5.3.1 Granulometria
De acordo com a norma ABNT NBR NM 248:2013, que determina o método para averiguar a composição granulométrica de agregados miúdos e graúdos. Assim foram feitos a granulometria da areia natural (Quadro 6), e também da areia reciclada (Quadro 6), obtendo assim os resultados abaixo.
Quadro 6: Distribuição Granulométrica da Areia Natural
Peneira (mm) Amostra 1 Amostra 2 % retida média % retida acumu- lada Peso Retido (g) % retida Peso Retido (g) % retida 2,000 8,65 1,7% 11,35 2,3% 2% 2% 1,180 64,88 13,1% 75,80 15,1% 14% 16% 0,600 142,88 28,9% 165,26 33,0% 31% 47% 0,425 92,83 18,8% 86,08 17,2% 18% 65% 0,300 60,60 12,3% 43,02 8,6% 10% 75% 0,075 121,25 24,5% 116,62 23,3% 24% 99% Fundo 3,43 0,7% 2,68 0,5% 1% 100% Total 494,52 100,0% 500,81 100,0% 100% -
Fonte: Acervo do autor, 2019
É importante saber a distribuição granulométrica do agregado miúdo, pois ela influencia diretamente no desempenho da argamassa e interfere na trabalhabilidade,
consumo de água e aglomerantes, no estado fresco; e no revestimento acabado influencia na fissuração, rugosidade, permeabilidade, resistência, e aderência.
Quadro 7: Distribuição Granulométrica da Areia Reciclada
Peneira (mm) Amostra 1 Amostra 2 % retida média % retida acumu- lada Peso Retido (g) % retida Peso Retido (g) % retida 2,000 23,38 4,7% 17,81 3,6% 4% 4% 1,180 84,10 16,8% 88,54 17,8% 17% 21% 0,600 111,50 22,2% 106,38 21,4% 22% 43% 0,425 54,25 10,8% 58,13 11,7% 11% 54% 0,300 40,64 8,1% 40,69 8,2% 8% 63% 0,075 164,03 32,7% 160,48 32,3% 32% 95% Fundo 24,06 4,8% 24,66 5,0% 5% 100% Total 501,96 100,0% 496,69 100,0% 100% - Fonte: Acervo do autor, 2019
5.3.2 Resistência à compressão
O quadro 8 apresenta os resultados obtidos no ensaio de resistência à compressão.
Quadro 8: Resistência à compressão dos corpos de prova 100% reciclada
ARGAMASSA COM AREIA 100% RECICLADA MÉDIA MÍNIMA
CP1 Fc1 6,6 MPa
6 MPa 4,7 MPa
CP2 6,8 MPa
CP3 4,7 MPa
Fonte: Acervo do autor, 2019
O resultado da areia 100% reciclada obteve a média de 6 MPa na resistência à compressão e a mínima de 4,7 MPa
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Quadro 9: Resistência à compressão dos corpos de prova 50% reciclada
ARGAMASSA COM AREIA 50% RECICLADA MÉDIA MÍNIMA
CP1 6,3 MPa
6,1 MPa 5,1 MPa
CP2 5,1 MPa
CP3 6,9 MPa
Fonte: Acervo do autor, 2019
O resultado do uso de 50% de areia recicla obteve a média de 6,1 MPa e mínima de 5,1 MPa na resistência à compressão.
Quadro 10: Resistência à compressão dos corpos de prova 25% reciclada
ARGAMASSA COM AREIA 25% RECICLADA MÉDIA MÍNIMA
CP1 5,5 MPa
5,8 MPa 5,3 MPa
CP2 5,3 MPa
CP3 6,7 MPa
Fonte: Acervo do autor, 2019
O uso de 25% de areia reciclada obteve a média de 5,8 MPa e apresentou uma mínima de 5,3 MPa na resistência a compressão.
Comparando os três resultados da areia reciclada o que obteve o melhor resultado foi o uso de 50% de areia reciclada.
A resistência à compressão da areia natural serviu de parâmetro para os testes com areia reciclada, já que a mesma não há normas estabelecidas.
