CAPÍTULO II. PROGRAMAS DE SAÚDE
5. Programa de saúde materno-infantil e dos adolescentes
O decreto-lei nº 28/2008 de 22 de Fevereiro que criou e regulamentou os agrupamentos de centros de saúde (ACES) do Serviço Nacional de Saúde, é omisso em relação à estruturação da Assistência Materna, Infantil e Juvenil. A extinção das sub-regiões, até aí responsáveis pelo apoio logístico às UCF, o desaparecimento dos coordenadores de Saúde Materna e Saúde Infantil e a reestruturação dos centros de saúde, desactualizaram o despacho nº 12917/98 (2ª série) que regulamentava a actividade das Unidades Coordenadoras Funcionais (UCF).
Muitas UCF deixaram de funcionar, comprometendo a articulação entre os cuidados primários e os hospitais.
Perante esta omissão, a ARSC, atendendo à efectividade conseguida com o Programa Nacional da Saúde Materna e Infantil e, particularmente, com a acção das UCF, decidiu reconhecer o importante papel que a Comissão Regional da Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente (CRSMCA) e as UCF têm tido na obtenção dos excelentes resultados nesta área e manter a estrutura da Assistência Materna e Infantil.
Para tal, decidiu renomear a CRSMCA para continuar a coordenação das UCF, assumir o papel que antes pertencia às sub-regiões no apoio logístico às UCF e rectificar a composição das mesmas, adaptando-as à nova orgânica dos centros de saúde e respectivos ACES.
A actual CRSMCA foi nomeada em 18 de Maio de 2009, tendo elaborado o seu Regulamento Interno, o qual foi aprovado pelo Conselho Directivo da ARSC em 26 de Junho de 2009.
PRINCIPAIS ACTIVIDADES DESENVOLVIDAS
1. Rectificação da composição das UCF em todos os hospitais da Região adaptando-as à nova estruturação dos centros de saúde integrados nos ACES.
2. Reunião com todos os directores executivos dos ACES para transmitir a rectificação legislativa necessária para continuar a apoiar as Unidades Coordenadoras Funcionais e nomear os elementos para as novas UCF
3. Reunião com todos os directores de serviços de Pediatria e Obstetrícia para: - Nomeação dos elementos hospitalares para integrar as UCF
- Criação das consultas de referência
- Nomeação de pediatras ou obstetras consultores para concretizar esta tarefa
4. Reunião com todos os presidentes dos conselhos clínicos dos ACES para integrar ou apoiar os elementos nomeados para as UCF a cumprir as funções que lhes estão destinadas e criarem condições para garantir a circulação de informação e comunicação com todos os profissionais dos centros de saúde.
5. Nomeação de todas as UCF em todos os Hospitais e ACES respectivos. 6. Plenário Regional das UCF Materno-Neonatais para definir o Plano de acção. 7. Plenário Regional das UCF Pediátricas e do Adolescente para o mesmo efeito.
8. Nomeação dos coordenadores e responsáveis pela montagem dos seguintes Circuitos assistenciais:
Saúde Reprodutiva
Circuito do Planeamento familiar Circuito da Pré-concepção Circuito da Infertilidade Saúde da Grávida
Circuito do Diagnóstico Pré Natal
Circuito de Vigilância da Gravidez e pós parto
Saúde do Recém Nascido Circuito da Transferência antenatal
Circuito do Recém nascido de Alto Risco Biológico Circuito da Intervenção Precoce
Saúde da Criança
Circuito da Vigilância da Saúde Infantil Circuito da Criança de Risco Social Circuito da Doença Crónica
Saúde do Adolescente Circuito dos Adolescentes
9. Reunião com os responsáveis pelo circuito de Infertilidade:
- Rectificação da respectiva Rede de Referência e definição dos protocolos de referência. - Acções de formação regionais.
10. Reunião com a responsável pelo Circuito da Criança e Jovens em risco de maus tratos. Foram criados, até 31 de Dezembro de 2009, 51 Núcleos de Apoio a Crianças e Jovens, sendo 44 em centros
de saúde e 7 em hospitais; destes 58 NA(H)CJR só 20 iniciaram actividades até 31 de Dezembro de 2009.
11. Programação do Programa de formação de prestadores em Medicina do Adolescente para decorrer em 2010 em toda a Região e elaboração de plano para estruturar a assistência aos adolescentes na Região (em discussão multidisciplinar).
12. Programação de reuniões da CRSMCA com outros elementos, com os seguintes objectivos: Implementação do Circuito da criança com risco biológico com directores de
serviços de Pediatria ou responsáveis pelas consultas de RN de alto risco na Região Centro
Criação de um grupo de trabalho sobre baixo peso/prematuridade com o Presidente do Centro de Estudos Perinatais
Protocolos interinstitucionais (ARSC) – reestruturação do ALERT P1
Avaliação da Intervenção Precoce na Região Centro e discussão com o Hospital Pediátrico de Coimbra de relatório sobre o circuito da Intervenção Precoce
13. Criação de condições para a monitorização e comunicação entre os vários intervenientes, garantindo, pelo menos, uma reunião anual para avaliação, formação e divulgação das normas actualizadas. Nomeação de Pediatras consultores para ajudarem a cumprir as funções das UCF. 14. Disponibilização de conteúdos da CRSMCA na página da ARSC (www.arscentro.min-saude.pt), alojados em espaço próprio (“Institucional”/”Projectos específicos”/”Comissão Regional da Saúde da
Mulher, Criança e Adolescente”). Trata-se de um instrumento de comunicação entre a CRSMCA, as
MONITORIZAÇÃO E AVALIAÇÃO
Núcleo de Apoio a Crianças e Jovens em Risco (NACJR)
O total de NACJR constituídos em 16 de Março de 2010 era de 59, sendo 52 (61,9%) em centros de saúde e os restantes 7 em hospitais (Núcleos Hospitalares de Apoio a Crianças e Jovens em Risco – NHACRJ), dos quais, 14 foram constituídos sem formação.
