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Para não tornar extenso o capítulo optou-se por apresentar apenas as principais diferenças apresentadas na condução dos projetos das empresas B e C.

4.4.1 Empresa B

A Empresa B é caracterizada como uma organização de médio porte. Estruturalmente, esta empresa adotava uma organização semelhante a Empresa A, em termos de divisão de setores (Desenvolvimento, Suporte e Implantação, Comercial e Administrativo). No entanto, diferenças percebidas quanto a esta estrutura e atividades desempenhadas pelos setores eram:

 Não havia uma separação formal entre os colaboradores do setor de Suporte e Implantação a respeito do nível de atendimento realizado (Suporte Nível 1 e Suporte Nível 2).

 Dado o maior número de colaboradores, havia subdivisões dentro dos setores de “Desenvolvimento” e “Suporte e Implantação” No setor “Desenvolvimento”

haviam três equipes organizadas em relação a produtos e tecnologias. No setor “Suporte e Implantação”, havia uma equipe específica para atendimentos “in loco” e os demais colaboradores eram responsáveis pelo atendimento ao cliente e usuários e pela implantação dos sistemas.

 No setor “Desenvolvimento”, uma das equipes era responsável por realizar de novos produtos, para atendimento de oportunidades de mercado identificadas internamente. Esta equipe dividia seu esforço entre atividades de novos produtos e manutenção e evolução de produtos existentes. Durante o projeto de melhoria, esta equipe desenvolveu o software para apoio ao sistema de serviço da organização.

Em relação a Empresa A, as atividades de implantação demandavam esforços consideravelmente superiores na Empresa B. Isto incorria da complexidade do sistema, e maior necessidade de adaptações do produto ao ambiente de implantação.

O tempo de realização do projeto de melhoria na Empresa B foi consideravelmente superior ao da Empresa A. Isto foi consequência do (i) tamanho da organização e quantidade de pessoas envolvidas, (ii) da decisão tomada pela organização para o desenvolvimento de uma ferramenta própria para registro e controle de todas as solicitações e demandas (internas e externas) e (iii) resistências à mudança dentro do setor de “Suporte e Implantação”. Em contrapartida, no setor de “Desenvolvimento” houve uma melhor receptividade, o que pode ser atribuído a introdução do entendimento da importância da melhoria do processo decorrente da iniciativa anterior bem sucedida realizada na organização. Foi observado um maior esforço necessário para a institucionalização dos processos na organização por conta de seu tamanho. Percebeu-se que a comunicação interna da organização é um elemento que foi dificultado pelo maior porte da organização. O maior número de colaboradores e sistemas mantidos também implicou em maiores esforços para à definição de visão de responsabilidades de setores e colaboradores (com necessidade de reestruturação dos setores).

A Empresa B já havia sido submetida a um programa de melhoria, que resultou na avaliação dos processos do setor de “Desenvolvimento” no Nível 2 de maturidade do CMMI-DEV. Porém, ao início do projeto de melhoria conduzido percebeu-se que algumas práticas já haviam sido descontinuadas, como a realização de auditoria de garantia da qualidade e não havia organização das atividades em projetos. No entanto, foram observadas algumas práticas e cultura de melhoria herdadas da iniciativa anterior: coleta de medidas e acompanhamento de indicadores, reuniões para o entendimento e

estimativa de solicitações de mudança, gestão de atividades conforme as práticas da metodologia Scrum, gerência da configuração do software (em especial em relação ao planejamento e gestão da liberação de versões e controle das mudanças sobre o produto). Foi observado que em relação ao CMMI-DEV foram mantidas principalmente relacionadas a gestão do produto de software e do acompanhamento e controle do desempenho e produtividade do setor, a partir de dados de medição. Em contrapartida, características relacionadas ao planejamento de projetos foram descontinuadas. Além disso, percebeu-se que a a melhoria realizada anteriormente foi restrita ao contexto deste setor. No entanto, a gestão das atividades deste setor era dependente de fatores externos relacionados a organização de outros setores e a gestão das interfaces necessárias para a realização de atividades.

