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para a arte ocidental, modernista e europeia, produzida predominantemente por homens brancos, aposta no multiculturalismo como uma possibilidade de desfazer (...) a perspectiva dominante.
Para Pillotto (1997), “a contextualização permite ao professor e à criança compreender a dimensão do multiculturismo e do pluriculturalismo. E é na diversidade que o indivíduo estabelece noções de respeito, de troca, somando no desigual”.
3.3 Proposta do Trabalho com Projetos
A Proposta de Trabalho com Projetos, de autoria de Fernando Hernandez (2000), nos diz que “[...] o conhecimento artístico constitui uma via de conhecimento caracterizado pela utilização constante de estratégias de compreensão”.
Para essa abordagem, os artefatos visuais de diferentes culturas (tão intensos e apelativos em nossa cultura) devem ser interpretados e construídos, já que são instrumentos que revelam temas relevantes sobre o mundo:
As obras artísticas, os elementos da cultura visual, são, portanto, objetos que levam a refletir sobre as formas de pensamento da cultura na qual se produzem. Por essa razão, olhar uma manifestação artística de outro tempo ou de outra cultura implica uma penetração mais profunda do que a que aparece no meramente visual: é um olhar na vida da sociedade, representado nesses objetos. Essa perspectiva de olhar a produção artística é um olhar cultural (HERNANDÉZ, 2000, p.56).
Esta abordagem de trabalhar com projetos, propõe a apropriação das obras de arte e do universo visual presente em nossa vida como vídeo, televisão, publicidade etc. Estes devem ser vistos como interlocutores de significados, possibilitando e descortinando diferentes formas de compreender o homem.
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Difundida no Brasil por Ana Mae Barbosa, inicialmente foi conhecida por Metodologia Triangular e atualmente é chamada de “Proposta Triangular”. Essa difusão ocorreu em 1987, por meio do Museu de Arte Contemporânea – MAC, em São Paulo e pelo “Projeto Arte na Escola” da Fundação Iochpe. A Proposta Triangular acredita que a articulação do conhecimento artístico se dá através da integração entre o fazer artístico, a leitura e a contextualização histórica da obra de arte.
O fazer artístico contemplado na “Proposta Triangular”, refere-se às apropriações realizadas pelas crianças através de suas vivências e de sua origem histórico cultural.
A ação de desenhar, modelar, pintar, esculpir, recortar, colar, amassar, encaixar, dobrar, escrever, dançar, pular, brincar, cantar, falar, recitar, entre outras, são entendidas como produção e permitem que as crianças ampliem suas experiências e as transformem em códigos pessoais. É necessário então que seja oferecido pelo professor materiais diversos para que as crianças possam ter contato com outras técnicas e suportes, produzindo de forma significativa, expressando a sua imaginação, reflexão e o seu conhecimento de mundo. É neste contato que as crianças descobrem as possibilidades e limitações das linguagens expressivas, dos diferentes materiais e instrumentos. A leitura ou a apreciação da obra artística engloba várias áreas do conhecimento. É nessa relação de diversas áreas do conhecimento que se desenvolve o pensamento artístico e a reflexão estética.
A “Proposta Triangular” também apresenta a arte de forma contextualizada, ou seja, ela está situada no tempo e no espaço e contempla os acontecimentos históricos, políticos, sociais e culturais da humanidade, ocorridos num tempo passado, presente e futuro. Sendo assim, a obra de arte, por exemplo, é identificada no seu tempo, mas vista com um olhar de hoje.
A proposta triangular de Ana Mae Barbosa (1991) propõe os seguintes tópicos:
✓ Conhecer arte (história da arte) possibilita o entendimento de que arte se dá num contexto, tempo e espaço onde se situam as obras de arte.
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✓ Apreciar arte (análise da obra de arte) desenvolve a habilidade de ver e descobrir as qualidades da obra de arte e do mundo visual que cerca o apreciador. A partir da apreciação, educa-se o senso estético e o aluno pode julgar com objetividade a qualidade das imagens.
✓ Fazer arte (fazer artístico) desenvolve a criação de imagens expressivas. Os alunos conscientizam-se das suas capacidades de elaborar imagens, experimentando os recursos da linguagem, as técnicas existentes e a invenção de outras formas de trabalhar a sua expressão criadora.
Para melhor contextualizar a proposta triangular, Leão (2003) aborda de forma simplificada dois métodos de trabalhar a leitura da obra de arte que dialogam com a proposta brasileira. O primeiro deles é o método comparativo do americano Edmund Feldman (1970) e o segundo é o método de multipropósito de Robert Saunders (1984).
No método comparativo, o trabalho envolve o conhecer, o apreciar e o fazer através da comparação entre várias obras de arte de diversos períodos para que o aluno perceba as diferenças e as similaridades. Esse estudo centra-se nos elementos da obra de arte e o decentra-senvolvimento crítico é o cerne da metodologia. No entanto, ao centrar seu trabalho no desenvolvimento crítico, Feldman não nega o desenvolvimento da técnica e da criação.
