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3 ASSISTÊNCIA SOCIAL NA FEDERAÇÃO BRASILEIRA: TRAJETÓRIA

5.1 Resultados da pesquisa

5.1.2 Proteção Social Especial

A área da PSE do SUAS estabeleceu no Pacto de aprimoramento da Gestão (2014 – 2017) 7 (sete) metas32 que tinham por objetivo: ampliar a cobertura do PAEFI (meta 9); identificação e cadastramento das famílias no CadÚnico com a presença de crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil (meta 10); atendimento da população de rua (meta 11); atendimento da população em situação de rua (meta 12); acompanhamento pelo PAEFI das famílias com crianças e adolescentes em serviço de acolhimento (meta 13); acompanhamento pelo PAEFI das famílias com violação de direitos em decorrência do uso de substâncias psicoativas (meta 15); implantação das Unidades de acolhimento para pessoas com deficiência em situação de dependência com rompimento de vínculos familiares (meta 16) (BRASIL, 2018). O gráfico 3, a seguir, sintetiza o alcance das metas ano a ano.

Gráfico 3 – Resultado das metas da PSE do SUAS no município de Imperatriz/MA (2014 – 2017)

Fonte: Elaboração própria, com base nos dados obtidos em Brasil (2018).

32 A meta de número 14 não está descrita no documento sobre os resultados do Pacto, disponibilizado pelo MDS. A numeração foi reproduzida conforme documento original. Disponível em <http://aplicacoes.mds.gov.br/snas/vigilancia/index5.php>

Ao realizar entrevista com gestor para compreender de que modo acontece a atualização e acompanhamento das metas e prioridades da PSE estabelecidos no pacto, o mesmo respondeu que ocorre “[…] através de relatórios informativos disponibilizados pelo governo federal, porque o município não dispõe de sistema específico, ficamos dependendo do governo federal liberar as consolidações dos dados” (Entrevistado C, 2019).

Para ampliação da cobertura do PAEFI, o município precisava ter um CREAS em funcionamento que atendesse às demandas das famílias em situação de vulnerabilidade que necessitam de proteção socioassistencial de média e alta complexidade. Essa estimativa foi atingida e o município conseguiu cumprir essa meta. Essa informação foi confirmada pelo gestor: “[…] a cobertura do PAEFI foi ampliada no município com a implantação do CREAS para atender as demandas socioassistenciais da população. O Município atingiu a meta, pois implantou o CREAS” (Entrevistado C, 2019).

No campo da Proteção Social Especial, “[…] o processo de implantação do CREAS é orientado pelas normativas, regulações e pactuações vigentes na política de Assistência Social [...]” (BRASIL, 2011, p. 73). Precisa ainda que seja realizado diagnóstico socioterritorial, levantamento das demandas e mapeamento dos serviços, programas e projetos existentes no território, bem como observado o porte do município (BRASIL, 2011).

Na identificação e cadastramento das famílias no CadÚnico com a presença de crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil, em 2014, não havia um índice elevado de crianças nessa situação que justificasse a ação. Porém, em 2016 e em 2017, foram identificados respectivamente, 1520 (mil quinhentas e vinte) e 1521 (mil quinhentas e vinte e uma) crianças realizando trabalho não compatível com a sua idade e condição física. (BRASIL, 2018)

Ao final dos anos de 2016 e 2017, o ente municipal não conseguiu alcançar o percentual de 70% para atingir a meta pactuada. A taxa de cadastramento, ou seja, o percentual de crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil cadastrados no CadÚnico, se concentrou em 22,62% no ano de 2016 e 16,06% em 2017, percentuais bem abaixo do que era esperado quando da pactuação (BRASIL, 2018). O gestor municipal, quando questionado sobre essa ação voltada ao combate do trabalho infantil,

admite que a meta não foi alcançada e se restringiu a dizer que o motivo foi “[…] a falta de investimento no setor” (Entrevistado C, 2019).

Dados da SAGI (2008), Censo SUAS (2013; 2016) calcularam um baixo percentual de pessoas em situação de rua no município. No ano de 2014 foi estimado que 10 (dez) pessoas estariam nessa condição, enquanto em 2016 esse número subiu para 20 (vinte) pessoas. No entanto, não foi registrado no CadÚnico em 2014 nenhuma pessoa em situação de rua, nos anos de 2016 e 2017, o número aumentou para 31 (trinta e um) e 58 (cinquenta e oito) pessoas, respectivamente. (BRASIL, 2018).

Segundo o MDS, a taxa de cadastramento, medida pelo percentual de pessoas em situação de rua cadastradas no CadÚnico, ficou pendente devido à submissão de valores inconsistentes pelo município, o que inviabilizou a realização do cálculo. Nos anos de 2016 e 2017 a taxa e a meta dessa ação não foram aplicadas à realidade do município, provavelmente pelo baixo percentual de pessoas em situação de rua cadastradas no CadÚnico.

O atendimento da população de rua, por meio da oferta do Serviço Especializado em Abordagem Social33, não era ofertado em 2014. O Centro POP foi implantado em maio de 201434, porém, os dados iniciais coletados pelo MDS para servirem de base para o estabelecimento do pacto são referentes a 2013. O atendimento e o serviço para esse público específico foram ofertados em 2016 e 2017, o que permitiu o alcance da meta nos dois anos citados. O gestor acrescenta que

em relação a esse público específico, o atendimento é feito diariamente por meio da equipe do Centro de Referência para População de Rua. Além disso, se atende também as demandas que chegam de maneira espontânea e por busca ativa nos locais onde se concentra a população que vive nas ruas do município (ENTREVISTADO C, 2019).

