• Nenhum resultado encontrado

Programa de Saúde da Família: processo de educação permanente

A dimensão educativa em um processo educativo reflexivo direcionado para a equipe do PSF, com vistas à construção do conhecimento, possibilita um cuidado com qualidade. A Organização Mundial de Saúde (OMS), citada por Levy (2001), pontua que o foco da educação em saúde está voltado para a população e para a ação. De uma forma geral, seus objetivos são encorajar as pessoas: adotar e manter padrões de vida sadios, usar de forma judiciosa e cuidadosa os serviços de saúde colocados a sua disposição e tomar suas próprias decisões, tanto individual como coletivamente, visando melhorar suas condições de saúde e as condições do meio ambiente.

Os Pólos de Capacitação em Saúde da Família constituem-se através da articulação entre instituições de ensino superior e Secretarias de Estado e/ou Secretarias Municipais de Saúde. Tomando o trabalho como eixo do processo de formação e educação permanente dos profissionais de Saúde, buscam construir relações inovadoras entre os gestores do SUS e o aparelho formador de recursos humanos, baseados na identificação consensual de ações educacionais vinculadas à consolidação do sistema de saúde (BRASIL MS, 2000, p. 79).

Segundo Levy (2001), o saber é uma apreensão do real. Aprendizado é uma modificação do conhecimento. Frente aos desafios de construção de um novo modelo, baseado na família, conforme o Ministério da Saúde 2000, p. 15:

[...] pretendemos preparar um profissional apto a construir seu conhecimento e apropriar-se das novas teorias e práticas. Enfim, um profissional capaz de desenvolver, ao longo de sua carreira, um processo permanente de auto-aprendizagem”.

Percebe-se que as equipes de Saúde da Família são compostas, em sua maioria, por profissionais cuja formação não foi dirigida para este perfil, necessitando

de capacitação sistemática acerca da utilização adequada da estratégia do PSF, possibilitando a implementação correta do modelo (FELISBINO, 2000, p.139).

A preocupação rotineira do (a) profissional e das equipes é identificar problemas críticos de sua realidade de trabalho e buscar soluções apropriadas para sentir-se bem. O modelo que mais se adequa ao processo de educação permanente das equipes de Saúde da Família baseia-se na chamada Pedagogia da Problematização, que vem sendo adotado através de manuais vindos do Ministério da Saúde. O ponto de partida deste modelo é o repensar a própria prática, já que a Estratégia de Saúde da Família e a Educação Profissional trazem novas definições e relações político-pedagógicas.

Conforme Torrez (2000, p. 62), “do ponto de vista dos órgãos governamentais e das políticas públicas de educação e trabalho, está em curso a emergência de um novo modelo que altera radicalmente o panorama da Educação Profissional”. Todo processo educativo ligado à Estratégia de Saúde da Família deve estar embasado na estratégia de integração ensino-serviço, com momentos de concentração e dispersão, utilizando procedimentos de análise, reflexão crítica, síntese e a aplicação de conceitos, sempre voltados para a efetiva construção do conhecimento, por meio do estímulo ao permanente raciocínio clínico e epidemiológico, tanto para questões individuais como coletivas.

A metodologia apenas baseada em repasse de informação é inócua. Tal proposta, denominada de Pedagogia de Transmissão, baseia-se no princípio de que as idéias e as informações são os aspectos mais importantes da educação. Esta proposta leva as pessoas a adotarem atitudes passivas e pouco críticas diante dos fatos, restringindo-se a simples memorização do que lhes foi transmitido, mediante de um processo repetitivo de apropriação do conhecimento (BRASIL MS, 2000). Freire (1987, p. 68) destaca que:

[...] o educador já não é o que apenas educa, é educado em diálogo com o educando que, ao ser educado, também educa. Ambos, assim, se tornam sujeitos do processo em que crescem juntos e em que os ‘argumentos de autoridade’ já não valem. Para ser-se, funcionalmente, autoridade, se necessita de estar sendo com as liberdades e não contra elas.

Desta forma, deve ser concebido dentro das premissas básicas de ser um processo constante de promoção e desenvolvimento integral contextualizado da equipe.

A educação permanente da equipe de PSF deve pactuar estratégias operacionais para o cumprimento dos objetivos de formação, capacitação e educação permanente, destinados a consolidar o modelo de atenção à saúde, proposto para a ordenação do SUS. A capacitação dos profissionais, inseridos no modelo de atenção à Saúde da Família, precisa ter características básicas, devendo ser levado em consideração o contexto da realidade deste, para propiciar uma resolutibilidade eficaz no que diz respeito aos seus problemas buscando, através do auto-aprendizado, trocas de experiências e avaliação.

Frente ao papel estratégico que lhe é atribuído, caberá à Estratégia de Saúde da Família o atendimento às necessidades que o dinamismo dos problemas trazem para as equipes de PSF. Portanto, a educação permanente deve ser o objetivo central para a transformação do processo de trabalho. O cuidado, dentro de uma abordagem antropológica traz a necessidade de um envolvimento emocional, com troca de sentimentos, proporcionando acolhimento com vistas às orientações que devem ser voltadas para uma constante melhoria da qualidade das ações e serviços de saúde. Deste modo, torna-se necessário que seja estabelecida uma relação, com presença da emoção, do raciocínio e da lógica, criando-se um espaço para diálogo e reflexão.

No município de Florianópolis, a equipe de Saúde da Família tem participado freqüentemente de encontros e treinamentos, a fim de que se mantenha atualizada de todas as informações necessárias para o Programa. Estes treinamentos são feitos de forma sistemática, tanto para a equipe do PSF como para os ACS. Muitos dos treinamentos dados aos ACS são ministrados pelos (as) enfermeiros (as) da rede, enfatizando sempre os indicadores que devem ser trabalhados pela equipe. Outros treinamentos são ministrados pela vigilância epidemiológica, DST/Aids, S.O.S. criança, entre outros. Desta maneira, pretende-se que a equipe possa trabalhar com a sua própria realidade. A atuação do PSF é avaliada com freqüência em oficinas e encontros, para que se possam atingir os objetivos propostos pelo Programa em sua área de abrangência.