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3.2 PATRIMÓNIO CULTURAL _________________________________________________________________________________ 44

5.5.3 P ROPOSTAS DE S OLO U RBANO ___________________________________________________________________________ 99

10.3.2.3 Proposta

A análise e dimensionamento da rede escolar dos municípios está preconizada, atualmente, no âmbito da Carta Educativa (Decreto-Lei n.º 7/2003, 15 de Janeiro e legislação complementar), a qual é “a nível municipal, o instrumento de planeamento e ordenamento prospetivo de edifícios e equipamentos educativos, a localizar no concelho, de acordo com as ofertas de educação e formação que seja necessário satisfazer, tendo em vista a melhor utilização dos recursos educativos no quadro do desenvolvimento demográfico e socioeconómico de cada município”, sendo que no âmbito da legislação vigente as propostas da Carta Educativa devem ser integradas nos Planos Diretores Municipais.

A concretização da Carta Educativa deve passar pela análise da situação atual que, ao caracterizar a situação socioeconómica bem como a evolução do sistema educativo, deve permitir a obtenção do diagnóstico da rede educativa e do desenvolvimento do sistema educativo, de forma a fundamentar um conjunto de propostas de reconfiguração/reordenamento da rede educativa municipal.

Conforme já referido, o município de Porto de Mós possui carta educativa, homologada em 2007, pelo que de acordo com a legislação vigente, a presente revisão do Plano Diretor Municipal deve verter as orientações e propostas constantes deste documento.

Desta forma, da análise da Carta Educativa, devem ser extraídas as matérias que se articulam com o ordenamento territorial, sobretudo em matéria de proposta e extinção de equipamentos e os princípios organizativos que deverão estar na base da reestruturação da rede escolar de Porto de Mós.

Esses princípios orientadores estão na base do reordenamento da rede educativa do município e têm subjacentes as diretivas emanadas da atual Lei de Bases do Sistema Educativo, que preconiza a integração da Educação Pré-Escolar e dos três ciclos do Ensino Básico, que, idealmente, deveriam ser ministrados todos num único equipamento (Escolas Básicas), de forma a possibilitar ao aluno a permanência em todo o seu percurso

possibilitam a aplicação desta diretiva, e numa tentativa de aproximação ao que a Lei de Bases preconiza, foi criado o conceito de “território educativo”. Este conceito tem subjacente a ideia de equipamentos estruturados e geridos em rede e funcionando integradamente. Assim, o concelho de Porto de Mós foi dividido em vários territórios educativos, na perspetiva dos alunos pertencerem à zona pedagógica mais próxima da sua área de residência, por forma a minimizar os tempos de deslocação casa/escola, e obter assim um melhor rendimento escolar. Os territórios educativos definidos foram os seguintes: território educativo de Mira de Aire e território educativo de Porto de Mós.

Figura 19 Territórios Educativos do concelho de Porto de Mós

Fonte: Câmara Municipal de Porto de Mós

A Carta Educativa preconiza as seguintes intervenções no parque escolar de Porto de Mós:

1. Reordenamento da Rede de Ensino Pré-Escolar

Essencialmente, o documento prevê uma adaptação do funcionamento da rede a uma nova dinâmica da sociedade. Nesse sentido, mais do que propor a construção de novos estabelecimentos de ensino, o objetivo é adaptar os existentes aos horários e exigências das famílias contemporâneas.

Dado que a maior parte dos atuais estabelecimentos de pré-escolar encontram-se próximos dos de 1º CEB, a construção de salas polivalentes para usufruto de ambos é uma das medidas apresentadas. Assim, deverão

constituir-se “Polos Escolares”, ou seja, a agregação num só espaço (o que não significa num só edifício) de ensino Pré-Escolar e 1º Ciclo do Ensino Básico, sendo que tal só é possível quando os estabelecimentos de ensino se encontram implantados no mesmo terreno ou em terrenos contíguos. O grande objetivo desta agregação é tornar possível a utilização de infraestruturas comuns, suprimindo a necessidade de “duplicação” de equipamentos.

Encontravam-se propostos na Carta Educativa os seguintes “Polos Escolares”:

1. Alqueidão da Serra;

2. Calvaria de Cima;

3. São Jorge 4. Juncal;

5. Mira de Aire;

6. Cruz da Légua – o município decidiu construir o centro escolar não em Cruz da Légua, mas sim nas Pedreiras, que já se encontra em funcionamento;

7. Fonte do Oleiro (São João Baptista);

8. Tojal de Cima (São Pedro);

9. São Bento – o projeto já se encontra executado; o edifício da Junta de Freguesia passou a funcionar como EB dado a contiguidade do estabelecimento do pré-escolar, tendo sido a Junta de Freguesia transferida para a antiga EB;

10. Serro Ventoso – o projeto já foi executado.

2. Reordenamento da Rede de 1º Ciclo do Ensino Básico

De uma forma geral, o reordenamento da rede de escolas do 1º Ciclo no município passa pelo melhoramento das condições infraestruturais de algumas escolas, mas também pelo encerramento de outras, acompanhando as orientações da reforma do sistema de ensino.

A maior parte dos projetos preconizados tinha como horizonte temporal o presente ano letivo, sendo de destacar que nenhuma das medidas previa a construção de novos estabelecimentos, apenas ampliações. Das escolas sinalizadas para encerramento mantém-se em funcionamento as de Casais Garridos (Juncal) e Tremoceira (Pedreiras).

Como já foi referido no ponto anterior, também ocorreu uma alteração ao definido na Carta Educativa relativamente ao “Pólo Escolar” em Cruz da Légua, já que este foi construído nas Pedreiras.

Tendo em conta o volume de escolas que foram encerradas, o desafio será convertê-las em outros usos,

nomeadamente em equipamentos de apoio social, por exemplo.

3. Reordenamento da Rede de 2º, 3º Ciclos do Ensino Básico e Ensino Secundário

A Carta Educativa propõe a manutenção da situação existente para a escola de Mira de Aire e a relocalização da escola de Porto de Mós, tendo em conta o estado de degradação das instalações da escola, a falta de estacionamento para professores e funcionários, os maus acessos e, ainda, a perigosidade associada à via principal de entrada e saída da escola – EN243, que regista um fluxo de tráfego muito intenso.

Quanto ao local proposto para a implementação do novo edifício, propõe que seja junto à Escola Secundária de Porto de Mós, para permitir o uso comum de alguns equipamentos de apoio ao ensino, como é o caso do refeitório ou dos elementos desportivos.

É também de equacionar a possibilidade da junção dos 2º e 3º CEB na mesma escola, ficando apenas a funcionar o Ensino Secundário na atua Escola Secundária de Porto de Mós, e assim libertaria espaço para a instalação do Ensino Profissional junto do Ensino Secundário.