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Nesta se¸c˜ao analisaremos algumas fun¸c˜oes de transferˆencia relacionadas `as propriedades que queremos estudar, especialmente o seguimento de referˆencias e o efeito de perturba¸c˜oes e ru´ıdo. O diagrama de blocos do sistema ´e representado na Figura 4.1.

D(s)

Σ C(s) Σ G(s)

Σ

R(s) E(s) Y(s)

N(s) +

+

+ +

Figura 4.1: Configura¸c˜ao com realimenta¸c˜ao unit´aria

Podemos considerar na fun¸c˜ao de transferˆencia da Figura 4.1, as entradas como sendo a referˆencia R(s), a perturba¸c˜ao D(s) e o ru´ıdoN(s). A sa´ıda Y(s) ´e dada por

Y(s) = GC(s)

1 +GC(s)R(s)− G(s)

1 +GC(s) − GC(s)

1 +GC(s)N(s) (4.2.1)

Podemos ent˜ao considerar trˆes fun¸c˜oes de transferˆencia de interesse.

A fun¸c˜ao de transferˆencia

Y(s)

R(s) = GC(s)

1 +GC(s) (4.2.2)

relaciona a sa´ıda com a referˆencia. Esta fun¸c˜ao

T = GC(s)

1 +GC(s) (4.2.3)

´e chamada de fun¸c˜ao de sensibilidade complementar.

A fun¸c˜ao de transferˆencia

Y(s)

D(s) = G(s)

1 +GC(s) (4.2.4)

relaciona a sa´ıda com a perturba¸c˜ao e ´e chamada de fun¸c˜ao de sensibilidade `a perturba¸c˜ao.

A fun¸c˜ao de transferˆencia

Y(s)

N(s) = GC(s)

1 +GC(s) (4.2.5)

relaciona a sa´ıda com o ru´ıdo e ´e chamada de fun¸c˜ao de sensibilidade ao ru´ıdo.

Al´em destas trˆes fun¸c˜oes de podemos definir uma quarta fun¸c˜ao de transferˆencia definida como

S = 1

1 +GC(s) (4.2.6)

Esta fun¸c˜ao de transferˆencia corresponde `a rela¸c˜ao entre o erro e a referˆencia, ou seja, E(s)

R(s) = 1

1 +GC(s) (4.2.7)

Observa-se que est fun¸c˜ao de transferˆencia relaciona-se `a fun¸c˜ao sensibilidade complementar por

S+T = 1 (4.2.8)

Propriedades importantes de sistemas de controle em malha fechada podem ser analisadas a partir das propriedades destas fun¸c˜oes de transferˆencia. A seguir analisaremos algumas delas.

4.2.1 Rastreamento ou seguimento da referˆencia (precis˜ao)

Da Equa¸c˜ao 4.2.1, considerandoR(s) =N(s) = 0 segue que para obtermos um seguimento da referˆencia, ou seja Y(s)≈R(s), deve-se ter GC(s)≫ 1. Pode-se concluir que elevados valores de ganho na malha direta assegura esta propriedade. Este ganho depende da planta e do controlador e varia com a freq¨uˆencia.

No entanto o maior interesse ´e assegurar que em regime permanente a sa´ıda siga a referˆencia, e um elevado ganho do controlador em baixas freq¨uˆencias ´e suficiente para assegurar um bom desempenho do sistema de controle em termos de rastreamento.

4.2.2 Rejei¸c˜ao de perturba¸c˜oes

Da fun¸c˜ao de transferˆencia 4.2.1 a perturba¸c˜ao modifica o valor de sa´ıda atrav´es da fun¸c˜ao de sensibilidade

`

a perturba¸c˜ao definida dada por

Y(s)

D(s) = G(s)

1 +GC(s) (4.2.9)

Neste caso o objetivo ´e minimizar a magnitude desta fun¸c˜ao de sensibilidade assegurando boas propri-edade de rejei¸c˜ao de perturba¸c˜ao. Isto ´e conseguido para elevados valores de |1 +GC(s)|. Note que isto ocorre para elevados valores de magnitude deGC(s), quando a fun¸c˜ao de sensibilidade `a perturba¸c˜ao se reduz a 1

C(s) e com ganhos elevados do controlador, tem-se redu¸c˜ao do efeito da perturba¸c˜ao. Portanto a caracter´ıstica do controlador que assegura rastreamento da referˆencia tamb´em assegura a propriedade desejada de rejei¸c˜ao de perturba¸c˜ao.

