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PROTOCOLO DOS PROGRAMAS DE EXERCÍCIO FÍSICO

ABREVIATURAS E SIGLAS/SÍMBOLOS

IV. APRESENTAÇÃO DE RESULTADOS

2. PROTOCOLO DOS PROGRAMAS DE EXERCÍCIO FÍSICO

Sabendo que não existem programas de EF ideais para a LI, decidimos por uma intervenção combinada, ou seja, iniciamos a primeira fase do estudo por aquele protocolo que nos pareceu mais apropriado ao nosso tipo de amostra sintomática e pelo potencial que o EF isométrico possui na resolução da LI aguda. Na segunda fase do estudo, optamos pelo protocolo de EF dinâmico no sentido de melhorar a força, hipertrofiar a musculatura abdominal e melhorar a performance de movimentos específicos, quer na atividade profissional, quer no dia-a-dia.

Neste sentido, atendendo a que, se por um lado, o EF isométrico (de estabilização profunda) parece ser aquele mais específico para a LI na redução da dor e aumento da CF (McGill, 1998) para além de ser frequentemente aconselhado dada a sua especificidade antiálgica (Campos, 2004; McKune et al., 2012), e se por outro lado, o EF dinâmico de recondicionamento muscular se afigura também como recomendado no tratamento da LI (Koumantakis et al., 2005), utilizamos no nosso estudo um programa de EF combinado com trabalho isométrico e trabalho dinâmico.

Atendendo à particularidade dos músculos do tronco, diferentes autores (Arokoski et al., 2004; McGill, 2007; Ripamonti et al., 2011) defendem que os músculos intervertebrais profundos que proporcionam estabilidade intersegmentar devem ser trabalhados em isometria (exemplo dos músculos multifídios, transverso abdominal e obliquo interno), enquanto os músculos mais superficiais do tronco, responsáveis pelo

movimento, devem ser desenvolvidos dinamicamente (exemplo dos músculos extensores do tronco e retos abdominais). A corroborar a nossa opção metodológica, estudos desenvolvidos por Koumantakis et al. (2005), referem que para se adquirir uma boa saúde lombar e condicionamento físico se deve utilizar os dois tipos de contração muscular.

A duração de 3 meses para cada protocolo foi considerada para uniformizar os diferentes programas de EF existentes. Assim, e de acordo com Pollock et al. (1989), quando se pretende aumento da funcionalidade e diminuição da dor lombar, em especial dos músculos extensores do tronco, são necessários pelo menos 2,5 a 3 meses de trabalho isométrico. No que se refere ao trabalho dinâmico, diferentes autores (Danneels et al., 2001; Leggett et al., 1999; Mooney et al., 1997) indicam que após 2 a 2,5 meses é possível alcançar benefícios na dor e funcionalidade lombar. Relativamente aos grupos musculares por nós treinados, pretendemos neste estudo comparar o efeito sobre o quadro clínico da LI após um programa de reforço dos músculos flexores vs. músculos extensores do tronco. Da literatura por nós consultada, os efeitos dos diferentes tipos de fortalecimento muscular antero-posterior do tronco aquando de LI não são consensuais. Enquanto a maioria dos estudos relatam a possibilidade da diminuição de dor lombar e aumento da funcionalidade com o fortalecimento dos extensores do tronco (American College of Sports Medicine, 2011; Arokoski et al., 2001; Chok et al., 1999; Lee et al., 1999), outros estudos, mais escassos, valorizam o fortalecimento dos músculos flexores do tronco para a mesma realidade clínica (Cailliet, 2001; Campos, 2004; McKune et al., 2012).

Assim sendo, e no sentido de dar mais um contributo para este certame acerca de qual o melhor programa de EF na LI, entendemos ser relevante perceber até que ponto o fortalecimento dos músculos abdominais é tão ou mais importante como o fortalecimento dos extensores do tronco proposto pela generalidade dos artigos por nós consultados. O nosso estudo contemplou programas trissemanais de EF domiciliário, adaptados a cada indivíduo e realizados em dias alternados, mas pressupondo uma supervisão regular quinzenal procurando sempre manter níveis elevados de adesão.