De forma geral, os problemas percebidos na Empresa A, foram observados na Empresa B, com gravidades, causas e implicações diferentes para alguns. Problemas relacionados à complexidade do software foram mais evidentes, na organização, devido ao uso de tecnologias legadas. Ao longo do projeto de melhoria, ações intensivas de inspeção, refactoring e recodificação em partes do software foram realizadas para diminuir sua complexidade e aumentar a manutenabilidade. Desta forma, maiores foram destinados às atividades de verificação e auditorias de configuração.

Devido à alta rotatividade de colaboradores e à complexidade e tamanho do software, houve necessidade, também de maiores investimentos na realização de treinamentos internos. Agendas de treinamentos eram estabelecidas, para garantir a capacidade da organização em fornecer suporte adequado e suficiente aos usuários do sistema.

Além disso, algumas práticas da PA Gerência da Disponibilidade e Capacidade (Capacity and Availability Management - CAM) foram introduzidas, devido ao maior número de colaboradores envolvidos e o maior número de solicitações de serviço. Assim era necessário o planejamento e acompanhamento da capacidade de atendimento da organização, para diminuir o risco de desvio de ANS e indisponibilidade de serviços.

Portanto, as Áreas de Processo trabalhadas na Empresa B foram equivalentes às trabalhadas na organização A com adaptações para o contexto, tamanho e objetivos da organização.

4.4.2 Empresa C

Entre as organizações investigadas, a Empresa C foi a menor em termos de número de colaboradores. Quanto a sua estrutura, similar a Empresa B, o setor de “Desenvolvimento de Software” divide suas atividades entre a manutenção e evolução de produtos de software e o desenvolvimento de novos produtos, especificados internamente para atender a oportunidades de negócio. Diferente das duas outras organizações, nesta existia um setor responsável pela execução de projetos de curta duração para o desenvolvimento sob demanda de websites.

Uma semelhança observada entre as Empresas A e C, foi a forte presença da alta direção no desempenho de papéis relacionados a gerência das equipes ou dos produtos. A participação dos donos das organizações como gerentes impactava na disponibilidade parcial para a coordenação e direcionamento das equipes. Uma das melhorias introduzidas em ambas as organizações foi a melhor divisão de papéis, permitindo que a gestão de produtos e equipes fosse desempenhada por indivíduos mais disponíveis e mais inseridos no cotidiano das equipes.

Devido a pressões externas, houve a decisão estratégica de interromper os esforços para a melhoria do processo em prol de uma reestruturação estratégica da organização e para o direcionamento temporário dos recursos atividades que trariam retorno financeiro a curto prazo. No momento em que o projeto foi interrompido, já havia sido introduzida a metodologia Scrum e algumas práticas de gerência de configuração de software. A melhoria estava concentrada sobretudo nos setores de “Desenvolvimento de Software” e “Suporte”. O projeto foi interrompido por quatro meses, período em que houve a saída de um membro chave que atuava como ponto focal entre a organização e a consultoria. Estes fatores impactaram diretamente no prolongamento da duração do projeto. Devido a esta ter sido a primeira experiência da organização com a melhoria do processo, percebeu-se maior resistência à mudança, sobretudo partindo da alta gestão. Isto mudou conforme a alta gestão passou a perceber benefícios e devido ao aumento da visibilidade.

Nesta organização observou-se a necessidade de maiores esforços para especificação de requisitos para a evolução do produto principal da organização e para o desenvolvimento de novos produtos e serviços correlatos. Estes esforços foram necessários para favorecer a construção de uma visão de planejamento da evolução dos produtos, que estava centralizada na alta gestão.

Outro fato observado foi a adoção de ciclos de trabalho para a gestão dos projetos de desenvolvimento sob demanda. Devido a curta duração dos projetos, diversos projetos eram executados de forma simultânea, e os colaboradores atuavam em diferentes etapas destes projetos, conforme suas funções ou habilidades. Assim, a gestão destas atividades e recursos em ciclos de trabalho mensais favoreceu o planejamento de metas de trabalho e de disponibilidade e alocação de recursos. Inicialmente, o setor “Desenvolvimento de Sites” estava fora do escopo da melhoria, no entanto percebeu-se que as melhorias obtidas nos outros setores poderiam ser estendidas para este.

As Áreas de Processo trabalhadas na organização, foram semelhantes às adotas na Empresa A.