NOVOS TEMPOS E O SISTEMA PÚBLICO DE EMPREGO
POLÍTICAS ATIVAS E PASSIVAS DE MERCADO DE TRABALHO
3 PROGRAMA SEGURO DESEMPREGO – O SPE NO BRASIL
No Brasil, o seguro desemprego foi decretado em 1986 (Decreto lei nº 2.284/1986 e regulamentado pelo Decreto nº 92.608/1986) (BRA- SIL, 1986a, 1986b), depois de algumas tentativas institucionais de as- sistência a desempregado nos anos de 1960, embora o IMO começasse os serviços em 1976. O Programa do Seguro-Desemprego (PSD), toda- via, ganhou institucionalidade com a Constituição de 1988 e com a Lei nº 7.998/1990 que criou fonte de custeio segura na forma do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) (BRASIL, 1988, 1990). O FAT forma- do por contribuições do Programa de Integração Social (PIS)/Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PASEP), 40% de seus recursos vão para o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), fi nancia o PSD – composto do seguro desemprego, intermediação de mão de obra e qualifi cação social e profi ssional, infor- mações sobre o mercado de trabalho, o Abono Salarial, Programa para
ϭϲϳ
a Juventude, programas de desenvolvimento econômico. Nos anos de 1990, foi aprovado que os recursos extraorçamentários seriam aporta- dos às Instituições Financeiras Nacionais (IFNs) para o Programa de Nacional de Microcrédito Produtivo Orientado (PNMPO). A gestão do Fundo é efetuada pelo Conselho Deliberativo do FAT (Codefat) de composição tripartite – representantes de trabalhadores, empresas e governo – responsável pela defi nição de prioridades, planejamento, aprovação e fi nanciamento dos projetos, tipo de governança inédita na burocracia federal brasileira.
Os trabalhadores cobertos pelo SD são aqueles de contrato com carteira assinada, incluídos os empregados domésticos, pescador arte- sanal no período de defeso, trabalhadores com contrato suspenso e em programa de qualifi cação e resgatados do trabalho forçado. Os assalaria- dos informais ou sob outras formas de inserção não são elegíveis.
Os recursos do FAT desgastaram-se no período de crescimento eco- nômico entre 2003 e 2014 devido ao aumento da rotatividade da mão de obra, fruto do aumento das oportunidades de emprego, e conse- quente aumento no número de solicitações do SD que levou em 2015 a tornar mais restritivos a elegibilidade e o prazo aquisitivo. Ademais, o Tribunal de Contas da União (TCU) em 2014 questionou o cumpri- mento dos objetivos no que se refere à integração dos serviços no PSD. Este fato motivou a que o pagamento do seguro fosse operacionalizado pelo IMO, sempre sob a coordenação do Sistema Nacional de Emprego (Sine), em muitas agências de atendimento e que o segurado tivesse que participar de curso de requalifi cação, oferecido em período diurno pelo Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Prona- tec). Este foi ministrado inicialmente pela Rede Federal de Educação Científi ca e Tecnológica e ampliado, posteriormente, pelo Sistema S e pela rede particular de ensino profi ssional. Essa participação passa a condicionar o recebimento do benefício, que pode ser cortado, caso um dos cursos recomendados não seja realizado pelo desempregado, assim como a recusa de emprego compatível (ocupação e salário) depois da
ϭϲϴ
terceira oferta pelo IMO, após a qual se perde o benefício. O número de parcelas entre 3 e 5 tornou-se variável, a depender da última habilitação e do tempo de serviço do trabalhador.
As mudanças têm o objetivo de incentivar o tempo de permanência do trabalhador na empresa e de integrar os segurados aos serviços de IMO (que envolvem orientação profi ssional) e ao PQ, ou seja, enfati- zando as políticas ativas de mercado de trabalho, não apenas para dimi- nuir o custo total dos benefícios pagos, pois o reintegrado ao mercado de trabalho deixa de receber recurso do seguro, como também para melhorar a alocação da força de trabalho e aumentar a produtivida- de do trabalho. Além dos interesses políticos da partição dos serviços prestados pelo SPE, porque cada módulo tem coordenação e recursos próprios, a baixa integração dos serviços oferecidos deve-se à construção segmentada do Sistema no Brasil, a qual até hoje se encontra presente em muitos municípios e agências. Devemos reconhecer, todavia, que ocorreram avanços institucionais e na operacionalização do Sistema (CACCIAMALI; LIGIÉRO; MATOS, 2008).
Uma vez inscrito no SD, o trabalhador, desde 2011, é automati- camente encaminhado ao Portal Emprega Brasil que reúne em âmbito
nacional as informações sobre os trabalhadores que demandam empre- go e vagas ofertadas, além de cursos oferecidos, e integra as agências da Caixa aos serviços do Sine, mudando em um conjunto de agências de atendimento a característica inicial seccionada do SPE criado no Brasil.
O Portal e no futuro próximo o Sine fácil, aplicativo para smartpho- ne, permitem agilizar o cruzamento entre o perfi l do trabalhador e as
características das vagas ofertadas, convocar os candidatos para encami- nhamento a entrevistas de emprego e registrar o resultado do encami- nhamento; ou seja, a digitalização possibilita melhor a administração do sistema de intermediação, necessitando de controle e supervisão de todo o processo por parte dos técnicos da IMO, coordenado pelo Sine. O empregador, utilizando também de assinatura digital, pode informar todos os dados para que o trabalhador aceda ao SD sem uso de impres-
ϭϲϵ
sos, totalmente pela Internet, sendo a solicitação confi rmada por agente público credenciado. O trabalhador insere seus dados e tem acesso a vagas disponíveis compatíveis e cursos que podem ser realizados.
O software elaborado criou uma sistemática amigável a trabalhado- res e empregadores, diminuindo o custo da informação, patrocinando em qualquer lugar a busca e a oferta de empregos, e favorecendo os processos de seleção. Diminui os custos de contratação de mão de obra para as empresas e facilita os trabalhadores que podem acompanhar o ingresso de novas vagas e, caso desejem, podem mudar-se da localidade de trabalho sem se locomover. Neste portal pode ainda o empregador consultar os códigos da Classifi cação Brasileira de Ocupações (CBO) e informar Relação Anual de Informações Sociais (Rais)/Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). O acesso pode ser permiti- do a escritórios de contabilidade que, terceirizados, tratam das questões de mão de obra para as empresas.
O Portal e o Sine fácil pelas suas características foram um grande
passo: uma iniciativa que permite mapear de uma forma melhor o mer- cado de trabalho em nível nacional, indicar a qualifi cação profi ssional apropriada e permitir a alocação e realocação do trabalhador no setor produtivo a baixo custo em todo território nacional. Integra, portanto, os serviços primordiais do Sistema Público de Emprego. É a solução para o presente e o seu aprimoramento será o caminho. Apresenta, to- davia, um conjunto de desafi os para a sua efetividade.
4 DESAFIOS DO SISTEMA PÚBLICO DE EMPREGO