A necessária participação dos camponeses na formulação de projetos não deve entretanto servir de pretexto para o afastamento dos experts e especialistas que, de um ponto de vista externo, trabalharam na elaboração do diagnóstico. Eles têm sobretudo a vantagem de não tomar parte direta- mente nas contradições internas (nem nos eventuais conflitos) da socieda- de rural estudada, e de poder, em princípio, considerá-las de uma maneira muito mais objetiva. Eles ainda podem contar com a possibilidade de com- parar as realidades analisadas com outras situações agrárias, mais ou menos semelhantes, ou dessemelhantes, que existem pelo mundo. As idéias relati- vas aos tipos e modalidades de intervenção requeridos podem resultar pre- cisamente dessas comparações, considerando-se seriamente as diferenças históricas e de condições.
Errado seria “dar a palavra” aos camponeses e pedir-lhes pura e simples- mente que exprimissem seus problemas e necessidades mais prementes. Esse risco resultaria, sem dúvida, na obtenção de uma simples listagem de reivindi- cações paliativas em áreas muito importantes (educação, saúde, habitação...) onde conviria sobretudo que os agricultores tivessem rendas suficientes para tocar seus próprios negócios. A fim de evitar os riscos do paternalismo, o acor- do com os agricultores deve ser feito, antes de mais nada, através de debates onde são manifestadas as contradições e durante os quais os agentes do Esta- do devem apresentar e defender o ponto de vista do interesse geral. Isso pode acontecer, por exemplo, no momento da restituição dos resultados da análise-diagnóstico. Os seus autores devem, nessa ocasião, apresentar um ponto de vista global e externo sobre a origem e a natureza dos principais problemas de desenvolvimento agrícola encontrados na região. Quanto aos produtores e outras categorias de agentes econômicos, eles devem poder criticar essa apresentação, trazendo as suas próprias correções e começar a defender os seus respectivos interesses.
O acordo entre as diversas partes deve começar desde a concepção das ações a serem empreendidas dentro dos limites do (ou dos) futuro(s) projeto(s). As discussões devem tratar ao mesmo tempo daquilo que seria desejável e do que seria possível realizar num prazo mais ou menos curto, com os meios que cada um pode oferecer. O importante é que elas possam resultar na formulação de acordos gerais nos quais os direitos e deveres de cada uma das partes sejam claramente estabelecidos em bases contratuais. Não seria necessário limitar esses acordos apenas às relações entre o Estado e os camponeses, ao contrário, é importante comprometer todos aqueles
parceiros sem os quais os projetos não poderiam ser totalmente executa- dos: comerciantes, transportadores, artesãos, industriais, etc.
Entretanto, é preciso reconhecer que nem sempre existem organiza- ções claramente reconhecidas e representativas das diversas categorias pro- fissionais envolvidas. Os funcionários do Estado e os representantes das instituições credoras geralmente propõem a sua criação, e não é raro aconte- cer a proliferação dessas associações de conveniência, cujo único objetivo é captar o máximo de ajudas. Vai daí que tais associações, marcadas pelo signo do clientelismo, não podem apresentar nenhuma garantia de uma real parti- cipação dos produtores enquanto parceiros responsáveis. Da mesma forma, pode ocorrer a necessidade de se considerarem certas formas mais tradicio- nais de representação, promovendo-se reuniões que se referem explicita- mente a elas. Todavia, algumas organizações originárias da tradição podem revelar-se inadaptadas para responder aos novos desafios. Em todo caso, con- vém cuidar para que nenhuma camada social sinta-se excluída do acordo, apesar das inevitáveis e costumeiras pressões de certas autoridades. Sendo assim, é preciso atentar para que os camponeses mais pobres possam se ex- primir sem medo, bem como as pessoas que normalmente são submetidas a discriminações sociais: cativos, intocáveis, colonos subjugados, etc. Deve-se igualmente suscitar a expressão autônoma das mulheres cujo papel na produ- ção agrícola é, em geral, desconhecido, e não raro desprezado: transporte de água, tratamento do esterco, serviços culinários...
