4 INFORMÁTICA EDUCATIVA NO CEARÁ: PRIMEIROS PROGRAMAS
4.1 Projeto Educação com Computadores (EDUCOM)
No período em que o EDUCOM surgiu, a sociedade vivia com a reserva de mercado brasileiro em que não era viável adquirir equipamentos e softwares estrangeiros, pois o custo era caro e o acesso restrito. Quando aconteceu o I Seminário Nacional de Informática Educacional, em 1981, na Universidade de Brasília (UNB), houve recomendações e orientações para o uso da informática educacional na realidade brasileira.
Alguns acontecimentos marcaram os primeiros passos para a criação de políticas públicas de informática educativa no Brasil. Em agosto de 1981, foi realizado o I Seminário
de Informática na Educação, Brasília/DF, UNB. Naquela ocasião, foi criada uma equipe de representantes da SEI12, MEC13, CNPq14, e FINEP15 para realizar os primeiros planejamentos e discutir estratégias para elaboração de um Programa de Informática na Educação com implantação de centros-piloto, seminários e pesquisas que visaram à constituição de uma política nacional de informática na educação com o objetivo de lançar possibilidades de utilização do computador nos processos de ensino e de aprendizagem (NASCIMENTO, 2007).
As recomendações norteadoras provenientes deste Seminário foram: que as atividades de informática educativa fossem balizadas por valores culturais, socio-políticos e pedagógicos da realidade brasileira; que os aspectos técnicos-econômicos fossem equacionados não em virtude das pressões de mercado, mas dos benefícios socio- educacionais; preservação das funções do professor, para que o computador fosse havido como um meio de ampliação das funções do professor e jamais para substituí-lo; atenção para que a política na área fortalecesse e apoiasse a indústria nacional de Informática; criação de projetos-pilotos de caráter experimental com implantação limitada, objetivando a realização de pesquisa sobre a utilização da informática no processo educacional.
Em dezembro de 1981, este documento ficou pronto e revelou subsídios para a implantação do Programa de Informática na Educação, elaborado pelo MEC, SEI e CNPq, que, em linhas gerais, estabelece ações norteadoras da introdução da informática na educação desde 1982.
Em agosto de 1982, em Salvador – BA, aconteceu o II Seminário Nacional de Informática na Educação, tendo como tema central da discussão a influência do computador na escola: subsídios para uma experiência-piloto do uso do computador no processo educacional brasileiro. Teve por objetivo coletar subsídios para a criação de centros-piloto, Com amparo em reflexões de especialistas das áreas de Educação, Psicologia, Informática e Sociologia.
Deste evento, como também no anterior, foram lançadas algumas recomendações: que os núcleos de pesquisa fossem vinculados às universidades com caráter disciplinar; que os computadores fossem um meio auxiliar do processo educacional, devendo se submeter aos fins da educação e não determiná-los; as aplicações em informática na educação não deveriam ser restritas ao 2º grau, de acordo com a proposta inicial do Governo
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SEI – Secretaria Especial de Informática.
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MEC – Ministério da Educação.
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CNPq – Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico.
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Federal; a priorização da formação de professor quanto aos aspectos teóricos, participação em pesquisas e experimentação, além do envolvimento com a tecnologia do computador. Essas recomendações foram essenciais para nortear os primeiros passos dos trabalhos e projetos desenvolvidos com o uso do computador.
Várias medidas governamentais foram tomadas e, em 1983, foi instituída a Comissão Especial de Informática na Educação, que contam com membros do MEC, SEI, CNPq, FINEP e EMBRATEL16, com o objetivo de elaborar subsídios para um futuro programa de informática na educação que possibilitasse a implantação dos centros-piloto sugeridos nos seminários de informática na educação e que colaborasse com os principais instrumentos de ação. Essa comissão foi responsável pelo Projeto EDUCOM.
O Brasil deu os primeiros passos em caminho da informática educativa com o projeto EDUCOM, criado em 1983. No ano de 1986 foi instituído o Comitê Assessor de Informática na Educação de 1º e 2º graus (CAIE), que teve por objetivo definir os rumos da política nacional de informática educativa, com suporte no projeto EDUCOM. Dentre suas principais ações, recomendou a produção descentralizada e concursos de softwares educacionais brasileiros atrelados a todas as ações já previstas, como a criação de centros de informática, definição e organização de cursos de formação de professores do CIED, pesquisas, ações de intercâmbio e efetuar a avaliação e a organização do projeto. A disputa de órgão para assumir a coordenação e a falta de suporte financeiro foram problemas enfrentados pelo projeto EDUCOM. Ainda assim, no entanto, conseguiu cumprir sua função enquanto existiu.
O projeto EDUCOM constituiu na primeira ação para levar os computadores às escolas públicas. Dirigido pelo MEC, foi implantado inicialmente em cinco universidades federais (UFRGS, UFPE, UNICAMP, UFMG, UFRJ) e as experiências propiciaram a consolidação de uma cultura de informática educativa na perspectiva da educação pública brasileira.
