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Psicopatia

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Academic year: 2021

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UNIVERSIDADE DO SUL DE SANTA CATARINA RENAN DEMARCH

PSICOPATIA:

LEGISLAÇÃO E EXAME PERICIAL RELACIONADOS

Araranguá 2014

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RENAN DEMARCH

PSICOPATIA:

LEGISLAÇÃO E EXAME PERICIAL RELACIONADOS

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Curso de Graduação em Direito da Universidade do Sul de Santa Catarina, como requisito parcial à obtenção do título de Bacharel em Direito.

Orientadora: Enoir Noêmia Alexandrino

Araranguá 2014

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RENAN DEMARCH

PSICOPATIA:

LEGISLAÇÃO E EXAME PERICIAL RELACIONADOS

Este Trabalho de Conclusão de Curso foi julgado adequado à obtenção do título de Bacharel em Direito e aprovado em sua forma final pelo Curso de Graduação em Direito da Universidade do Sul de Santa Catarina.

Araranguá, 16 de junho de 2014.

______________________________________________________ Enoir Noêmia Alexandrino

Universidade do Sul de Santa Catarina

______________________________________________________ Prof. Elisângela Dandolini

Universidade do Sul de Santa Catarina

______________________________________________________ Prof. Rejane da Silva Johansson

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Dedico esta obra a todos que de alguma forma contribuíram para a elaboração desta.

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AGRADECIMENTOS

Agradeço primeiramente ao Universo e suas boas energias, por me permitirem concluir essa etapa da vida. Aos meus pais, que de maneira financeira e motivacional me ajudaram chegar até aqui. Aos meus professores pela bagagem intelectual transmitida. À minha orientadora Enoir Noêmia Alexandrino, sempre presente como professora e amiga. À professora Fátima Caldeira e a professora Valdirene Brüning, com o auxílio nesse trabalho. Aos meus colegas pelos anos de convivência no curso. Bem como terceiros que me auxiliaram na elaboração desta monografia.

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“[...] piedade, eu penso, será que a raça humana não sabe nada sobre piedade?” (Charles Bukowski).

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RESUMO

O presente trabalho tem como objetivo descrever a psicopatia, explicar de que forma a legislação se envolve com o assunto, bem como é realizada a perícia psiquiátrica e a prisão de pessoas que sofrem deste transtorno. Falamos sobre o indivíduo psicopata, seu comportamento e seu estado clínico. A Lei de Execução Penal e o sistema prisional para os psicopatas. Analisamos o exame psiquiátrico forense aplicado, e também as possíveis melhorias do sistema. Através de uma pesquisa em livros, com auxílio de artigos científicos da internet e demais trabalhos acadêmicos de alunos de mestrado e doutorado do curso de Direito e Medicina. Também contribuíram neste trabalho, profissionais da área de medicina, psicologia e profissionais do sistema prisional. Concluiu-se a diferença entre um psicopata e uma pessoa comum, de que forma diagnosticá-los, além do tratamento que os psicopatas levam no sistema prisional.

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ABSTRACT

Thecurrent work intends to describe psychopathy, explain in which way the legislation involves itself with the subject, as well as how is the psychiatric exam performed and how the arrest of people suffering of this particular derangement is conduced. We talked about the psychopath individual, its behavior and clinical state. Also about the Law of Sentence Execution and the prisional system for psychopaths. We analyzed the applied legal psychiatric state as well as possible improvements of the system. Through a book research, with auxiliary internet papers and further works of Law and Medicine post-graduation (master and doctor degrees) students. Also contributed in this work professionals in the field of medicine and psychology as well as prisional system’s professionals. It was concluded the difference between a psychopath and a regular person, how to diagnose them, and also about the treatment which the psychopaths receive in the prisional system.

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SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO... 10

2 A PSICOPATIA ... 11

2.1 A HISTÓRIA DA PSICOPATIA ... 11

2.2 CONCEITO DE PSICOPATIA ... 13

2.3 PSICOPATIA E SUAS DEMAIS CARACTERÍSTICAS ... 13

2.3.1 O que é consciência ... 13

2.3.2 Características sentimentais ... 16

2.3.3 Características de um comportamento transgressor (antissocial) ... 17

2.3.4 Função cerebral diferente ... 18

2.4 MENORES PSICOPATAS ... 20

2.5 IDADE PENAL ... 20

2.6 AUSÊNCIA DE TRATAMENTO ... 21

3 PUNIÇÕES E LEGISLAÇÃO ... 23

3.1 QUAIS AS PUNIÇÕES QUE PODEM SOFRER ... 23

3.1.1 Pena de morte e prisão perpétua ... 25

3.2 RESPONSABILIDADE PENAL ... 27

3.3 PRIMEIRA LEGISLAÇÃO SOBRE PSICOPATIA ... 29

3.4 DA SITUAÇÃO ATUAL, LEI DE EXECUÇÃO PENAL E A CTC ... 30

3.5 PROJETO DE LEI ... 33

4 INTRODUÇÃO SOBRE EXAME PERICIAL PSIQUIÁTRICO ... 35

4.1 RAZÕES PARA A ESCUSA ... 35

4.2 QUANTO AO PERITO ... 36

4.3 QUANTO AO ASSISTENTE TÉCNICO ... 37

4.4 QUANTO AOS HONORÁRIOS ... 38

4.5 DIFERENÇA ENTRE PERÍCIA CRIMINAL E PERÍCIA CÍVEL ... 38

4.6 ESPÉCIES DE AVALIAÇÕES ... 39

4.7 EXAME PSIQUIÁTRICO CLÍNICO ... 40

4.8 EXAME PSIQUIÁTRICO FORENSE ... 41

4.9 PSYCHOPATHY CHECKLIST REVISED (PCL-R) ... 42

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REFERÊNCIAS ... 47 ANEXO A – TABELA DSM ... 49