Embora houvesse preocupação da nossa parte em fazer esse controlo, é possível que este tipo de estudos requeira uma maior supervisão para se obterem maiores benefícios. Tendo por base o estudo de outros autores (Chok et al., 1999; McGill,

1998), os nossos programas de EF além de domiciliários, foram realizados com uma intensidade baixa a moderada com sessões trissemanais de aproximadamente 30 a 45 minutos. Fritz (2005) com menos uma sessão semanal (bissemanais) comparativamente ao nosso, mas utilizando protocolos com intensidade elevada, apresentaram resultados positivos após 3 meses de treino. Já Arokoski et al. (2004) num programa de EF domiciliário durante 3 meses e efetuado sem supervisão e motivação adicional, com unicamente 4 a 6 sessões ambulatórias de orientação, não conseguiram qualquer tipo de ganho na força muscular flexora ou extensora do tronco, assim como, os índices de Oswestry não conseguiram demonstrar diminuição da dor lombar nem aumentar a CF.

Assim sendo, o facto do programa de EF, com intensidade baixa a moderada, ter sido realizado no domicílio sem controlo direto de um especialista, poderá ter influenciado, de certo modo, os resultados no nosso estudo, particularmente no que se refere ao desempenho muscular. Por exemplo, quando observamos os resultados do estudo de Kuukkanen & Mälkiä (1996), verificamos valores mais elevados em termos de performance muscular no grupo que realizou o programa EF domiciliário orientado diretamente por um terapeuta.

De facto, reconhecemos que pelo facto de não conseguirmos supervisionar sempre a nossa amostra, perdemos alguma segurança não conseguindo estimar se o programa domiciliário de EF pré-estabelecido foi realizado na íntegra. Do ponto de vista metodológico e segundo diferentes autores (Chok et al., 1999; McGill, 1998), a frequência do nosso programa de EF de 2 a 3 vezes por semana e com a duração de 3 meses é considerada apropriada para produzir benefícios na dor e na CF de indivíduos com LI. Tal como observado noutros estudos (Campos, 2004; Norris, 1993), os exercícios implicados nos nossos protocolos de EF, seja de reforço dos músculos flexores seja dos músculos extensores do tronco, utilizaram unicamente o peso corporal manipulando as alavancas corporais no sentido da progressão do treino. Assim e tal como estabelecido noutros estudos (Chok et al., 1999; McGill, 2006), utilizamos uma progressão de 4 níveis na alteração das alavancas corporais através do posicionamento das mãos/membros superiores. A maioria dos estudos encontrados sobre o efeito dos programas de reforço muscular nos indivíduos com LI utilizam pesos ou equipamento específico, sendo mais escassos os estudos, como por exemplo, o de Sjölie & Ljunggren (2001) que, tal como o nosso, utilizaram programas

de progressão de força utilizando unicamente o peso corporal e suas alavancas na progressão dos mesmos.

Segundo Campos (2004), constata-se que em relação aos programas de EF para indivíduos com LI, em particular aqueles de reforço muscular da região abdominal, os protocolos de fortalecimento existentes são de tal forma discutíveis que ao longo dos anos têm aparecido inúmeras propostas. Para além desta ausência de uniformidade quanto à forma de sobrecarga (peso corporal vs. uso carga externa), parece não existir igualmente concordância quanto à intensidade, duração e frequência do tipo de EF a utilizar (Airaksinen et al., 2006; Carpenter & Nelson, 1999; Costa & Palma, 2005; Danneels et al., 2001; Gunnarsson et al., 2011; Leggett et al., 1999; McGill et al., 1999; van Poppel et al., 2000).

Assim, é possível que a conflitualidade de resultados nos diferentes estudos se relacione com a falta de uniformização dos protocolos de treino. Todavia, é igualmente importante considerar a falha na padronização quanto aos procedimentos de avaliação nesta conflitualidade de resultados, tornando, por vezes, difícil a interpretação e a discussão dos mesmos (Demoulin et al., 2006; Ripamonti et al., 2011).