Ao entrar em contato com a obra de arte, ao ver a imagem, o aluno desenvolve sua capacidade crítica, estabelecendo uma relação de aprendizagem com o objeto em questão. Para Feldman, esse desenvolvimento se dá através dos seguintes processos: ao ver atentamente, o aluno descreve; ao observar o que vê, ele analisa; ao significar, interpreta, e ao decidir acerca do valor, julga (LEÃO, 2003).
No método multipropósito, Saunders define a sua metodologia como um programa de ensino de arte onde o fazer se dá em função da leitura da obra de arte, articulado com outras áreas do conhecimento de maneira interdisciplinar. Enfatizando seu trabalho no olhar, ele propõe uma mudança da cultura
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verbalmente orientada para uma cultura visualmente orientada e apresenta o uso da reprodução como um meio para o ensino da arte.
Em seu trabalho, Robert Saunders faz a defesa do uso de boas reproduções de obras de arte, em papel, na atividade com os alunos, descartando o uso do slide que, para ele, interfere na relação educador/educando, já que o slide, para ser mostrado, necessita de um ambiente escuro. Além disso, ele defende o uso de uma mesma reprodução ao longo de várias séries, partindo do princípio de que o educando amadurece e, consequentemente, fará uma leitura diferente da obra revisitada (LEÃO, 2003).
O método de multipropósito deve ser posto em prática a partir do momento que o educador de arte estabelece um objetivo a ser atingido pelo educando. Assim, ao escolher uma determinada obra de arte para ser estudada, ele deve ter claro quais os propósitos que orientaram a escolha e quais os objetivos a serem alcançados.
O passo seguinte seria a elaboração de um roteiro contendo os seguintes itens: informações sobre o artista, descrição, interpretação e exercício de aprendizagem. Para cada um dos itens, o educador deve propor questões para que os alunos possam se aproximar da obra, fazendo a leitura dos seus aspectos constitutivos para finalmente se expressarem, formalmente, através de objetos bi ou tridimensionais (desenho, pintura, colagem, gravura, escultura, instalações) (LEÃO, 2003).
Nas atividades artísticas em sala de aula, em que se trabalha a proposta de Barbosa, devemos interligar as vertentes do triângulo – conhecer, apreciar, fazer – buscando-se nos processos cognitivos o equilíbrio entre razão, emoção e intuição. Encerrando-se as etapas do – Conhecer arte, Apreciar arte e Fazer arte – os alunos avaliarão os trabalhos, fazendo a leitura do que foi produzido, configurando-se uma nova etapa do processo, que pré-figura a tríade: processo-produto-processo.
O ensino de arte, hoje, é uma área do saber, uma disciplina com origem, história, questões e metodologia. Assim como em outros ramos do conhecimento, não há uma homogeneidade entre as abordagens nesta área.
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Talvez apenas nos pressupostos mais abrangentes. Abordagens diversas e práticas diferenciadas estão sendo trabalhadas por profissionais interessados no assunto. Podemos identificar relações com alguma concepção de arte, filosofia, pedagogia nas bases de cada uma (LEÃO, 2003).
O ensino da arte tem crescido no Brasil, passando por diversas etapas de compreensão:
✓ Bibliografia, experiências, documentação, exposição tem sido produzidas ao longo dos anos.
✓ Questões são levantadas, postulados são revistos.
✓ Encontros, seminários e simpósios são promovidos, tendo como princípios que o entendimento da arte no espaço educativo passa pelo conhecimento da sua história: origens, propostas, criação de escolas, inserção nas leis de diretrizes e bases, nas universidades e suas relações com a história do país.
Enfim, é preciso conhecer pensadores, teorias, abordagens, propostas. É preciso identificar seus principais temas: fazer espontâneo, aprendizado de técnicas, história da arte, polivalência, arte tradicional, popular; folclore, arte contemporânea, integração. Além disso, é preciso articulá-la com outras disciplinas e com a pedagogia: métodos, etapas, esquemas. Ou com a sociologia: cultura, sociedade, épocas. Ou ainda com a história da arte: estilos, correntes, concepções, vertentes; e também com a antropologia: cultura, valores e sentidos culturais (LEÃO, 2003).
Como é um universo amplo, uma vez que diz respeito ao que é humano e envolve o fazer e o pensar, o ensino da arte não poderia deixar de interagir com outras áreas do conhecimento. Dessa forma, o trabalho de produção e ensino da arte a ser desenvolvido pela escola deverá configurar-se numa concepção onde arte e educação sejam práticas que se relacionam com outras, pretendendo a criação de novas práticas na arte e na vida.
A escola brasileira pode atuar para a democratização do acesso à Arte se trabalharmos para a familiarização, a intimidade para com as diferentes
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linguagens artísticas e se construirmos nossos esquemas de percepção e compreensão dos elementos básicos de cada uma delas.
Fazer Arte em qualquer espaço pressupõe o exercício coordenado de pensamento / intuição / sensibilidade / imaginação. Fazer Arte é fomentar a capacidade de criar imagens que está na raiz de qualquer processo de conhecimento.
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