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Em [BTV16] ´e obtido resultados de genericidade de transitividade forte, na topo-logiaC0. Para tal, foi introduzido um novo conceito de propriedade de colagem de ´orbitas para fluxos ainda mais fraca que a propriedade introduzida em [BV15], onde agora s˜ao permitidas reparametriza¸c˜oes do tempo de evolu¸c˜ao do sistema. Uma maneira de des-truir a propriedade de colagem de ´orbitas ´e fazendo perturba¸c˜oes no fluxo de modo que

os pontos podem come¸car “pr´oximos”, mas ao longo do tempo eles podem afastar-se um do outro pelo fato de que um est´a “caminhando mais r´apido”. A pr´oxima no¸c˜ao de pro-priedade de colagem de ´orbitas ´e uma maneira de “empurrar”o ponto que est´a mais lento, e assim ficar suficientemente pr´oximo nos iterados desejados.

Por Rep n´os denotamos ao conjunto de todos os homeomorfismos crescentes τ : R→R(reparametriza¸c˜oes) satisfazendo τ(0) = 0. Fixado >0, definimos o conjunto

Rep() :={τ ∈Rep :|τ(t)−τ(s)t−s −1|< , s, t∈R}

Essa condi¸c˜ao implica que toda vez que τ for diferenci´avel, sua derivada estar´a pr´oximo da identidade.

Defini¸c˜ao 2.19. Seja (Xt)t um fluxo cont´ınuo sobre um espa¸co m´etrico compacto(M, d).

Dizemos que (Xt)t satisfaz a propriedade de colagem de ´orbita reparametrizada se dado >0 existeK()∈R+ tal que para quaisquer pontosx0, ..., xk∈M e tempost0, ..., tk≥0 existemp0, ..., pk ≤K(), uma reparametriza¸c˜ao τ ∈(Rep())e um ponto y ∈M tais que

d(Xτ(t)(y), Xt(x0))< para todot ∈[0, t0] e

d(Xτ(t+Pi−1j=0(pj+tj))(y), Xt(xi))< para todo t ∈[0, ti]

para todo 1 ≤ i ≤ k. Se, adicionalmente, o ponto y poder ser tomado peri´odico (isto ´e, Xτ(Pkj=0(pj+tj))(y) =y para algum pk≤K()) dizemos que (Xt)t satisfaz a propriedade de colagem de ´orbita reparametrizada peri´odica.

Observa¸c˜ao: Pela escolha da classe de reparametriza¸c˜ao (Rep()) temos a se-guinte propriedade: τ(t+p1)−τ(t)≤(1 +)p1 ≤(1 +)K().

E importante observar que o tempo de pulo real n˜´ ao ser´a pi, mas algum tempo majorado usando a observa¸c˜ao acima. Mais ainda, a reparametriza¸c˜ao depende dos pon-tos considerados.

Em [BTV16] ´e provado resultados de C0-genericidade dos fluxos satisfazendo a propriedade de colagem de ´orbitas reparametrizada peri´odica em certos conjuntos es-pec´ıficos. Al´em disso, ´e importante mencionar que no caso discreto os resultados de C0 -genericidade s˜ao para homeomorfismos satisfazendo a propriedade de colagem de ´orbitas peri´odica.

Fluxos de suspens˜ ao

Antes de provar um resultado que nos fornece um crit´erio para a constru¸c˜ao de fluxos com a propriedade de colagem de ´orbita, vamos introduzir a distˆancia Bowen-Walters para semifluxos de suspens˜ao. Essa distˆancia ´e definida como o ´ınfimo de ca-minhos caca-minhos que s˜ao concatena¸c˜oes de caminhos horizontais e verticais. Assumimos que (M, d) ´e um espa¸co m´etrico,f :M →M uma aplica¸c˜ao cont´ınua,ρ:M →R+0 ´e uma fun¸c˜ao teto cont´ınua e (Xt)t≥0 ´e o semifluxo de suspens˜ao sobre f agindo sobre o espa¸co Mρ+{(x, t)∈M ×R+; 0≤t ≤ρ(x)}. Se ρ≡ 1 ´e constante igual a 1 ent˜ao definimos a distˆancia horizontal para pontos em M × {t} por

dh((x, t),(y, t)) = (1−t)d(x, y) +td(f(x), f(y))

e definimos a distˆancia vertical para pontos (x, t) na ´orbita de (y, s) por d((x, t),(y, s)) = inf{|r|:Xr(x, t) = (y, s)}

Ent˜ao a distˆancia de Bowen-Walters d1((x, t),(y, s)) ´e definida como como o

´ınfimo da soma das medidas dos caminhos horizontais e verticais conectando (x, t) e (y, s).

