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O PROGRAMA EDUCAR PARA VENCER E A REFORMA DA REDE ESTADUAL DE ENSINO BAIANA

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CAPÍTULO III – A AVALIAÇÃO DE DIRETORES ESCOLARES NA BAHIA NO CONTEXTO DO “EDUCAR PARA VENCER”

3.1 O PROGRAMA EDUCAR PARA VENCER E A REFORMA DA REDE ESTADUAL DE ENSINO BAIANA

Durante o período de 1991 a 2003, a Bahia foi governada pelo PFL - Partido da frente Liberal13 (atual Democratas) que promoveu uma reforma na administração pública estadual, pautada em princípios neoliberais.

Em 1992, o Governador Antônio Carlos Magalhães anuncia no seu Plano Plurianual (1992-1996) o processo de “modernização do Estado da Bahia”. Ao

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O Partido da Frente Liberal, atual Democratas, representa um dos partidos da direita política no Brasil e vem defendendo um projeto de Estado de princípios neoliberais. Tendo se aliado ao PSDB – Partido da Social Democracia Brasileira –, elegeu um de seus fundadores, Marco Maciel, à vice-presidência da República nos dois mandatos de Fernando Henrique Cardoso (PSDB).

mesmo tempo, tece críticas à gestão anterior14 afirmando que “a administração pública sofreu um processo de desorganização e perda da eficiência e eficácia” (BAHIA, 1991, p. 51). Em seguida, destaca que no início do seu governo foi desencadeado o processo de reordenamento administrativo do aparelho do Estado, buscando-se a eficiência operacional e a capacidade de prestação de serviço em quantidade e qualidade adequada à população. Ainda nesse documento, institui como uma de suas diretrizes de governo a “modernização das práticas e procedimentos administrativos” (ibid, p. 51). Declara também que a educação passará a ter prioridade máxima e para essa área apresenta as seguintes diretrizes:

a - melhoria da qualidade de ensino; b - expansão e manutenção da oferta; c - modernização da administração escolar;

d - revisão da estrutura organizacional da unidade escolar;

e - fortalecimento da unidade escolar, utilizando-se de mecanismos ágeis de administração e gerenciamento na estrutura organizacional do órgão central, permitindo de forma gradativa, mas sistemática a transferência para a escola de ações, serviços e capacidade decisória; f - capacitação de professores. (ibidem, p. 25)

Na gestão do Governador Paulo Ganem Souto que teve início em 1995, foi dado continuidade ao já mencionado processo de “modernização do Estado da Bahia”. Relembremos que também nesse ano foi iniciada a reforma administrativa gerencial do Estado brasileiro. No Plano Diretor da Reforma do Aparelho do Estado é dito que “este plano focaliza sua atenção na administração publica federal, mas muitas das suas diretrizes e propostas podem também ser aplicadas no nível estadual e municipal” (BRASIL, 1995, p. 12).

Diante desse contexto, em seu Plano Plurianual - 1996/1999 Paulo Souto deixa claro que

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A gestão de governo anterior à de Antônio Carlos Magalhães foi assumida inicialmente por Waldir Pires (PMDB) e concluída por Nilo Augusto de Moraes Coelho, em função do primeiro ter se afastado do governo da Bahia para concorrer à Vice-Presidência da República em 1989.

[...] na área institucional, preconiza-se um novo modelo de administração pública, buscando-se a estabilidade e eficiência de suas instituições, favorecendo concomitantemente, a participação da sociedade na gestão pública e a co-responsabilidade nas decisões e iniciativas. Essas diretrizes vão orientar o processo de reestruturação e reforma do Estado [...]. (BAHIA, 1995, p.2).

O programa de gestão político-administrativa de Paulo Souto compreendeu os seguintes objetivos:

- construção de uma nova institucionalidade, com base na redefinição de papéis e missões do setor público e do seu aparelho administrativo;

- criação de condições para a execução de estratégias de desenvolvimento, em consonância com os pressupostos da sua sustentação;

- viabilização de estabilidade, eficiência e eficácia das instituições públicas permitindo que a ação governamental tenha curso num processo contínuo dentro de parâmetros de racionalidade no uso dos recursos públicos e com patamares elevados de desempenho;

- consolidação da parceria entre a esfera pública e a sociedade especialmente com o corpo empresarial promovendo a responsabilidade conjunta nas decisões e iniciativas, sobre a forma de intervenção e controle social (ibid, p. 224).