4.2.3 Sensibilidade ao ru´ıdo

Da fun¸c˜ao de sensibilidade ao ru´ıdo 4.2.5 e de 4.2.1 observa-se que o ru´ıdo afeta pouco a sa´ıda se GC(s) → 0. Este requisito ´e conflitante com os requisitos anteriores de seguimento da referˆencia e rejei¸c˜ao de perturba¸c˜ao. No entanto, o ru´ıdo tem componentes de alta freq¨uˆencia e se a magnitudeGC(s) tiver valores baixos em altas freq¨uˆencias e valores elevados em baixas freq¨uˆencias, pode-se conciliar os requisitos de rastreamento de referˆencia, rejei¸c˜ao de perturba¸c˜ao e baixa sensibilidade a ru´ıdos.

4.2.4 Sensibilidade param´etrica

Na obten¸c˜ao de modelos de sistemas parte-se da hip´otese de que os valores dos parˆametros s˜ao conhecidos e constantes. Na realidade varia¸c˜oes nas condi¸c˜oes de opera¸c˜ao como mudan¸cas de temperatura, desgaste de componentes, etc, provocam mudan¸cas nos valores dos parˆametros. Assim, mesmo que os valores dos parˆametros tenham sido obtidos corretamente, e deve-se assinalar que, al´em de poss´ıveis erros, alguns parˆametros podem ser dif´ıceis de serem determinados, o controlador projetado usando o modelo ir´a operar em um sistema cujos parˆametros reais diferem do modelo.

O objetivo aqui ´e estudar o efeito que a varia¸c˜ao param´etrica tem no ganho em regime permanente, ou seja, o ganho entre a entrada e a sa´ıda em regime permanente. Este ganho ser´a representado porT. Na Figura 4.1 o ganho em regime permanente ´e dado por GC(0)

1 +GC(0).

Defini¸c˜ao 6 A Sensibilidade Param´etrica, do ganho T, em regime permanente, com rela¸c˜ao a um parˆametro P, ´e definida por SPT =

∆T T

∆P P

Esta defini¸c˜ao ´e geral e pode ser aplicada com rela¸c˜ao a qualquer parˆametro do sistema. A inter-preta¸c˜ao desta defini¸c˜ao ´e que ela indica a varia¸c˜ao percentual do ganho para uma varia¸c˜ao percentual de um parˆametro. A defini¸c˜ao pode ser aplicada tanto para o ganho de malha aberta quanto para a malha fechada, o que ´e mostrado a seguir.

Nem sempre ´e poss´ıvel uma aplica¸c˜ao direta desta defini¸c˜ao. Se o ganho T for uma fun¸c˜ao n˜ao-linear do parˆametro em rela¸c˜ao ao qual deve-se calcular a sensibilidade, ent˜ao a expans˜ao em s´erie de Taylor, mantendo-se apenas os termos de primeira ordem, permite o c´alculo da sensibilidade, ou seja:

T+ ∆T =T +dT

dP∆P+. . . (4.2.10)

Considerando-se apenas o termo de primeira ordem,

∆T = dT

e portanto a sensibilidade pode ser calculada como SPT = P

T dT

dP (4.2.13)

4.2.5 Estabilidade

Um sistema de controle deve ser est´avel, ou seja, uma entrada limitada n˜ao deve produzir um aumento ilimitado da sa´ıda. A propriedade de estabilidade ser´a estudada neste cap´ıtulo.