Quadro 11: Resistência à compressão dos corpos de prova 100% natural
ARGAMASSA COM AREIA 100% NATURAL MÉDIA MÍNIMA
CP1 P 10,5Ma
8 MPa 6,9 MPa
CP2 6,6 MPa
CP3 6,9 MPa
Fonte: Acervo do autor, 2019
Os resultados apresentam valores muito próximos considerando o desvio padrão. Estes valores estão adequados para argamassas de assentamento e revestimento de paredes e tetos conforme os requisitos da NBR 13281 (2005).
5.3.3 Absorção de água
Quadro 12: Analise de absorção de água em placas cimentícias
PLACA MASSA SECA (M1) MASSA SATURADA (M2) ABSORÇÃO A 3893,64 4659,90 g 19,7% B 2569,64 3050,30 g 18,7%
Fonte: Acervo do autor
O quadro anterior apresenta o ensaio de absorção de água realizado na placa os traços com 50% de areia natural e 50% de areia reciclada em substituição ao agregado natural apresentando um resultado em % após 24 horas submersas em tanque d’água.
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Segundo DOMENICO (2018) em suas análises feitas com idade de 3,7,14 e 28 dias a resistência a compressão e absorção tiveram resultados positivos para o uso de RDC para produção de concreto não estrutural e é extremamente viável apesar de não haver normas técnicas que não mencione o uso de RDC, o uso desse material poderia solucionar diversos problemas ambientais e econômicos e ajudar nas construções de edificação e pavimentação.
6 PROPOSTA PROJETUAL
Com base nos estudos e resultados obtidos, este o presente estudo propõe- se a revitalização das calçadas do quarteirão central da cidade de Caratinga-MG, no qual foi identificado diversas patologias que causam transtornos ao usuários. Usando o objeto de estudo material reciclado para produzir as placas cimentícias de forma sustentável e econômica, possibilitando o projeto ser replicado em diversas partes da cidade trazendo conforto, segurança e qualidade de vida para os usuários. A calçada ideal é aquela que garante o caminhar livre, seguro e confortável de todos os cidadãos. A calçada é o caminho que nos conduz ao lar. Ela é o lugar onde transitam os pedestres na movimentada vida cotidiana. É através dela que as pessoas chegam aos diversos pontos do bairro e da cidade. A calçada bem feita e bem conservada valoriza a casa e o bairro.
A calçada ideal deve oferecer:
• Acessibilidade – assegurar a completa mobilidade dos usuários.
• Largura adequada – deve atender as dimensões mínimas na faixa livre. • Fluidez – os pedestres devem conseguir andar a velocidade constante. • Continuidade – piso liso e antiderrapante, mesmo quando molhado, quase horizontal, com declividade transversal para escoamento de águas pluviais de não mais de 3%. Não devem existir obstáculos dentro do espaço livre ocupado pelos pedestres.
• Segurança – não oferece aos pedestres nenhum perigo de queda ou tropeço.
• Espaço de socialização – deve oferecer espaços de encontro entre as pessoas para a interação social na área pública.
• Desenho da paisagem – propiciar climas agradáveis que contribuam para o conforto visual do usuário.
Definições:
• Calçada – Parte da via não destinada à circulação de veículos, reservada ao trânsito de pedestres e, quando possível, à implantação de mobiliário, sinalização, vegetação e outros fins (Código de Trânsito Brasileiro).
• Passeio – Parte da calçada livre de interferências, destinada à circulação exclusiva de pedestres e, excepcionalmente, de ciclistas (DANTAS, 2009).
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• Pessoa com mobilidade reduzida – Aquela que, temporária ou permanentemente, tem limitada sua capacidade de relacionar-se com o meio e de utilizá-lo. Entende-se por pessoa com mobilidade reduzida, a pessoa com deficiência, idosa, obesa, gestante, entre outros (ABNT NBR 9050:2004).
Placas pré-fabricadas
Placas de micro-concreto de alto desempenho, para aplicações: assentada com argamassa sobre base de concreto ou removível, diretamente sobre a base ou como piso elevado.
Especificação Resistência à tração na flexão da placa – f ctm > 3,5 MPA. Espessura da placa para tráfego de pedestres. Placas fixas > 2,5 cm.
Placas removíveis > 3,0 cm. Base • Placas fixas – utilizar concreto magro com espessura de 3 a 5 cm.
• Placas removíveis – brita graduada simples ou bica corrida compactadas sobre subleito também compactado.
