CAPITULO III PROGRAMAS NACIONAIS EM INFORMÁTICA EDUCATIVA
3.2 PROGRAMA FORMAR
Instituído pelo CAIE/MEC em abril de 1986, o Programa de Ação Imediata em Informática na Educação - FORMAR teve como objetivo principal dar continuidade ao projeto EDUCOM. Esse programa foi desenvolvido como recomendação do Comitê Assessor da Informática na Educação - CAIE/SG para a Secretaria de Ensino de primeiro e segundo graus que...
“...objetivava ampliar a capacitação das atividades de Informática Educativa mediante a criação de uma infra-estrutura de suporte junto às secretarias estaduais de Educação, a formação e o desenvolvimento de recursos humanos em todos os níveis de ensino e o incentivo à produção
y27
descentralizada de software educativo ”
Cada secretaria de Educação para participar do projeto deveria definir pedagogicamente sua proposta junto a cada instituição de ensino técnico e/ou superior. Como objetivos específicos, o programa almejava:
“Gerar subsídios que contribuíssem para o estabelecimento de uma Política Nacional de Informática na educação de 1° e 2°graus;
Desenvolver uma infra-estrutura de suporte junto às secretarias de Educação;
Estimular e disseminar as aplicações da utilização da Informática Educativa junto aos sistemas estaduais e municipais de ensino;
Estimular a capacitação de recursos humanos para o trabalho com Informática Educativa;
Avaliar a validade racional e econômica da Informática Educativa, de acordo com os objetivos da Educação Brasileira ”28.
27ANDRADE e LIMA (1993, p.29). 280LIVEIRA (1997, p.43).
O Programa FORMAR implantou, em vários estados da federação, dezessete Centros de Informática Educativa - CIEDs (1987-89), onde grupos interdisciplinares de educadores, técnicos e especialistas que deveriam desenvolver seus trabalhos junto a programas computacionais de uso/aplicação de Informática Educativa. Cada Estado deveria indicar dois professores para serem formados em um curso concentrado em dois meses de estudo, no Núcleo de Informática Educativa (NIED) da UNICAMP que, ao retomarem, deveriam coordenar a elaboração e implantação do projeto CIED de seu Estado.
Os Centros deveriam ser capazes de capacitar os professores das escolas públicas para a utilização do computador em sua prática Educativa, formar o aluno para lidar e produzir numa sociedade informatizada e divulgar a idéia da Informática Educativa nos sistemas de ensino no país.
O FORMAR continuou sendo coordenado pelo NIED e numa fase posterior destinou esforço quase que exclusivamente a professores que trabalhavam com Educação Especial, Ensino Técnico Federal e, também, para Universidades Federais que demonstravam interesse em criar seu Centro de informática Educativa para o Ensino Superior (CIES).
Houve quatro FORMAR, sendo que o primeiro (junho a agosto de 1987) e o segundo (início de 1989) aconteceram na UNICAMP, enquanto o terceiro foi em Goiás e o quarto no Rio de Janeiro. Os primeiros cursos de formação se concentraram em Campinas-SP devido a não existência de um centro de computadores no país naquela época que pudesse atender vinte e cinco participantes simultaneamente. Segundo VALENTE e ALMEIDA, isso só foi possível devido a colaboração de algumas fábricas de computadores para a construção desse centro2 .
O FORMAR I e o FORMAR II totalizaram trezentos e sessenta horas de curso cada um, desenvolvidos em nove semanas, com oito horas de atividades por dia. Ministrados geralmente por pesquisadores do projeto EDUCOM e constituídos de aulas teóricas, práticas, seminários e conferências, os cinqüenta professores participantes de cada curso, vindos de quase todos os estados do país, são considerados hoje como os principais responsáveis pela disseminação e formação de novos profissionais na área.
Segundo VALENTE, algumas dificuldades encontradas por seus participantes nestes cursos ao retomarem aos seus locais de origem fizeram com que se redefinissem futuras estratégias de formação de professores em Informática Educativa. Concluiu-se que os cursos oferecidos foram descontextualizados da realidade do professor, visto que as atividades desenvolvidas foram propostas independentemente da situação física e pedagógica vivida pelos participantes, realidade esta que muitas vezes os recebia com certa hostilidade e resistência à mudança idealizada por eles . Em função disso, mais tarde passou-se a oferecer aos professores a
29VALENTE e ALMEIDA (1993, p.8). 30VALENTE (1993, p.8).
“formação em serviço” a fim de que estas dificuldades pudessem ser enfrentadas ao mesmo tempo em que ocorria o curso.
No período de nove a doze de novembro de 1987 foi realizada em Florianópolis a
Jornada de Trabalhos de Informática na Educação: Subsídios para Políticas, a fim de discutir os
avanços e dificuldades encontradas no desenvolvimento dos Centros-Piloto do Projeto. O encontro foi promovido e organizado pelo Ministério da Educação/SEI, com o apoio financeiro do FNDE e em colaboração com a Universidade Federal de Santa Catarina-UFSC.
Vários grupos temáticos reuniram-se para desenvolver as que seriam as futuras ações balizadoras das futuras estratégias adotadas pelo MEC em seu Programa Nacional de Informática Educativa, implementado a partir de 1989. Dentre as conclusões desta jornada estava a redefinição do poder público quanto ao seu papel junto as futuras ações em Informática Educativa no país:
“Sendo uma proposta comprometida com a comunidade, que atende aos seus anseios e necessidades e ao ritmo de desenvolvimento por ela definido, em termos de formação de professores e atendimento aos alunos, eles caminham interdependentes do poder público federal, articulando-se diretamente com as Universidades, que, por sua vez, vêm garantindo o nível técnico científico necessário à operalização dessas ações de formação de professores e de repasse do conhecimento técnico-científico gerado em seu âmbito ”3 .
Quanto ao aspecto do papel do poder público como articulador, catalisador e definidor de políticas e estratégias, foi constatado que a solução das dificuldades poderia estar na possibilidade de parcerias com órgãos privados, não dependendo exclusivamente dos recursos técnicos e financeiros distribuídos pelo Governo Federal.