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4 PRINCIPAIS PROGRAMAS DE EDUCAÇÃO DE MASSAS DO MOBRAL

4.2 Programa de Educação Integrada PEI

O Programa de Educação Integrada - PEI foi considerado pelos organizadores do MOBRAL, o primeiro grande desdobramento da alfabetização funcional. O PEI foi implantado em 1971, e desenvolvido pelo MOBRAL em convênio com as secretarias estaduais e municipais de educação. Este convênio estabelecia que ao MOBRAL competia o fornecimento do material didático, assistência técnica e treinamento de professores, garantindo assim a metodologia do programa. Às secretarias estaduais e municipais caberia a execução do programa: o fornecimento de recursos humanos e materiais, o acompanhamento e avaliação dos alunos, a distribuição do material didático fornecido pelo MOBRRAL Central, bem como a disponibilização dos locais para o funcionamento das classes.

Pelo parecer nº 44/73 do Conselho Federal de Educação, aprovado em 25/01/1973, o curso de Educação Integrada foi considerado equivalente ao curso primário, ou seja, aos quatro primeiros anos do ensino de 1º grau, para adolescentes e adultos já alfabetizados. Para o desenvolvimento do programa foi fixada uma duração mínima de 720 horas distribuídas em esquemas elaborados pelas secretarias de educação de forma a possibilitar a saída dos alunos considerados aptos em relação aos objetivos do PEI.

De acordo com o Documento Básico do MOBRAL, entre os objetivos da Educação Integrada estavam:

Oferecer à clientela de adolescentes e adultos já alfabetizados, que não seguiram ou concluíram a escolaridade na idade própria:

- oportunidade de adquirir conhecimentos básicos relativos aos conteúdos das diferentes áreas, correspondentes ao núcleo comum das 4 primeiras

séries do ensino de 1º grau, possibilitando-lhes condições básicas para ascender a outros níveis de aprendizagem;

- orientação para o trabalho, garantindo a preparação adequada ao desempenho satisfatório de ocupações que não requeiram conhecimento além dos ministrados ao nível das 4 primeiras séries do ensino de 1º grau, proporcionando condições de maior produtividade aos já integrados na força de trabalho e oferecendo possibilidades de acesso a níveis ocupacionais de maior complexidade;

- oportunidade de desenvolver a gradual autonomia do aluno, integrando-o na comunidade, como produtor e consumidor. (MOBRAL, 1975a, p. 47).

Para atingir estes objetivos e obedecendo aos mesmos princípios metodológicos da alfabetização funcional, o “Programa de Educação Integrada tem como método característico a integração de áreas de conhecimento pela exploração de textos geradores.” (MOBRAL, 1975a, p. 48).

A metodologia do programa foi caracterizada pelos integrantes do MOBRAL Central como apoiada nos seguintes aspectos:

1) fundamenta-se no princípio metodológico da funcionalidade, uma vez que apresenta uma relação direta e essencial entre o processo de ensino- aprendizagem e a experiência de vida dos alunos;

2) adota, ainda, o princípio didático da aceleração, na medida em que as experiências dos alunos são consideradas e trabalhadas a partir de situações de sua vida, permitindo maior assimilação de conteúdos em menor espaço de tempo. Em outras palavras, evitando perda de tempo em atividades para informação e formação de atitudes e habilidades que a vida já desenvolveu; 3) trata-se de um método global, ou seja, parte do tema geral para o particular;

4) parte do estudo de temas, ligados às necessidades humanas básicas, tais como: comunicação, produção, natureza, trabalho, esporte, diversão turismo, alimentação, habitação, higiene e saúde, civismo, cultura, transporte e educação;

5) não há sequencia preestabelecida na abordagem desses temas. Estes são analisados a partir dos interesses e necessidades do grupo;

6) o estudo de cada tema se concretiza a partir da exploração de um cartaz gerador e do trabalho com o texto gerador;

7) trata-se de um método que busca a articulação de áreas de estudo, no trabalho com o texto gerador e atividades decorrentes;

8) adota técnicas de trabalho em grupo que viabilizam o aproveitamento dos conhecimentos acumulados, a troca de experiências, a participação ativa de todos os alunos, a discussão em torno de problemas, a busca de soluções para os mesmos etc. (CORRÊA, 1979, p. 181-182).

