Atualmente, existe em tramitação no Congresso Nacional uma Proposta de Emenda Constitucional, que altera o § 6º do art. 226 da Constituição Federal, visando a supressão do instituto da separação judicial.
A seguinte Proposta é do Deputado Federal Sérgio Barradas Carneiro, que justifica:
A presente Proposta de Emenda Constitucional é uma antiga reivindicação não só da sociedade brasileira, assim como o
Instituto Brasileiro de Direito de Família, entidade que congrega magistrados, advogados, promotores de justiça, psicólogos, psicanalistas, sociólogos e outros profissionais que atuam no âmbito das relações de família e na resolução de seus conflitos, e também defendida pelo Nobre Deputado Federal Antonio Carlos Biscaia (Rio de Janeiro).
Não mais se justifica a sobrevivência da separação judicial, em que se converteu o antigo desquite. Criou-se, desde 1977, com o advento da legislação do divórcio, uma duplicidade artificial entre dissolução da sociedade conjugal e dissolução do casamento, como solução de compromisso entre divorcistas e antidivorcistas, o que não mais se sustenta.
Impõe-se a unificação no divórcio de todas as hipóteses de separação dos cônjuges, sejam litigiosos ou consensuais. A Submissão a dois processos judiciais (separação judicial e divórcio por conversão) resulta em acréscimos de despesas para o casal, além de prolongar sofrimentos evitáveis.
Por outro lado, essa providência salutar, de acordo com valores da sociedade brasileira atual, evitará que a intimidade e a vida privada dos cônjuges e de suas famílias sejam revelados e trazidos ao espaço público dos tribunais, como todo o caudal de
constrangimentos que provocam, contribuindo para o
agravamento e suas crises e dificultando o entendimento necessário para a melhor solução dos problemas decorrentes da separação.
Levantamentos feitos das separações judiciais demonstram que a grande maioria dos processos são iniciados ou concluídos amigavelmente, sendo insignificantes os que resultaram em julgamentos de causas culposas imputáveis ao cônjuge vencido. Por outro lado, a preferência dos casais é nitidamente para o divórcio que apenas prevê a causa objetiva da separação de fato, sem imiscuir-se nos dramas íntimos; Afinal, qual o interesse público relevante em se investigar a causa do desaparecimento do afeto ou do desamor?
O que importa é que a lei regule os efeitos jurídicos da separação, quando o casal não se entender amigavelmente, máxime em relação à guarda dos filhos, aos alimentos e ao patrimônio
familiar. Para tal, não é necessário que haja dois processos judiciais, bastando o divórcio amigável ou judicial.
Na concepção de Carneiro190:
Em sendo aprovada, a proposta representará um avanço na legislação brasileira, pois além de representar uma economia de custos financeiros para os casais que decidem se divorciar, implicará, também, na diminuição de custos emocionais. Já não faz mais sentido se gastar tempo e debates em torno da separação judicial em que se converteu o antigo desquite para, depois, o cidadão ter que entrar com novo pedido para a efetivação do divórcio.
Os benefícios da Proposta, conforme se verifica no texto da sua justificativa são vários, justificando-se a sua aprovação.
Para Gonçalves191:
Assim como acontece nos países onde existe a separação (como na França, na Itália e em Portugal), nota-se um grande esvaziamento do instituto, dando as partes proeminência ao divórcio, alcançável praticamente mediante custos e pressupostos ou requisitos iguais aos exigidos na separação.
Portanto, como o que já foi defendido no item deste capítulo que trata dos aspectos contemporâneos sobre o significado da separação judicial ou de fato para obtenção do divórcio no direito brasileiro, tal Proposta de Emenda Constitucional só viria a beneficiar aqueles que não mais pretendem manter o casamento, tendo em vista que a sua dissolução de forma mais rápida e eficaz liberta os interessados de impedimentos e atividades burocráticas e por conseqüência de tudo que venha a invadir a intimidade das partes.
190
CARNEIRO, Sérgio Barradas. Trinta anos da Lei do Divórcio: pelo fim da separação
judicial. Brasília, 2007. Disponível em: <http://www.sergiobc.com.br/artigos/artigo_19.htm>. Acesso em: 09 de setembro de 2007.
191
GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito Civil brasileiro, volume VI: direito de família. São Paulo: Saraiva, 2005. p. 193.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O presente trabalho teve como objetivo investigar, à luz da legislação e da doutrina, a possibilidade da Dissolução da Sociedade e do Vínculo Conjugal sem prévia Separação Judicial ou Fática no Direito Brasileiro.
O interesse pelo tema deu-se em razão de sua diversidade, amplitude e importância, notadamente pelo fato de que a dissolução da sociedade e do vínculo conjugal não ocorre de acordo com a evolução do comportamento social, motivo pelo qual ainda se faz necessário a Separação Judicial ou de Fato, como requisito prévio e obrigatório para a obtenção do divórcio no ordenamento jurídico brasileiro.
Para seu desenvolvimento lógico o trabalho foi dividido em três capítulos, tratando entre eles da evolução histórica da Família e do Casamento, da dissolução da sociedade e do vínculo conjugal no ordenamento jurídico brasileiro e por fim, da dissolução da sociedade e do vínculo conjugal sem prévia separação judicial ou fática.
No primeiro, viu-se que tanto a Família quanto o Casamento existem há muito tempo. A Família passando por algumas modificações até chegar naquela iniciada pelo casamento obrigatoriamente, como observado no direito romano, quando com a constituição da Família pelo casamento se pretendia dar segmento a sociedade, motivo pelo qual o Divórcio era completamente aceitável, porém, mais tarde sob as influências do direito canônico este instituto passaria a ser repudiado.