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1 INTRODUÇÃO

No sistema prisional brasileiro existem vários tipos de presos, e destes, uma parcela possui problemas mentais. A psicopatia é um desses problemas, no qual influencia na vida dos demais presos que convivem com os psicopatas, como também na sociedade quando esses são colocados em liberdade.

A nossa legislação não se manifesta sobre um exame psiquiátrico ou tratamento prisional especifico para pessoas que sofrem desse transtorno. Não sendo identificadas, essas pessoas se misturam aos demais presos, não havendo qualquer tentativa de reabilitação, ou um possível tratamento diferenciado.

Profissionais da área da Psiquiatria e do Direito defendem o tratamento diferenciado: o corte nas regalias do sistema prisional, como também uma avaliação pericial mais precisa e uniforme.

Diante dessa discussão, o presente trabalho tem por finalidade analisar o indivíduo psicopata, como estes se envolvem com a legislação, todos os tipos de tratamento e do exame pericial forense que é aplicado.

O método usado nesse trabalho foi o indutivo, descrevendo conclusões dos profissionais, bem como legislações, jurisprudências e doutrinas relacionadas.

No primeiro capítulo são abordadas as características físicas e comportamentais do psicopata. Já no segundo capítulo abordaremos a legislação relacionada e o funcionamento desta em prática. E no terceiro e último capitulo, o objeto de estudo é de como é feita a avaliação pericial psiquiátrica forense e as possíveis melhorias que podem ser feitas.

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2 A PSICOPATIA

2.1 A HISTÓRIA DA PSICOPATIA

Durante anos de estudos a psicopatia foi designada com várias teorias, sendo elas confrontadas ao longo do século XX e tendo uma visão mais padronizada a partir do final do século XX e do começo do século XXI.

Os primeiros estudos feitos para se descobrir a psicopatia partiram de pessoas que apresentavam insanidade mental, mas não apresentavam sintomas delirantes, deficiências ou até mesmo alucinantes. O primeiro conceito a surgir foi “manie sans delire”, servia para denominar estes pacientes que apresentavam insanidade mental, mas sem qualquer tipo de alucinação (MURRAY, 1997 apud MORANA, 2003).

Em 1822 Prichard apresentou o novo termo como “insanidade moral”, servia este para a primeira classificação de pacientes perversos. Na segunda metade do século XIX é que Lombroso relacionou as primeiras características morfológicas corporais nas pessoas que teriam propensão ao crime. Koch, em 1888 alegava que essas características perversas vinham da natureza congênita, considerando o autor não como doença, mas sim como predisposição genética (BERRIOS, 1996 apud MORANA, 2003).

Segundo Hilda Morana, Krapelin definiu em 1904 como “personalidades psicopáticas”, termo mais utilizado até os dias de hoje, definindo como pessoas que não são neuróticos, nem psicóticos. Neurose é quando o indivíduo é consciente mas apresenta perturbações nervosas e angustia. Já a psicose é a perda da realidade.

A mesma autora cita que para Schneider (1943) os psicopatas eram pessoas sem volição e com deficiência na afetividade emocional. Já STONE (1999) dizia que os psicopatas não entendiam os significados sociais, sofrendo logo de “demência semântica”.

Vários pesquisadores vieram estudando os psicopatas ao longo dos anos, sendo que o diagnóstico das personalidades anormais entrou em destaque com a criação da DSM-III (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, terceira edição) proposto pela Associação Americana de Psiquiatria ( APA). A organização Mundial da Saúde (OMS) criou a CID-10 (Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde) relatando os transtornos mentais e de comportamento. Mas o sistema da APA

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foi tão eficaz, que em 1992 ela reformulou todas as suas CIDs (gerando a CID-10). Usando então os dados da APA, bem como todos os novos diagnósticos da APA, como referência em todas as suas novas versões.

A Associação America de Psiquiatria surgiu em 1840. A partir de 1933 a APA começou a criar nomenclaturas para diagnosticar os transtornos mentais. De 1933 até 1949 as nomenclaturas passaram por diversas reformas, sendo a DSM publicada pela primeira vez em 1952.

A primeira DSM tratava da Sociopatia (Perturbação Sociopatica da Personalidade), critério este que mais se aproximava da Psicopatia. Era definida como:

indivíduos cronicamente anti-sociais que constantemente causavam problemas e seriam incapazes de aprender com os erros, com punições sociais e não seriam leais com pessoas, grupos ou normas. Eles eram frequentemente insensíveis, hedonistas, emocionalmente imaturos, irresponsáveis, com fraco juízo crítico e racionalização dos seus comportamentos” (ALVARENGA, et al, 2009, p. 3).

Nessa primeira DSM-I a descrição da APA classificava esse transtorno como influência do meio social apenas.

