Cartão Azul EU/ 1ª Alteração na Lei Nº23/2007
2013 - Relatório Internacional "Perceção, Observações e Desafios - Intenção de aumentar 15% a mobilidade
internacional de estudantes no país / Algumas Universidades-Institutos portugueses passaram a utilizar
o ENEM para recrutar estudantes brasileiros para a graduação.
2014 - Estatuto do Estudante Internacional 2015 – 2ª e 3ª Alterações na Lei Nº 23/2007
Elaboração própria Fontes: A3ES (2012); PORDATA (2016); DGES (2016); DGEEC (2016); Santos e Filho (2012), Alves
(2012); Fonseca, et al., (2015); Portaria nº 400, de 5 de abril; Lei nº 23/2007, de 4 de julho; Resolução do Conselho de Ministros n.º 74/2010; Decreto-Lei n.º 36/2014, de 10 de março; RTP (22/02/2013); Site Catraca Livre (14/11/2017); Lei nº 56/2015, de 23 de junho; Lei nº 63/2015, de 30 de junho.
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4.2.1. Em síntese: a internacionalização do ensino superior em Portugal
Verificou-se em Portugal que, a partir de Julho de 2007, houve uma maior facilidade na entrada de migrantes mais qualificados (ou como prefiro referir, “em vias de qualificação”). Isto aconteceu devido às transposições de algumas diretivas da União Europeia à Lei da Imigração neste país, mas também à criação de grupos, como o
Coimbra Group; e de sistemas, como o ISU; para além das medidas observadas no II
Plano de Integração de Imigrantes, direcionadas especificamente aos estudantes internacionais.
No entanto, grande parte dessas mudanças ocorreu num período em que, devido à crise económica mundial, e ao agravamento da situação económica em Portugal (a partir de 2008), os números da “emigração” e/ou da “fuga de cérebros” no país, passaram a ser os mais altos desde os anos 1960. (Peixoto, et al., 2016). De acordo com Gomes (2015), os dados disponibilizados pelo Observatório da Emigração em 2014 já davam conta de que, entre 2000/2001 e 2010/2011 a emigração portuguesa qualificada havia tido um aumento de 87,5%, Assim, importava atrair “cérebros” de outros países, que além de contribuírem para uma maior dinamização das instituições de ensino superior, também contribuiriam para o fortalecimento da economia portuguesa.
Em Outubro de 2016, durante a primeira cimeira da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), o Primeiro-Ministro de Portugal, António Costa, deixou clara a postura deste país na defesa da “liberdade de fixação de residência” no espaço da CPLP129. Neste sentido, considerando a Resolução do Conselho de Ministros nº 78/2016, de 17 de novembro (que passou a definir um conjunto de orientações gerais para a articulação da política de internacionalização do ensino superior e da ciência e tecnologia com as demais políticas públicas de internacionalização), o ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Manuel Heitor, também veio afirmar, durante uma discussão pública sobre a evolução da organização do sistema de Ciência & Tecnologia e de Ensino Superior, que o conhecimento não poderia mais dividir-se em nacional e internacional: “A nossa comunidade científica internacionalizou-se” e “precisa ter a capacidade de reter quadro qualificado”. Para tal, segundo este ministro,
129
JORNAL PÚBLICO (versão online). Primeiro-ministro propõe “liberdade de fixação de residência” na
CPLP. Disponível em: https://www.publico.pt/2016/10/30/politica/noticia/primeiroministro-propoe- liberdade-de-fixacao-de-residencia-na-cplp-1749354 Acedido em 30/10/2016
158 estava na hora de promover o “social engagement”, reforçando a participação empresarial e as parcerias internacionais, e deixando claras as motivações de ordem macroestrutural por parte de Portugal enquanto país de acolhimento.
Procurando integrar o compromisso assumido através da Resolução do Conselho de Ministros supracitada, em Janeiro de 2017 foi lançada uma “nova plataforma de
valorização e internacionalização do ensino superior, da ciência e da tecnologia, dedicada a estudantes, investigadores, empresas e instituições de ciência e tecnologia estrangeiras”, denominada “Study & Research in Portugal”130. Ainda em Julho 2017, uma quarta alteração à Lei nº 23/2007 (Lei nº 59/2017)131 veio facilitar a legalização de estrangeiros por meio de contrato, promessa de contrato de trabalho, ou por atividade profissional independente e, em 28 de agosto deste mesmo ano, uma quinta alteração a esta lei (Lei nº 102/2017)132, ao transpor, entre as diretivas da União Europeia, a 2016/801 (relativa às condições de entrada e de residência de nacionais de Estados terceiros para efeitos de investigação, de estudos, de formação, de voluntariado, de programas de intercâmbio de estudantes, de projetos educativos e de colocação au pair) acabou por “aproximar as legislações nacionais que regulam as condições de entrada e
de residência dos nacionais de países terceiros”, considerando que estes representavam
“uma reserva de pessoas altamente qualificadas, sendo especialmente procurados os
estudantes do ensino superior e os investigadores”, já que estes desempenhavam “um papel determinante na formação do principal ativo da União, o capital humano”; e,
assim, assegurariam “um crescimento inteligente, sustentável e inclusivo”133
.
