3. LOBBY COMO INSTRUMENTO DE PRESSÃO 1 ORIGEM E CONCEITO
3.4. A (AUSÊNCIA) DE REGULAÇÃO NO ORDENAMENTO PÁTRIO – PROJETOS DE LEI.
3.4.1. Projeto de lei nº 203 de 1989 e nº 1.202 de
Conforme outrora explicitado, não há no Brasil legislação específica sobre o lobby, apesar de haver outros diplomas normativos possíveis de aplicação e regulamentação da atividade exercida pelos grupos de pressão.
A constituição federal não expressa à necessidade da edição de lei complementar para disciplinar a presente atividade, restando possível a edição de lei ordinária, haja vista a competência material residual, para regulamentar o tema conforme preceitua o art. 47 da Carta Maior.
O projeto de lei nº 203 de 1989, um dos primeiros a versarem sobre o lobby tinha o intuito de regular sobre o registro de pessoas físicas ou jurídicas junto as casas do congresso nacional. O projeto, de autoria do senador Marco Maciel, tramitou até 2007 na qual foi arquivado perante a Câmara dos Deputados, onde recebeu o numero 6132 em 1990. Tratou-se de um dos principais pontos de partida para a discussão
legislativa quanto a regulação da atividade lobista que até hoje perdura. O PL foi aprovado, dando indicativo de um avanço na pertinência temática e necessidade de regulação. Dando sequencia na discussão nas casas do congresso nacional, o projeto foi enviado a Câmara dos Deputados.
O artigo 2º do Projeto de Lei determinava o registro dos instrumentadores do lobby junto as mesas diretoras de cada uma das casas do Congresso Nacional, que distribuiriam permissões de acesso as salas da Câmara e do Senado, regulando quando e como poderiam se dar o contato com os parlamentares.
Além disso, o texto normativo tornava obrigatório o envio dos custos contabilizados, no exercício da atividade lobista, para a direção de cada Casa do Congresso, visando dar maior transparência das atividades para a sociedade, obedecendo a um dos princípios mais importantes para o funcionamento das instituições republicanas, o princípio da transparência.
A divulgação de informações falsas com o intuito de ludibriar o controle da sociedade ante as praticas lobistas e os assuntos de interesses dos grupos de pressão poderia acarretar sanções administrativas que variavam de advertência até a cassação da autorização concedida pela Mesa Diretora da casa parlamentar.
Além disso, era dever da Câmara dos Deputados ou do Senado Federal divulgar semestralmente relatórios condizentes as práticas exercidas pelos sujeitos na proposição de projetos de lei, de amplo acesso ao público.
Apesar de hodiernamente ao analisar o projeto vermos uma tentativa de regulamentação tímida tendo em conta dispor da atividade lobista apenas no âmbito do Poder Legislativo, deixando à margem as atuações nas agências reguladoras, por exemplo, além de sanções de natureza administrativas tidas como brandas em face ao descumprimento dos dispositivos do projeto de lei. Todavia, ainda hoje, mesmo após o arquivamento do projeto em 2007, foi uma das iniciativas que mais se aproximou da criação de parâmetros para o exercício da atividade lobista.
Em 2007 o Dep. Carlos Zarattini (PT), editou o Projeto de Lei nº 1.202 com o intuito de disciplinar as atividades dos grupos de pressão, de interesse ou assemelhados no âmbito dos entes da administração pública federal. O projeto em si é tido como mais completo e atual do que os anteriormente propostos, apesar de ser dotado de mesma matéria e justificativa do projeto de lei 5.470/05.
Luis Alberto dos Santos104 expões que o projeto de lei apresentado dispõe de um conteúdo mais extensivo e completo face aos anteriormente apresentados no Congresso Nacional, sendo um dos pontos positivos olhar para as legislações estrangeiras vigentes e os subsídios ofertados por elas para que possa vigorar sem maiores problemas.
A abrangência do PL nº 1.202/07 era tamanha que o artigo 2º definiu alguns termos para melhor adequação do tipo as ações praticadas. Dentre eles havia a definição de grupo de interesse (inc. III), recompensa e presente (inc. IV e V, respectivamente), lobby (inc. VI) e lobista (inc. VII).
No art. 3 do referido projeto de lei havia a determinação do cadastro das pessoas físicas e jurídicas que exerciam atividades a fim de influenciar a tomada de decisões administrativas ou legislativas no âmbito da administração pública federal. Atribuía ainda a Controladoria Geral da União a competência para promover o credenciamento das entidades lobistas no âmbito do poder executivo. Assim, diferentemente do que dispunha o projeto de lei nº 203/90 que previa apenas o cadastro perante as mesas diretoras de cada caso do Congresso, deu-se maior amplitude abrangendo controle dos lobistas perante entes da administração pública direta e indireta, na qual cada órgão ou entidade ficaria responsável pelo cadastramento. Previa-se ainda o cadastramento de apenas 2 (dois) agentes representantes de cada grupo de pressão.
Não poderia deixar de lado a necessidade de prestação de contas, junto ao Tribunal de Consta da União, ao termino do exercício financeiro de cada ano informando os gastos depreendidos e quais órgãos públicos e entidades da administração foram alvo de lobby.
Como sanções estabelecidas o parágrafo 5º do art. 7º previa assim como o projeto de lei anteriormente citado a advertência e cassação, não mais existindo a suspensão do credenciamento. Prevê ainda a possibilidade do envio das peças e elementos pertinentes de cada caso para o Ministério Público para as providências cabíveis.
Apesar de não corresponder a uma inovação legal, tendo em conta o Regimento Interno da Câmara dos Deputados (RICD) no artigo 225 prever a participação popular, o PL nº 1.202/07 incentiva a participação do povo na troca de informações entre variados setores da comunidade.
Embora ainda carente de votação o projeto de lei ainda se encontra apto a apreciação do plenário. Assim, pelo tempo em decurso a que se submete a apreciação, o projeto de
lei, embora traga aspectos essenciais a regulamentação da atividade lobista, já apresenta a necessidade de atualização de alguns pontos e conceitos.