Com o surgimento da DSM-II em 1968, surge então o termo Transtorno da Personalidade Anti-Social (TPAS), citando os seguintes sintomas: ausência de culpa; egoísmo; ausência de socialização; impulsividade. Citavam ainda a insensibilidade apesar do indivíduo saber o que está fazendo e que os mesmos não aprendiam com a experiência de vida.

A DSM-III surge em 1980, com um número maior de doenças especificadas. O DSM-III foi revisado em 1987, passando a se chamar DSM-III-R, retirando do Transtorno de Personalidade a personalidade sádica e depressiva, pois não havia provas empíricas para isso.

Surge então em 1994 a DSM-IV. Continuou classificando as doenças por sintomas, mas agregou características de gênero, culturais, de idade e padrão familiar. Tratava o TPAS como:

um padrão invasivo de desrespeito e violação dos direitos dos outros, que inicia na infância ou começo da adolescência e continua na idade adulta. Este padrão também é conhecido como Psicopatia, Sociopatia ou Transtorno de Personalidade Dissocial (ALVARENGA, et al, 2009, p. 5).

O último Manual Diagnóstico e Estatístico de Doenças mentais lançado pela APA foi o DSM-IV-TR. A tabela em anexo mostra a evolução do TPAS pela APA.

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Os diagnósticos dos Transtornos de Personalidade DSM-IV-TR permaneceram os mesmos do DSM-IV, sendo a única mudança a classificação de 5 tipos de transtornos de personalidade: Desinibido; Apático; Lábil; Agressivo; e Paranoide.

2.2 CONCEITO DE PSICOPATIA

O Transtorno da Personalidade Anti-Social, mais conhecido como Psicopatia é um transtorno que altera o comportamento do indivíduo, de forma a se tornar anti-social, agressivo, não concordando com as regras de convívio em sociedade, o que leva a cometer os atos ilegais a nossa legislação. (MORANA, 2003).

Psicopatas não sentem remorso pelos seus atos, eles sabem que estão fazendo algo errado, mas convivem tranquilamente com a consciência. Diferentemente dos que não sofrem desse transtorno, em que a culpa os atormenta e traz desconforto a pessoa.

Os estudos mais atualizados mostram que a psicopatia está ligada a disfunções cerebrais, somadas a experiências traumáticas durante a vida, principalmente na infância.

Vamos entender as diferenças fisiológicas e as principais características comportamentais dos psicopatas nos próximos capítulos.

2.3 PSICOPATIA E SUAS DEMAIS CARACTERÍSTICAS

2.3.1 O que é consciência

Consciência pode ser interpretada como estar acordado ou então quem eu sou e o que eu faço no mundo. Esta última é a consciência que devemos analisar nesse trabalho. Estar consciente é raciocinar nossas ações mentais e físicas no dia à dia.

É um sentimento. Logo, comportar-se de maneira social aceitável, ter educação e se comportar exemplarmente não é algo consciente. Consciência é se colocar no lugar do outro, de maneira a pensar de forma ética, mas ao mesmo tempo de forma automática. Nos faz pensar sobre preconceito, impunidade, desrespeito a vida social.

Os psicopatas não têm essa consciência, que nos faz ter responsabilidade ética, tornando nossas relações sociais melhores. Os psicopatas não sentem remorso ou culpa sobre

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seus atos, a mentira não os traz um sentimento negativo. Eles são desprovidos dos julgamentos internos e constrangimentos que cercam uma pessoa normal. Por pensarem dessa maneira alguns autores chamam os psicopatas de sociopatas. Já outros que acreditam que não somente os fatores psicológicos, mas também os genéticos influenciam no comportamento deles, os chamam de psicopatas. A Organização Mundial da Saúde prefere Transtorno de Personalidade Dissocial. Usaremos “psicopata” nessa obra afim de facilitar o uso da palavra.

Além da ausência de consciência os psicopatas são frios e calculistas, são ao mesmo tempo sedutores e dissimulados. Por não terem remorso eles não medem esforços para passar por cima dos outros em beneficio próprio. Além se serem violentos e agressivos.

Vivemos em uma sociedade competitiva, com valores financeiros em evidencia, o que leva as pessoas a quererem tirar vantagens umas das outras. Isso não torna alguém psicopata, porque sabemos a diferença entre o certo e o errado, e o remorso vai aparecer caso a conduta tomada seja inaceitável. Essa consciência “pesada” é o que diferencia uma pessoa normal de um psicopata.

Os psicopatas sabem que estão infringindo regras sociais, sabem que suas condutas são erradas, mas como eles têm deficiência no campo dos afetos e emoções não geram nenhum tipo de sentimento negativo em relação a isso. Para eles tanto faz passar por cima de alguém para conseguir seus objetivos, mesmo que essa pessoa seja íntima, mesmo que participe do seu convívio. Ser psicopata significa violar as regras sociais sem qualquer limite emocional, muitos deles usam meios cruéis e violentos. Seu gênio maquiavélico faz com que seus crimes sejam inteligentes e competentes.

Os crimes dos psicopatas não são somente os de Serial Killer como ouvimos falar, existem psicopatas estupradores, estelionatários, espancadores de esposas, etc. A psiquiatra Ana Beatriz Barbosa Silva cita:

existem muito mais psicopatas que não matam do que aqueles que chegam à desumanidade máxima de cometer um homicídio... (SILVA,2010, p. 45).