A participação do campesinato torna-se mais fácil quando os produ- tores já estão organizados para esse fim. A existência de organizações cam- ponesas com as quais é possível dialogar, trocar idéias, negociar e assinar contratos, geralmente é uma condição necessária para o bom desempenho dos projetos de desenvolvimento agrícola. Mas é preciso verificar, mesmo nesses casos, a sua real representatividade, evitando-se dar uma importân- cia exagerada a certas “vanguardas” cujo combate sindical ou político às vezes encontra-se bastante distanciado das preocupações quotidianas da base social. Assim é preferível, em certos casos, negociar com os represen- tantes eleitos das seções locais mais diretamente interessados do que com os representantes nacionais, geralmente domiciliados nas capitais.
O acordo deve poder apoiar simultaneamente (ou sucessivamente) a escolha das intervenções a serem feitas, as modalidades concretas da sua execução, as contribuições de cada uma das partes presentes, e a reparti- ção das vantagens que se podem esperar. Se se deseja, por exemplo, realizar
um planejamento hidro-agrícola, pode ser necessário negociar a escolha das técnicas de irrigação e de drenagem, o traçado dos canais, as eventuais regularizações fundiárias, a participação de cada um na manutenção da infra-estrutura e nos encargos de exploração do sistema, as modalidades de distribuição da água e as limitações que resultam dos calendários agrícolas, etc. Esse acordo às vezes pode demandar bastante tempo e os técnicos que elaboram os projetos não raro desistem de levá-lo a termo. No entanto, trata-se aí de uma etapa que precisa ser garantida na sua totalidade se de fato se pretende que o projeto possa depois funcionar plenamente em pro- veito da maioria.
As escolhas tecnológicas
No plano tecnológico, os projetos devem ser concebidos de modo a resolver prioritariamente os problemas técnico-econômicos com os quais os produtores se defrontam crucialmente: reposição da fertilidade dos so- los, picos de trabalho, balanço alimentar dos animais, controle das ervas invasoras, luta contra as epizootias, etc. Convém então enfrentar sucessiva- mente os diversos pontos de estrangulamento com que os agricultores se deparam na condução dos seus sistemas de produção, considerando-se as condições agroecológicas, os meios e os conhecimentos técnicos já adqui- ridos nas suas explorações.
Contrariamente ao que certas pessoas não raro ainda imaginam, as características genéticas das espécies vegetais e animais utilizadas raramente constituem fator limitante da produtividade nas regiões mais pobres e me- nos equipadas do terceiro mundo. A baixa fertilidade dos solos, a competi- ção das ervas invasoras, a pressão dos parasitas, a insuficiência dos instrumentos disponíveis e os desequilíbrios alimentares dos animais são pontos aos quais é geralmente mais útil voltar nossa atenção para resolver os problemas mais urgentes. De que adianta propor variedades de cereais de haste curta se não se dispõe dos instrumentos necessários à rápida eliminação das ervas daninhas fortemente invasoras que certamente iriam competir com as cul- turas? De que serviria introduzir raças alpinas de caprinos nas caatingas, onde as pastagens de gramíneas não seriam suficientes para a sua alimenta- ção durante todo o ano? Ao se introduzirem novas técnicas devem-se levar em conta, imperativamente, as interações inelutáveis entre as característi- cas das diversas espécies, raças ou variedades utilizadas, bem como as con- dições agroecológicas e socioeconômicas da sua exploração.
A comparação com outras situações conhecidas no mundo pode ser de uma grande utilidade para a busca de soluções apropriadas. Mas seria inútil crer que se pode, propriamente falando, “transferir” técnicas de um lugar a outro sem nenhuma modificação. Pode-se eventualmente querer importar novos meios de produção (físicos ou biológicos), mas convém, para cada caso, não esquecer as condições ecológicas, econômicas e soci- ais que têm possibilitado a emergência e a generalização das técnicas cor- respondentes nas suas zonas de origem. Deve-se então perguntar se as condições similares podem ou não ser reunidas nas regiões onde seria de- sejável vê-las novamente praticadas. Em todo caso, deve-se prever sempre alguma adaptação.