No âmbito educacional, Paulo Souto propõe a elevação dos níveis de educação da Bahia, mediante o alcance dos seguintes objetivos:

- ampliação do ensino de qualidade com ênfase no ensino básico, garantindo o acesso do cidadão à escola pública, buscando a diminuição do índice de repetência;

- assegurar a articulação do Estado com os municípios como forma de atingir um ensino de qualidade em nível estadual, através do controle de qualidade dos serviços educacionais prestados (ibidem, p. 98).

Em 1999, inicia-se, na Bahia, mais uma nova gestão do PFL, agora sob o comando de César Borges, seguindo a mesma linha de administração defendida pelos dois governos que antecederam a sua gestão. Em seu Plano Plurianual - 2000/2003, César Borges afirma que a sua proposta político-administrativa era a de prosseguir no processo de construção da “nova Bahia” que vinha ocorrendo desde 1991, quando

O governador Antônio Carlos Magalhães estabeleceu as bases e as condições para o novo ciclo de desenvolvimento do Estado, a partir de um consciente projeto de reorganização administrativa, saneamento

financeiro, resgate da credibilidade pública e recuperação da capacidade de investimento [...] (BAHIA, 1999, p.3).

Dentre os objetivos globais propostos para o governo de César Borges encontraram-se:

- ampliar as parcerias entre Governo e iniciativa privada, fortalecendo o papel regulador e fiscalizador dos serviços;

- desenvolver os sistemas estatísticos e de avaliação para subsidiar o planejamento e administração das políticas e diretrizes. (ibid, p.20).

No âmbito educacional, César Borges anuncia que seu Governo se propõe a fazer “uma revolução da educação na Bahia” (ibidem, p. 31) e para promover essa dita “revolução” traçou dentre outras, as seguintes diretrizes:

- gestão moderna e profissional para a educação

o setor educacional passará a ser administrado a partir de critérios profissionais e modernos de gestão, voltados para a eficiência, com a alocação de recursos sendo feita a partir de prioridades e critérios definidos tecnicamente, sem discriminações ou ingerências;

- desenhar um novo perfil para a Secretaria de Educação

a política de fortalecimento e autonomia da escola resulta na necessidade de uma profunda mudança nas atribuições e atividades da Secretaria de Educação, que deverá passar a cumprir, essencialmente, as tarefas de formuladora de políticas e reguladora das ações educacionais do Estado [...] (ibid, p. 31-32).

Logo no seu primeiro ano de governo, César Borges propõe uma reforma educacional cujo objetivo defendido foi de promover a melhoria na qualidade do ensino, tendo como foco principal o fortalecimento da autonomia financeira, administrativa e pedagógica da escola. O Programa dessa reforma foi intitulado “Programa Educar para Vencer”15 que teve sua implantação iniciada, no ano 2000, em 45 dos 405 municípios baianos. De 2001 a 2004, a sua abrangência aumentou gradativamente, até atingir 305 municípios.

O “Educar para Vencer” foi planejado abarcando seis projetos prioritários, quais sejam: Regularização do Fluxo escolar da 1ª à 4 ª e da 5ª à 8ª séries,

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O Programa Educar para Vencer integra ações que foram contempladas no Projeto de Educação da Bahia (ou “Projeto Bahia”) e que contou com empréstimos do Banco Mundial.

Fortalecimento da Gestão Escolar, Capacitação Gerencial dos Sistemas Municipais de Educação, Avaliação Externa do Ensino e o Projeto de Certificação Ocupacional de Profissionais da Educação.

Os projetos de Regularização de Fluxo Escolar de 1ª a 4ª série e de 5ª a 8ª série teve como objetivo reduzir a distorção idade-série no ensino fundamental.

O Projeto Fortalecimento da Gestão Escolar visou apoiar os dirigentes escolares na implantação de um modelo gerencial estratégico para as escolas – O Plano de Desenvolvimento da Escola (PDE).

O Projeto Capacitação Gerencial dos Sistemas Municipais de Educação responsabilizou-se por capacitar os municípios a gerenciarem de forma autônoma e eficiente as suas redes de ensino.

O quinto projeto – Avaliação Externa – teve como objetivo avaliar o desempenho do sistema educacional através da aplicação de teste aos alunos do ensino fundamental nas disciplinas Português e Matemática.

O sexto projeto – Certificação Ocupacional de Profissionais de Educação – teve como objetivo avaliar, por meio de exame, se os profissionais de educação possuem as competências necessárias para o desempenho das suas funções. Este Projeto será detalhado a seguir.

3.2 O PROJETO DE CERTIFICAÇÃO OCUPACIONAL DE PROFISSIONAIS DA

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