• Armadura de base – somente para tráfego de veículos – CA-60 (4,2 mm, malha 10 x 10 cm) Assentamento
• Placas fixas – assentadas com argamassa de consistência seca (“farofa”) sobre a camada de base.
• Placas removíveis – assentadas sobre uma camada de pó de brita com 3 a 4 cm de espessura sobre a base. Junta
• Placas fixas – podem ou não ser rejuntadas.
• Placas removíveis – não devem ser rejuntadas. Acabamento superficial – diversidade de cores, formatos e texturas.
Características Durabilidade – elevada durabilidade, desde que respeitadas as características do produto, o modo de instalação e de manutenção.
Conforto de rolamento – adequado ao tráfego de cadeirantes e deficientes visuais. Antiderrapante – o acabamento superficial deve apresentar rugosidade adequada para evitar escorregamentos.
Placas pré-moldadas de concreto Drenagem – mediante projeto específico para esta finalidade, utilizando-se placas drenantes. Tempo para liberação ao tráfego
• Placa removível – imediato. Limpeza – jato de água e sabão neutro. Consertos
• Placa Fixa – pontual, podendo ser necessária a substituição da placa. • Placa removível – fácil remoção e reaproveitamento das placas.
Dimensões mínimas de faixa livre Calçadas, passeios e vias exclusivas de pedestres devem incorporar faixa livre com largura mínima de 1,20 m.
• Possuir superfície regular, firme, contínua e antiderrapante sob qualquer condição.
• Ser contínua, sem qualquer emenda, reparo ou fissura. Portanto, em qualquer intervenção o piso deve ser reparado em toda a sua largura seguindo o modelo original. Recomendações
• Faixa de serviço > 0,75 m • Faixa livre > 1,20 m
O proprietário de imóvel é responsável pela construção do passeio em frente a seu lote e deverá mantê-lo em perfeito estado de conservação.
O Decreto nº 5.296/04, que regulamenta as Leis n° 10.048/00 e n° 10.098/00, que estabelecem normas gerais e critérios básicos para a promoção da acessibilidade das pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida.
Enfoque na mobilidade urbana, construção dos espaços e nos edifícios de uso público e legislação urbanística (DANTAS, 2009).
Foram coletadas medidas das vias através de visitas locais.
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Rua central com maior fluxo de pedestre e transito intenso, possui uma via de 7,9 m de largura, estacionamento de 2 m de cada lado e calçadas com 2,60 de cada lado.
Figura 17 – Medidas vias e calçadas Rua João Pinheiro
Fonte: Acervo do autor, 2019
Rua central possui transito intenso em diversos horários via de 5,50 m de largura, estacionamento somente de um lado da via de 2 m, e uma calçada de 2,60 e outra de 2,10.
Figura 18 – Medidas vias e calçadas Travessa João Coutinho
Travessa que liga a Rua Raul soares a Rua João Pinheiro possui uma via de 5 m estacionamento dos dois lados da via medindo 2 m e calçadas de 2,30 de cada lado.
Figura 19 – Medidas vias e calçadas Travessa Coronel Ferreira Santos
Fonte: Acervo do autor, 2019
Travessa que liga a Rua João Pinheiro a Rua Raul Soares possui uma via de 4,10 m estacionamento de um lado da via medindo 2 m e calçadas de 1,5 de cada lado.
48 7 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Por meio dos resultados foi avaliado que a areia reciclada proveniente dos entulhos de construção civil, possui características favoráveis para a criação de placas cimentícias, com possibilidade de serem usadas para o revestimento de calçadas, de acordo com a relação à propriedade de resistência à compressão nas proporções estudadas.
As metodologias utilizadas para a verificar a resistência e absorção de umidade, foi de suma importância para obter bons resultados e avaliar a viabilidade da questão do uso do material reciclado.
Esses resíduos apresentam um excelente potencial para criação de produtos e subprodutos que podem agregar de certa forma o setor da construção civil.
Entretanto o uso dessa areia reciclada tem grande probabilidade de contribuir de certa forma para a redução do desperdício de material em obras, já que parte desses entulhos possui formas de reaproveitamento.
Assim sendo as placas cimentícias objeto de estudo, produzidas no laboratório possuem características consideráveis para a produção de placas cimentícias, e seu uso no revestimento de calçadas poderá contribuir de forma econômica e sustentável.
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