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Proposta de paraíso terrestre da IMMB

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3. Igreja Messiânica Mundial no Brasil (IMMB) e suas peculiaridades

3.4 Igreja Messiânica Mundial no Brasil (IMMB) e sua proposta de

3.4.1 Proposta de paraíso terrestre da IMMB

Como já sinalizado, nos primeiros anos, o crescimento da IMMB foi pequeno e étnico, composta quase inteiramente de japoneses ou brasileiros de origem japonesa. A partir dos anos sessenta inicia-se uma transformação na

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composição social da igreja e um dos principais agentes dessa transformação foi o jovem missionário japonês Tetsuo Watanabe, vindo a se tornar presidente mundial da IMM e, ao mesmo tempo, presidente da IMMB. Ao chegar ao Brasil, ele começou a difusão dos ensinamentos de Mokiti Okada no estado do Rio Janeiro onde existia, nessa época, só um punhado de membros, todos japoneses. Sua principal estratégia de difusão foi sair às portas dos habitantes falando e ensinando sobre a prática do johrei. Contudo, quase ninguém se interessava, achando que era uma coisa do diabo. Tetsuo Watanabe chegou a ser chamado nos jornais locais de “jovem feiticeiro japonês”167

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As expectativas em torno do johrei foram crescendo paulatinamente, despertando a espera do milagre em alguns cariocas, ao passo que, quando os resultados não aconteceram conforme esperado, começaram a procurar as autoridades públicas alegando engano. Contudo, poucos anos depois a IMMB experimentou a transformação, de uma instituição japonesa e para os japoneses, em uma instituição aberta a todos. Foram os seguintes fatores muito importantes nessa transformação: a tradução das orações, ensinamentos e textos litúrgicos para a língua portuguesa; o uso dessa língua junto com a língua japonesa nas cerimônias e rituais; a conversão das pessoas famosas; e a introdução de símbolos, conceitos e orações católicas nas cerimônias e rituais.

No plano de salvação para o mundo, a IMM entendeu que o Brasil tinha um papel singular, aquilo que Peter Clarke chamou de “de conversor catalítico”. Isso quer dizer que a liderança e muitos membros da Igreja Messiânica têm a convicção muito forte de que o Brasil, sob a influência dos ensinamentos de Mokiti Okada e a prática de johrei, terá a energia que precisa para salvar, em primeiro lugar, a si mesmo e o Mundo inteiro da autodestruição168.

Os protótipos do paraíso terrestre fazem parte desse plano estratégico, não só no Japão, mas no mundo, inspirados nos três modelos japoneses. A IMMB construiu um modelo do protótipo do paraíso terrestre no estado de São Paulo, em Guarapiranga, sendo esse o modelo de solo sagrado para toda América Latina. A intenção é dar aos membros uma ideia, bem como experiências parciais da vida no mundo paradisíaco, longe da pobreza, miséria e conflitos. O belo e a arte são

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CLARKE, Peter B. A construção de um mundo sem doença e sem violência: o alvo de Sekai Kyusei Kyo (Igreja Messiânica Mundial). Revista de Estudos da Religião – Rever. pp 20 – 33. São Paulo, Pontifícia Universidade Católica de SP. 2002. pg. 23.

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prioridades absolutas nesses espaços, afim de proporcionar crescimento intelectual e espiritualmente. O modelo serve também como um lugar de aprimoramento, de romaria, de aprendizagem da ikebana sangetsu169, e para muitas outras atividades.

A instituição pretende construir várias cidades da Nova Era no Brasil que servirão como Arcas de Noé do século XXI. Essas cidades formariam com o solo sagrado as bases de uma nova civilização, de um novo mundo sem doença, sem pobreza, sem miséria, sem violência.

No mundo paradisíaco idealizado pela IMM na área da medicina, onde todos os habitantes serão encorajados a praticar o johrei e a não usar remédios, a medicina alopática, centrada na doença e hoje mais amplamente praticada no Brasil, deverá ser respeitada. Os médicos que são membros da IMMB serão responsáveis por educar as pessoas a entenderem que a medicina eficaz não consiste em tomar remédios na forma das pílulas ou de outros tratamentos artificiais, mas em permitir que o organismo corporal se desenvolva e se cure de acordo com a Lei da Natureza.