Eles são considerados psicopatas não pelo fato de ter a mente fria para cometer tais crimes, mas pela ausência da consciência, o que os torna ainda mais assustadores. Possuem um poder hipnotizante, dominando as pessoas mental e psicologicamente, inventam histórias e nos tornam seus admiradores. Os psicopatas usam desse poder encantador, usando sua simpatia e confiança prestada para iludir as pessoas. Dessa forma, a partir do momento

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que conseguem o que querem, quando não matam suas vítimas, eles somem, desaparecem sem deixar rastros, deixando a vítima adoecida e vazia. Tudo isso sem consciência alguma.

A Classificação Americana de Transtornos Mentais cita que cerca de 3% dos homens e 1% das mulheres apresenta o transtorno de personalidade antissocial ou psicopatia. Este número pode parecer pequeno, mas se pensarmos em 1000 pessoas, ao menos 30 delas são psicopatas, o que é alarmante. Essa taxa aumenta quando falamos no sistema penitenciário, porém uma pequena parcela dos presos são de psicopatas mais graves, que cometem crimes cruéis. Segundo Ana Beatriz Barbosa Silva:

Quase 96% das pessoas são consideradas possuidoras de uma base razoável de decência e responsabilidade...para um padrão considerado pró-social(a favor das boas relações), nosso mundo deveria estar aproximadamente 96% a salvo, ou pelo menos, mais humano ou consciente. (SILVA, 2010, p. 60-61).

Seria positivo este dado se a evolução da humanidade não caminhasse contra isto. Mesmo que os psicopatas estejam em menor número eles causam um nível de destruição muito grande, temos que pensar na “cultura da esperteza”, onde a sociedade está distorcendo os valores morais para tentar se dar melhor financeiramente. Isso vem tornando o mundo um lugar ainda mais fértil para os psicopatas. Pessoas normais não matam, estupram ou torturam outras pessoas de maneira fria ou calculista. Mas essa cultura que está sendo criada para sempre pensar em si mesmo, tentar alcançar os objetivos a qualquer custo, é como um fertilizante para os psicopatas.

Pessoas ditas “do bem” e dotadas de uma consciência genuína são incapazes de pensar em atos cruéis. São capazes apenas de acreditar em “falhas humanas”, que ao nos depararmos com situações bizarras, podemos cometer algum delito como matar alguém por exemplo.

Saber se alguém é confiável pode levar muito tempo. Normalmente pessoas psicopatas tendem a maquiar suas histórias de vida, de modo que todo seu passado seja sempre mudado. Esse passado oculto faz parte da tentativa de manipular a vítima. As vezes a própria convivência vai mostrando o tipo de pessoas com qual estamos nos relacionando, mas esta descoberta pode muitas vezes levar muito tempo.

O “jogo da pena” também é usado pelos psicopatas. Eles usam do nosso sentimento mais nobre e solidário pois funciona muito melhor que o medo, nos tornamos ainda mais vulneráveis emocionalmente. Nos sentimos inseguros em não ajudar, nossa consciência entra em ação e eles se aproveitam disso. Pessoas que usam de jogos maldosos e

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encenações não são necessariamente psicopatas, mas são pessoas suspeitas que devem ser evitadas. Os psicopatas não usam regras sociais, mas sabem usar dos sentimentos dos outros para conseguirem o que querem.

2.3.2 Características sentimentais

Os psicopatas falam muito bem, sedutores, costumam ter conversas divertidas e agradáveis. Procuram sempre falar sobre diversas áreas afim de impressionar, contando algumas histórias que nos parecem até pouco prováveis. Por ter a facilidade de dominar vários assuntos, eles falam sobre poesias, literaturas, arte e até mesmo áreas especializadas como medicina. O que importa é impressionar a vítima. Toda essa tentativa de dominar vários assuntos faz com que eles sejam superficiais, e quando testados profundamente sobre determinada área que ele alega dominar acabam se entregando. Mas não pense que eles se tornam tímidos ou ficam sem jeito. Ao contrário, mudam de assunto ou então dão uma resposta totalmente controversa à pergunta. Normalmente esse tipo de psicopata é encontrado no mercado de trabalho, com currículos de emprego falso.

Ser egocêntrico é outra característica dos psicopatas, para eles o mundo gira ao redor dele. São sempre vistos como arrogantes pelo fato de se sentirem superiores aos outros, o que lhes dá o direito de pensar que as regras impostas não devem ser cumpridas.

Empatia é quando se respeita os sentimentos dos outros, coisa que um psicopata não faz. Para eles as pessoas são como objetos, usadas para alcançar seus objetivos, para alcançar o seu prazer. Pessoas sensíveis são vistas como fracas para os psicopatas. Quanto aos seus parentes a ausência de empatia também é presente, para eles mulher, filhos, mãe, são meros objetos, a relação não é de afeto, mas sim de possessividade.

A mentira “branca” é considerada saudável para o meio social. Com ela evitamos situações embaraçosas, ocultamos comentários desagradáveis como dizer que uma amiga não está feia, ou até mesmo para evitar maiores explicações. Este tipo de mentira é normal e aceitável sobre as condutas humanas. Mas esse tipo de mentira é bem diferente da mentira contada por um psicopata. Para o psicopata a mentira é algo do cotidiano, é como se fosse um instrumento de trabalho, trabalho de enganar e iludir os outros. Essa mentira sempre é acompanhada de expressões, gestos, onde são muito bem elaboradas e não são desmascaradas.