Para uma fun¸c˜ao tetoρcont´ınua arbitr´aria adistˆancia de Bowen-Walters ´e definida, para quaisquer pontos (x, t),(y, s)∈M como

dρ((x, t),(y, s)) :=d1((x,ρ(x)t ),(y,ρ(y)s ))

Observa¸c˜ao: A distˆancia de Bowen-Walters gera a mesma topologia que a m´etrica induzida no fluxo de suspens˜ao pela dinˆamica da base, Ver [BB00] e [BW72].

O pr´oximo teorema foi originalmente provado em ([BV15])

Teorema 3.1. Seja M um espa¸co m´etrico e f : M → M satisfazendo a propriedade de colagem de ´orbitas. Assuma que a fun¸c˜ao altura ρ :M →R+0 ´e limitada superiormente e afastada do zero, ´e uniformemente cont´ınua e as constantes

Cξ := sup

n≥1

sup

y∈B(x,n,ξ)

|Snρ(x)−Snρ(y)|<∞, verificam lim

ξ→0Cξ = 0 (3.1) 45

onde Snρ =

n−1

X

j=0

ρ◦fj. Ent˜ao o fluxo de suspens˜ao obtido pela base f e altura ρ tem a propriedade de colagem de ´orbita. Al´em disso, se f satisfaz a propriedade de colagem de

´

orbitas peri´odica, ent˜ao a suspens˜ao satisfaz a propriedade de colagem de ´orbitas peri´odica.

Demonstra¸c˜ao. Assumimos que f :M →M satisfaz a propriedade de colagem de ´orbita e que a fun¸c˜ao alturaρ´e limitada inferiormente e superiormente. Dado >0 arbitr´ario e fixado, tomamos pontos{(xi, si)∈ Mρ, i= 1, ..., k} e tempos {ti, i= 1, ..., k} arbitr´arios.

Usando que ρ ´e uniformemente cont´ınua e satisfaz a condi¸c˜ao 3.1, existe 0 < ξ < 3 suficientemente pequeno tal queξ+Cξ < 3, que Cξ < 3infx∈M{ρ(x)} e |ρ(z)−ρ(w)|<

(inf{ρ})2

3 sup{ρ} para todoz, w ∈M com d(z, w)< ξ.

Usaremos, ent˜ao, a propriedade de colagem de ´orbita def com erroξ. Mais precisamente, se N(ξ) ´e dado pela propriedade de colagem de ´orbita de f, existe x ∈ M que sombreia os peda¸cos de ´orbitas dos pontos xi durante ni + 1 iterados com “tempos de pulos”no m´aximo N(ξ) iterados, isto ´e, existem{p˜i ≤N(ξ),1≤i≤k}, ex∈M tal que:

d(fj(x), fj(x1))≤ξ, 0≤j ≤n1+ 1

d(fj+ ˜p1+n1+...+ ˜Pi−1+ni−1+(i−1)(x), fj(xi))≤ξ, 0≤l ≤ni+ 1, 2≤i≤k

TomamosT() = T(ξ) := (N(ξ)+2) supρ. Observamos queT(ξ) depende apenas deξ, e portanto depende apenas de , e do supremo da fun¸c˜ao altura ρ. Tomamos ent˜ao s=s1.

Antes de demonstrar o teorema faremos alguns coment´arios sobre as dificuldades envol-vidas na demonstra¸c˜ao. Nosso objetivo ´e mostrar que a trajet´oria do ponto (x, s) sob a a¸c˜ao do fluxo de suspens˜ao segue suficientemente pr´oximo dos peda¸cos de ´orbitas gerados pelos pontos (xi, si) com um controle no tempo entre os peda¸cos de ´orbitas. Em cada momento do processo de sombreamento, precisamos de um controle no n´umero de pulos envolvidos tanto do pontox quanto dos pontos xi. Demonstraremos apenas o casok= 2 que abrange todas as dificuldades envolvidas no caso geral e onde a nota¸c˜ao ´e significan-temente simplificada. O caso geral pode ser demonstrado semelhansignifican-temente a este. Como a propriedade de colagem de ´orbitas n˜ao depende da m´etrica, e sim da topologia, vamos utilizar a distˆancia de Bowen-Walters para fazer as estimativas. Procedemos ent˜ao com a seguinte afirma¸c˜ao:

Afirma¸c˜ao:dρ(Xt(x, s), Xt(x1, s1))≤, t ∈[0, t1] e existe p1 ≤T() tal que dρ(Xt+t1+p1(x, s), Xt(x2, s2))≤ ∀t ∈[0, t2].

