Ba experaenc&a
A PROVA DISCURSIVA
Todos os vestibulares que listei no início deste livro cobra ram a prova discursiva, e confesso que o fato de existir esta modalidade de prova nunca significou algo amedrontador, pelo contrário, ao poder elaborar uma ideia, o candidato que conhece bem a matéria pode até; conseguir pontos que ficariam perdidos se a questão fosse objetiva.
Em uma prova objetiva, quando só resta ao aluno marcar uma das opções, mesmo que ele conheça a matéria, pode por um deslize no raciocínio enveredar por um caminho que terminará em uma opção erradá. São as famosas “pega- clinhas”. E, caindo na armadilha, nãõ há como obter pontos naquela questão.
Já a prova discursiva apresenta á possibilidade de desen volvimento do conhecimento do cándidato e, nesse ponto, quem conhece o assunto, mesmo que não seja 100%, pode demonstrar o que sabe e então conseguir extrair pontos de onde nada conseguiria se a questão fosse objetiva.
Um dos segredos para saber o que escrever em uma prova discursiva é inverter a ótica j da prova; passe para o
lado do examinador, da banca. O que ela quer de mim? O que
posso colocar nestas linhas, que pode chamar a atenção de que?n lê‘ para perceber que conheço o assunto jem análise? Toda questão
discursiva deve começar com esse raciocínio. Imagine aquelas entrevistas de emprego, em que o candidato sabe mais ou menos o que deve falar e o que não deve, ele sabe que se
A PROVA DISCURSIVA
corretamente nas uma entrevista de repente, de uma
for sincero demais em um ponto que não é esperado por quem o está entrevistando não agradará em nada e, no finai, receberá aquela clássica desculpa das empresas: não tem o perfil para o cargo. Incrível imaginar que sje ele soubesse atuar respostas, compreendendo as artimanhas de emprego e utilizando as palavras certas, de hora para outra, ele teria o perfil para o cargo, mesmo continuando a ser a mesma pessoa!
Em uma prova discursiva, o jogo é semelhante. Ninguém quer saber se você é doutor no assunto, se já leu todos os livros a respeito ou se dá aula exatamente dessa matéria. Nada disso vai adiantar se você não souber colocar no papel, de uma forma ordenada e objetiva, suas ideias, seu conhecimen to sobre aquele assunto. E é bem provável que alguém que saiba menos, mas que consiga se expressar melhor, conquiste mais pontos perante a banca.
A técnica que utilizo está diretamente relacionada ao méto do das fichas que;tanto abordamos neste trabalho. A primeira ação é ler a questão com calma duas vezes pelo menos. Se duas vezes não forem o suficiente para você perceber o que o examinador quér, leia de novo. Se na primeira leitura você acha que já percebeu o que ele quer, cuidado, mesmo nas discursivas pode ter pegadinha, leia novamente.
Ao compreender a intenção de quem pergunta, sua mente agora tem que se preparar para uma resposta que contenha pontos que serão; reconhecidos pela banca como luminosos no assunto. São as famosas PALAVRAS-CHAVE.
Visualize uma;ficha e insira naquele espaço em branco as palavras-chave relacionadas com o assuntq em foco; faça isso primeiro mentalmente, depois, no espaço destinado para o rascunho, escreva; essas palavras de uma forma solta. Não é recomendado que você elabore no rascunho o texto comple to de suas respostas todas as vezes que fòr responder a uma questão discursiva; isso pode prejudicar seu tempo de prova.
A técnica das palavras soltas possibilitará ao seu cérebro construir textos de ligação, como pontes que interligarão as principais ideias.
MANUAL DE UM CONCURSEIRO
Das palavras-chave colocadas no rascunho, perceba em um gradual crescente quais são as mais básicas para iniciar um discurso soj^re o assunto cobrado, e, aumentando o grau de refino, vá soltando as outras no decorrer do texto. Assim, o examinador perceberá que você conhece o tema desde seus princípios básicos, passando por ideias intermediárias e alcan çando aquele ponto , mais importante identificado na leitura dos comandos da questão.
Ainda no rascunho, inicie as frases que incluirão as pa lavras-chave, escreva de modo corrido, sem capricho, apenas possibilitando que você saiba a ideia que estará em curso. Não é necessário levar a frase até o final se você já sabe o que irá escrever quando for passar para o caderno de respostas, este é outro macete para não perder tanto tempo elaborando um lindo rascunho que não será lido por aquele que julgará seu conhecimento.
Elaborado o raciocínio e o esboço do texto no rascunho, comece a passar para o caderno de respostas. Escreva com calma, tomando o cuidado para não produzir períodos muito longos, com um encadeamento de ideias cansativo. Lembre- se de que o examinador está responsável pela leitura de sua prova e de outras trezentas que estarão na mesa ao lado. Depois de muito tempo lendo qualquer texto, a tendência normal é o cansaço, ainda mais se o assunto se repetir, como é o caso de respostas de provas de um concurso.
