CAPÍTULO 2 – A POLÍTICA DE PRODUÇÃO DE BIOCOMBUSTÍVEIS NO BRASIL
2.3 PROGRAMA NACIONAL DE ACELERAÇÃO DO CRESCIMENTO – PAC
O Programa Nacional de Aceleração do Crescimento - PAC foi lançado no Brasil no ano de 2007 com o objetivo de acelerar o crescimento econômico, gerar empregos e melhorar as condições de vida da sociedade brasileira. Para fazê-lo, esse programa delineou medidas destinadas a incentivar o investimento privado, aumentar o investimento público em infraestrutura e remover obstáculos ao crescimento, tais como obstáculos burocráticos, administrativos, normativos, jurídicos e legislativos118.
Segundo dados do Ministério do Planejamento, o PAC foi criado no segundo mandato do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva no ano de 2007, com o objetivo de promover a retomada do planejamento e execução de grandes obras de infraestrutura social, urbana, logística e energética do país, de modo a contribuir para o desenvolvimento sustentável e promover esse crescimento de forma acelerada119. O PAC, lançado na década passada, também recebeu uma segunda
versão, desenvolvida a partir do ano de 2011120.
Em sua primeira edição, o PAC teve por escopo para o setor de biocombustíveis a produção de 26,6 bilhões de litros de álcool por ano, a inauguração de 77 usinas sucroalcooleiras, a produção anual de 3,3 bilhões de litros de biodiesel, a inauguração de 46 usinas de biodiesel, e ainda a construção de 1.150 quilômetros de dutos, dados estes com especial destaque no ano de 2010. Para realização dessas metas, foram calculados investimentos de R$ 53 milhões em biodiesel para a região Norte, R$ 140 milhões em biodiesel para a região Nordeste, R$ 357 milhões em biodiesel e R$ 2,984 bilhões em álcool para a região Centro- Oeste, R$ 316 milhões em biodiesel e R$ 8,5 bilhões em álcool para a região Sudeste e R$ 330 milhões em biodiesel e R$ 628 milhões em álcool para a região Sul. Além dos investimentos supracitados, que correspondem a R$ 1,196 bilhão em biodiesel e R$ 12,112 bilhões em álcool, o PAC 2007-2011 previa o investimento de R$ 4,1 bilhões nas regiões Centro-Oeste e Sudeste para a construção de um álcoolduto que irá ligar Senador Canedo (GO) a São Sebastião (SP), além de
118 BRASIL, MINISTÉRIO DA FAZENDA. Programa Nacional de Aceleração do Crescimento 2007-
2010. Disponível em: http://www.fazenda.gov.br/portugues/releases/2007/r130307.pdf Acesso em:
119 BRASIL. Sobre o PAC. Ministério do Planejamento. Disponível em: <http://www.pac.gov.br/sobre-
o-pac>. Acesso em: março de 2013.
120 BRASIL. Programa Nacional de Aceleração do Crescimento 2. Disponível em: <
estudos sobre a viabilidade de construção de outro álcoolduto para ligar Cuiabá à Refinaria de Araucária – Repar, situada no Paraná121.
Em sua segunda edição, o PAC II (2011-2014) evidenciou um novo eixo da política econômica, guiado pelos princípios de crescimento vigoroso, geração de empregos e aumentos de salário, inclusão social e distribuição de renda, dinamização do investimento e crescimento sustentável122. No que tange especificamente aos biocombustíveis, o PAC II tem por proposta a ampliação dos combustíveis renováveis na matriz energética do Brasil, com a construção de novas plantas de biodiesel e etanol e a criação de uma melhor infraestrutura para escoar a produção de etanol. A segunda versão também tem por meta estender a liderança do Brasil como fornecedor mundial de etanol e consolidar o mercado interno de biocombustíveis na modalidade biodiesel, com alternativas competitivas em relação à soja. Para tanto, os empreendimentos propostos e em execução são o Sistema de Logística do Etanol GO-MG-SP, a ampliação do número de usinas de etanol e biodiesel espalhadas pelo país, a hidrovia Tietê-Paraná, a Planta de Biodiesel do Norte, a SEDA – RJ de responsabilidade do Ministério de Minas e Energia e o Sistema de Escoamento Dutoviário de Álcool – SP Metro I123.
Ao realizar uma análise do PAC, Gabriella Tronconi124 avalia que esse plano
representa uma conversão no papel do Estado, no sentido de assumir a responsabilidade pela coordenação do crescimento. Nele é evidenciado que o Estado e o mercado, duas instituições essenciais para o desenvolvimento de uma sociedade, devem interagir através de ações de governo para estimular o crescimento econômico e promover justiça e segurança social. Essa estratégia governamental representa um aumento da intervenção do Estado na economia, principalmente por meio da elevação do investimento público e privado na busca pelo crescimento, de modo a organizar a ação do poder público na política de
121 BIOCOMB. PAC dos Biocombustíveis. Disponível em:
<http://biocomb.wordpress.com/2007/01/23/biocombustiveis-no-pac/>. Acesso em: 10 mar. 2013.
122 BRASIL. PAC – relatório 1. Disponível em: http://www.brasil.gov.br/pac/pac-2/pac-2-relatorio-1, p.
14.
123 BRASIL. MINISTÉRIO DO PLANEJAMENTO. Combustíveis Renováveis. PAC 2. Disponível em:
<http://www.pac.gov.br/energia/combustiveis-renovaveis> Acesso em: 17 mar 2013.
124 MACEDO, Gabriella Abalém Tronconi Campos. Programa de Aceleração do Crescimento
(PAC): natureza, impactos e dinâmica regional. Dissertação. Ano: 2011. Uberlândia. Universidade
Federal de Uberlândia. Disponível em:
<http://www.ppge.ie.ufu.br/sites/ppge.ie.ufu.br/files/Anexos/Bookpage/Disserta%C3%A7%C3%A3o%2 0-%20Gabriella%20Abal%C3%A9m%20Tronconi%20Macedo%20Campos.pdf>. Acesso em: 10 jan 2013.
investimentos, aumentar a eficácia do investimento público, melhorar a sinalização de investimento para o setor privado, e ainda conceder incentivos adicionais.
O PAC pode ser considerado uma nova forma de relacionamento do Estado com o mercado e também uma estratégia de conciliação do crescimento econômico com a latente necessidade de reestruturação social e regional, nos moldes propostos por Robert Gilpin125, oferecendo uma base para o desenvolvimento dos biocombustíveis. Ele serve de fundamento e estrutura para que o mercado de biocombustíveis no Brasil seja ampliado e se torne ainda maior referência no cenário internacional.