Demonstra¸c˜ao. Uma vez que s=s1 podemos escrever: para todot∈[0, t1]. Podemos agora estimar a distˆancia de Bowen-Walters, dρ de acordo com os seguintes trˆes casos:

(i) se j = j(x, s1, t) = j1(x1, s1, t) podemos estimar a distˆancia acima natural-mente pelos segmentos vertical e horizontal. Segue-se ent˜ao que

dρ(Xt(x, s1), Xt(x1, s1))

Uma vez que os pontos numa mesma bola dinˆamica sempre est˜ao a uma distˆancia ξ ao longo de um determinado peda¸co de ´orbita a soma dos dois primeiros termos no lado direito acima ´e menor que ξ. Quanto ao terceiro termo do lado direito acima, que denotamos por (∗∗), pela escolha deξe pela continuidade uniforme da fun¸c˜aoρ, deduzimos usando a desigualdade triangular que:

(∗∗)≤ |s1+t−Pj1−1

i=0 ρ(fi(x)−s1+t−Pj1−1

i=0 ρ(fi(x1)))

ρ(fj1(x)) |

+s1 +t−Pj1−1

i=0 ρ(fi(x1))

ρ(fj1(x))ρ(fj1(x1)) |ρ(fj1(x))−ρ(fj1)|

≤ Cξ

infρ + Cξ infρ

Pela escolha deξ temos dρ(Xt(x, s1), Xt(x1, s1))< como quer´ıamos mostrar.

Figura 3.1: Descri¸c˜ao esquem´atica dos segmentos vertical e horizontal usados para estimar a distˆancia de Bowen-Walters: (A) corresponde ao caso (i) acima; (B) correponde ao caso (iii) abaixo e que podemos utilizar para ilustrar tamb´em o caso (ii) que possui prova semelhante ao caso (iii). Figura encontrada originalmente em [BV15]

(ii) O segundo caso a considerar ´ej =j(x, s1, t) =j1(x1, s1, t) + 1. Notando que

fj(x) e fj1(x) s˜ao elementos consecutivos da mesma ´orbita, temos

Uma vez quex foi escolhido previamente pela propriedade de colagem de ´orbitas da basef de tal forma que sua ´orbita esteja pr´oxima da ´orbita de x1 durante os primeiros j1+ 1 iterados ent˜ao a soma dos primeiros dois termos ´e menor que ξ. Quanto aos dois termos envolvidos no valor absoluto, que denotamos por φ, s˜ao positivos e j(x, s1, t) = j1(x1, s1, t) + 1 segue-se da rela¸c˜ao (3.2) que

Ap´os a escolha do ponto (x, s) parcialmente determinado pela propriedade de co-lagem de ´orbita e tomando s =s1, afirmamos que a segunda parte da afirma¸c˜ao tamb´em

´e satisfeita. Para cada uma das situa¸c˜oes (i)-(iii) acima com tempo t1 vamos subdividir a prova em mais trˆes subcasos adicionais, correspondendo `as posi¸c˜oes relativas no n´umero de pulos dex e de x1.

Nesse caso tomamos ent˜ao:

Figura 3.2: A linha pontilhada representa o peda¸co da trajet´oria de x sombreando o peda¸co da trajet´oria Xt(fj1(x1),0) para t ∈ [0, s1 +t1−Pj1−1

i=0 ρ(fi(x))], e ap´os algum tempo p1, sombreia o peda¸co da trajet´oria Xt(x2, s2) para um tempo t ∈ [0, t2]. Figura originalmente encontrada em [BV15]

p1 =









 s2+

p−1˜

X

i=0

ρ(fj1+i(x))−[s1+t1

j1−1

X

i=0

ρ(fi(x))], se s2 ≤ρ(fp+j˜ 1(x)) (s2−Cξ) +

p−1˜

X

i=0

ρ(fj1+i(x))−[s1+t1

j1−1

X

i=0

ρ(fi(x))], caso contr´ario

Em ambos os casos temos |p1| ≤ (˜p1 + 2) supρ ≤ (N(ξ) + 2) supρ=T(). Agora, pode-se estimar dρ(Xt+p1+t1(x, s1), Xt(x2, s2)) de acordo com a posi¸c˜ao relativa do n´umero de pulos.

Se s2 ≤ ρ(fp˜1+j1(x)) ent˜ao Xp1+t1(x, s1) = (fj1+ ˜p1(x), s2). Para qualquer t ∈ [0, t2], definimos, com abuso de nota¸c˜aoj(fj1+ ˜p1(x), s2, t)∈N0 ej2(x2, s2, t)∈N0 que s˜ao unicamente determinandos por

j−1 j =j2+ 1 podemos deduzir similarmente com vimos casos anteriores que

dρ(Xt+p1+t1(x, s1), Xt(x2, s2))< para todot∈[0, t2]

Uma vez que j = j2 e pontos numa mesma bola dinˆamica est˜ao sempre a uma distˆancia meor queξao longo dos peda¸cos de ´orbitas, a soma dos dois primeiros termos do lado direito acima ´e menor que ξ. Devemos majorar o terceiro somat´orio do lado direito acima, o qual denotaremos por (∗ ∗ ∗). pela desigualdade triangular, temos

