dos ambientes escolares e a formação de recursos humanos envolvidos nessa operacionalização para dinamizar novas práticas educacionais na escola que propiciem ricas aprendizagens aos discentes com maior mobilidade e criatividade.
No Estado do Ceará, o programa iniciou em 2010 com a criação de uma equipe multidisciplinar, composta por profissionais das áreas técnica e pedagógica. Nascimento et. al. (2011, p. 1209) nos contam que, no primeiro momento, a equipe analisou a infraestrutura e a prática pedagógica das nove escolas selecionadas pela SME e SEDUC. Com suporte nessa avaliação, as escolas iniciaram reformas em sua estrutura física, instalaram rede sem fio e passaram a ter acesso à conexão em banda larga.
A seleção das nove escolas públicas que participam do Programa coube às Secretarias de Educação e à União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (UNDIME). As escolas contempladas no interior do Ceará foram: Barreira, Crato, Iguatu,
Jijoca de Jericoacoara, Quixadá, São Gonçalo do Amarante e Sobral. De acordo com Castro Filho, Silva e Maia (2015, p. 13),
O Estado do Ceará foi beneficiado com a participação de nove escolas no projeto UCA: duas situadas em Fortaleza, na capital, e as demais, no interior do Estado. A Universidade Federal do Ceará (UFC), por meio do Instituto UFC Virtual, foi a coordenadora do Projeto no Estado.
Para o desenvolvimento do programa UCA, foram selecionados e formados os multiplicadores dos Núcleos de Tecnologia Municipais e Estaduais responsáveis pela formação dos professores que atuariam nas escolas selecionadas. Essa formação utilizou o ambiente virtual e-Proinfo por meio de atividades presenciais, a distância e ações colaborativas em rede com aulas teóricas e práticas, utilizando o laptop educacional. Ao longo dos anos, o projeto constatou avanços nessas escolas, como a melhoria da infraestrutura e da inclusão digital na comunidade. Castro Filho, Silva e Maia (2015, pp. 18-19) nos contam como aconteceram as formações no Ceará,
No Ceará, o modelo adotou um processo em espiral em que as etapas de formação permitiram a evolução das ações dos professores. A primeira etapa priorizou a familiarização do professor com o equipamento no que diz respeito ao hardware e aos softwares que compõem o laptop educacional. Em seguida, o professor vivenciou o uso do computador portátil como aprendiz, utilizando, experimentando e testando, do ponto de vista pedagógico, os recursos presentes. A terceira etapa previu a pesquisa e o planejamento de atividades com os seus alunos com o equipamento. Seguida da quarta fase que é a realização destas atividades. Na quinta etapa, aconteceu a reflexão compartilhada, em que os professores socializam o que realizaram, considerando os pontos positivos, os desafios e aquilo que deve ser repensado.
Desse modo, percebemos que o ciclo de formação do programa tem o foco na prática pedagógica e investe na formação continua dos professores para o uso da tecnologia. O UCA deixou uma importante contribuição para a política de informática na educação, direcionou as ações para o uso de tecnologias móveis na educação, incentivando o uso da internet, dentre outros recursos nas escolas, de maneira sistêmica, promovendo a integração de recursos e possibilidades, além de favorecer a mobilidade das tecnologias.
No próximo tópico, vamos conhecer o projeto de formação de professores desenvolvido pelo Centro de Referência do Professor (CRP), que faz parte da Prefeitura Municipal de Fortaleza e foi o responsável pelo acompanhamento e formação dos professores lotados nos laboratórios de informática das escolas, bem como ofertou cursos e desenvolveu projetos de informática educativa voltados para inclusão digital da sociedade cearense.