instituições de ensino superior
PROJETO SÓCIO-EDUCACIONAL DAS FACULDADES FRANCISCANAS
Para conhecer as propostas e analisar os referenciais de confessionalidade inerentes à instituição estudada, apresentam-se, a seguir, os documentos básicos nos quais ela se inspira.
A universidade São Francisco não se constituiu por meras circunstâncias do acaso ou oportunidade fortuita.
Os franciscanos, desde sua origem, têm um pé no mundo e outro na academia. Entenda-se que São Francisco surgiu como o homem que veio quebrar as estruturas injusta de seu tempo. Foi ousado na proposta. Encarnou seu projeto pessoal. Viveu pobre, dedicado ao serviço do irmão, contudo, não se alienou ao tempo. Entendeu o florescimento cultural. Mesmo que, para si, não colocasse a erudição em primeiro plano, soube respeitar a inteligência dos irmãos e entender a necessidade da formação intelectual, incentivando-os a buscar a ciência para melhor servir aos irmãos.
Os franciscanos no Brasil estiveram, já nos primórdios, presentes na educação, por meio do atendimento às escolas paroquiais. Entre várias fundações centenárias, no sul do Brasil, mantêm cursos de ensino superior.
A Universidade São Francisco, instalada em Bragança Paulista, têm como seu primeiro documento o Projeto Sócio-Educacional das Faculdades Franciscanas, editado em 1981. Este documento foi elaborado ao longo dos cinco primeiros anos da instituição. Conforme consta na introdução do projeto, os franciscanos assumiram a tarefa a partir de duas circunstâncias históricas: 1975 foi a comemoração dos 300 anos da Província Franciscana no Brasil e dos 750 anos da morte de São Francisco.
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No ensejo de tais acontecimentos, os frades se dispuseram à intensa reflexão e revisão sobre sua identidade e significado de sua presença em meio à comunidade dos homens.
Neste contexto, reafirmaram sua presença na área da educação. Na ocasião, chegava ao ápice a crise institucional do complexo de cursos superiores do Instituto Superior da Região Bragantina. De sua parte, o Ministério de Educação e Cultura procura solucionar o problema. Foi então que os Franciscanos assumiram dar continuidade digna à instituição, que à época contava com 11.000 pessoas envolvidas, entre alunos, professores e funcionários.
A Instituição, desta forma, continuava seu projeto educativo pautado nos princípios confessionais de inspiração franciscana.
O espírito que presidiu as deliberações que deram origem às Faculdades Franciscanas foi o de “servir a tão larga parcela da juventude brasileira, em ordem a capacitá-la a construir a paz da nação brasileira, e, por ela, a comunidade das nações, pela vivência pessoal e comunitária do bem.”
Na sua essência, o Projeto Sócio-Educacional das Faculdades Franciscanas, quis retratar o compromisso em favor do humano, a partir de São Francisco, bem como responder a um comprometimento expresso com o desenvolvimento dos povos latino-americanos, de acordo com as diretrizes traçadas pela II e III Conferências Gerais do Episcopado Latino-americano, realizadas nas cidades de Medellin e Puebla, nos anos de 1968 e 1979, respectivamente.
A universidade se coloca como instrumento chave no processo de evangelização, assume algumas opções determinantes: a) opção preferencial e solidária pelos pobres b) opção preferencial pelos jovens
Define-se então o objetivo maior das Faculdades Franciscanas e estratégias para alcançá-lo:
“criar, para os seus jovens acadêmicos, nas várias áreas do saber eficaz, meios e condições que lhes possibilitem capacitar-se , humana e profissionalmente, a serem, durante e após o seu período de formação universitária, sujeitos ativos no processo de desenvolvimento integral do homem todo e de todos os homens, para que assim, pela prática do bem, se faça a paz, entendida como “status” pessoal e comunitário, resultante da
167 passagem de condições menos humanas para condições mais humanas”
(Projeto Sócio-Educacional das Faculdades Franciscanas 1981).
Para atingir seu objetivo maior, com base nas diretrizes básicas que lhe deram origem e vida, o Projeto Sócio-Educacional deve, necessariamente, assumir uma dimensão peculiar. Assim, a Educação que as Faculdades Franciscanas se propõem dar, há de ser: Educação para a justiça e para o serviço;
A Instituição tem presente que para cumprir com seus compromissos haverá de incrementar programas específicos.
Ainda, complementando sua proposta a instituição inspirou-se na saudação tomada do fundador da ordem: “Paz e Bem”.
Fazendo parte do projeto há uma explicitação complementar ao conceito de universidade. As Faculdades Franciscanas entendem que uma universidade somente ganha sentido e razão de ser, na proporção em que se constituir em
unidade-força do desenvolvimento da comunidade em que se insere.
Tal unidade-força se concretizará na medida em que os programas institucionais sejam como uma “Universitas scientiarum artiunque”, uma universidade integrada de todas as Ciências e Artes, direcionada para a a promoção de um único e comum objetivo maior: o bem-estar do homem todo e de todos os homens.
Assim entendida a Universidade, a programação de suas atividades deverá, necessariamente, ser organizada à maneira de um Programa Multidimensional de Integração Docente-Discente-Assistencial.
Para concretizar sua presença como unidade-força a instituição se organiza num projeto de ação integrada orientada por três linhas mestras:
• Implantação de centros comunitários integrados;
• Nos centros desenvolver programas de integração docente-discente- assistencial e de pesquisa;
• Implementar três programas básicos:
Programa pró-assistência à saúde(PROPAS); Programa pró-meio ambiente (PROMAM);
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Programa pró-organização sócio-econômica e político-social (PROSEP)
Destaca-se atenção especial em reafirmar, como programa de vida, o cultivo da visão franciscana da vida e do mundo também divulgada como
cosmovisão franciscana.
Quase ao seu final, o documento lembra que o projeto não ignora as dificuldades que deverão ser superadas, quer para o cumprimento dos currículos impostos para a transmissão de conhecimentos padronizados, quer pela pressão do sistema social e econômico dominante que atenta contra a dignidade humana e impede o desenvolvimento pleno de uma educação transformadora quer pela forma de ingresso do candidato à universidade.
Como última proposta, o projeto coloca-se na esperança de, embora como metas a longo prazo, poder, a curto e médio prazo, acionar mecanismos governamentais, particularmente na área da saúde e preservação ambiental.(Projeto Sócio-Educacional das Faculdades Franciscanas, 1981)
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