O Documento Básico do MOBRAL reiterava que o conteúdo programático do PEI tinha sua origem na realidade dos alunos, já que o “texto-gerador apresenta temas relacionados a fatos e situações da vida individual e social, cujo objetivo é estimular a manifestação das experiências de vida dos alunos.” (MOBRAL, 1975a, p.48). Porém, a

exemplo do que aconteceu no PAF, o material didático distribuído era único para todo país, produzido pelas editoras conveniadas Bloch e Abril.

Atendendo a metodologia instituída pelo MOBRAL, as publicações didáticas distribuídas foram classificadas em básicas e complementares. As publicações didáticas básicas compreendiam o livro ou manual do professor, com todas as orientações metodológicas para o desenvolvimento do programa; o livro de textos geradores que apresentava, além dos textos, algumas atividades de comunicação e um glossário; o livro de matemática com os conteúdos da disciplina e exercícios; o conjunto de cartazes com a ilustração dos temas explorados no livro de textos geradores; e o livro de integração social e ciências, com informações e atividades referentes ao conteúdo das áreas de estudo sociais e ciências.

As publicações complementares constavam livros de pesquisa e o Jornal Integração do PEI, que apresentava uma parte metodológica de orientação aos professores para a pesquisa, e outra parte com notícias do Brasil e do mundo veiculadas pelo MOBRAL. Os eixos temáticos representados nos cartazes e textos geradores contemplavam as diferentes áreas de estudo estabelecidas para o PEI: Língua Pátria, Matemática, Estudos Sociais, Educação Moral e Cívica, Estudos Sociais, Ciências, Saúde e Formação de atitudes para o trabalho.

Assim como no PAF, a avaliação no PEI foi considerada pelos organizadores do MOBRAL como um processo global, abrangente e contínuo. Pela assinatura do convênio, coube às secretarias de educação a responsabilidade da avaliação, no entanto todas as orientações e requisitos para a aprovação dos alunos foram pré-determinados nos livros e manuais dos professores. Os certificados de conclusão expedidos após a avaliação da aprendizagem no processo foram considerados válidos pelo MEC para o prosseguimento do estudo em cursos supletivos, ou na 5º série do ensino regular de 1º grau.

O treinamento dos professores ficou a cargo das equipes do MOBRAL Central, das Coordenações Estaduais/Territoriais, e do SUSUG. O MOBRAL forneceu as bases técnico- pedagógicas, o material didático e os roteiros elaborados para o treinamento dos professores, orientadores, diretores e supervisores. Na primeira etapa, efetuou-se o treinamento de grupos de técnicos em âmbito municipal e estadual e, na segunda, a retransmissão em âmbito municipal aos professores responsáveis pelas classes.

Para reduzir os custos de operacionalização do PEI foram propostas formas diversificadas de execução do programa, como o uso de transmissões radiofônicas. A partir de 1977, foram feitas reformulações com o objetivo de racionalizar recursos humanos e

financeiros. A supervisão do programa, inicialmente exercida pelas secretarias de educação, passou a ser realizada pelo MOBRAL Central, o que revela a tendência à hierarquização, a valorização dos aspectos quantitativos e a rigidez no controle dos processos.

Pela análise das publicações do MOBRAL, a Educação Integrada representou, em termos teóricos, a continuidade dos princípios metodológicos proclamados pela Alfabetização Funcional, com as mesmas características de operacionalização: hierarquização do controle, padronização metodológica, a racionalização dos recursos humanos e financeiros, ênfase à produtividade e rendimento dos programas, a preocupação com a formação de mão de obra e orientação para o trabalho, entre outras.