A teologia da IMM não tem a pretensão de se impor as ideias sociais e programas políticos. Eles acreditam que a ação voluntária vai caracterizar a maneira de lidar com a política, seguindo a democracia. A Igreja está convencida que a educação e o treinamento que ela oferece serão responsáveis por inspirar os não membros a escolher representantes políticos que sejam capazes de seguir e aplicar programas políticos conforme a lei da natureza.

Uma característica bastante salutar da teologia da IMM é o diálogo que a mesma se propõe a desenvolver com outras correntes teológicas. Pautada no diálogo e tolerância, ela vai se relacionando com outras religiões por entender que ser intolerante e exclusivo seria autodestrutivo devido a necessidade de que todos aprendam a viver dentro da lei da natureza e participem na construção de um mundo sem doenças, pobreza e violências.

Por acreditar que o uso de agrotóxicos e fertilizantes, estimulados pelas multinacionais e bancos que ao se venderem ao capitalismo liberal destroem o solo

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Ikebana é uma palavra de origem japonesa, utilizada para nomear a arte de arranjos florais. Deriva de “Ike” o qual provém dos verbos “Ikeru” (colocar, dispor ou arrumar flores), “Ikiru” (viver, tornar vivo ou chegar à verdadeira essência de algo) e “Ikassu” (iluminar da melhor forma possível, ajudar a indicar a verdadeira essência, tornar a vida mais pura, mais clara) – e “Hana” e/ou “bana” – tem o significado literal de flor, mas, por extensão, é entendido como planta ou parte de uma planta.

IKEBANA é, pois, a arte de arranjar flores, ramos e galhos naturais numa composição evidenciando-

lhes a beleza. O estilo sanguetsu respeita e valoriza a grande natureza e possui como princípios básicos a verdade, o bem e o belo. Seu objetivo é contribuir para a construção de um mundo melhor e formar pessoas de mente e sentimentos belos.

cometendo, inclusive, crimes ambientais, a teologia da IMM propõe programas que consiste em uma mudança radical no sistema de empréstimos bancários a respeito dos agricultores. O esforço é persuadir os bancos e as multinacionais a permitirem que os agricultores consigam crédito sem serem obrigados a comprar fertilizantes como parte das condições dos empréstimos. Esta condição tem um efeito muito destrutivo com consequências ambientais, econômicas, sociais e morais desastrosas. Além de tornar o custo do empréstimo proibitivo, causa débito e a bancarrota, e gera, em todo o Brasil e em todos os países em desenvolvimento, cidades superpovoadas na medida em que os agricultores pobres, sem meios financeiros para trabalhar a terra, abandonem em números crescentes e migrem para os centros urbanos onde não têm casas, nem empregos, muito menos condições de viver uma vida digna. Nessa situação, a criminalidade e insegurança crescem e trazem com elas, para todo mundo, o sofrimento, a insegurança e as estratificações sociais.

Os membros da IMMB guardam poucas semelhanças em termos de condições materiais e socioeconômicas em relação a outros modelos milenaristas nos países de primeiro mundo. Peter Clarke acredita que no Brasil a maioria dos membros da IMMB estão alocados em São Paulo, tendo suas peculiaridades em torno da formação intelectual e pertença à classe média. Entre os membros existe uma interessante diversidade de atitude e opinião de acordo com a idade, com o tempo que integram o movimento, com circunstâncias pessoais e outras variáveis sociais, econômicas e psicológicas. Não só há diversidade de atitude e de opinião, mas ideias, compreensão e disposições que tendem a mudar com o tempo.

No início, a atração mais forte para a maioria foi o johrei, mas como tem se visto em outras experiências, o que primeiro atrai um indivíduo para uma instituição religiosa nem sempre permanece sendo sua principal motivação para continuar membro da mesma. Existe uma tendência na qual o apelo inicial é percebido como uma recompensa física para esse se tornar mais espiritual. Depois de uns anos na instituição, os membros começam a buscar no johrei o que eles percebem ser uma forma de melhora completa que tem um lado físico e um lado espiritual.

Apesar dessas diferenças, variações e mudanças, há dois tipos principais de seguidores. Existe uma minoria, que professa se ater a padrões absolutos, para quem a linha divisória entre o bem e o mal está

perfeitamente clara, cuja esperança inabalável na vinda de um novo mundo lhes permite dispensar muito do senso prático das limitações impostas pela lógica e pela razão. E existe uma maioria, mais disposta a um compromisso, para quem uma atitude “gradualista” é uma virtude e não um sinal de falta de fé e que não está super preocupada com a definição dos tempos para os acontecimentos170.

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