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O psicopata não sabe diferenciar os seus sentimentos, é capaz de confundir excitação sexual com sentimento por exemplo. Psiquiatras afirmam que os psicopatas sentem a proto-emoção, que seria como uma resposta às necessidades imediatas. Para eles as sensações de nervosismo, tensão muscular, mãos suadas não são desagradáveis. Sentir medo é um sentimento primário e essencial para a sobrevivência, mas isso é diferente nos psicopatas. O medo e suas respostas físicas no corpo humano é superficial e incompleto. Cenas como ver crianças sendo torturadas para os psicopatas pode nem sequer ter um aumento nos batimentos cardíacos. Ana Beatriz Barbosa Silva diz:

Diferentemente das pessoas comuns, os psicopatas apresentam atividade cerebral reduzida nas estruturas relacionadas às emoções em geral. Em contrapartida, revelam aumento de atividade nas regiões responsáveis pela cognição (capacidade de racionalizar). Assim, pode-se concluir que os psicopatas são muito mais racionais do que emocionais.(SILVA, 2010, p. 90).

Logo, eles sabem as conseqüências de suas atitudes, mas não dão importância a isso.

2.3.3 Características de um comportamento transgressor (antissocial)

Os psicopatas são impulsivos pelo fato de buscar a satisfação pessoal de maneira rápida. Buscam obter o que desejam sem pensar no futuro, desta forma são capazes de cometer um crime por querer alguma coisa fútil. Outra característica que os afeta é a deficiência de autocontrole. Pessoas normais apesar de estarem com raiva podem ter pensamentos de agressão por exemplo, mas o autocontrole as permite segurar a situação. Já os psicopatas tem uma falha nesse autocontrole, sendo que a partir do momento que pensam algo, não há controle, colocando essas ações em prática. São conhecidos pelo “pavio-curto”, respondendo violentamente às frustrações ou até mesmo críticas. Mas por apresentarem ausência de sentimentos, quando atingem o seu limite máximo, voltam a ter calma e tranqüilidade, como se nada tivesse acontecido.

Excitação é outra necessidade dos psicopatas. Um psicopata não consegue ter uma vida regrada e cheia de rotina. Necessita trocar de vida o tempo todo, trocar de emprego, de lugar onde mora. E todas essas mudanças devem envolver novas mentiras, atos ilegais, agressões e etc. Tudo que os excite é realizado, independentemente de ser ilegal ou não. A ausência de responsabilidade também faz parte da vida deles. O psicopata nunca respeita as

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responsabilidades de emprego, não estamos falando em responsabilidade de prazos, mas sim de compromissos a serem honrados, de regras éticas que a empresa exige. Um psicopata facilmente arma um plano para retirar um colega de trabalho da empresa só para subir de cargo. A falta de responsabilidade também se estende a família. Quando formam uma família pouco se importam com os filhos, com a mulher, são como objetos. Falam um discurso e tem outras atitudes. Podem até exercer ciúmes, mas é puro sentimento de posse. Devemos destacar que outros criminosos apresentam essas características transgressoras, mas somente os psicopatas tem ausência de culpa ou remorso.

2.3.4 Função cerebral diferente

O ser humano sabe quando está fazendo algo errado ou algo certo, este é nosso senso moral. Até pouco tempo atrás se acreditava que o senso moral vinha das relações entre pessoas, que a partir de determinada cultura, as pessoas estavam condicionadas a agir e pensar no que é certo e no que é errado. Segunda Ana Beatriz Barbosa Silva, os mais novos estudos indicam que o nosso senso moral está na nossa carga genética, que adquirimos essa capacidade pela seleção natural. Segunda ela:

as instruções necessárias para produção de um cérebro capacitado para distinguir o certo do errado já vêm com certificado de fábrica, ou seja, elas estão no DNA de cada um de nós. (SILVA, 2010, p. 173).

Ela afirma ainda exemplos do reino animal, onde um macaco estava trancado em uma jaula sem conseguir comida, enquanto outro observava do lado de fora. A única maneira de ele se alimentar seria o outro macaco abrir a jaula através de uma alavanca. O macaco sempre abria para o outro se alimentar, mesmo não recebendo nenhuma recompensa. Logo, o senso moral que não está presente nos psicopatas é uma explicação de ausência na carga genética, no cérebro. Isto explica porque em um mundo competitivo e de sobrevivência como o reino animal, e não somente os mais fortes, sobreviveram.Seria a teoria da mente, onde um ser identifica outro com a vida cerebral idêntica, se coloca no lugar dos outros iguais e se identifica como igual. Já a teoria do cérebro social foi desenvolvida a partir do momento em que testes com o aparelho de ressonância magnética funcional (RMf) detectaram que a partir do momento em que o ser humano desenvolve algum ato solidário, algumas regiões do cérebro são ativadas, refletindo o “eu sei como você se sente”. Outro teste realizado foi com

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pares de pessoas, onde um sentia um tipo de choque na frente do outro e foram se intercalando. A partir do momento que o outro parceiro iria receber o choque, a região do cérebro do que não ia receber o choque também se ativava. Tudo isto é genético, mas não podemos esquecer que fatores culturais também podem variar esse tipo de sentido do nosso organismo, como terroristas da Al-Qaeda que matam por possuírem outra fé. Como exemplo analises estratégicas para determinada atividade, podemos deixar de ser éticos para atingir tal objetivo, sabendo que o adversário não sofrera um grande trauma. Nos psicopatas somente a estratégia é ativada, esquecendo de ativar as regiões de afeto do organismo.

