Grupo II Unidades de Uso Sustentável (US), que permitem o uso direto dos recursos
5. PRINCIPAIS CADASTROS
5.1 CADASTROS URBANOS
5.1.3 Projeto de Lei nº 3876 /
O Projeto de Lei nº 3.876 (PL 3876/15) (BRASIL, 2015) vem tramitando na Câmara Federal desde 2015 com o propósito de estabelecer normas para elaboração do Cadastro Territorial dos municípios. Seu texto inicial foi composto essencialmente pelas disposições
contidas na Portaria 511/09 (BRASIL, 2009) com algumas pequenas alterações ou inclusões, as quais se destacam:
Passa a considerar como Cadastro Básico o Cadastro Territorial (CT),
denominado anteriormente pela Portaria nº 511/09 de CTM;
Deixa claro que a multifinalidade reside na integração do CT com o Registro de
Imóveis (RI) e com os Cadastros Temáticos, sendo então conformado o CTM, denominado pela Portaria 511/09 de SIT;
A área de cobertura do CT passa a ser o ambientes urbano e rural, portanto, todo
o território do município;
Mantem a parcela como unidade cadastral e a restringe à superfície do
município, portanto, seguindo sem considerar a possibilidade da terceira dimensão do Cadastro;
Estabelece como conteúdo mínimo do CTM a caracterização geométrica da
parcela, seu uso, o identificador único, sua localização, bem como titular do domínio;
Faz menção à precisão do levantamento dos limites da parcela cadastral,
determinando que seja definida por norma técnica específica;
Lotes, glebas, vias públicas, praças, lagos, rios são denominados de unidades territoriais que podem, e não mais “devem”, ser modeladas por parcelas;
Destaca que o município deve fornecer informações claras e precisas dos dados
físicos e do valor do imóvel ao contribuinte;
Fixa um prazo de cinco anos para que os municípios que não tenham CTM e avaliação de imóveis atualizados aprovados encaminhem os respectivos documentos para aprovação pela Câmara Municipal;
O prefeito que agir negligentemente na arrecadação de tributo ou renda incorre
em improbidade administrativa devendo, portanto conservar a integridade do CTM e manter atualizados os dados.
Apesar do discurso do uso multifinalitário dos dados do CTM, se evidencia os propósitos econômicos deste sistema cadastral.
O PL 3876/15 foi apreciado pela Comissão de Desenvolvimento Urbano (CDU) em julho de 2016. Seu relator ressalta a elevada intenção do autor da proposta com os objetivos de: gerar informação correta para a aplicação dos instrumentos de financiamento urbano;
identificar e sistematizar os dados territoriais e dominiais; simplificar os processos de formalização da propriedade e a regularização fundiária.
Mesmo concordando que a elaboração e manutenção de um Cadastro Territorial se constituem de importante instrumento para a gestão municipal, o relator entende que, do modo como o texto foi formulado, reúne inúmeras razões para que não seja aprovado, e explica os porquês (BRASIL, 2016, p. 470-472):
A Portaria nº 511/2009 é uma norma de caráter orientador e de adoção
facultativa, enquanto uma lei é necessariamente coercitiva;
Ao fazer essa transposição na natureza do texto, a proposição incorre em várias
situações que podem vir a ser questionadas quanto à constitucionalidade, tendo em vista as competências municipais e a autonomia garantida a esses entes do Poder Público pela CF/88. Caso fosse assim aprovada, uma tentativa posterior de saneamento dos problemas encontrados acabaria por desvirtuar os objetivos pretendidos;
O caráter detalhista da norma infralegal não cabe no texto da lei, particularmente
em assuntos como desenvolvimento urbano e direito urbanístico, aos quais compete à União apenas a instituição de diretrizes e normas gerais, sem impor modelos uniformes;
A CF/88 tem um caráter descentralizador, que reconhece o importante papel do
município na Federação, o qual não se coaduna com uma legislação federal de personalidade tecnocrática, que impõe uma solução uniforme, desconsiderando as peculiaridades de cada região e de cada município, muito díspares;
Os conceitos de Cadastro Territorial e Cadastros Temáticos não estão claros no
PL, entendendo que a terminologia da Portaria nº 511/2009 é mais precisa;
Ingerências em assuntos nitidamente relacionados à autonomia municipal, como
a obrigação de constituição de equipe técnica local para a gestão do CTM podem gerar questionamentos;
A cláusula que estabelece como vigência da Lei “[...] entra em vigor na data de
sua publicação [...]” são para as leis de pequena repercussão, o que não é o caso da presente proposta.
Desta forma, o relator da CDU optou pela aprovação da matéria, porém encaminhando um texto substitutivo que procurou contornar os problemas por ele apresentados, no qual se destaca:
A conservação do direcionamento quanto à criação e manutenção de um
Cadastro nos termos anteriormente pretendidos, mas deixando a ordenação quanto ao modo de fazer para o nível da regulamentação;
Adoção da terminologia dada ao CTM pela Portaria nº 511/2009 com alguns
ajustes;
Manutenção da parcela como unidade cadastral, individualizada por um código
identificador único e estável, definindo-a como “[...] uma parte contígua da superfície terrestre com regime jurídico único.”;
A área de cobertura do CTM passa a ser toda a extensão do município;
Além dos documentos descritivos e do levantamento em campo da parcela,
foram acrescidos à constituição do CTM a Planta de Valores Genéricos (PVG) ou Tabela de Valores de Metro Quadrado de Terrenos e de Construção e fotografias áreas e terrestres;
Manutenção de glebas, lotes, vias e logradouros públicos, lagos e rios como unidades territoriais identificadas por seus respectivos códigos devendo, e não mais “podendo”, ser modeladas por uma ou mais parcelas cadastrais;
O CTM deve ser mantido atualizado e ser utilizado como referência básica para
qualquer atividade de sistemas de informações ou representações geoespaciais do município;
Exclusão da obrigação da constituição de equipe técnica local para a gestão do
CTM;
Exclusão de dispositivos que tratam da avaliação de imóveis que estabeleciam pormenores considerados incompatíveis com o caráter geral que se espera das normas federais de desenvolvimento urbano;
Definição de penalidades a serem atribuídas em caso de negligência no
cumprimento de seus comandos;
Cláusula de vigência da Lei passa a prever um período de 180 dias, de modo a
O texto substitutivo do PL 3876/15 foi apreciado e aprovado por unanimidade pela Comissão de Desenvolvimento Urbano (CDU) em 2016 e devolvido sem manifestações pelo relator da Comissão de Finanças e Tributações em 2017. O próximo passo será a votação em Plenário da Câmara Federal.
Pelo exposto, as inconsistências apontadas sobre a Portaria 511/09 mantiveram-se no texto aprovado do PL 3876/15 que traz em seu corpo muitas questões que precisariam ser discutidas e revistas, com um envolvimento maior dos diversos atores sociais que discutem o Cadastro, antes de ser convertido em lei compulsória a todos os municípios.