As técnicas a serem promovidas devem proporcionar um aumento da renda dos agricultores através de um acréscimo na produtividade por trabalhador. Mas esses ganhos de produtividade do trabalho devem-se tra- duzir, antes de tudo, por um aumento geral da produção e uma redução dos custos sem no entanto desempregar os produtores tornados “exceden- tes”. Do ponto de vista da coletividade, é inútil substituir trabalhadores por máquinas dispendiosas se isso não implicar, prioritariamente, um acrésci- mo das riquezas produzidas. As mudanças técnicas devem ser concebidas de modo a provocar uma sensível elevação do valor agregado nacional.
Aumentos da produtividade dos agricultores nem sempre combinam com as técnicas destinadas a elevar os rendimentos por unidade de super- fície. Muitas vezes esses aumentos podem ser mais facilmente obtidos por meio de técnicas que proporcionam uma ampliação das áreas trabalhadas por ativo, desde que os terrenos disponíveis não constituam um fator limitante. As variedades de cereais, leguminosas e tubérculos selecionadas pelo seu elevado potencial de rendimento físico por hectare, mas cujo cul- tivo implica quase sempre a utilização de fortes doses de insumos por uni- dade de área, nem sempre são as mais apropriadas às condições de produção dos produtores que ainda dispõem de grandes áreas. Esses últimos geral- mente têm interesse em cultivar variedades menos exigentes, mas em gran- des extensões, gastando menos por hectare, e, eventualmente, recorrendo à mecanização e à motorização dos tratos culturais. Da mesma forma, justi- fica-se o manejo de uma pecuária extensiva, desde quando as pastagens sejam abundantes.
Meios requeridos para aumentar a renda por trabalhador familiar em uma unidade produtiva
0) Sistema de produção inicial
1) Compra de material em comum: o custo da depreciação do capital fixo não proporcional é assumido por uma quantidade maior de agri- cultores. O valor absoluto da ordenada na origem reduz-se na mes- ma proporção. Mas é preciso que os agricultores não tenham necessidade de usar os equipamentos no mesmo momento.
2) O produtor não compra material como sua propriedade particular individual, mas contrata, junto a empreiteiros, a realização dos traba- lhos correspondentes. A ordenada na origem se anula, a inclinação da reta diminui. A renda por trabalhador familiar aumenta se a área disponível por ativo for relativamente pequena SAU/Tf < Sp. 3) Técnicas destinadas a elevar os rendimentos por hectare e/ou a dimi-
nuir os encargos proporcionais por unidade de área. A inclinação da reta aumenta, eleva-se a renda por hectare.
4 e 5) Técnicas destinadas a aumentar a área máxima por trabalhador familiar. Isso exige que venham a ser utilizados equipamentos novos, mais eficientes (4), ou mão-de-obra assalariada temporária durante os picos de trabalho (5).
6) Introdução de um novo sistema de cultivo ou de criação que não concorra com os sistemas já existentes, relativamente à utilização da força de trabalho e dos terrenos disponíveis.
Também não se deve esquecer que o interesse dos produtores que trabalham em condições muito precárias não é maximizar a esperança matemática das suas rendas, mas garantir, a custos menores, um nível de remuneração suficiente e relativamente estável, quaisquer que sejam as flutuações imprevisíveis das condições agroecológicas. Pode ser então pre- ferível propor raças e variedades rústicas, pouco vulneráveis aos ataques de insetos e às doenças diversas, mediante manejos não-aleatórios dos reba- nhos ou das culturas. A minimização dos riscos de só virem a ser alcançados péssimos resultados geralmente exige que se recorra a sistemas de produ- ção agrícola diversificados.