Estão 181 profissionais de saúde envolvidos, destes, 45 ainda não tiveram formação inicial. Seis profissionais já não fazem parte dos núcleos.
Faltam constituir Núcleos em 32 (38%) centros de saúde, sendo 6 da ULS da Guarda e um no Hospital Amato Lusitano (Quadros 53 e 54).
Quadro 56 Monitorização dos NACJR em centros de saúde
ACES Nº Centros Saúde
Nº NACJR constituídos
Com
Formação Aguarda Formação
Nº Centros de Saúde sem NACJR
Baixo Mondego I 8 6 2 0 2
Baixo Mondego II 3 3 3 0 0
Baixo Mondego III 4 4 4 0 0
Baixo Vouga I 4 1 1 0 3
Baixo Vouga II 4 2 2 0 2
Baixo Vouga III 3 0 0 0 3
Beira Interior Sul 4 1 1 0 3
Cova da Beira 3 0 0 0 3
Pinhal Interior Norte I 8 8 8 0 0
Pinhal Interior Norte II 6 1 1 0 5
Pinhal Interior Sul 5 5 5 0 0
Pinhal Litoral I 1 1 1 0 0
Pinhal Litoral II 5 5 3 2- 18 e 19 Março 0
Dão Lafões I 1 1 0 1 - 18 e 19 Março 0
Dão Lafões II 7 7 0 7 – 18 e 19 Março 0
Dão Lafões III 6 1 0 1 – 18 e 19 Março 5
ULS Guarda 12 6 3 03-Abr 6
TOTAL 84 52 34 14 32
Quadro 57 Monitorização de NHACJR em hospitais
HOSPITAL constituídosNHACJR FormaçãoCom
Hospital Pediátrico SIM SIM
Hospital S. Teotónio SIM SIM
Hospital St. André – Leiria SIM SIM
Hospital Infante D. Pedro – Aveiro SIM SIM
Hospital Guarda SIM SIM
Centro Hospitalar Cova da Beira SIM SIM
Hosp Distrital Figueira Foz SIM SIM
Hosp Amato Lusitano – Cast Branco NÃO ----
Quadro 58 Formação dos Núcleos, 1992-2010
ANO NúcleosN.º de 1992 1 2007 7 2008 5 2009 5 2010 23 sem data 2 Total 43
Onze N(H)ACJR elaboraram Plano de Actividades e apresentaram-no aos profissionais dos respectivos centros de saúde e hospitais, CPCJ, entre outros parceiros e referiram que, no entanto, é necessário um trabalho de persistência e continuidade para sensibilização nesta área de intervenção, pois a mensagem nunca é apreendida da mesma forma por todos os profissionais de saúde.
Dos 43 NACJR apenas 5 dispõe de instalações próprias, 4 com apoio informático e telefone e 3 referiram “outro” material.
Apenas 5 NACJR têm horário específico para o desenvolvimento das suas actividades. Os elementos dos outros núcleos reunem sempre que necessário e, muitas vezes, fora do horário de trabalho. Cinco núcleos desenvolveram actividades para a comunidade em forma de reuniões, cujo público alvo foi entidades/parceiros, médicos do Internato Geral e do Internato Complementar, alunos de enfermagem, profissionais de saúde (de hospitais e centros de saúde), técnicos de serviço social, psicólogos, professores e educadores.
A formação disponibilizada pela ARSC/DGS, assim como toda a informação e legislação existente, tem contribuído para um melhor desempenho e uma aprendizagem neste percurso recente Quadro 55.
Quadro 59 Dados estatísticos referentes aos casos sinalizados nos NACJR, 2º semetre de 2009
2º semestre 2009 * M F TOTAL
Casos Sinalizados - Total 206 214 420
Em Acompanhamento 74 75 149
Arquivados 12 10 22
Encaminhados 117 131 248
Para parceiros 1º Nível 57 48 105
Para CPCJ 44 74 118
Para Tribunal 16 16 32
Tipo de Mau Trato
Negligência (inclui abandono) 104 86 190 Mau trato físico 12 23 35
Abuso sexual 5 14 19
Mau trato psicológico (abuso emocional) 18 18 36
* Excepto CS da Guarda e Hospital Pediátrico/CHC
Quadro 60 Dados estatísticos referentes aos casos sinalizados nos NACJR, 2008 e 2009
Número de Casos Ano de 2008 Ano de 2009
M F TOTAL M F TOTAL
Casos Sinalizados – total 336 367 703 480 549 926*
Em acompanhamento 227 229 456 269 256 525* Arquivados 54 71 233* 30 31 128*
Encaminhados: 131 143 274* 195 194 389*
Para parceiros 1º nível 69 65 124* 94 75 169* Para CPCJ 39 76 129* 87 105 199* Para Tribunal 12 9 42* 22 20 53* Classificação do mau trato
Negligência (inclui abandono) 129 138 328* 155 126 419*
Mau trato físico 22 18 58* 18 29 71*
Abuso sexual 3 10 22* 6 26 38*
Mau trato psicológico (abuso emocional) 10 23 33 33 35 71*
Nota: Excluindo CS Celas, Coimbra (ACES Baixo Mondego I) e Hospital de S. Teotónio (Viseu)