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Programa Nacional do Livro Didático

No documento Download/Open (páginas 31-33)

A historicização feita por Bomeny; Guimarães & Oliveira (1984) sobre as políticas educacionais do livro didático para o primeiro grau, atual Ensino Fundamental, aponta suas iniciais discussões para o ano de 1934, durante a gestão de Gustavo Capanema (1934-1945). Criada pelo Decreto-lei que regulamentou a produção, importação e utilização de livros didático, a Comissão Nacional do Livro Didático (CNLD) era encarregada, dentre outras competências, de examinar os livros didáticos. (BOMENY; GUIMARÃES & OLIVEIRA, 1894, p.22).

Dentre os empecilhos estabelecidos para a autorização das obras, cabe destacar o Art.20 do Decreto-Lei nº 1.006, de 30 de Dezembro de 1938:

a) que atente, de qualquer forma, contra a unidade, a independência ou a honra nacional;

b) que contenha, de modo explícito ou implícito, pregação ideológica ou indicação da violência contra o regime político adotado pela Nação:

c) que envolva qualquer ofensa ao Chefe da Nação, ou às autoridades constituídas, ao Exército, à Marinha, ou às demais instituições nacionais;

d) que despreze ou escureça as tradições nacionais, ou tente deslustrar as figuras dos que se bateram ou se sacrificaram pela pátria;

e) que encerre qualquer afirmação ou sugestão, que induza o pessimismo quanto ao poder e ao destino da raça brasileira;

f) que inspire o sentimento da superioridade ou inferioridade do homem de uma região do país com relação ao das demais regiões;

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h) que desperte ou alimente a oposição e a luta entre as classes sociais;

i) que procure negar ou destruir o sentimento religioso ou envolva combate a qualquer confissão religiosa;

j) que atente contra a família, ou pregue ou insinue contra a indissolubilidade dos vínculos conjugais;

k) que inspire o desamor à virtude, induza o sentimento da inutilidade ou desnecessidade do esforço individual, ou combata as legítimas prerrogativas da personalidade humana.

Destacamos dos referidos pontos passíveis de reprovação das obras pela CNLD, as alíneas

d e g. Se por um lado, obras que contivessem conteúdos que diminuíssem os sujeitos que se

sacrificaram pela pátria, entretanto, tais sujeitos não são especificados e o fato de que conteúdos como esses, bem como os que incitassem “ódio contra as raças e as nações estrangeiras” não estivessem presentes nos livros, poderia significar apenas um não debate sobre a formação nacional, com todos os seus sujeitos e sobre os preconceitos por origem étnica. Mais que isso, o documento não trazia nenhuma obrigatoriedade sobre a valorização das figuras “que se sacrificaram pela pátria.

Hoje é o Programa Nacional do Livro Didático (PNLD) o responsável pelo fornecimento dos livros didáticos destinados à educação básica pública (primeiro e segundo segmento do ensino fundamental e ensino médio, inclusive na modalidade EJA). Vinculado ao Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), é responsável pela avaliação das obras inscritas pelas editoras, pela elaboração, publicação e distribuição do Guia do Livro Didático contendo as resenhas dos livros aprovados pelo Ministério da Educação (MEC) e, após a escolha dos livros pelas escolas, a sua distribuição.

Ancorada na LDBEN, uma das recomendações presentes na Resolução nº 42 de 28 de agosto de 2002, que dispõe sobre o PNLD para a educação básica, é a presença de conteúdos que considerem “a educação como direito de todos”, sua função de preparar para o exercício da cidadania e “as diversidades sociais e culturais que caracterizam a população e a sociedade brasileira”.

Uma das sugestões é que a escola, no processo de escolha do livro didático, observe a variedade de gêneros discursivos nas obras; o incentivo a professores e alunos a buscar outros textos para dialogar com os presentes no livro trabalhado; a possibilidade de discussões que contribuam para a reconstrução de sentidos ao leitor e assim, sua formação como cidadão, tema esse que perpassa as orientações, que seguem então sugerindo que o professor avalie se a obra

22 está em consonância com a legislação no que tange a essa questão, observando se seus conteúdos não disseminam preconceitos e estereótipos e quando esses aparecem, se o livro propõe a discussão desses textos; publicidades descontextualizadas, formas de doutrinar politicamente ou religiosamente; percepção das relações que ocorrem entre o conhecimento e sua função social e por último, de diversidade, das mais variadas formas, como cultural, de gênero, étnica, linguística e regional estão postas nos diversos tipos de textos. (MEC, PNLD, 2013)

Um dos parâmetros para a seleção dos livros didáticos a serem adotados pelo PNLD e requisito passível de eliminação caso não atendido é a reprodução adequada da “diversidade étnica da população brasileira, a pluralidade social e cultural do país”. Entretanto, não há a explicação quanto ao sentido de adequada.

Como não temos no Brasil um sistema único de educação, impossibilitando por isso e também pelos mais variados contextos sociais uma análise geral, partimos do livro didático como instrumento para problematizar seus textos, pressupondo consonância com os guias elaborados pelo PNLD e assim, adequação à legislação vigente para a educação nacional, bem como suas alterações, como a Lei nº 10.639/03. (BRASIL, MEC, 2013, p. 09).

E embora seja uma política centralizada, no sentido de ser regulamentada por uma entidade federal de governo, é executada descentralizadamente, pois são especificamente os professores quem os escolhe e utiliza com os alunos nas aulas. De acordo o FNDE, as escolas, através de seus professores e de sua equipe pedagógica, devem considerar no processo de escolha do livro didático, os conteúdos que melhor se aproximem da realidade sociocultural da região a que as escolas pertencem.

A obrigatoriedade legal possibilita que referências culturais de toda a comunidade escolar sejam ampliadas através da “mudança das suas concepções de mundo, transformando os conhecimentos comuns veiculados pelo currículo”, bem como a contribuição na “construção de identidades mais plurais e solidárias”. (PARECER CNE 003/2004).

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