A implantação do PSF deve ser operacionalizada no município, com a co- participação do nível estadual. O processo possui várias etapas, não necessariamente seqüenciais, ou seja, podem ser realizadas de forma simultânea, de acordo com as diferentes realidades dos sistemas municipais de saúde. Para melhor compreensão dos vários passos que envolvem a implantação do PSF nos municípios, é preciso: 1) sensibilização e divulgação, com clareza, da definição do público a ser atingido pela mensagem veiculada; 2) adesão do município e do estado; 3) recrutamento de recursos humanos, com capacitação das equipes, treinamento introdutório, educação continuada ou permanente; e 4) financiamento para o programa que está claramente definido na Norma Operacional Básica em vigor, a NOB-01/SUS/96 (BRASIL MS, 1997).
Visando melhorar o modelo assistencial público de saúde vigente, o PSF propõe-se a trabalhar com a delimitação de micro-áreas, sendo que o administrador pode distribuir seletivamente os poucos recursos destinados à área da saúde. Para que seus objetivos sejam alcançados, são necessárias mudanças no objetivo de atenção, na forma de atuação e organização geral dos serviços, reorganizando a prática assistencial em novas bases e critérios. O PSF foi inspirado no modelo de saúde de Cuba e também no modelo canadense. Embora rotulado como programa, o PSF, em razão de suas concepções filosóficas, foge à concepção usual dos demais programas públicos de Saúde Pública, por não ser essencialmente vertical e paralelo às demais atividades desenvolvidas em saúde.
O PSF deve ter uma equipe habilitada e multiprofissional, com vistas a desenvolver atividades de atenção primária na comunidade vinculada a uma Unidade Básica. É o primeiro contato com a população, assegurando a referência e contra-referência na atenção à saúde. Substitui as práticas convencionais pela oferta de uma atuação centrada nos princípios de vigilância à saúde. Atua com a definição de um território geograficamente delimitado, que é a área de sua responsabilidade. Uma Unidade Básica pode trabalhar com uma ou mais equipes de PSF, dependendo do número de famílias de sua área de abrangência. No início da
implantação do serviço, é feito o cadastramento das famílias da respectiva área adstrita. Nesta etapa, inicia o vínculo da Unidade Básica com a comunidade, em que é feita a identificação das famílias, indicadores de saúde e condições de moradia, saneamento, entre outros. A partir da análise da situação de saúde local e seus determinantes, será feito planejamento das ações a serem desenvolvidas. A instalação do PSF deverá ser prioritariamente junto à Unidade Básica de Saúde (UBS), sendo que esta deverá ser adequada à nova dinâmica a ser implementada.
A equipe de PSF deve ser composta no mínimo por: um (a) médico (a) generalista ou da família, um (a) enfermeiro (a), um auxiliar de enfermagem e 6 agentes comunitários (as) de saúde. Outros (as) profissionais podem ser incorporados de acordo com a necessidade local. Estes profissionais são responsáveis por sua população adstrita, devendo residir no município onde atuam, trabalhando em regime de dedicação integral. Vê-se que, por esta forma de planejamento, este programa possui características próprias, privilegiando, sobretudo, os aspectos democráticos, enfatizando o dinamismo, tendo sempre em vista a convergência dos objetivos do programa com a vida das pessoas.
“No trabalho a ser desenvolvido, cada elemento da equipe possui atribuições legais e éticas constantes na lei do exercício profissional” (BRASIL MS, 1997, p. 13 e 14).
O (a) médico (a) - Deve procurar compreender a doença em seu contexto pessoal, familiar e social. A convivência contínua lhe propicia esse conhecimento e o aprofundamento do vínculo de responsabilidade para a resolução dos problemas e manutenção da saúde dos indivíduos. Estes devem ser compreendidos no contexto bio-psico-social, sendo que a atuação do (a) médico (a) não deve estar restrita a problemas de saúde rigorosamente definidos. Seu compromisso envolve ações que serão realizadas enquanto os indivíduos ainda estão saudáveis.
O (a) enfermeiro (a) - Desenvolve seu processo de trabalho em dois campos essenciais: na Unidade de Saúde, junto à equipe de profissionais, e na comunidade, apoiando e supervisionando o trabalho do ACS, bem como assistindo as pessoas que necessitam de atenção de enfermagem.
O (a) técnico e auxiliar de enfermagem - atuam nas Unidades Básicas de Saúde e no domicílio. Auxiliam os ACS em atividades de identificação das famílias de risco, acompanham as consultas de enfermagem, participam da
discussão e organização do processo de trabalho da Unidade de Saúde, entre outros.
Os (as) Agentes Comunitários de Saúde - Desenvolvem ações nos domicílios de sua área de responsabilidade e junto à Unidade para programação e supervisão de suas atividades. Atuam realizando mapeamento de sua área de atuação, cadastrando e atualizando as famílias de sua área, identificando indivíduos e famílias expostos à situação de risco. Realizam, por meio de visita domiciliar, acompanhamento mensal de todas as famílias sob sua responsabilidade, coletando dados para, junto com a equipe, analisar a situação das famílias acompanhadas, principalmente no que concerne à criança, à mulher, ao adolescente, ao trabalhador e ao idoso, com ênfase na promoção da saúde e prevenção das doenças, educação em saúde e mobilização comunitária. Sua atuação objetiva uma melhor qualidade de vida mediante ações de saneamento e melhorias do meio ambiente, incentivando a formação de conselhos locais de saúde, orientando as famílias para a utilização adequada dos serviços de saúde, participando no processo de programação e planejamento local das ações relativas ao território de abrangência da Unidade de Saúde da Família.
As atividades devem sofrer avaliação constante, através do acompanhamento dos seguintes indicadores: conhecer a realidade das famílias, identificando os problemas, elaborando planos, juntamente com a participação da comunidade para o enfrentamento do processo saúde-doença, prestando assistência integral, resolvendo os problemas por meio do sistema de referência e contra referência, desenvolvendo processos educativos, promovendo ações intersetoriais para o enfrentamento dos problemas identificados. Tais ações são realizadas mediante de visita domiciliar, internação domiciliar e participação em grupos comunitários.
Considerando o contexto desta prática, abordo, a seguir, a implantação do PSF no município de Florianópolis, com destaque para a unidade básica na qual atuo.