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Protocolo de Experimento

No documento ESTATÍSTICA EXPERIMENTAL (páginas 73-76)

1. INTRODUÇÃO

2.6. Protocolo de Experimento

O protocolo de experimento é a documentação escrita do plano do experimento. Sua elaboração é um elemento essencial que deve anteceder a condução do experimento. É a última oportunidade de uma reflexão completa antes de iniciar as ações; depois, toda a energia do pesquisador se concentrará na execução do plano e na solução dos problemas que possam entravar a execução.

Essa reflexão deve compreender uma revisão cuidadosa da lista de referência da

Seção 2.5, particularmente no que se refere aos seguintes aspectos principais:

- razão do empreendimento do experimento e do relacionamento do problema de pesquisa que o originou com o conhecimento existente sobre o tema;

- variáveis respostas, correspondentes procedimentos de mensuração e disponibilidade dos meios necessários para a mensuração;

- fatores experimentais, correspondentes níveis, combinações de níveis e tratamentos adicionais;

- chances de que o experimento permita as respostas às questões relacionadas com o problema de pesquisa;

- calendário da execução das ações e tarefas a executar; - tratamento, analise e interpretação dos dados;

- destinatários dos resultados;

- distribuição das tarefas e avaliação dos custos;

- colaboração interna e externa suscetíveis de enriquecer o experimento.

O protocolo do experimento deve compreender todas as informações relevantes referentes ao plano da pesquisa. Seu conteúdo depende da área de pesquisa particular. Em geral, ele deve compreender o seguinte:

- Referência - Indicação do programa, projeto e subprojeto, se for o caso, aos quais se vincula o experimento.

- Experimento (título) - Deve ser breve e claro e exprimir o propósito do experimento. Deve evitar-se idéias vagas e generalidades. Por exemplo, um título

apropriado poderá ser "Efeito da insolação sobre o brix no mosto de uva da cultivar Cabernet Franc" e não "Estudos sobre relações fisiológicas em uva".

- Problema de pesquisa - Deve ser expresso breve e claramente e satisfazer as condições estabelecidas para um problema científico, Seção 1.2.3. A formulação do problema de pesquisa deve explicitar a população objetivo e os correspondentes sistemas, e, conjuntamente com a hipótese de pesquisa, deve permitir a plena caracterização dos objetivos do experimento.

- Hipótese de pesquisa - Deve satisfazer as condições definidas para uma hipótese científica, Seção 1.2.3. Observe-se que a hipótese de pesquisa pode ser complexa, ou seja, pode compreender, de fato, duas ou mais hipóteses simples. Nesse caso, é conveniente que a hipótese seja descrita analiticamente, de modo a deixar explícitos os objetivos do experimento.

- Material e métodos - Sua descrição deve permitir a identificação plena das características explanatórias e das características estranhas da amostra. Sua descrição depende da área de pesquisa. Em geral, deve compreender os seguintes itens:

- Período de abrangência (início e fim);

- Locais e anos de execução - No caso de experimento de ampla abrangência, devem ser listados todos os anos e locais previstos para condução do experimento. No caso de envolvimento de instituições e pesquisadores colaboradores dos diversos locais, eles devem ser identificados. Instalações a serem utilizadas em cada local. No caso de experimento agrícola de campo, devem ser identificados, para cada local: latitude, altitude, condições climáticas, topografia, tipo de solo, etc.

- Variáveis respostas, correspondentes escalas de medida e processos de mensuração - Todas as variáveis respostas devem ser listadas e individualmente identificadas. No caso de variáveis intervalares ou racionais, devem ser claramente definidas os processos de mensuração, particularmente os instrumentos a serem utilizados, as escalas e unidades de medida e a precisão das medidas (números de algarismos decimais a serem registrados). No caso de variáveis nominais e ordinais, devem ser definidos os procedimentos e instrumentos de mensuração; as escalas de medida e os níveis (categorias) e os critérios a serem adotados devem ser claramente estabelecidos.

- Fatores experimentais, correspondentes níveis e tratamentos (ou seja, condições experimentais) - Para cada fator de tratamento, deve ser listado cada um dos níveis de modo completo; no caso de fator quantitativo, os valores quantitativos correspondentes aos níveis devem ser claramente especificados por unidade da amostra à qual deverão ser aplicados e por unidade convencional, tal como por hectare. Devem ser claramente identificadas as unidades da amostra às quais deverão ser aplicados os níveis de cada um dos fatores. No caso de esquema fatorial com tratamentos adicionais, esses tratamentos devem ser igualmente identificados. Fatores intrínsecos e correspondentes níveis também devem ser claramente caracterizados.

- Outros materiais - Listar e caracterizar materiais específicos que não constituem condições experimentais que deverão ser utilizados, tais como cultivares, adubos, inseticidas, fungicidas, herbicidas, vacinas, antibióticos e outros medicamentos, etc.