Verificou-se, ainda, que os conceitos de Família e de Casamento estão diretamente ligados com o de Direito de Família, sendo que os termos Família e Casamento podem ter mais de uma acepção,
tendo em vista sua grande importância e que a Família mesmo depois das grandes modificações que passou no decorrer da história conseguiu manter sua essência.
No mais, identificou-se que o Casamento no Brasil veio junto com os colonizadores portugueses, pois foi sua legislação que regeu o país até a Proclamação da República, quando então deixou de se admitir apenas o Casamento Religioso, mas também o Casamento Civil. Que a natureza jurídica do Casamento no ordenamento jurídico é tema de grandes controvérsias em relação a sua conceituação, que suas finalidades principais são a procriação, proteção da prole e mútua assistência e que seus efeitos jurídicos podem ser divididos em pessoais, sociais e patrimoniais.
No segundo capítulo, pesquisou-se acerca da dissolução da sociedade e do vínculo conjugal, quando através da conceituação destes buscou-se estabelecer a diferença entre a sociedade e o vínculo conjugal. Também foram apresentadas causas da extinção da sociedade e do vínculo conjugal, quais sejam, a morte de um dos cônjuges, a nulidade e anulação do Casamento, a Separação judicial e o Divórcio e suas modalidades.
Ainda relacionado ao segundo capítulo, verificou-se principalmente que a Separação Judicial dissolve apenas a Sociedade Conjugal, podendo ser proposta na forma consensual ou litigiosa e que o Divórcio dissolve o Vínculo Matrimonial, podendo ser também consensual ou litigioso, e direto ou indireto, produzindo alguns efeitos jurídicos com destaque para a possibilidade de novo Casamento. Foi observado também através de um breve relato histórico sobre a implantação do Divórcio no direito brasileiro, o qual revelou que este instituto foi tema de grande polêmica principalmente até a sua implementação com a Emenda Constitucional nº 09 e que deu origem a Lei 6.515/77 (Lei do Divórcio).
No terceiro e ultimo capítulo, intensificou-se a pesquisa sobre a dissolução da sociedade e do vínculo conjugal sem prévia separação judicial ou fática, iniciando com um breve relato sobre a Separação Judicial no contexto mundial e no direito brasileiro, restando evidenciado assim que tal instituto não tem muitos registros históricos.
Verificou-se ainda neste último capítulo, que quanto às conseqüências da Separação Judicial, estas podem ser processuais, como a morosidade processual que causa grande sobrecarga ao poder judiciário; econômicas, tendo em vista as despesas judiciais e honorários advocatícios, necessários à propositura da ação; e sociais, pois com a decretação da separação não quer dizer que o Casamento esteja completamente dissolvido, fazendo com que muitas vezes os separandos não consigam seguir suas novas vidas.
No mais, foi realizada uma breve notícia histórica da Separação judicial e Divórcio no direito estrangeiro, com o intuito de trazer exemplos para contribuir com um melhor entendimento do ordenamento jurídico brasileiro, bem como foi realizado um estudo de aspectos contemporâneos sobre o significado da Separação Judicial ou de Fato para obtenção do Divórcio no direito brasileiro, pelo qual ficou demonstrado que a Separação Judicial como medida preparatória para o Divórcio perdeu totalmente a sua necessidade de existir.
Por fim, no terceiro capítulo, estudou-se a Lei 11.441 de 04 de janeiro de 2007, que alterou dispositivos da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (Código de Processo Civil), possibilitando a realização de separação consensual e divórcio consensual por via administrativa e também a Proposta de Emenda Constitucional nº 33/2007, visando suprimir o instituto da Separação Judicial, que se encontra em tramitação no Congresso Nacional.
Como principais resultados da pesquisa, pode-se afirmar que a dissolução da sociedade e do vínculo conjugal sem prévia separação judicial ou fática, no presente cenário jurídico nacional, configura-se como uma tendência, pois atualmente o que se percebe é que a dissolução da sociedade e do vínculo conjugal no nosso país ocorre em desacordo com o comportamento da sociedade, razão pela qual este trabalho deve servir apenas de ponto de partida para o necessário e contínuo acompanhamento da evolução de entendimento legislativo e doutrinário acerca desta tão relevante matéria do Direito de Família.
Finalizando, ao considerar as hipóteses apresentadas, conclui-se que:
Confirma-se a primeira hipótese apresentada de que a família é a base da sociedade, podendo ser constituída através do Casamento, da união estável e também da convivência de um dos pais com os filhos, sendo esta última chamada de monoparental. No entanto, ao longo do presente estudo, tratou-se com mais ênfase do Casamento tendo em vista o tema apresentado.
Verificou-se que a dissolução do casamento, sem abordar os institutos da nulidade e da anulação, acontece através da morte ou do Divórcio, sendo este um instituto mais amplo que a Separação Judicial, que dissolve apenas a Sociedade Conjugal, assim sendo, resta confirmada a segunda hipótese.
Foi demonstrado ao longo da presente monografia que a tendência do direito brasileiro é que o Divórcio assuma a tarefa de dissolver a sociedade e o vínculo conjugal, tornando-se a Separação Judicial um instituto obsoleto, confirmando-se, desta forma, a terceira hipótese.
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BRASIL. Lei nº 11.441, de 04 de janeiro de 2007. Altera dispositivos da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 - Código de Processo Civil, possibilitando a realização de inventário, partilha, separação consensual e divórcio consensual por via administrativa.
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ANEXOS
- Lei nº 11.441, de 4 de janeiro de 2007; - Resolução nº 35, de 24 de abril de 2007;
- Proposta de Emenda Constitucional nº 33/2007;
- Tramitação da Proposta de Emenda Constitucional nº 33/2007; - Proposta de Emenda Constitucional nº 413/2005;