(∗ ∗ ∗)≤ |s2 −Cξ+t−Pj−1 segue-se que a soma dos dois primeiros termos ´e menor que ξ. Uma vez que os dois termos

Figura 3.3: Figura esquem´atica onde a linha pontilhada representa o peda¸co de as contas s˜ao an´alogas ao caso (ii) com a modifica¸c˜ao na defini¸c˜ao de p1 que deve ser mudada para

Como anteriormente, temos |p1| ≤(˜p1+ 2) supρ≤((N(ξ) + 2) supρ) =T() em ambos os casos.

Todas as estimativas restantes necess´arias para provar a propriedade de cola-gem de ´orbitas s˜ao feitas completamente similares aos casos j´a vistos, e por essa raz˜ao omitiremos os detalhes.

Provamos ent˜ao a afirma¸c˜ao, e ent˜ao como afirmamos acima o fluxo de suspens˜ao possui a propriedade de colagem de ´orbita. Isso completa a prova do teorema

Vamos agora ver como podemos aplicar o teorema anterior para criar exemplos importante de fluxos com a propriedade de colagem de ´orbitas.

Consideramos o subshift do tipo finito σA : ΣA → ΣA. Para ρ : ΣA → R uma fun¸c˜ao cont´ınua positiva pode-se definir um fluxo de suspens˜ao da seguinte forma:

Seja

Y :={(x, s) :s ∈[0, ρ(x)], x∈ΣA} ⊂ΣA×R

Identificamos os pontos (x, ρ(x)) e (σA(x),0) para todox∈ΣApara obter o espa¸co ΛA,ρ. Ent˜ao ΛA,ρ ´e um espa¸co m´etrico e pode-se definir um fluxo gt sobre ΛA,ρ por

gt(x, s) = (x, s+t),∀s+t∈[0, ρ(x)]

e lembrando da identifica¸c˜ao. mais precisamente, se z = φ(x, s), onde φ : Y → ΛA,ρ ´e a apica¸c˜ao quociente, ent˜ao gt(z) = (σak(x), t+s−

k−1

X

j=0

ρ(σja(x))) com k escolhido de tal forma que

t+s−

k−1

X

j=0

ρ(σja(x))∈[0, ρ(σkA)]

Teorema 3.2. SejaΛum conjunto hiperb´olico localmente maximal para o fluxoXt:M → M tal que X|t

Λ ´e transitivo. Ent˜ao existem um subshift do tipo finito bilateral transitivo σA : ΣA →ΣA, uma fun¸c˜ao teto positiva ρ : ΣA →R+ H¨older e uma aplica¸c˜ao cont´ınua sobrejetiva h: ΛA,ρ →Λ tal que se gt: ΣA→ΣA ´e uma suspens˜ao de deσA, temos:

h◦X|t

Λ =gt◦h e gt ´e transitivo.

Demonstra¸c˜ao. [Bow75]

Como aplica¸c˜ao do teorema 3.1 mostraremos que todo um fluxo Axioma A res-trito a cada pe¸ca b´asica satifaz a propriedade de colagem de ´orbitas peri´odica.

Corol´ario 3.3. Se (Xt) :M →M ´e um fluxo Axioma A ent˜ao (Xt) restrito a cada pe¸ca b´asica satisfaz a propriedade de colagem de ´orbitas peri´odica. Em particular, todo fluxo Anosov transitivo satisfaz a propriedade de colagem de ´orbitas peri´odica.

Demonstra¸c˜ao. Fixemos Λ uma pe¸ca b´asica. Pelo Teorema 3.2 (X|t

Λ) ´e um fator topol´ogico de uma suspens˜ao de um subshift bilateral do tipo finito transitivo com altura H¨older.

Assim, como fatores topo´ogicos preservam a propriedade de colagem de ´orbitas, basta mostrar que toda suspens˜ao de um subshift bilateral do tipo finito transitivo com altura H¨older possui a propriedade de colagem de ´orbitas. J´a mostramos na Proposi¸c˜ao (2.12) que todo subshift do tipo finito transitivo possui a propriedade de colagem de ´orbitas peri´odica, assim pelo Teorema 3.1 basta mostrar que toda fun¸cao H¨older ρ : ΣA → IR+ satisfaz a condi¸c˜ao 3.1 do Teorema 3.1.

Seja (yk)∈B((xk), n, ) e N ∈N tal que 21N ≤. Se (yk)∈ B((xk), n,21N), por defini¸c˜ao (xk),(yk) que coincidem s˜ao menores ou iguais `a quantidade dos s´ımbolos que coincidem

` e esta ´ultima express˜ao converge para zero quando N → ∞.

