3. METODOLOGIA
3.3. Programa de condicionamento
O Programa de exercícios físicos contou de atividades aeróbias (esteira, bicicleta ou step) e anaeróbias (musculação), com frequência semanal média de três vezes. Na musculação a intensidade inicial era de 60 a 70 % da força máxima, o número de repetições era de 12 a 15 vezes em 3 séries em cada aparelho, onde cada pessoas passava por 8 (oito) aparelhos durante os 3 (três) primeiros meses, passando a utilizar outros aparelhos conforme seus objetivos e resultados obtidos na reavaliação, comparados à avaliação inicial. Na parte aeróbia era solicitado um aquecimento na bicicleta ou step, utilizando carga que elevasse a frequência cardíaca (FC) a 70% da máxima durante 7 a 10 minutos, e no final mais 20 a 30 minutos de esteira, mantendo uma FC de 60% da máxima. Fazendo após toda sessão de treinamento, uma série de alongamento com duração variável de 5 a 10 minutos conforme a necessidade individual da aluna.
Todos os períodos e intensidades eram adaptados conforme as necessidades de cada uma, de acordo com sua predisposição em fazer exercícios.
Assim como, a utilização dos aparelhos era feita sem causar prejuízos à estrutura física das alunas, ou seja, caso apresentasse alguma indisposição para determinado trabalho físico, os exercícios solicitados eram trocados por outro, sem que pudesse causar algum tipo de lesão, buscando o maior grau de segurança para a aluna.
As médias e desvios padrões de força de máxima de prensão manual estão descritos na tabela 1. Foram encontrados dados significativos para força manual direita (p<0,01) entre a primeira e terceira avaliações, e diferença significativa na força manual esquerda (p<0,05) entre a primeira e segunda avaliações e (p<0,01)
entre a primeira e a terceira.
Tabela 1: Médias e Desvios Padrões das variáveis de força máxima de prensão manual direita e esquerda, flexibilidade no banco de Wells direita e esquerda, entre a 1a, 2a e 3a avaliações
Variáveis 1a j 2a 3a
Média DP Média DP Média DP
Direita (kg) 23,96 4.96 25,76 4.83 27,05**2 4.66 Esquerda (kg) 22,82*1 5.14 24,98 4.99 25,93*^ 5.01
Wells D (cm) 31,41 7.84 32,50 8.00 33,34 8.07
Wells E (cm) 31,23 7.98 32,19 8.20 33,04 8.12
—
---* Diferença significativa p < 0,05 para a diferença entre força manual Esquerda entre a 1a e 2a avaliação
**2 Diferença significativa p < 0,01 para a diferença entre força manual Direita entre a 1a e 3a avaliação
**3 Diferença significativa p < 0,01 para a diferença entre força manual Esquerda entre a 1a e 3a avaliação
Na tabela 2 encontram-se as médias e desvios padrões de circunferências de braços contraído e relaxado, assim como, de antebraços, onde somente a relação entre as circunferências de braço direito relaxado e contraído, mostrou diferenças significativas entre a primeira e segunda avaliações (p<0,001) e primeira e terceira (p<0,001). Para as demais variáveis não houve diferenças significativas.
Tabela 2: Médias e Desvios Padrões das variáveis de circunferências de braço direito relaxado
Antebraço E (cm) 23,81 2.06 23,95 1.77 24,14 1.87 Antebraço D (cm) avaliações com as mulheres que participaram do programa de condicionamento físico, com os dados da primeira, segunda e terceira avaliações. A comparação entre a primeira e segunda avaliação foi significativa para %Gord (p<0,001) da, e ainda mais significativo entre a primeira e a terceira (p<0,001). Os demais dados e comparações, não foram significativos.
Tabela 3: Médias e Desvios Padiões das variáveis de peso, estatura, IM C , Percentual de Gordura,
Em nosso estudo existiu uma diminuição bastante significativa do percentual de gordura nas avaliadas, sendo um dado importante, enquanto que o IMC não foi um bom parâmetro de modificação, o que revela que o ideal é se basear nos resultados de percentual de gordura e não de IMC quando se busca um parâmetro de resposta individual ao treinamento de uma forma mais específica, como foi o caso neste trabalho.
Os resultados obtidos para IMC, comprovam a afirmação de POWERS e HOWLEY (2000), onde descreveram que um dos maiores problemas das tabelas de peso/altura e IMC é que não existe uma forma de saber se a pessoa possui uma grande massa muscular ou se simplesmente ela é obesa. Sendo evidente a necessidade de diferenciar o peso excessivo da gordura excessiva.
Devido ao programa de condicionamento ao qual as avaliadas estavam sendo submetidas, possuir exercícios de musculação, alongamento e trabalho aeróbio, houveram aumentos de massa muscular, assim como força bastante evidentes. Porém, os aumentos de flexibilidade não demonstraram ser significativos devido ao fato de que muitas mulheres já possuírem um alto grau de flexibilidade e não terem ganhos que pudessem ser substanciais, por outro lado, avaliadas com pouca flexibilidade conseguiram bons resultados. Quanto a parte aeróbia, não é possível tirar conclusões devido ao fato de que não foram realizados testes de resistência aeróbia com as avaliadas, por não estarem todas dispostas a fazer este tipo de avaliação.