Propôs a educação com computadores e teve por objetivo principal estimular o desenvolvimento da pesquisa interdisciplinar voltada para a aplicação das tecnologias de informática nos processos de ensino e de aprendizagem. Foram observadas as diretrizes do Plano Setorial de Educação, Cultura e Desporto, do Plano Nacional de Informática e do Plano Básico de Desenvolvimento Científico e Tecnológico do País, além de acompanhar a implementação de cinco centros-piloto.
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Andrade e Albuquerque (1993) revelam que, dentre os objetivos específicos cobertos pelo projeto EDUCOM, estão: implantar o núcleo de informática na educação, com a finalidade de auxiliar na promoção de pesquisa científica e pesquisa e desenvolvimento de tecnológica e bem como de estabelecer diretrizes operacionais para a implantação dos centros-piloto; promover a implantação de cinco centros-piloto em instituições de reconhecida capacidade científica e tecnológica, nas áreas de informática na educação; capacitar os recursos humanos envolvidos na implantação e implementação do Projeto EDUCOM, com a finalidade de atender às necessidades do setor de informática na educação, suprindo-os das competências técnico-científicas necessárias para o exercício e sua atividade profissional; acompanhar e avaliar as experiências desenvolvidas pelos centros-piloto participantes do experimento e disseminar os resultados produzidos pelos centros-piloto.
Cada universidade que participou do projeto EDUCOM trilhou seu caminho de acordo com suas necessidades e infraestrutura. Segundo Tavares (2002), a UFRJ teve a proposta voltada para o 2º grau, visando a analisar os efeitos da tecnologia sobre a aprendizagem, atitude do professor e organização escolar. A UFMG desenvolveu projetos interdisciplinares com foco na informatização escolar, desenvolvimento de softwares educacionais, capacitação de recursos humanos e emprego na informática na educação especial. A UFPE teve por objetivo a formação de recursos humanos, a análise de softwares educacionais e da linguagem Logo na aprendizagem dos alunos. Promoveu a informatização das áreas administrativas das escolas e desenvolveu cursos nas áreas de licenciatura.
Ainda de acordo com o supracitado autor, a UFRGS criou um laboratório de estudos cognitivos (LEC) para o trabalho com crianças especiais, promovendo pesquisas sobre a linguagem Logo e sua introdução na educação escolar, formação de professores e produção de softwares educacionais. A Unicamp já tinha um núcleo de informática aplicada à educação (NIED), que se dedicou à formação de recursos humanos, análises de software e desenvolvimento de metodologias para utilização da informática na educação, priorizando a linguagem Logo (TAVARES, 2002, pp. 3-4).
O EDUCOM foi o primeiro projeto a pensar na informática para fins educacionais. Teve por objetivo a realização de estudos e experiências, visando a formar recursos para ensino e a pesquisa e criar programas de informática por meio de equipes multidisciplinares. Funcionou até 1997 e deixou como lição a necessidade da formação e sensibilização dos professores acerca do projeto de tecnologia educacional e que as dificuldades financeiras e administrativas devem ser gerenciadas com pessoal capacitado e boa gestão financeira.
A utilização dos computadores na educação surgiu com a intenção de preparar os jovens para o mercado de trabalho, dessa forma, as instituições de ensino superior deram início a estudos sobre o uso do computador na educação que culminaram com o Projeto EDUCOM em 1984, envolvendo diversas universidades brasileiras para direcionar os trabalhos referentes à informática educativa, desenvolvendo pesquisas interdisciplinares sobre a aplicação da informática nos processos de ensino e de aprendizagem, bem como a formação de professores e a implantação da política de informática educativa nas escolas.
Assim, as universidades passaram a realizar pesquisas na área, a influenciar na criação de diretrizes, roteiros e formulários que orientavam sobre a informática educativa e sua ação nos centros-piloto ou núcleos multiplicadores de informática educativa do País. Seus estudos e pesquisas contribuíram para a estruturação do PRONINFE, e posteriormente o PROINFO, com cada vez mais recursos e investimentos na área. Esse projeto contribuiu para a formação de professores da universidade que estudam e trabalham com essa temática até hoje, além das grandes experiências e saberes pedagógicos que contribuíram para o amadurecimento dos demais projetos de informática educativa.
No Ceará, com o desmembramento da Secretaria de Educação, Cultura e Desporto em Secretaria da Educação Básica (SEDUC), surgiram outras duas secretarias: a Secretaria da Ciência e Tecnologia (SECITECE) e a Secretaria da Cultura e Desporto. Com isso, avançamos na criação do Programa Estadual de Informática na Educação e de instituições como o Núcleo Tecnológico do Ceará (NUTEC), o Instituto do Software do Ceará (INSOFT), o Centro de Formação de Instrutores (CFI) e a Fundação Cearense de Amparo à Pesquisa (FUNCAP).