Agora mostraremos que a suspens˜ao de dinˆamicas expansoras com altura H¨older possui a propriedade de colagem de ´orbitas peri´odicas

Corol´ario 3.4. Sejam f : M → M uma dinˆamica expansora transitiva, cujos pontos peri´odicos s˜ao densos, e ρ : M → R+0 H¨older com constante α. Ent˜ao a suspens˜ao de f com altura ρ possui a propriedade de colagem de ´orbitas peri´odica.

Demonstra¸c˜ao. Na Proposi¸c˜ao 2.18 mostramos que toda aplica¸c˜ao expansora transitiva possui a propriedade de colagem de ´orbitas peri´odica. Assim, basta mostrar que toda fun¸c˜ao H¨older ρ satisfaz a condi¸c˜ao 3.1 do Teorema 3.1. Seja ρ o raio da vizinhan¸ca local dado pela expans˜ao e λ > 1 a taxa de expans˜ao local. Dado < ρ, afirma-mos que B(x, n, ) ⊂ B(x, λ−(n)). De fato, dado y ∈ B(x, n, ), por defini¸c˜ao temos d(fi(x), fi(y)) < para todo i = 0, ..., n−1. Logo,por expans˜ao, ≥ d(fn(x), fn(y)) ≥ λd(fn−1(x), fn−1(y)) ≥ ... ≥ λn−2d(f(x), f(y)) ≥ λn−1d(x, y). Logo d(x, y) ≤ λ−n+1. Assim temos:

|Snρ(x)−Snρ(y)| ≤

n−1

X

i=0

|ρ(fi(x))−ρ(fi(y)))|

≤Cα

n−1

X

i=0

d(fi(x), fi(y))α

≤Cαα

n−1

X

i=0

(−n+i)α)≤Cαα(1λ)αn−1 (1λ)α−1

≤Cαα 1

1−(1λ)α <∞

A ´ultima express˜ao acima converge para zero quando vai para zero.

Propriedades topol´ ogicas e erg´ odicas

Vamos agora introduzir algumas no¸c˜oes de transitividade e recorrˆencia para fluxos cont´ınuos a fim de estabelecer uma compara¸c˜ao com outras no¸c˜oes topol´ogicas de caos.

Defini¸c˜ao 4.1. Seja (Xt)t um fluxo cont´ınuo num espa¸co m´etrico compactoM. Dizemos que

(1) (Xt)t´e topologicamente mixing, se para quaiquer conjuntos abertosU, V ⊂M existe T > 0 tal que X−t(U)∩V 6=∅ ∀t≥T;

(2) (Xt)t tem frequˆencia inferior de visitas a bolas positiva se para todo > 0 e para quaisquer duas bolas B1, B2 de raio ;

lim inf

t→∞

1

tLeb(s∈[0, t] :B1∩X−s(B2)6=∅)>0;

(3) (Xt)t tem taxa assint´otica inferior de mistura assint´otica na fam´ıliaB das Bolas se para qualquer B1(x1, ), B2(x2, )∈ B existe uma constante τ =τ(x2, )>0 tal que

lim inf

t→∞

1

tLeb(s∈[0, t] :B1(x1, )∩X−s(B2(x2, ))6=∅)≥τ(x2, )>0;

(4) (Xt)t tem taxa de mistura assint´otica inferior super linear na fam´ılia B de bolas se para qualquer centro x2 que ´e o centro de uma bola em B existe C(x2) > 0 de tal maneira que τ(x2, )≥C(x2);

O teorema a seguir ilustra algumas caracter´ısticas topol´ogicas de sistemas dinˆamicos com a propriedade de colagem de ´orbita. Esse resultado foi originalmente demonstrado em [BTV17]

Teorema 4.2. Seja M uma variedade Riemmaniana compacta e conexa. Assumimos que (Xt)t´e a restri¸c˜ao a um conjunto invariante e compacto de um fluxo cont´ınuo gerado por um campo de vetores lipschitzX :M →T M. Se (Xt)t satisfaz a propriedade de colagem de ´orbita reparamentrizada, ent˜ao:

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(1) (Xt)t tem frequˆencia inferior de visitas a bolas positiva

(2) (Xt)t tem taxa inferior de mistura assint´otica super linear na fam´ılia de bolas B:=

{B(x, );x∈P er((Xt)t), >0}

Se o fluxo satisfaz a propriedade de colagem de ´orbita reparametrizada peri´odica, ent˜ao:

(3) htop((Xt)t)≤lim supT→∞ T1 log((#P er(Xt)t), T), ondeP er((Xt)t, T)denota o n´umero de ´orbitas peri´odicas de per´ıodo menor ou igual a T.