Outro dado importante foi que as melhoras significativas surgiram na terceira avaliação, levando-nos a perceber que os ganhos iniciais foram em virtude das adaptações neuromusculares, de forma semelhante à descrita por COSSENZA (2000), o qual explicou que os grandes aumentos de força no período inicial de 2 (duas) a 4 (quatro) semanas de treinamento, em indivíduos não treinados, existem principalmente pelas adaptações neuromusculares.
Observamos que quanto maior o tempo de permanência no programa de condicionamento físico, proporciona maiores adaptações, o que ficou bastante evidente em relação à capacidade de flexibilidade, onde as avaliadas que possuíam
níveis baixos de desempenho desta valência, tiveram um aumento bastante significativo, enquanto que as que demonstraram graus excelentes já na primeira avaliação, tiveram pouca ou nenhuma modificação em sua performance.
Em virtude de mais de 98% das avaliadas serem destras, foi constatada uma melhora significativa da força manual esquerda na segunda avaliação em relação à inicial, dado que pode ser explicado pelo fato dos exercícios serem bilaterais e as atividades diárias preferencialmente unilaterais, havendo portanto uma compensação do lado esquerdo em relação ao direito. Desta maneira, os lados direito e esquerdo, quanto às circunferências de braço e antebraço, tiveram uma aproximação observada na terceira avaliação.
Através do estudo realizado foi possível perceber a importância da continuidade de um programa de condicionamento físico, onde foi notada a grande evolução física, considerando os aspectos de saúde, das avaliadas, dentro destes, o aumento de força, diminuição do percentual de gordura e aumento individual da flexibilidade.
Alunas que no início de seus programas apresentavam excesso de gordura corporal, no período em que foi realizada a terceira avaliação, apresentavam valores considerados dentro de um padrão saudável, ou seja, com a prática regular de exercícios físicos ficaram dentro de um nível de gordura ideal, o que gera a melhoria de diversos outros aspectos, como diminuição de colesterol total, melhora do aspecto morfo-funcional, diminuição da pressão arterial (mantendo valores saudáveis), melhora da capacidade cárdiorrespiratória e cárdio-vascular, enfim, inúmeros fatores são influenciados pela prática de exercícios físicos em benefício da saúde.
É importante ressaltar a importância do profissional de Educação Física, para orientar de forma correta as pessoas que buscam fazer exercícios físicos, onde deve saber em que período as mudanças podem ser percebidas, e que em determinado momento estas mudanças passam a não ser tão evidentes, mas que mesmo assim estas pessoas não devem deixar de continuar seus programas de exercícios, caso contrário, acabam perdendo gradativamente aquilo que foi conquistado em busca da saúde.
Os profissionais de Educação Física além de terem esta preocupação devem estar cientes da grande evasão das academias, onde as pessoas atingem seus objetivos e deixam de praticar exercícios, vendo estes como obrigação e não como maneira de permanecer com uma vida saudável, afastando os riscos provenientes do sedentarismo e do aumento de trabalho. Outro fator que pode ser relacionado à evasão das academias deve-se à falta de profissionalismo de determinados professores que atuam nestes locais.
Sugerimos que outras pesquisas sejam realizadas, para analisar as modificações da composição corporal em mulheres, para que exista uma
continuidade deste estudo, assim como, para que haja a preocupação em determinar se as modificações encontradas correspondem à realidade da população feminina brasileira e sendo assim demonstrar com dados concretos como pode se comportar o organismo da mulher brasileira ao se submeter a programas de exercícios físicos programados.
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•^Anamnese (Adapt. de BORBA, 1996)
Nenhum problema, mas tem caso na família de Diabetes OBS.: Mãe tem diabetes; tia materna faleceu de infarto Aspectos de Saúde Clínica
Faz exames médicos regularmente
Nenhum problema cardíaco, mas com caso na família Nunca apresentou problemas pulmonares
Aspectos Psicológicos
Grande perspectiva de vida e otimismo Nunca está deprimido
Ocasionalmente está ansioso Ocasionalmente está tenso Resultados
Aspectos de saúde cardíaca X%
Aspectos de saúde clínica X%
Aspectos nutricionais e de repouso X%
Aspectos comportamentais X%
Aspectos psicológicos X%
Nível de qualidade de vida: X%
Acima de 80% é considerado excelente (BORBA, 1996)
Anexo 02 - FICHA ANTROPOMÉTRICA
-Valências Valores
Peso Corporal kg
Gordura Relativa %
Gordura Absoluta kg
Massa Magra %
Massa Magra kg
Carência/excesso de peso corporal kg
Peso Ideal (teórico) kg
IMC (índice de Massa Corporal) Kg/rri2
RCQ (Relação Cintura/quadril)