Os psicopatas apresentam uma desconexão cerebral quando falamos de sentimentos. Não são psicopatas porque foram mal educados. Nós, seres humanos, ditos normais apresentamos um equilíbrio entre comportamento de razão e comportamentos de emoção. Nossas emoções como raiva, medo, são formadas no sistema límbico. É no sistema límbico que se encontra a amígdala, região responsável pelas emoções como raciocínio, planejamento e adequado comportamento social. Ana Beatriz Barbosa Silva explica:

A principal região envolvida nos processos racionais é o lobo pré-frontal (região da testa): uma parte dele (córtex dorsolateral pré-frontal) está associada as ações cotidianas do tipo utilitárias, como decorar um numero de telefone ou objetos. A outra parte (córtex medial pré-frontal) recebe maior influencia do sistema límbico, definindo de forma significativa as ações tomadas nos campos pessoais e sociais. (2010, p. 183).

O nosso comportamento social e as nossas decisões são definidos pela razão (lobos pré-frontais) e a emoção presente no sistema límbico. Isso explica a história de Phineas Gage. Gage era um trabalhador de uma estrada de ferro, que após sofrer uma lesão na parte do córtex pré-frontal em 1848, continuou com sua memória e sem nenhuma seqüela. Após o acidente, acabou mudando de comportamento, mudando sua personalidade de trabalhador tranqüilo, para uma pessoas agressiva, que se envolvia em várias brigas. Tornou-se alcoólatra e começou a aplicar pequenos golpes financeiros. Depois do caso de Gage vários pesquisadores começaram a estudar as funções cerebrais quando se referia a comportamentos sociais irregulares. Os novos estudos usam de neuro imagens para tentar detectar a psicopatia. O que se descobriu até agora é que psicopatas apresentam uma grande excitação na amígdala e no lobo frontal quando visualizam atos ilegais ou perversos. Seria essa a explicação para serem tão frios, sem emoção e ao mesmo tempo, calculistas. Os psicopatas, literalmente, sentem pouco e pensam muito. Mas não somente as funções cerebrais são responsáveis pelo

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comportamento psicopático. Uma boa educação e um meio social favorável podem diminuir a intensidade desse desvio. Podemos alegar que o meio em que o psicopata vive ou viveu, somados com as disfunções neurológicas é que o torna um psicopata.

2.4 MENORES PSICOPATAS

Crianças sempre nos transmitem pureza, inocência, a ponto de nos espantarmos com crimes cometidos por pessoas que nem à adolescencia chegaram. Como já citamos nessa obra crianças também podem apresentar sintomas psicopáticos. Eles são psicopatas, só que ainda não cresceram a ponto de nos provocar medo. Temos como exemplo o caso do menino James Bulger, que com apenas dois anos de idade foi torturado, abusado e espancado até a morte com paus e pedras por dois jovens na Grã-Bretanha, ambos com 10 anos de idade. Algumas crianças psicopatas são conhecidas pelas agressões em animais de estimação, ou uso da violência exagerada. A explicação seria a natureza, fria e psicopática. Mesmo que o meio social ajude a ter uma boa educação social, algumas crianças já apresentam ausência de culpa ou algum tipo de remorso quando fazem algo ilícito. Antes dos 18 anos de idade os menores não são chamados de psicopatas, por nomenclatura diz que são pessoas sofredores de Transtorno de Conduta. As características são as mesmas de um psicopata como mentiras freqüentes, maltrato à animais de estimação, frieza emocional, dificuldade em ficar em casa mesmo que em período noturno, dificuldades em manter amizades, uso de álcool precocemente, assim como desenvolvimento da sexualidade, etc. Se uma criança apresentar esses sintomas do Transtorno de Conduta os pais devem segundo Ana Beatriz Barbosa Silva, procurar um profissional especializado, além de limites e regras comportamentais mais exigentes, cobrando objetivos para resultados positivos.

2.5 IDADE PENAL

A idade penal e a idade psicológica entram em confronto, pois psicólogos e especialistas da área defendem que uma mente imatura não pode ser julgada por um crime como uma mente madura. Os legisladores e até uma parte da população exige que a idade penal seja reduzida, alegando que apesar dos cérebros serem imaturos, as crianças ou jovens infratores têm a ciência de que estão fazendo algo errado. Durante a adolescência o cérebro

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ainda não está totalmente formado, sofrendo muitas transformações biofísicas. Destas transformações os jovens apresentam um comportamento explosivo e impulsivo. Os próprios psiquiatras negam a realizar o diagnósticos de psicopatia antes dos 18 anos. Alguns países julgam a sua maioridade penal através das seguintes idades:

Austrália e Suiça – 7 anos; Equador – 12 anos; Dinamarca, Finlândia e Noruega – 15 anos; Argentina, Chile e Cuba – 16 anos; Polônia – 17 anos; Colômbia, Luxemburgo e Brasil – 18anos; Estados Unidos da America – Em alguns estados, a paritr dos 6 anos de idade. Cabe ao juiz decidir se o jovem infrator deverá ser julgado como adulto ou não; Inglaterra – desde 1967 não tem idade mínima preestabelecida. Uma criança de 10 anos (oumenos) pode ser julgada como adulto, dependendo da gravidade do crime e de acordo com os costumes do próprio país.(SILVA, 2010, p. 162).

