Para este programa foram analisados os objetivos específicos, os conteúdos e as competências. Dentro da competência comunicativa há as competências de produção e dentro destas surge a expressão escrita com objetivos específicos para cada um dos níveis. Nunca é mencionada a Escrita Criativa, no entanto, podemos entender algumas atividades como sendo de Escrita Criativa ou adaptá-las para alguns destes objetivos, por exemplo:
Escrever poemas simples a partir de modelos.
Realizar breves narrações e exposições simples, mas bem estruturadas.
Descrever e comentar aspectos do meio envolvente (gente, locais, interesses…). Escrever textos sobre temas quotidianos dentro do campo de interesse do aluno. Relatar as próprias experiências, descrever sentimentos e reacções em textos simples. Escrever sobre diferentes argumentos, mostrando-se a favor ou contra um ponto de vista
concreto e explicando as vantagens e desvantagens das diversas opções. (2009: 25)
O aluno terá que trabalhar, explorar a sua imaginação e criatividade para elaborar textos completamente diferentes do habitual e, muito importante, estar motivado para a aprendizagem de ELE.
Como finalidades da expressão escrita no processo de aprendizagem constam do programa as seguintes:
Constituir uma estratégia de aprendizagem: aprender a aprender. Reforçar a aprendizagem.
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Servir de apoio ou preparação para outras competências. Ser uma competência em si mesma. (2009: 26)
Para escrever, os alunos têm de organizar e formular a mensagem, usando outras competências como a competência cognitiva e linguística. O tipo de texto escrito que vamos pedir ao aluno, sejam notas, cartas, mensagens, resumos, argumentações ou textos de ficção, terá de ser do seu interesse e enquadrar-se nas temáticas do curriculum.
A expressão escrita não deve ser entendida como uma tarefa inútil, ela é um meio de comunicação real e não simplesmente uma tarefa a realizar na aula para avaliar o conhecimento dos alunos. Também não deve ser entendida como uma tarefa entediante e ser realizada simplesmente como trabalho de casa para não se “perder” tempo na aula, como se faz, ainda, nalgumas escolas. Deve ser uma tarefa realizada na aula, dispensando-lhe o tempo necessário e sempre com a supervisão do professor.
No que concerne às estratégias o programa refere o seguinte:
Na competência escrita devemos considerar qual é a intencionalidade e o destinatário da acção, quando se escreve e para quê. Por isso, devem ficar claros os objectivos da aprendizagem, as necessidades e os estímulos, ou seja, que passos se seguem, o que é preciso saber para poder escrever e quem vai corrigir o texto.
O professor terá de considerar que escrever é um processo e que temos de proporcionar um input compreensível e utilizar técnicas que ajudem a desenvolver a escrita. Na vida quotidiana, a escrita está presente em inúmeras ocasiões que temos de incorporar à aprendizagem, sendo que a expressão escrita tem técnicas e objectivos próprios. Escrever implica um conhecimento prévio do que queremos dizer, por isso quando propomos um exercício de escrita, temos também de escolher um tema e proporcionar os instrumentos linguísticos, funcionais, pragmáticos e culturais necessários. É conveniente que comecem por criar textos mais breves e que, atendendo aos objectivos gerais, planifiquem antes de construir.
Saber escrever na própria língua não significa transferir automaticamente esses conhecimentos para a língua que aprendemos. Escrever e rever o que se escreve requer tempo de dedicação, pelo que se devem proporcionar aos alunos os instrumentos para a revisão: usar um dicionário monolingue, anotar ideias e escrever um primeiro rascunho, corrigir o rascunho (gramática, estrutura do texto, vocabulário, pontuação…) e por último fazer a redacção final.
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Troca dos textos com o companheiro para serem corrigidos / Socialização dos textos dos alunos para identificar os erros.
Escrita no quadro de frases, tendo os alunos, em grupos, de identificar quais são correctas e quais não são.
Colocação, nas paredes da sala, de frases incorrectas dos textos para os alunos corrigirem e lerem correctamente. (2009: 26-27)
Estas estratégias são as ideais para criar na aula de ELE uma Oficina de Escrita, o professor propõe um exercício que pode ser lúdico e real, fornece aos alunos as técnicas de escrita e é o próprio professor um monitor que ajuda os alunos ao longo do processo de escrita e não como acontece ainda nalgumas escolas, levar os textos para casa e entregar sem explicar o que corrigiu, porque está menos bem e como deve fazer, pois o aluno muitas vezes não percebe as correções e voltará a cometer as mesmas falhas.
As atividades propostas no programa podem ser:
De expressão escrita: escrita criativa, composições. De interacção escrita: escrever cartas, notas e formulários.
De produção escrita como resposta a entradas orais ou escritas: tomar notas, processar textos. (2009: 27)
Esta é a primeira vez que “Escrita Criativa” é abordada, embora também não se especifique nada mais (atividades, técnicas).
O programa propõe também algumas atividades de expressão escrita, que tal como no programa de segundo ciclo podem ser adaptadas pelo professor e passarem a ser atividades de Escrita Criativa. Vejamos alguns exemplos.
Tema: O tempo livre e as diversões
Tarefa: Elaborar um guia com sugestões de actividades para o fim de semana Objectivos:
Propor actividades…
UTAD Página 73 Esta atividade pode considerar-se de Escrita Criativa, porque os alunos terão de ser criativos para que o seu manual seja sugestivo, tenha atividades interessantes para um fim de semana divertido. Esta atividade poderá ter um caráter lúdico.
Tema: O consumo
Tarefa: Fazer um anúncio publicitário para a televisão Objectivos:
Criar um slogan para convencer e sugerir;
Descrever o produto ou serviço;
Escrever o texto.
A elaboração de um slogan é considerada Escrita Criativa, quanto mais criativo, original e motivante for o slogan mais impacto terá.
Tema: As línguas e a cultura Tarefa: Criar um poema colectivo Objectivos:
Fazer uma lista de palavras;
Utilizar o dicionário;
Criar frases, partindo de um mote;
Apresentar o resultado final.
A elaboração de um poema pode considerar-se Escrita Criativa. Podem confrontar-se as técnicas de Luís Carmelo para sabermos o que se deve ter em conta para elaborar este tipo de texto.
No programa sugerem-se também outras atividades, listadas abaixo, para as quais não são apresentados objetivos, será o professor a adaptar estas atividades a determinados objetivos, podendo também tornar estas atividades em Escrita Criativa, para que o aluno imagine, crie, etc. O aluno sabe como começar o texto, mas não sabe como poderá acabar e esta é uma das características da Escrita Criativa. As atividades que a seguir se apresentam constam também do programa de segundo ciclo, exceto a segunda.
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Preparar uma exposição de cartazes para a escola com a descrição de pessoas, monumentos ou paisagens de um lugar ou país.
Escrever uma receita de cozinha.