O caráter sazonal das atividades agrícolas não raro incita os autores de projetos a propor grandes imobilizações de capital para equipamentos cuja vida útil pode revelar-se limitada. A consideração do caráter aleatório da agricultura vem reforçar essa tendência ao “superequipamento” na medi- da em que algumas margens de segurança são requeridas para viabilizar a conclusão das obras ao longo dos anos em que só se reúnem as condições adequadas durante períodos muito curtos. Isso também ocorre quando se deseja ter os meios de estocar a totalidade das colheitas durante os anos de produções recordes. Essas inconveniências são ainda maiores quando os sistemas de produção são especializados. Importa então não excluir a priori as soluções que requerem sistemas de produção nos quais as tarefas são mais escalonadas e cujos equipamentos são mais polivalentes.
O caráter perecível de muitos produtos agrícolas faz com que seja sempre necessário prevenir alguma relativa capacidade de armazenamento adequado, a manutenção, o acondicionamento, o transporte e a transfor- mação dos produtos. Os projetos de desenvolvimento agrícola devem pre- ver quase sempre componentes industriais e comerciais específicos. Mas a resposta ao problema da conservação dos produtos agrícolas pode ser tam- bém encontrada “a montante”, no momento da escolha dos critérios fixa- dos para a seleção genética (raças e variedades cujos produtos sejam menos perecíveis ou mais facilmente manipuláveis e transformáveis).
As escolhas tecnológicas devem levar em consideração os diversos problemas de deslocamento e transporte, tanto no interior das unidades
produtivas quanto fora delas. Convém não esquecer que podem ser neces- sários constantes deslocamentos para que os produtores possam observar as parcelas cultivadas, supervisionar ou conduzir os rebanhos, além de reali- zar tratos culturais. Ganhos substanciais de produtividade podem ser obti- dos desde quando certos produtos muito pesados ou atravancadores (forragens, palhas, esterco, madeiras, frutas, tubérculos...) sejam facilmente levados de um lugar a outro graças ao melhoramento das condições e das técnicas de transportes (animais de carga, carroças puxadas a animais ou a trator, etc.).
Uma estreita associação entre agricultura e criatório geralmente per- mite limitar as distâncias sobre as quais as numerosas matérias orgânicas devem ser transportadas. A sua dissociação entre explorações especializadas pode não ser desejável.
Deve-se dar uma grande atenção às técnicas praticadas durante nu- merosas atividades consideradas como acessórias: esgotamento das águas de infiltração, poda das árvores, corte de lenha na mata, preparação dos alimentos, perfuração de poços, etc. Igualmente, é preciso dar a devida importância às diversas técnicas artesanais consideradas indispensáveis para a fabricação, conservação e reparo dos materiais de risco, exceto quando não se dispõe plenamente dos equipamentos propostos.
Ao se escolherem as técnicas agrícolas deve-se cuidar também para que sejam preservadas as potencialidades produtivas dos ecossistemas no longo prazo. Por essa razão devem-se privilegiar as técnicas mais adequa- das para preservar ou aumentar a fertilidade mineral e orgânica dos solos, garantindo a sua proteção contra os agentes de erosão, facilitando a recom- posição dos lençóis freáticos, evitando a proliferação de numerosos parasi- tas, doenças e ervas invasoras, etc. Tais técnicas, propostas em nome da preservação do meio ambiente ecológico, no longo prazo, só podem ser verdadeiramente adotadas se elas não contrariarem diretamente os objeti- vos de rentabilidade econômica no curto prazo. Os autores de projetos devem fazer um esforço para conciliar exigências de viabilidade econômi- ca com a necessidade de preservação do potencial ecológico.
Assim sendo, é conveniente evitar o emprego generalizado de pro- dutos tóxicos (pesticidas, fertilizantes químicos...) que podem ser a causa de uma grande poluição capaz de atingir as populações vizinhas e os pró- prios agricultores.
A pesquisa-desenvolvimento
É necessário prever, para o funcionamento dos projetos de desenvol- vimento agrícola, uma primeira fase experimental e de aquecimento du- rante a qual os agricultores devem estar estreitamente engajados na definição das soluções técnicas. Os meios de produção introduzidos para esse fim devem ser logo testados para que se comprove a sua adequação às novas condições de uso, fazendo-se as adaptações necessárias e prevendo-se os efeitos do seu uso posterior. As experimentações assim realizadas devem então resultar na definição de novas técnicas reconhecidamente apropria- das às condições para as quais o seu emprego foi projetado.