A própria Organização das Nações Unidas (ONU) recomenda através da Unicef que a maioridade penal seja definida entre 7 e 18 anos. É impossível determinar uma idade padrão para todas as pessoas porque os cérebros de todas as pessoas são diferentes, não sendo possível saber quando uma pessoas não é mais uma criança sem discernimento entre o certo e o errado, e quando é um adulto ciente e responsável. No Brasil a maioridade penal é atingida aos 18 anos, sendo, o jovem responsável totalmente por seus atos. Os jovens entre 12 e 17 anos quando comentem delitos sofrem medidas socioeducativas, e os menores de 12 anos respondem por seus atos através de seus responsáveis, por meio de medidas de proteção, não sofrendo nenhuma punição direta. No caso do menino James Bulger, se os jovens morassem no Brasil nos dias de hoje certamente não seriam punidos. Já outra corrente de especialistas defendem uma outra tese. Cientistas do Canadá, dos estados Unidos da America, Inglaterra etc...através de estudos descobriram que crianças que apresentam características para ser um psicopata apresentam funções cerebrais como psicopatas adultos, inclusive os riscos de incidência criminal. Jovens que cometem delitos e cumprem pena na Fundação Casa , por exemplo, saem de lá com a ficha limpa. Esse menor que tem um perfil da psicopatia, aos 18 anos se cometer novo crime é julgado como réu primário. É a lei favorecendo novos crimes para esse tipo de pessoa.

2.6 AUSÊNCIA DE TRATAMENTO

Não existe nenhum tratamento eficaz para a psicopatia. Segundo Trindade, as medicações indicadas para os transtornos da personalidade são os inibidores de recaptação de serotonina (fluoxetina e congêneres). São os que melhor apresentam um resultado, capazes de

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diminuir a impulsividade e a agressividade. Quanto aos medicamentos que diminuem a produção de testosterona, influenciam nas perversões sexuais diminuindo o libido. Alguns sedativos como os benzodiazepínicos podem impulsionar a agressividade e um comportamento descontrolado. As psicoterapias são consideradas falhas para esse tipo de pessoas, essas são usadas para pessoas que tem algum tipo de sofrimento, mas no caso dos psicopatas eles não têm sofrimento. É essa ausência de sofrimento que impossibilita o tratamento. Ana Beatriz Barbosa Silva diz que os psiquiatras não se arriscam a tentar tratar um psicopata, e aqueles que tentam, têm uma resposta frustrada. Os psicopatas não sentem falta de um amparo psicológico, são autossuficientes e egocêntricos. Para eles o que os profissionais tentam curar ou tratar é logicamente seu objeto de prazer. Os psicopatas que procuram os psicólogos e psiquiatras tem pressão da família ou então estão tentando conseguir um laudo técnico para algum proveito. Não podemos nos enganar com a tentativa de um tratamento. Não há o que se curar. Eles não se sentem mal com suas condutas. Resta apenas tentar tratar as vítimas dessas pessoas. A única afirmação é de que estudos comprovam que a psicopatia é um problema crônico, e que pode se tornar menos evidente a partir dos 40 anos de idade.

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3 PUNIÇÕES E LEGISLAÇÃO

3.1 QUAIS AS PUNIÇÕES QUE PODEM SOFRER

Existem alguns países como Estados Unidos, Alemanha e Suécia que aplicam a chamada castração química. Nesse tipo de tratamento o preso recebe doses do hormônio feminino. Assim ele diminui a produção de hormônio masculino, perde a ereção, diminui o libido e também diminui a agressividade. É usado para crimes que envolvem abusos sexuais, como pedofilia e também estupro. Tal prática é estritamente proibida no Brasil, pois fere o principio da Dignidade da Pessoa Humana, e também no Art. 5º da CF inciso III:

Art. 5º [...]

III - ninguém será submetido à tortura nem a tratamento desumano ou degradante.” (BRASIL, CF, 2014).

A medida de segurança também é outra medida alternativa. Mas, nesse caso o individuo permanece em tratamento enquanto apresentar os sintomas de doença psicológica. Rege o Art. 96 do Código Penal:

As medidas de segurança são: I - Internação em hospital de custódia e tratamento psiquiátrico ou, à falta, em outro estabelecimento adequado; II - sujeição a tratamento ambulatorial. Parágrafo único - Extinta a punibilidade, não se impõe medida de segurança nem subsiste a que tenha sido imposta. (BRASIL, CP, 2014).