Em Fortaleza, no ano de 1987, tivemos a primeira experiência de informática na educação, desenvolvida no Projeto Mirim de Informática. Este curso foi idealizado pelo professor Elian de Castro Machado, da UFC, que, com recursos do FNDE e convênio com a Fundação Cearense de Pesquisa e Cultura, da UFC, implantou o projeto no curso de Computação da UFC. Este projeto foi diferente do EDUCOM, por atuar em diversas áreas e atender estudantes de escolas públicas, diferentemente do retro projeto que acontecia somente em nível de estudos na universidade voltado para pesquisas do CNPq.
O Projeto Mirim de Informática atendeu cerca de 120 alunos, dentre esses estudantes oriundos de escolas públicas e particulares de Fortaleza. O investimento foi realizado na compra de dez computadores que funcionavam no sistema operacional MS-DOS que não oferecia recursos educacionais. Utilizavam a metodologia da pedagogia de projetos, os círculos de cultura de Paulo Freire e a filosofia do Logo, de Seymour Papert.
A primeira ação em informática educativa no Estado do Ceará se deu no final dos anos de 1980 e início dos anos de 1990, com a criação dos Centros de Informática Educativa (CIED). Este órgão foi vinculado à Secretaria de Educação para a capacitação dos docentes. O projeto aconteceu inicialmente em cinco universidades do Brasil, que desenvolveram estudos (tendo o Logo como principal aporte teórico) e ações complementares (experiências com estudantes), buscando consolidar experiências para nortear os rumos da informática educativa no Brasil.
Os Centros de Informática Educativa foram implementados no início dos anos de 1990 e constituíram a primeira ação do Estado para a efetivação da política de informática educativa. Houve financiamento de recursos em convênio com o MEC e FNDE para montar laboratórios de informática nas escolas para suporte administrativo e pedagógico.
Os CIED atendiam estudantes de dez escolas públicas do Estado de 1º e 2º graus, dentre essas: Geny Gomes; Juarez Távora, Instituto de Educação do Ceará; Liceu do Ceará; Marvin; Castelo Branco; Adauto Bezerra; Justiniano de Serpa; Júlio Gomes e Joaquim Nogueira. O primeiro foi no Instituto de Educação do Ceará com os melhores equipamentos da época e teve por objetivo atender os estudantes em horários alternados de estudo. Posteriormente, passou a realizar cursos profissionalizantes e treinamento para professores.
Em 1987, tivemos a elaboração do Programa de Ação Imediata em Informática na Educação, que ocorreu como resultados do projeto EDUCOM e teve como principais ações a criação de dois projetos: Projeto Formar e o Projeto do CIED, que visava à implantação de centros de informática e educação. Teve por objetivos: a criação de uma infraestrutura de suporte junto às secretarias estaduais de educação; capacitação de professores; incentivo à produção descentralizada de software educativo; maior intercâmbio dos pesquisadores, visando à integração de pesquisas que vinham sendo desenvolvidas pelas universidades brasileiras; e também estimulou a produção de software educativo.
O Projeto Formar previa a realização de cursos de especialização lato sensu em informática educativa, realizados na Unicamp, destinados a professores e técnicos das secretarias de educação para que estes atuassem nos centros de informática educativa (CIE). Estes, ao final do curso, assumiram o compromisso de projetar e implantar um CIE mediante apoio financeiro do MEC.
O Formar I foi desenvolvido em 1987, com o objetivo de formar os professores para implantação dos Centros de Informática na Educação (CIED), e o Formar II, em 1989, com vistas à implantação dos Centros nas Escolas Técnicas Federais (CIET) ou ensino superior (CIES). Os conteúdos do curso foram distribuídos em seis disciplinas e eram
divididos no total de 360 horas ao longo de nove semanas, com oito horas de atividades diárias, envolvendo formações teóricas, práticas, seminários e conferências, atingindo inicialmente cerca de 150 educadores.
Em maio de 1989, em Petrópolis – RJ, foi realizada a Jornada de Trabalho Luso Latino-Americana de Informática na Educação, que reuniu especialistas da área de países diversos para obtenção de recomendações e delineamentos de pesquisas e formações para serem integrados a um futuro programa multinacional de informática educativa. Ainda no mesmo ano, o ministro da Educação, Carlos Sant`Anna, autorizou a institucionalização do programa e a criação de uma coordenação exclusiva de informática educativa, possibilitando a consolidação de ações desenvolvidas por pesquisadores brasileiros.
O projeto dos centros de informática educativa assumiu um papel importante para essa área, pois esses centros se transformaram em ambientes de aprendizagem informatizados, integrados por grupos interdisciplinares de educadores, técnicos e especialistas, suportados por programas computacionais de uso aplicados à informática na educação, possibilitando o atendimento a professores e à comunidade em geral, contribuindo para a disseminação da tecnologia da informática para as escolas públicas. No próximo tópico, vamos conhecer o PRONINFE, o programa que permaneceu durante dez anos e deixou muitas contribuições e experiências para a história da informática educativa no Brasil.