Até recentemente, numerosos engenheiros eram incapazes de imagi- nar a existência de testes agronômicos fora dos laboratórios e das estações experimentais. Todavia, alguns experimentadores não raro insistem na reali- zação de testes que envolvem o conjunto dos fatores capazes de influir na produtividade; dessa forma, os rendimentos podem ser perfeitamente con- trolados com base em numerosas repetições. Esses testes têm o objetivo de verificar se as vantagens esperadas de certas técnicas são realmente “signifi- cativas” e não apenas correspondem à influência de outros fatores. É isso o que se passa freqüentemente durante os testes varietais: o agrônomo que pretende selecionar variedades capazes de proporcionar rendimentos ele- vados compara os resultados das diversas variedades nas condições mais ho- mogêneas possíveis. Isso é feito de sorte que as diferenças de rendimento observadas sejam particularmente devidas à natureza das variedades e não provenham das heterogeneidades do solo, da distribuição desigual das chu- vas, de ataques seletivos de predadores ou de outras causas não controladas. Então, as experimentações realizam-se em condições técnicas perfeitamen- te controladas, próximas da agricultura dos países industrializados: recurso à mecanização, uso de fertilizantes químicos e de produtos fitossanitários, controle da água, culturas solteiras sem associação com outras espécies vege- tais, etc. Resulta daí que as variedades selecionadas podem proporcionar rendimentos muito altos... cada vez que se reproduz o conjunto dessas con- dições. Mas, no caso inverso, elas podem revelar-se perfeitamente inadaptadas. Ora, raras são as unidades produtivas do terceiro mundo que adotam, logo de início, as condições impostas nas estações experimentais e são numerosos os resultados da pesquisa agronômica que os camponeses não conseguem obter nas regiões mais pobres do planeta. Assim pode-se explicar por que as variedades saídas da “revolução verde” são sobretudo cultivadas
na planície do Punjab, nos perímetros irrigados do México, nos altos platôs do Leste da África e nas ricas planícies litorâneas do Sudeste asiático. Mas é preciso ter em conta que as variedades de alto potencial genético de rendi- mento geralmente dão magros resultados nas zonas de agricultura pluvial da África saelo-sudanesa, das altas cadeias andinas, dos morros do Haiti e do platô do Decan indiano.
Atualmente, numerosos pesquisadores concordam que é impossível preparar “pacotes tecnológicos” totalmente definidos e adaptados às con- dições concretas das unidades produtivas camponesas partindo-se apenas de pesquisas levadas a efeito em estações experimentais. Eles já estão se esforçando para acrescentar, a essas últimas, testes realizados em condi- ções menos distanciadas daquelas dos agricultores. Assim, existe hoje um incentivo para que se conduzam numerosos testes nos estabelecimentos dos camponeses permitindo que se avaliem as novas técnicas em condi- ções mais ou menos idênticas àquelas nas quais deverão operar os seus futuros usuários. Excetuando-se o material específico à técnica experimen- tal, os meios de produção empregados para os testes são geralmente os mesmos do agricultor a quem pertence o estabelecimento. Os itinerários técnicos praticados, próximos daqueles que ele habitualmente realiza, só são modificados pelas transformações que resultam do emprego da nova técnica. É assim que variedades de cereais podem ser testadas nos consór- cios tradicionalmente adotados pelos agricultores. Mas, para poder compa- rar as novas técnicas com as antigas, os demais fatores permanecendo constantes, os testes ainda continuam sendo controlados exclusivamente pelos pesquisadores. Infelizmente os agricultores participam muito pouco da concepção e da sua realização: convidados a realizar trabalhos segundo condições contratuais, eles não podem introduzir modificações importan- tes nos projetos experimentais. A organização de pesquisa se engaja para que os camponeses não tenham que assumir os custos de um eventual fra- casso e algumas vantagens lhes são às vezes concedidas (fornecimento gra-