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III. Material e Métodos

III.2. Métodos

III.2.2. Protocolo de dissecção

O protocolo de dissecção foi desenvolvido para padronizar e otimizar o processo de dissecção, garantindo um estudo mais rápido e eficiente dos caracteres morfológicos. O resultado da dissecção segundo o presente protocolo é um espécime íntegro, fonte de informações sobre estruturas e regiões corpóreas pouco estudadas, o que amplia a

compreensão morfológica do táxon, fornece informações para o levantamento de caracteres para estudos cladísticos e facilitando o entendimento das homologias.

O processo segue os seguintes passos.

O material é amolecido por imersão em água fervida com 5 gotas de detergente por 5 a 15 minutos dependendo do tamanho do espécime. O destacamento de estruturas e as incisões devem sempre ser feitos com o material amolecido, desta forma o processo de amolecimento pode ser retomado sempre que necessário.

Destaque o protórax+cabeça do pterotórax-abdômen. Destaque a cabeça do pronoto deixando o cérvix ligado ao protórax; faça uma incisão no contato cérvix-protórax e retire o cérvix (membrana e escleritos cervicais).

Na cabeça, destaque as maxilas aplicando uma força posterior- anterior no cardo, projetando a peça anteriormente. Repita o processo para as mandíbulas, aplicando a força na região proximal da estrutura.

Faça uma incisão no contato clípeo-labro e outra no contato gula-lábio; retire completamente a área pré-oral contendo o labro-epifaringe e o lábio-hipofaringe não destacados; faça uma incisão na área dorsal posterior da epifaringe, destacando o labro-epifaringe do lábio- hipofaringe. Faça incisões na sutura gular, iniciando o processo no pleurostômio e terminando no forâmen occipital, destancando a gula- pleurostômio da cabeça e expondo o tentório.

Nesse momento é possível estudar os forâmens anterior e posterior do protórax, região posterior do hipômero, dobra do prosterno e região do espiráculo mesotorácico. Faça uma incisão na região ventral da

membrana intersegmentar protórax-mesotórax, destacando a membrana contendo o interesternito e o espiráculo mesotorácico. Para completar esse processo faça uma incisão na base do braço da furca, destacando os três elementos em conjunto.

Faça uma pequena incisão circunscrevendo à cicatriz do pronoto utilizando apenas a ponta da lâmina do bisturi, evitando uma perfuração profunda; faça um movimento na direção ântero-posterior da perna (direção natural do movimento da coxa), isso para afrouxar o complexo muscular coxa-noto; destaque o contato com o pronoto da musculatura noto-coxa e noto-sintrocantim atrás dos forâmens do protórax. Destaque a perna pela cavidade coxal aplicando uma força na região interna da cavidade, forçando a coxa para a lateral externa; retire a perna juntamente com o sintrocantim e com o côndilo do hipômero, este último livre do noto pela incisão feita envolta da cicatriz. Faça uma incisão transversal na base da coxa (região escondida pela cavidade coxal); destaque a região articular da coxa-sintrocantim-hipômero.

Cole a cabeça e a perna destacada na posição original no protórax. Abra levemente o élitro esquerdo sem destaca-lo; aplique uma força na direção anterior-externa na face ventral do mesoescutelo

forçando o destacamento do mesoescuto-escutelo; no início desse processo, que pode ser interrompido e retomado de forma apropriada, faça uma incisão no contato élitro-mesotórax de forma que a pterália e o pós-alar permaneçam ligados ao élitro; finalize o processo destacando o élitro-pterália do mesoescuto-escutelo; atenção no final da retirada do mesoescuto-escutelo para que o esclerito mesopré-alar esquerdo seja destacado em conjunto com mesoescuto-escutelo; monte a pterália elitral de forma que esta seja preservada distendida após a desidratação,

tomando cuidado para não danificar a área membranosa. O estudo da pterália elitral é melhor executado, pelo menos em uma primeira

abordagem, antes de ser destacada da base elitral, uma vez que o padrão tridimensional é importante para a caracterização da região. Estude a região de contato protórax-pterotórax, dando atenção para região anterior do mesoventrito e mesopós-noto.

Distenda a asa membranosa esquerda e faça uma incisão circunscrevendo sua base de forma que a pterália seja destacada em conjunto com a asa; posicione a asa umedecida de forma totalmente distendida e destaque os escleritos da pterália; atenção para o

destacamento do Ax1 do processo alar anterior e do Ax2, pois a região do pescoço do Ax1 é delida e pode ser danificada; destaque o Ax1 do Ax2 introduzindo um estilete de alfinete 000 ou microalfinete entre a ponte distal do pescoço do Ax1 e a ponte proximal dorsal anterior do Ax2, forçando o estilete para a região posterior, liberando cuidadosamente as estruturas. Monte a asa distendida com a face ventral colada no cartão, posicionada de tal forma que a porção ventro-proximal fique livre para que possa ser estudada posteriormente (região ventral da HP, da

Destaque o episterno-epímero do meso- e do metatórax aplicando uma força na face interna das estruturas forçando-as externa e

ventralmente.

Retire o abdômen, fazendo uma incisão no contato tórax-tergito I e uma incisão entre as coxas e o abdômen. Estude o fragma II e III. Faça uma incisão perpendicular ao discrímen de forma a cortar a base do metendosternito; desprenda a musculatura ligada a esta última com auxílio de estilete e pinça através do forâmen anterior e do posterior do pterotórax; destaque o metendosternito.

No abdômen, afaste o pigídio do ventrito VI e faça uma incisão na membrana intersegmentar VIII–IX; com auxílio de um estilete e pinça afrouxe o tecido abdominal pelo forâmen anterior do abdômen; retire a terminália pelo forâmen. Para a terminália masculina, destaque o anel genital (espículo gastral e urosternito IX) da genitália. Macerar a genitália (masculina ou feminina) em solução 10% de KOH, verificando

periodicamente para determinar quando a estrutura estiver livre da musculatura e parte gordurosa; para remover a solução de KOH na genitália, faça imersão da estrutura em etanol absoluto. Para a genitália masculina, após a imerção em etanol, destaque o endofalo do tégmen (falobase+parâmeros). Acondicionar a genitália feminina ou o endofalo em microtubo com glicerina.

Cole o protórax+cabeça e o abdômen no pterotórax.

Ao final das dissecções, transfira as partes destacadas para etanol absoluto por 5 minutos; retire as peças e deixe-as secarem. Em um cartão de 10 pontas monte as peças bucais, gula-tentório, cérvix, coxa-

sintrocantim-côndilo do hipômero, pterália da asa membranosa, espículo gastral e genitália; em um segundo cartão retangular monte o élitro (expondo a superfície interna), asa membranosa, metendosternito, mesoescuto-escutelo, mesepisterno-epímero e metepisterno-epímero; as

três últimas devem ser coladas pela lateral, expondo tanto a face externa quanto a interna.

O procedimento descrito acima e a preservação das estruturas à seco demonstrou-se adequado para Scarabaeoidea em geral e poderá ser utilizado para outras famílias de Coleoptera, embora o protocolo possa ser, em parte, inadequado para famílias com espécies diminutas e delicadas, ou com redução de estruturas.

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