Quanto ao acompanhamento pelo PAEFI das famílias com crianças e adolescentes em serviço de acolhimento (acolhimento institucional e família acolhedora), as metas baseadas no percentual de 60% não foram alcançadas em nenhum dos anos de vigência do pacto (BRASIL, 2018). “Os serviços de acolhimento para

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De acordo com a Tipificação Nacional de Serviços Socioassistenciais (2009), o Serviço especializado em Abordagem Social é ofertado de forma continuada e programada com a finalidade de assegurar trabalho social de abordagem e busca ativa que identifique a incidência de situações de risco pessoal e social, por violação de direitos.

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Informação retirada de Ribeiro (2019). Disponível em <http://oprogressonet.com/cidade/centro-pop-e- albergue-passam-funcionar-em-imperatriz/46881.html> Acesso em 9/1/2019.

crianças e adolescentes integram os serviços de alta complexidade do SUAS), sejam eles de natureza público-estatal ou não-estatal” (BRASIL, 2009a, p. 12).

Em 2014 não havia informações quantitativas a respeito das crianças e adolescentes em serviço de acolhimento. O Censo SUAS identificou 57 (cinquenta e sete) crianças e adolescentes nessa situação no ano de 2016, o número sofreu aumento quando a análise se direcionou para o ano de 2017, atingindo 70 (setenta) crianças e adolescentes acolhidos. A quantidade de famílias com crianças e adolescentes no serviço de acolhimento inseridas no PAEFI foi de 3 (três) em 2014, 9 (nove) em 2016 e 18 (dezoito) em 2017 (BRASIL, 2018).

O acompanhamento pelo PAEFI das famílias com violação de direitos em decorrência do uso de substâncias psicoativas foi ofertado de modo satisfatório pelo CREAS do município, o que permitiu alcançar êxito nessa ação nos anos de 2014, 2016 e 2017. Nesse sentido, e em conformidade com o dado disponibilizado pelo MDS, o gestor respondeu que as famílias com esse perfil têm recebido atendimento e acompanhamento adequado pelo CREAS.

O município não pactuou a implantação das Unidades de acolhimento para pessoas com deficiência em situação de dependência com rompimento de vínculos familiares. Por esse motivo, as metas dessa ação não se aplicam a realidade da PSE de Imperatriz.

Em análise sobre as metas e prioridades estabelecidas pelo pacto do SUAS e a necessidade de melhoria para que as ações se efetivem na realidade da população do município, por meio da oferta de serviços, projetos e programas socioassistenciais, o gestor da PSE entende que ocorre deficiência na integração entre os entes, bem como capacitação adequada aos trabalhadores da assistência social.

Há necessidade de melhor integração entre União, Estado e Município. Capacitação para melhor entendimento do significado do pacto para o município. Pois, atualmente, a organização e articulação com o Estado e a União no sentido de implementar o pacto de aprimoramento em Imperatriz é frágil. O município anualmente realiza planejamento geral das ações, mas sem priorizar o Pacto (Entrevistado C, 2019).

O gestor admite que o pacto não possui a efetividade proposta nas normativas da Política de Assistência Social. Associa o fraco desempenho no cumprimento das metas e prioridades firmadas no âmbito da PSE à falta de colaboração/fiscalização dos demais entes com os municípios. Acrescido a isso, reconhece que o ente municipal não cumpriu

seu papel por duas ordens de motivos: primeiro pela não compreensão em profundidade da finalidade do pacto e por não reconhecer a importância desse instrumento de gestão.

A implementação do pacto municipal na PSE não ocorre de forma eficaz porque não houve integração, participação do Estado e União orientando, cobrando os municípios. Por outro lado, os municípios deram pouca prioridade, muitas vezes por falta de entendimento do significado do Pacto para consolidação do SUAS, tanto por parte dos gestores quanto por parte dos técnicos (Entrevistado C, 2019).

Para que se obtenha resultados positivos nas ações desenvolvidas pela Política de Assistência Social, a gestão municipal do SUAS precisa levar em consideração a necessidade de articulação dos três níveis federativos, e a existência de uma relação de “[…] interdependência entre planejamento, implementação e avaliação […]” (BRASIL, 2008, p. 50). Nesse sentido, o planejamento constitui

instrumento imprescindível à ação governamental, mas suas possibilidades de efetivação com qualidade dependem de um conjunto de fatores e variáveis institucionais e situacionais, internas e externas, nem sempre previsíveis e controláveis pelos órgãos gestores, o que faz desse mecanismo um processo não apenas técnico, mas eminentemente político (BRASIL, 2008, p. 50).

Com base nesse conceito, e associando-o à fala do gestor entrevistado, é possível identificar como fator externo prejudicial ao êxito do pacto no município de Imperatriz/MA a baixa integração e participação do estado e União no que se refere à orientação e acompanhamento dos municípios. Relativos a fatores internos, são explicitados a falta de entendimento por parte da gestão e da equipe técnica sobre o significado do pacto para o processo de consolidação do SUAS.