(4) Se, adicionalmente, o fluxo (Xt)t ´e Komuro expansivo, ent˜ao:

(i) htop((Xt)t) = lim supT→∞ T1 log((#P er(Xt)t), T)

(ii) Todo ponto em M ´e um ponto de entropia para o fluxo (Xt)t, isto ´e, calcular a entropia numa vizinhan¸ca de cada ponto ´e o mesmo que calcular a entropia de todo o sistema.

Observa¸c˜ao: No item (4) o teorema ainda ser´a v´alido se tomarmos lim inf ao inv´es de lim sup. O item (4) ainda ser´a v´alido se no lugar de Komuro expansividade supormos que as ´orbitas peri´odicas s˜ao isoladas.

Antes de demonstrarmos o referido teorema precisamos fazer alguns coment´arios importantes. Na vers˜ao a tempo discreto do teorema acima para especifica¸c˜ao usamos a no¸c˜ao de expansividade para dinˆamicas a tempo discreto. No caso de fluxos precisamos primeiramente de uma no¸c˜ao adequada de expansividade para fluxos. Uma no¸c˜ao de ex-pansividade para fluxos foi primeiramente introduzida por Rufus Bowen, mas em ([Ko84]) foi provado que os fluxos Bowen expansivos em variedades sem bordo n˜ao admitiam sin-gularidades, por exemplo, o atrator de Lorenz n˜ao ´e Bowen expansivo pois apresenta uma singularidade que ´e acumulada por ´orbitas regulares do atrator. A no¸c˜ao que apresentare-mos aqui ´e a no¸c˜ao introduzida por Komuro em que os fluxos komuro-expansivos podem ter singularidades.

Defini¸c˜ao 4.3. Sejam(M, d)um espa¸co m´etrico compacto,(Xt)tum fluxo cont´ınuo sobre M. Dizemos que o fluxo (Xt)t ´e Komuro expansivo se dado > 0 existe δ > 0 tal que se x, y ∈ M e d(Xt(x), Xh(t)(y)) < δ para todo t ∈ R e algum homeomorfismo crescente h : R → R ent˜ao existe t0 ∈ R tal que Xh(t0)(y) ∈ X[t0−,t0+](x), onde X[t0−,t0+](x) :=

{Xt(x) :t ∈[t0−, t0+]}

Observa¸c˜ao: Vale a pena ressaltar que na prova do Teorema 4.2 que daremos s´o usaremos da defini¸c˜ao de Komuro expansividade a reparametriza¸c˜ao trivial h(t) = t, para todot∈R.

Teorema 4.2. Como se trata de uma an´alise local podemos supor no item (1) e no item (2) do Teorema, a menos de considerar as cartas locais, queM =Rn. Uma vez que (Xt)t

´e o fluxo obitido pela equa¸c˜ao diferencial ordin´aria u0 =X(u), temos:

(Xt)0(x) = X(Xt(x)), X0(x) =x ou equivalentemente Xt(x) = x+Rt

0 X(Xs(x))ds. Seja L > 0 a constante de lipschitz para X.

(1) Consideramos > 0 e 0 < λ < , e seja s(λ) = (1 +λ)K(λ) dado pela propriedade de colagem de ´orbita reparametrizada com erro λ. Consideramos as bolas Bi(xi, ) com centroxi ∈M, i= 1,2. Se existirT > 0 tal queXt(B1)T

de outra maneira, existem sequˆencias (ti)i e (ei)i convergindo ao infinito tal que ti <

ei < ti+1, e Xti(B1)T

B2 6= ∅ e Xei(B1)T

B2 =∅ para todo i ≥1. Pela propriedade de colagem de ´orbita reparametrizada podemos tomar a sequˆencia (ti) tal que os “tempos de pulo”|ti+1−ti| ≤s(λ) para cada i≥1. Ainda mais, se y∈B(x1, λ) ent˜ao podemos usar

Para todo t > s(λ). Isso finaliza a prova de (1).

(2) Dado >0 e 0< λ < arbitr´ario e pontosx1, x2 ∈M com ´orbitas peri´odicas.

Assumimos que x2 n˜ao ´e uma singularidade. Se x2 for singularidade, seja s(λ) dado pela propriedade de colagem de ´orbitas reparametrizada. Assim para cada t > 0 existe x1,t ∈ B(x1, ) e s1(t) ≤ s(λ) tal que Xs+s1(x1,t) ∈ B(Xs(x2), ) para todo s ∈ [0, t].

