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4 CRIAÇÃO DA CONAB, MODIFICAÇÕES DA PGPM E OS PROGRAMAS

4.3 Experiências da CONAB nos programas institucionais 1990/2003

4.3.2 Programas de suplementação alimentar

Em termos de programas institucionais direcionados à suplementação alimentar, a CONAB participou, em nível nacional, do Programa de Suplementação Alimentar – PSA e do Programa Nacional de Alimentação Escolar – PNAE e, em nível internacional, do Programa Mundial de Alimentos – PMA.

O PNAE é um programa do Ministério da Educação, sob execução da Fundação de Assistência ao Estudante – FAE, implantado em 1955, e tem por objetivo oferecer condições de acesso e permanência do educando, do pré-escolar e ensino fundamental, matriculado na rede pública de ensinos federal, estadual e municipal e de instituições filantrópicas. A área de atuação do PNAE inclui fornecimento de material didático, apoio odontológico, apoio oftalmológico e, principalmente, apoio alimentar. Nesse último item, a CONAB participa, por força do convênio firmado com a FAE, até os dias atuais.

A chamada “merenda escolar” compõe-se de cardápios variados, incluindo-se alimentos formulados, adquiridos pela própria FAE, e outros componentes obtidos através da CONAB, mediante compras descentralizadas, ao nível de estado e municípios, e compras centralizadas, através de fornecedores diretos e indiretos (indústrias e comércios) e quantificada mediante a tentativa de atendimento de 15% das necessidades alimentares diárias de cada matriculado, balanceada de maneira a se constituir de 350 calorias e 9 proteínas.

Em março de 1991, foi firmado convênio para regulamentar a participação da CONAB como executora no processo de aquisição, fornecimento, transporte, armazenagem e distribuição de gêneros alimentícios para o Programa. A autorização para a celebração do convênio consta do inciso VI, artigo 16 do Estatuto da FAE, aprovado pelo Decreto nº 88.295, de 10 de maio de 1983, executado, a partir daquela data, por intermédio da então COBAL. No primeiro ano de exercício da CONAB, o programa de aquisições foi desenvolvido em duas etapas, totalizando aproximadamente 92.225 toneladas de produtos, sendo 55.221 toneladas referentes à primeira aquisição e 37.003 toneladas inerentes à segunda aquisição (Relatório de atividades CONAB, 1991). Convém esclarecer que, da mesma forma como ocorreu com o programa de rede SOMAR de abastecimento, a CONAB destinou, inclusive, parte dos estoques da PGPM para o atendimento do programa.

O PSA foi um programa do Ministério da Saúde, sob execução do Instituto Nacional de Alimentação e Nutrição – INAN, e consistia na distribuição de uma cesta de alimentos às gestantes, nutrizes e crianças menores de trinta e seis meses, pertencentes a famílias com renda mensal de até dois salários mínimos, objetivando, dessa forma, reduzir os índices de mortalidade infantil. A referida cesta era composta, basicamente, de alimentos como arroz, feijão, macarrão, leite em pó desnatado e vitaminado, mistura láctea, fubá e farinha de mandioca.

Até 1990, o processo de aquisição era desenvolvido nas Unidades da Federação, através da COBAL, por uma equipe formada por representantes daquela empresa e do INAN, por força de contrato entre as duas instituições. No exercício de 1991, ante a não renovação do contrato entre o INAN e a COBAL, esta não participou do processo de aquisição, como executora do INAN, sendo o mesmo desenvolvido pelo próprio Instituto, através da Sociedade de Abastecimento de Brasília – SAB, ficando a cargo da CONAB a execução dos serviços de armazenagem e transporte.

Nesse sentido, no primeiro ano de exercício da CONAB, foram desenvolvidas as atividades de estocagem, procurando armazenar prioritariamente através de sua rede própria,

responsabilizando-se pela qualidade dos produtos, sua guarda e sua conservação até a saída para as Unidades de Saúde; e as atividades de transporte, contratando empresas transportadoras para a retirada dos alimentos dos armazéns. O montante de recursos gastos pela CONAB na prestação de serviços alcançou, no primeiro ano de exercício, Cr$ 1,2 bilhão, propiciando, em termos quantitativos e físicos, a armazenagem e o transporte de 36,2 mil toneladas de alimentos, com destaque para arroz e feijão (Relatório de atividades da CONAB, 1991). Entretanto, a partir de 1992, o PSA foi extinto, juntamente com outros programas de suplementação alimentar, dos quais a CONAB não participava, que incluíam crianças menores de sete anos, como o Programa Nacional do Leite para Crianças Carentes – PNLCC e o Programa de Alimentação dos Irmãos Escolares – PAIE (LIMA JR.; ZETTERSTÖM, 2002).

O PMA é um programa da Organização das Nações Unidas – ONU, fundado em 1963, que trata da internalização de doações de gêneros alimentícios destinados, basicamente, a escolas de primeiro grau da rede oficial de ensino e a organizações filantrópicas em áreas carentes. A atuação do PMA no Brasil se estende às áreas carentes da região Nordeste, especificadamente aos estudantes dos estados do Ceará, do Piauí e da Paraíba, por um período de quatro anos, a partir da data do início da utilização dos gêneros. O papel do alimento fornecido pelo PMA consiste em servir como apoio dietético e garantir a ingestão de, aproximadamente, 400 calorias adicionais diárias; incentivar a frequência nas escolas de primeiro grau e, ainda, servir como incentivo e transferência de renda para os professores e para a equipe de apoio que pertencem à comunidade local, pelo fornecimento de refeições regulares.

A distribuição dos gêneros, a partir dos armazéns, às escolas do primeiro grau, é feita, mensalmente, pelas secretarias estaduais e municipais de educação, juntamente com os alimentos tradicionalmente fornecidos pelo governo, de acordo com um plano de distribuição baseado no número de crianças de cada instituição. A CONAB começa a participar no PMA em 1991, atuando no desembarque, no recebimento, no transporte e no armazenamento dos produtos até a distribuição para o consumo nas escolas.

No primeiro ano de exercício da CONAB no PMA, por exemplo, os recursos gastos na prestação de serviços de desembarque, transporte, armazenagem, entre outros, foram de Cr$ 193,9 milhões, representando, em termos de movimentação física relativa às operações do PMA, mais de 7 mil toneladas. A movimentação de trigo em grãos atingiu 6 mil toneladas, de feijão 400 toneladas, de leite em pó 460 toneladas, e de peixe enlatado 800 toneladas

(Relatório de atividades CONAB, 1991). A partir de 2005, a CONAB tornou-se credenciada ao PMA, passando a adquirir para a ONU produtos da agricultura familiar, como trigo, milho, arroz e feijão, destinados a abastecer países em situação de insegurança alimentar.