4.2.2. A estrutura atual do ensino superior em Portugal
Segundo a Direção Geral do Ensino Superior (DGES), em 2005 foram dados os primeiros passos para a reforma do sistema de ensino superior em Portugal, com a introdução de um novo sistema de créditos (European Credit Transfer System - ECTS) para ciclos de estudo, mecanismos de mobilidade, suplemento ao diploma, entre outros,
130 DGES. Informação disponível em: http://www.dges.gov.pt/pt/noticia/study-and-research-portugal
Acedido em 30/08/2018.
131
LEI Nº59/2017, de 31 de julho. Disponível em: https://www.direitocomparado.pt/lei-de-imigracao Acedido em 04/08/2017.
132
LEI Nº 102/2017, de 28 de agosto. Diário da República, 1.ª série — N.º 165. Disponível em:
https://dre.pt/application/conteudo/108063583 Acedido em 12/09/2017.
133
DIRETIVA (UE) 2016/801, de 11 de maio. Disponível em: http://eur-lex.europa.eu/legal- content/PT/TXT/PDF/?uri=CELEX:32016L0801&from=PT Acedido em 12/09/2017.
159 de modo a implementar o Processo de Bolonha. A nova estrutura introduzida em 2006, e totalmente implementada no ano letivo de 2009/2010, foi, então, organizada em três ciclos de estudo134:
1) Licenciatura - Conferida pelas Instituições Universitárias (com 180 a 240 créditos e entre seis e oito semestres) e Politécnicos (com 180 créditos, ou excecionalmente 240, com duração normal de seis ou até sete a oito semestres).
2) Mestrado - Também conferido pelas Instituições Universitárias e Politécnicos (com 90 a 120 créditos e uma duração normal entre 3 e 4 semestres), sendo que no ensino universitário deve assegurar uma especialização de nível académico, e, no ensino politécnico, uma especialização de nível profissional. No ensino universitário o grau de mestre pode igualmente ser conferido após um ciclo de estudos integrado (com 300 a 360 créditos e uma duração normal entre 10 e 12 semestres).
3) Doutoramento - Conferido somente pelas Universidades e Institutos Universitários aos estudantes que tenham obtido aprovação nas unidades curriculares do curso de doutoramento, quando exista, e no ato público de defesa da tese.
Assim, o sistema de ensino superior em Portugal integra Universidades e Institutos Politécnicos, em instituições públicas (que incluem a Universidade Aberta e as IES militares e policiais), e privadas (que incluem as universidades católicas) (Fonseca e Encarnação, 2012).
De acordo com a Lei de Bases do Sistema Educativo português, o ensino superior universitário é mais orientado para a teoria, para a investigação, enquanto o ensino superior politécnico possui um caráter mais prático e vocacional (como os Institutos Federais no Brasil). Na prática, este último não poderia conferir o grau de Doutor, dar formação em algumas áreas do conhecimento (como medicina e direito), e possui uma maior prevalência de cursos de curta duração (os antigos bacharelatos) oferecidos, preferencialmente, às candidaturas de âmbito regional135. As instituições públicas, apesar de serem mantidas pelo Estado, não oferecem um ensino gratuito (como é no Brasil), mas antes coparticipado. As instituições privadas são mantidas por
134
DGES. Informação disponível em:
http://www.dges.mctes.pt/DGES/pt/Reconhecimento/NARICENIC/Ensino%20Superior/Sistema%20de% 20Ensino%20Superior%20Portugu%c3%aas Acedido em: 11/10/2016
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No entanto, em fevereiro de 2018, o Conselho de Ministros aprovou uma alteração do regime jurídico dos graus e diplomas do ensino superior, passando a permitir que os institutos politécnicos pudessem conferir graus de doutoramento.
160 empresas privadas ou cooperativas de ensino, e também por ordens religiosas ou filosóficas.
Mas se, por um lado, viu-se que o Governo português começou a investir em programas para atrair estudantes internacionais, e a introduzir algumas facilidade na lei de imigração, com o intuito de atrair e reter uma migração mais qualificada, por outro lado, o investimento nas Instituições de Ensino Superior no país, parecem não ter acompanhado esta mesma lógica.
Devido à crise que assolou Portugal, este país passou por um período de austeridade (2011-2014), onde a educação foi uma das áreas mais penalizadas. Os dados analisados em um ensaio publicado pelo jornal Observador, mostraram que, “entre 2011
e 2014, a educação perdeu 660 milhões de euros. Se o ponto de partida da comparação fosse 2010, ano em que um conjunto de medidas pontuais inflacionou o orçamento do Ministério da Educação, então o corte ultrapassa os 1000 milhões de euros. Um corte brutal aplicado um pouco por todo o sistema”136. A partir de 2015, o governo começou, sucessivamente, a aumentar os investimentos em educação. No entanto, em 2018, o orçamento de estado para a educação ainda era inferior ao orçamento de 2011, em 360 milhões de euros. Ou seja, segundo este jornal, “não houve uma completa reversão dos
cortes orçamentais na Educação – pelo contrário, a contenção orçamental na Educação foi apenas progressivamente suavizada. A austeridade perdura? Parece que sim.” Portanto, apesar do número de alunos matriculados no ensino superior português
ter aumentado de 103.638 (em 2014) para 113.927 (em 2017), o número de IES diminuiu de 295 (em 2014) para 286 (em 2017)137.
136
Jornal Observador (online). “O que mudou a geringonça no Orçamento da Educação?” Disponível em:
https://observador.pt/especiais/o-que-mudou-a-geringonca-no-orcamento-da-educacao/ Acedido em 11/09/2018.
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