2. PESQUISA EXPERIMENTAL 65

- Caracterização da(s) unidade(s) (dimensões, número de animais ou plantas, croqui, etc.) - A unidade da amostra deve ser completamente caracterizada. No caso de experimento agrícola de campo, devem ser estabelecidas as dimensões das parcelas, forma de plantio (a lanço, em linha, etc.), densidade de plantio, número de plantas, bordaduras, distâncias entre parcelas, disposição das parcelas no campo. No caso de mais de uma categoria de unidade (a unidade pode variar com o fator), esse fato deve ser claramente estabelecido. Um croqui da(s) unidade(s) pode ser de alta valia para a melhor compreensão de sua caracterização. No caso de experimentos com animais, devem ser estabelecidas as unidades da amostra - animais individuais, grupos de animais em um potreiro, em um boxe.

- Técnicas experimentais a serem empregados e executados, e calendário de sua implementação - As técnicas experimentais compreendem o conjunto dos procedimentos e ações a serem executados durante a condução do experimento, desde sua instalação até a conclusão da mensuração das variáveis respostas e correspondente registro de dados. Por exemplo, tratamento de sementes, preparação do solo, capina, tratos culturais, tais como aplicação de inseticidas, fungicidas e herbicidas, manejo dos animais, tais como aplicação de antibióticos, vermífugos, vacinas e tosquia, e procedimentos para coleta e registro de dados. Devem ser listadas e descritas com detalhe suficiente para sua perfeita compreensão, com a especificação do cronograma para sua implementação.

- Delineamento experimental - Identificação do delineamento experimental adotado (para cada local e ano, no caso de experimento de ampla abrangência espacial e temporal). Muito freqüentemente, a identificação é procedida pela descrição técnica clássica usual na literatura sobre delineamento de experimentos. Essa forma pode ser apropriada para experimentos simples e tradicionais, como é muito freqüente com experimentos agrícolas de campo. Para experimentos mais complexos ou não usuais, é mais adequada e conveniente a caracterização do experimento por uma descrição detalhada do procedimento experimental. Os agrupamentos ou blocos formados por controle local devem ser claramente identificados.

- Covariáveis - São variáveis que representam características estranhas relevantes da amostra que deverão ser levadas em conta no modelo estatístico e na análise estatística dos resultados do experimento. A caracterização dessas variáveis deve cumprir os mesmos cuidados e procedimentos descritos para as variáveis respostas.

- Croqui ou diagrama que estabeleça a disposição espacial e temporal das unidades e correspondentes condições experimentais, separadamente para cada local e ano, no caso de experimentos de longa duração - No caso de experimento cujas unidades se dispõem espacialmente, um croqui do experimento, esboçando a disposição das parcelas e o arranjamento dos tratamentos nas parcelas é, em geral, muito útil para orientar a instalação e o acompanhamento do experimento. Se as unidades são animais individuais que não permanecerão em posição espacial fixa durante a condução do experimento, uma lista com a identificação dos animais e os correspondentes tratamentos assinalados é uma alternativa para o croqui.

- Caderneta de campo - Planilha para registro dos dados e de ocorrências relevantes durante a condução do experimento.

- Modelo estatístico e esquema dos procedimentos de análise estatística dos dados - O modelo estatístico deve expressar a estrutura do experimento; deve estabelecer

explicitamente a relação entre a variável resposta e as variáveis explanatórias (condições experimentais) e levar em conta as características estranhas envolvidas nessa relação. Pode ser expresso descritivamente ou por uma equação algébrica. Os procedimentos estatísticos previstos para a análise estatística dos resultados do experimento devem ser descritos de modo sumário.

- Meios e processos a serem adotados para a difusão dos resultados.

- Orçamento - Relação dos gastos necessários e previstos para a execução do experimento, tais como: aquisição de material, equipamento, mão de obra, viagens, manutenção, etc.

- Colaboradores e cooperadores - Identificação das pessoas e instituições que participam da pesquisa, contribuindo com recursos financeiros, instalações, materiais, equipamento e outras facilidades, etc.

- Responsável - Nome do profissional responsável pelo experimento.

Outras informações relevantes podem constar da documentação do projeto a que se vincula o experimento:

- Antecedentes e justificativa - Exposição sobre a origem do problema de pesquisa e sua importância, pesquisas já efetuadas relacionadas com a área do problema, resumo dos trabalhos mais de pesquisa importantes sobre o tema do experimento, com referências bibliográficas. Indicação da razão da execução do experimento.

- Objetivos e metas - Enumeração dos objetivos da pesquisa e metas a alcançar com a indicação dos respectivos prazos.

O protocolo deve ser ulteriormente complementado com a documentação referente às ocorrências relevantes durante a execução do experimento. A documentação do experimento deve ser estendida e completada, nas devidas épocas, com os dados gerados, os resultados das análises dos dados efetuadas e os relatórios e publicações elaborados para difusão dos resultados.

Essa documentação escrita propicia a preservação e a segurança do aproveitamento futuro das pesquisas efetuadas. Ela é especialmente importante para experimentos de ampla abrangência espacial e temporal. Também é relevante para permitir a utilização dos dados em pesquisas exploratórias para propósitos diferentes daqueles que originaram o experimento, para a detecção de problemas de pesquisa, a indicação de hipóteses e a avaliação dos progressos das pesquisas.

No documento ESTATÍSTICA EXPERIMENTAL (páginas 73-76)