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PSYCHOPATHY CHECKLIST REVISED (PCL-R)

No documento Psicopatia (páginas 43-52)

Morana cita que a reincidência criminal para psicopatas é três vezes maior do que para presos comuns, e para crimes violentos esse número aumenta para quatro vezes mais. Se a maior preocupação da medida prisional não é somente punir, mas também ressocializar para evitar a reincidência, identificar os psicopatas se torna algo muito importante. Ainda segundo

a autora, as Comissões Técnicas de Classificação não tem treinamento suficiente para identificar um individuo psicopata, necessitando o sistema de uma avaliação especifica. Caso contrário, a concessão de benefícios como comutação da pena, indulto e etc...a esses presos sem uma instrução adequada, seria colocar em risco a sociedade.

Ana Beatris Barbosa Silva explica que o Psychopathy Checklist Revised foi desenvolvido pelo psiquiatra canadense Robert Hare em 1991, aplicado em diversos países como Nova Zelândia, Bélgica, Holanda, Dinamarca, Estados Unidos da América entre outros. Nos países em que se aplicou os teste e se separou os presos psicopatas dos demais, o indice de criminalidade diminuiu cerca de 1/3 (um terço). Morana relata em sua obra que o PCL-R não foi devidamente traduzido à nossa lingua, mas que a utilização do método é de muita importância. Tendo por base que a maioria dos juristas defendem a prisão dos presos que cometem crimes de extrema violência, as penas alternativas poderiam ser aplicadas aos presos que cometem crimes de penas mais brandas. Separar esses presos psicopatas não seria uma discriminação, mas, sim, um procedimento para não prejudicar os demais presos que se pretende aplicar a ressocialização. Defende a autora que o treinamento e aplicação do teste vai gerar custos financeiros, mas que os benefícios à longo prazo serão de grande retorno.

O teste, conforme relata Alvarenga, foi desenvolvido há cerca de 25 anos de estudo, é uma escala de pontos, tendo por base não somente as condutas anti-sociais, mas envolve características afetivas como mentira, frieza e manipulação; e da personalidade do examinado como tendência ao tédio, impulsividade e agressividade. É considerado para Morana como o melhor e mais preciso teste para psicopatas. Ele não classifica ninguém como psicopata, mas sim possíveis características que levam uma pessoa a ser um psicopata, tais como a reincidência criminal. O teste não é alterado devido a fatores como grau de instrução ou raça do examinado. É uma entrevista, que identifica traços psicopáticos através de um ponto de corte. São como relata Trindade (2011, p. 169-170), 20 itens para pontuar o examinado, sendo variáveis de uma escala de “0” até “2” pontos (0 = Não; 1 = Talvez; 2 = Sim). A pontuação varia de “0” à “40” pontos, sendo que a média para pessoas criminosas é de cerca de “25” pontos. Esse 25 vai ser chamado ponto de corte, definido então como que a partir dele o individuo tem características psicopatas. O ponto usado para definir a psicopatia é de “30” pontos, sendo que de “15” à “29” pode se considerar como presentes traços de psicopatia. São os 20 itens:

a) Loquacidade e charme superficial; b) Superestima;

c) Mentira patológica; d) Vigarice/manipulação;

e) Ausência de remorso ou culpa; f) Insensibilidade afetivo-emocional; g) Indiferença/falta de empatia;

h) Incapacidade de aceitar responsabilidade pelos seus próprios atos; i) Promiscuidade sexual;

Fator 2: j) Necessidade de estimulação/tendência ao tédio; k) Estilo de vida parasitário;

l) Descontroles comportamentais; m) Transtornos de conduta na infância;

n) Ausência de metas realistas e de longo prazo; o) Impulsividade;

p) Irresponsabilidade; q) Delinquência juvenil;

r) Revogação da liberdade condicional;

Sem fatores: s) Muitas relações sexuais de curta relação;

t) Versatilidade criminal; (TRINDADE, 2011).

Ainda, sobre o pensamento de Trindade, o fator 1 se relaciona com as características afetivas, enquanto o fator 2 se relaciona com as características comportamentais. As duas características sem fatores se relacionam de maneira avulsa, sendo que nas relações sexuais de curta duração podemos entender como relações conjugais de curta relação. Se a pontuação for maior no Fator 1, Morana diz que a reabilitação do preso é mais problemática. Já se o fator 2 apresentar os maiores índices, como são características comportamentais, esses indivíduos apresentam melhor aceitação de medicamentos. Mas em tese, o Fator Total é que vai definir se há ou não as características psicopatas. Hare (1991

apud Morana, 2003, p. 118) classifica como psicopatas, pessoas que atinjam 30 pontos ou mais em seu teste; entre 20 e 29 psicopatas moderados; e abaixo de 20 não psicopatas.