Comox2 ´e uma singularidade, ent˜ao temos X−s1−s(B2(Xs(x2), ))T intersec¸c˜ao as bolas continuam a intersectar-se durante um intervalo de tempo|t| ≤ ||X||−λ

. Somado as medidas dosk intervalos dessa forma, e tomando λ= 2, temos:

Leb({s ∈[0, t] :B(x1, )\ Uma vez que γ foi tomado arbitr´ario, provamos que

lim inf

(3) Dado >0 eK(3) dado pela propriedade de colagem de ´orbita parametrizada peri´odica para 3. Para cadaT ≥1 tomamosE ⊂M um subconjunto (T, ) separado. Para cadax∈ E existey(x)∈B(x, T,3),p(x)≤K(3) eτ ∈Rep(3) tal que Xτ(T+p(x))(y(x)) = y(x). Uma vez que E ´e (T, ) separado, a aplica¸c˜ao E 3 x 7→ y(x) ´e injetiva, pois sejam x1, x2 ∈ E com x1 6=x2. Existe t0 ≤T tal que

d(Xt0(x1), Xt0(x2))>

logo

(4)(i) Sejam O(p), O(q) ´orbitas peri´odicas distintas de per´ıodo menor ou igual a T. Fixado λ > 0 seja δ0 = δ0(λ) dado pela Komuro expansividade. Afirmamos que existe t ∈ R tal que d(Xt(p), Xt(q)) ≥ δ0. De outra maneira d(Xt(p), Xt(q)) < δ0 para todo t ∈ R e, pela Komuro expansividade (tomando a reparametriza¸c˜ao τ(t) = t), p∈X[t0−λ,t0+λ](q) para algunt0 ∈R, o que ´e uma contradi¸c˜ao. Isso prova que o conjunto dos pontos peri´odicos P er((Xt)t, T) ´e um conjunto (T, ) separado para todo 0< ≤δ0. Em particular ´orbitas peri´odicas de per´ıodo menor ou igual queT s˜ao isoladas, e portanto finitas. Assim htop((Xt)t)≥lim sup

T→∞

1

T log(#P er((Xt)t, T)).

(4)(ii) Mostraremos que cada ponto de M ´e ponto de entropia para o fluxo ((Xt)t). Uma vez que o resultado ´e imediato quando htop((Xt)t) = 0, podemos supor quehtop((Xt)t)>0.

Pelo item (i) a entropia pode ser calculada usando ´orbitas peri´odicas: htop((Xt)t) = lim sup

T→∞

1

T log(#P er((Xt)t, T)). Logo para todoγ >0 suficientemente pequeno, podemos definir uma subsequˆencia de n´umeros reais (Tk)k≥1 tendendo ao infinito dependendo de γ de tal maneira que

#P er((Xt)t, Tk)≥e(htop−2γ)Tk (4.1)

Seja agora x∈M eU ⊂M uma vizinhan¸ca de x. Obviamente,htop((Xt)t, U)≤ htop((Xt)t), logo basta apenas provar a desigualdade contr´aria. Fixado 0 < tal que B(x, )⊂ U e tomamos a sequˆencia (Tk)k definida acima. Seja s() = (1 +)K() dado pela propriedade de colagem de ´orbita reparametrizada peri´odoca. Podemos assumir sem perda de generalidade queTk+1 >2Tk para todok ≥1.

Seja t()>0 dado pela continuidade uniforme de tal maneira que

s∈[0,t()]max dc0(Xs, Id)<

4 (4.2)

e para cadak ≥1 consideramos a decomposi¸c˜ao (dependendo de k)

[0, Tk] :=

N(,k)−1

[

j=0

Ij[

IN(,k) (4.3)

onde N(, k) = bt()Tkc, Ij := [jt(),(j + 1)t()[,0 ≤ j ≤ N(, k) e o ´ultimo intervalo IN(,k) := [Tk−N(, k)t(), Tk] pode ser eventualmente vazio. Por constru¸c˜ao, para todo γ temos #P((Xt)t, Tk)≥e(h−2γ)Tk para todo k≥1 grande.

Fixado 0 < δ0 e k0 ≥ 1 grande, dependendo de , de tal forma que (1 +)(Tk+ 2K(4))< Tk+1 para todok ≥k0. A propriedade de colagem de ´orbita para-metrizada peri´odica nos assegura que para todo ponto peri´odico p de per´ıodo π(p)≤Tk, existe z = z(p) ∈ B(x,4), uma reparametriza¸c˜ao τp ∈ Rep(4) e tempos de pulos 0< sp, s0p ≤K(4) de tal forma que

d(Xτp(sp+t)(z(p)), Xt(p))≤ 4,∀t ∈[0, π(p)] e Xτp(sp+s0p+π(p)) =z(p)

o ponto z(p) tem per´ıodo π(z(p)) = τp(π(p) +sp +s0p) ≤ (1 +)(Tk+ 2K(4)) < Tk+1. Ainda, pela propriedade da Komuro-expansividade, se p, q s˜ao pontos peri´odicos, existe t∈Rtal que d(Xt(p), Xt(q))≥δ0. Pela decomposi¸c˜ao (4.3), e pelo princ´ıpio da casa dos pombos existe 0≤j ≤N(, k) de tal forma que

#{z(p)∈B(x,4) :π(p)∈Ij} ≥ N(,k)+11 e(h−2γ)Tk

Afirma¸c˜ao:O conjunto{z(p)∈B(x,4) :π(p)∈Ij}´e(1 +4)(Tk+ 2K(4), δ0−)separado em U.