Então, tenha em mente que a concisão e a objetividade do texto são importantes, evite a embromação com palavras que servem apenas para aumentar o número de linhas de sua resposta. Se o examinador perceber que você está enro lando, inconscientemente já terá um olhar atravessado para sua prova, o que pode ser prejudicial inclusive para o que for escrito com coerência, que pode passar despercebido no meio de um texto que claramente tem o intuito de “encher
lingüiça”.
Outro detalhe interessante de uma resposta discursiva é a letra. Se a sua for feia ou de difícil entendimento, escreva em letra de forma: ABCDEFGHIJKLMNOPQRSTUVWXYZ.
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Se tem dúvida se a sua letra possui um desses dois defeitos, escreva um texto e pergunte para alguém o que achou da letra especificamente,-, não vale pai, mãe e irmão. Se não tiver ninguém para perguntar e ainda estiver em dúvida quanto à beleza ou legibilidade, escreva em letra de fôrma mesmo. O único prejuízo desse tipo de escrita é o maior tempo para concluir o texto, por isso vá treinando em casa essa maneira de escrever, copiando textos de livros ou realizando questões de provas discursivas passadas.
É importante também, ao concluir a resposta discursiva, reler o texto produzido e verificar se ficou faltando algum ponto importante a comentar. Se faltou, o único jeito é in serir mais um parágrafo para trazer esse ponto para os olhos do examinador. Este procedimento pode quebrar um pouco a harmonia do que foi escrito, dando a impressão de que o texto teve sua conclusão antes do parágrafo final, mas é a única opção para não deixar de fora um tema que certa mente aumentará a pontuação na questão.
Recomendo ainda, que, após a resolução de toda a prova, o candidato volte relendo todas as questões discursivas que fez, inclusive as perguntas. Este procedimento é útil porque tira o olhar relaxado que costumamos ter ao ler o mesmo texto várias vezes. Ao concluir a prova, outros assuntos já entraram e saíram da mente, permitindo que ela recuperasse um pouco da vivacidade comum no primeiro olhar sobre um texto. Neste momento, outros eyustes podem ser feitos, até mesmo de ordem gramatical 011 de ortografia, deixando-o
A REDAÇÃO
Semelhante a uma prova discursiva, a redação é o momen to de expor as ideias, mostrar no papèl como se organizam os assuntos na mente do candidatol O objetivo de qualquer redação é se fazer entender pelo examinador de forma clara e objetiva.
Todos os comentários apresentados no capítulo anterior se aplicam a este, no entanto, a estrutura de uma redação precisa de um maior rigor do que em uma resposta de prova discursiva. Além disso, recomendo que o leitor invista em um bom livro didático sobre redação. Aqui dou apenas uma visão geral do ponto de vista do aluno que sou, distante de um professor de português ou literatura, pessoas mais abalizadas para ensinar sobre o assunto.
A clássica regra “começo, meio e fim” é o princípio bási co da estrutura. Mas dizer isso é como água, o óbvio. Todo mundo sabe que é assim, e o que mais se vê são textos com “começos, meios e fins” incompreensíveis.
Organizando esta situação, vamos realmente dividir a redação em três partes, considerando cada uma como se fosse uma questão discursiva em separado. O objetivo do candidato agora é fazer uma boa resolução de cada uma dessas etapas.
Normalmente as redações devem ter o mínimo de 30 e máximo de 50 linhas. Neste modelo genérico, escrever 40 linhas está de bom tamanho, nem muito curto nem muito longo.
A REDAÇÃO
Um formato interessante é distribuir os parágrafos do seguinte modo:
° 1 para a abertura (o início); ° 4 para o desenvolvimento; e ° 1 para a conclusão.
Agora, transformemos tudo em número de linhas: • Abertura ~~ 5 linhas;
° Desenvolvimento - 6 linhas por parágrafo. Em 4 pará grafos, teremos 24 linhas;
° Conclusão 4- 6 linhas.
Somando as linhas acima, obtemos um total de 35. É claro que estamos apenas estimando um número razoável de linhas por parágrafos. Pode ser que o aluno queira colocar apenas 3 parágrafos em sua redação, 1 para abertura, 1 para o desenvolvimento e outro para a conclusão. Mas é bem pro vável que a ideia fique comprometida no desenvolvimento. Pode tom ar mais difícil a compreensão para o examinador; que tem outras “trocentas” redações para avaliar em sua mesa de trabalho.
A divisão em parágrafos torna mais limpa a ideia. A leitura é menos cansativa. Dá fôlego a quem lê. Portanto, já no rascunho, desenvolva uma visualização em parágrafos, com uma ideia central em cada um deles. Com a atenção também para não fazer parágrafos muito çurtos, com 2 linhas por exemplo. Pode demonstrar uma falta de complemento de ideias ou de ordem do texto.
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Crie imagens do que será a ideia central de cada pará grafo. Exatamente como fazemos na elaboração das fichas, em que recomendo uma ideia por ficha. Faça assim também