Morana cita em sua obra que o teste pode variar de acordo com algumas culturas. Nesse caso, ela dividiu sua escala em diferentes pontos da escala de Hare, de acordo com o Transtorno Parcial e Transtorno Geral de Personalidade. Dos 86 casos estudados, dividiram o total em 3 grupos distintos, para testar se o PCL-R iria apontar dados corretos, elencando a cada um o ponto de corte. No primeiro grupo foram classificados os que possuíam Transtorno Geral da Personalidade (possuem a conduta criminosa e ausência de sentimentos, nesse caso personalidades psicopatas), composto por 33 pessoas. A escala usada pela autora variava de 23 à 40 pontos. Restou uma mediana de 29,5 (entre 15 e 36,8 pontos). Do segundo grupo, de Transtorno Parcial de Personalidade (traços anormais de caráter/pessoas que tem tendências criminosas, mas possuem afetividade, tem capacidade de socialização), foram 23 pessoas examinadas, a classificação de Morana seria de 12 à 23, como Transtorno Parcial de Personalidade. Restou uma mediana de 18,1 (variável de 12 à 21,2). Já o terceiro grupo, composto por 30 pessoas não criminosas e sem antecedentes criminais. A escala usada seria de 0 à 12 como não criminoso, a mediana foi de 5,0 pontos (variáveis de 1 à 12,2 pontos). Logo, se conclui que os dados apresentados por Hare fecham com o teste aplicado, restando a conclusão da eficácia do mesmo. Para um melhor funcionamento o teste deveria ser aplicado à uma população carcerária distinta e de forma individual, sem qualquer classificação antecedente. O teste é de fácil aplicação mediante um treinamento breve, com eficiência a um longo prazo.

5 CONCLUSÃO

Ao final do estudo, concluímos que os psicopatas possuem várias diferenças dos demais presos, não podendo ter o mesmo tipo de tratamento penal aplicado a esses. Podemos chegar a essa conclusão pelas diferenças biológicas e comportamentais apresentadas no presente trabalho.

Quanto à legislação abordada, vimos que o texto legal não funciona na prática e que a possível ressocialização está longe de ser alcançada, ainda mais nos casos graves e sem cura como a psicopatia.

E, ainda, diante do exame pericial psiquiátrico, notamos que não é aplicado a todos os presos, e que no caso de presos psicopatas, muitos podem permanecer segregados e libertados posteriormente sem apresentar qualquer evidência clínica. Sobre o teste PCL-R, entendemos a sua eficácia, e que a aplicação no nosso regime prisional pode ser feita.

Portanto, temos a conclusão que a psicopatia trata-se de uma doença e que os métodos utilizados dentro do sistema prisional não são eficazes quanto deveriam.

REFERÊNCIAS

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distúrbio da personalidade antissocial. Disponível em:

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______. Constituicão Federal de 1937. Disponível

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______. Ato institucional nº14 de 1969. Disponível

em:<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/AIT/ait-14-69.htm 25/03/2014> Acesso em: 25 mar. 2014.

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LEITE, Arypson Silva. Impossibilidade constitucional de implantação da pena de morte no Brasil para os crimes comuns. Disponível

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MORANA, Hilda Clotilde Penteado. Identificação do ponto de corte para a escala PCL-R. São Paulo: São Paulo, 2003.

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<http://www1.tjrs.jus.br/site_php/consulta/consulta_processo.php?nome_comarca=Tribunal+ de+Justi%E7a&versao=&versao_fonetica=1&tipo=1&id_comarca=700&num_processo_mas k=70053376109&num_processo=70053376109&codEmenta=5129088> Acesso em: 16 abr. 2014.

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TABORDA, Jóse G.V. CHALUB, Miguel. ABDALLA-FILHO, Elias. Psiquiatria Forense. Porto Alegre: Artmed editora S.A. 2004.

TRINDADE, Jorge. Manual de psicologia jurídica para operadores do direito. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2011.

ANEXO A – Tabela DSM

Data Fonte Nomenclatura Descrição Percepção

social Prognóstico percebido 1952 DSM (APA- American Psychiatric Association) Transtorno Sociopático de Personalidade (Reação Antissocial, Reação Dissocial, Desvio Sexual e Vício) Apesar da influência Psicanalítica, está mais orientado a reconhecer as perspectivas

sociais como origem dos comportamentos criminosos Depreciativa Capacidade de recuperação muito pobre 1968 DSM-II Transtorno de Personalidade Antissocial (Dissocial e Sociopata saem da classificação)

Focado nos traços de personalidade do Psicopata Depreciativa Capacidade de recuperação muito pobre 1980 DSM-III Transtorno de Personalidade Antissocial

Ateórico. Violação crônica das

regras sociais: transtornos de conduta Depreciativa. Inclui a maioria dos ofensores Capacidade de recuperação muito pobre, mas os sintomas diminuem com a idade 1987 DSM-III-R Transtorno de Personalidade Antissocial Ateórico. Transtorno de Personalidade Antissocial Violação crônica das regras sociais: transtornos de conduta Depreciativa Inclui a maioria dos ofensores 1994 DSM-IV Transtorno de Personalidade Antissocial Ateórico. Focado em critérios categoriais/comportamentais Depreciativa e equiparada à condenação da justiça Capacidade de recuperação muito pobre, mas os sintomas diminuem com a idade 2000 DSM-IV- TR Transtorno de Personalidade Antissocial Ateórico. Focado em critérios categoriais/comportamentais Depreciativa e equiparada à Capacidade de recuperação

e

faz parte do subtipo Agressivo condenação da justiça muito pobre, mas os sintomas diminuem com a idade Fonte: Adaptado de Arrigo e Shipley (2001) com a permissão da SAGE Publications of

International Journal of Offender Therapy and Comparative Criminology e desenvolvido por

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