Demonstra¸c˜ao. Sejam p, q ∈ P((Xt)t, Tk) pontos peri´odicos e z(p), z(q) ∈ B(x,4) ⊂ U

Como os per´ıodos de p e q diferem no m´aximo de t(), segue-se da escolha de t() que d(Xt(p), Xt(q)) < δ0 − para todo t ∈ R, contradizendo a propriedade de

resta mostrar que o primeiro limite da pen´ultima linha acima converge para zero:

lim sup

t = 0(l’Hˆopital), pois o logar´ıtmo vai para o infinito muito mais lenta-mente que qualquer polinˆomio, ent˜ao temos que a express˜ao acima converge para zero quando k→ ∞.

Pela arbitrariedade deγ, provamos finalmente o item (4)(ii). Com isso, o teorema est´a demonstrado.

Observa¸c˜ao:A conclus˜ao do item(4)(ii)ainda ser´a v´alida se substitu´ırmos a pro-priedade de colagem de ´orbita parametrizada e komuro expansividade apenas pela hip´otese de propriedade de colagem de ´orbita

Demonstra¸c˜ao. Dadok grande, seja Ek ={xi}i=1,...,r um conjunto (Tk, ) separado maxi-mal constru´ıdo com cardinalidade maior ou igual a e(h−2γ)Tk. A propriedade de colagem de ´orbita nos assegura que para cada i = 1, ..., r existe zi ∈ B(x,4) ⊂ U e tempos de pulos 0≤si ≤K(4) tal que

d(zi, x)< 4 e d(Xt+si(zi), Xt(xi))< 4

para qualquert ∈[0, Tk]. Como na prova anterior, dada a decomposi¸c˜ao (4.3), o princ´ıpio da casa dos pombos nos garante que existe 0≤j ≤N(, k) tal que fazendoγ →0 temos o resultado. A prova que a primeira parcela da soma acima vai para zero ´e semelhante ao caso anterior.

Vamos estudar agora algumas propriedades da press˜ao topol´ogica em sistemas dinˆamicos satisfazendo a propriedade de colagem de ´orbita, onde sobre certas hip´oteses sobre os potenciais podemos deduzir boas propriedades, generalizando algumas proprie-dades do teorema anterior para press˜ao topol´ogica.

Defini¸c˜ao 4.4. Seja uma fun¸c˜ao cont´ınuaφ:M →Re Xt:M →M um fluxo cont´ınuo.

Notemos que todo potencial constante sempre satisfaz a condi¸c˜ao acima, logo o conjunto dos potenciais que satisfazem a condi¸c˜ao acima n˜ao ´e o vazio.

Ter varia¸c˜ao limitada ´e uma condi¸c˜ao suficiente para provarmos a existˆencia e unicidade do estado de equil´ıbrio quando a dinˆamica tem especifica¸c˜ao e expansividade (ver [Bw75] e [Er77]). Para mostrar a importˆancia desta classe, verificamos que no caso de conjuntos hiperb´olicos todas as fun¸c˜oes H¨older tˆem varia¸c˜ao limitada.

Proposi¸c˜ao 4.5. Seja Λ ⊂ M um conjunto hiperb´olico para o fluxo Xt. Ent˜ao toda fun¸c˜ao H¨older emΛ tem varia¸c˜ao limitada.

Demonstra¸c˜ao. Por hiperbolicidade, a menos de tomarmos suficientemente pequeno, existem C > 0 e a > 0 tais que: y ∈ B(x, t, ) ⇒ d(Xs(y), Xs(x)) ≤ Ce−amin{s,t−s}, qualquer s∈[0, t] (Ver [KH99]). Sendo assim, sejaφ uma fun¸c˜ao α-H¨older. Logo:

| Segue-se das estimativas queφ possui varia¸c˜ao limitada.

Proposi¸c˜ao 4.6. Seja Xt : M → M um fluxo cont´ınuo definido num espa¸co m´etrico

Ademais, se Xt for Komuro expansivo ent˜ao acontece a igualdade.

Demonstra¸c˜ao. Tome >0 eT(3) dado pela propriedade de colagem de ´orbita peri´odica.

Seja ˜E o conjunto dos z(y) constru´ıdos. Notemos que a aplica¸c˜ao

Seja ˜E o conjunto dos z(y) constru´ıdos. Notemos que a aplica¸c˜ao

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