No caso do inciso nº I o paciente é internado em um hospital de custodia quando cometer crimes de reclusão ou então em alguns casos detenção, levando em conta a gravidade. Já no caso do inciso II os pacientes fazem tratamento em um hospital ou local determinado, onde fazem tratamento psiquiátrico. Esse segundo caso é aplicado para os pacientes de menor gravidade. As pericias de avaliações são anuais, no entanto os psicopatas conseguem com seu gênio manipulador enganar até mesmo profissionais especializados da área da saúde, conseguem assim facilmente a liberdade. Essa pratica funciona apenas em Lei, sendo que somente são encaminhados ao hospital de custodia e fazem tratamentos psicológicos os pacientes mais graves e que tem surtos. Os demais continuam nos presídios e

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tomam medicações impostas pelos médicos, como os psicopatas que são considerados semi-imputáveis (informação verbal).1

A pena restritiva de liberdade é a pena aplicada à maioria dos presos brasileiros. Os psicopatas nesse caso, por não terem uma avaliação especifica acabam sofrendo a mesma sanção. A medida prisional é, a nosso ver, uma medida punitiva e também restritiva. Serve para punir o individuo que cometeu algum delito, e que não venha delinquir novamente, e restritiva a ponto de restringir direitos, direito esse que seria a liberdade, impossibilitando a ele cometer novos delitos enquanto estiver em uma cela.

Esse tipo de punição imposta pelo Estado não afeta um psicopata. Para ele quando está em uma cela é apenas um momento de neutralidade, que o impede de cometer novos delitos. A partir do momento que ele sair daquela situação, ele estará novamente livre para cometer novos crimes. Esse tipo de pena faz com que eles tenham um tratamento ineficaz. Por não ser a reclusão uma medida que pune diretamente o psicopata, ela apenas se torna uma medida que impede o psicopata de praticar novos delitos enquanto está preso. Não há nenhum tipo de sentimento que possa desenvolver a ressocialização do psicopata estando preso por determinado tempo. Ao contrário do que se pensa, a restrição a liberdade pode acumular sua raiva, que somada a sua impulsividade, pode aumentar ainda mais as chances de novos delitos com a saída do presídio. O “castigo” não ajudará na progressão social do psicopata, pois são pessoas incorrigíveis, podendo até mesmo fingir que as medidas em prol sócio-educativo estão funcionando. Mas, ao saírem de suas celas novos delitos irão acontecer. Sua dificuldade em obedecer regras sociais, juntando com a sua impulsividade dificulta a volta à sociedade. Para isso seria necessário um acompanhamento continuado, podendo ser feito com tornozeleiras eletrônicas segundo Banha (2013) sugere. A Lei de Execução Penal (LEP) permite o uso destas, nos seguintes artigos:

Art. 146-B. O juiz poderá definir a fiscalização por meio da monitoração eletrônica quando:

[...]

II - autorizar a saída temporária no regime semi-aberto; [...]

IV - determinar a prisão domiciliar; (BRASIL, LEP, 2014)

1

( Informação fornecida pelo enfermeiro Jean Assunção que trabalha no Presídio Regional de Araranguá-SC. No dia 20 de março de 2014.)

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Poderia se incluir o uso destas quando o preso é psicopata. E mesmo assim o risco de cometer novos crimes ainda continuaria. Para Banha (2013, apud Christian Costa, 2008), os presos psicopatas deveriam estar em cadeias especificas, com tratamento médico e psiquiátrico especializados. Deveriam estar em celas separadas sempre, e longe um dos outros, de forma a nunca ter contato um com o outro. Seria essa uma maneira também de evitar as organizações criminosas.

Os psicopatas são, segundo Morana (2003) os grandes responsáveis pelas organizações criminosas dentro e fora do presídio. Sua imensa capacidade de raciocínio lhes dá a oportunidade de controlar grandes grupos. São verdadeiros chefes fora e também dentro dos presídios. Presos que devem ser separados dos demais, tanto pela periculosidade de cometer novos crimes sem um acompanhamento especial, quanto pela influencia que eles podem ter dentro da penitenciaria.

3.1.1 Pena de morte e prisão perpétua

A pena de morte foi extinta das punições desde a Constituição Republicana de 1889. No entanto em 1937, com a criação do Estado Novo a pena de morte foi novamente autorizada por lei:

Art 122 - A Constituição assegura aos brasileiros e estrangeiros residentes no País o direito à liberdade, à segurança individual e à propriedade, nos termos seguintes: 13) Não haverá penas corpóreas perpétuas.As penas estabelecidas ou agravadas na lei nova não se aplicam aos fatos anteriores. Além dos casos previstos na legislação militar para o tempo de guerra, a pena de morte será aplicada nos seguintes crimes: a) tentar submeter o território da Nação ou parte dele à soberania de Estado estrangeiro; b) atentar, com auxilio ou subsidio de Estado estrangeiro ou organização de caráter internacional, contra a unidade da Nação, procurando desmembrar o território sujeito à sua soberania; c) tentar por meio de movimento armado o desmembramento do território nacional, desde que para reprimi-lo se torne necessário proceder a operações de guerra; d) tentar, com auxilio ou subsidio de Estado estrangeiro ou organização de caráter internacional, a mudança da ordem política ou social estabelecida na Constituição; e) tentar subverter por meios violentos a ordem política e social, com o fim de apoderar-se do Estado para o estabelecimento da ditadura de uma classe social; f) a insurreição armada contra os Poderes do Estado, assim considerada ainda que as armas se encontrem em depósito; g) praticar atos destinados a provocar a guerra civil, se esta sobrevém em virtude deles; h) atentar contra a segurança do Estado praticando devastação, saque, incêndio, depredação ou quaisquer atos destinados a suscitar terror; i) atentar contra a vida, a incolumidade ou a liberdade do Presidente da República; j) o homicídio cometido por motivo fútil ou com extremos de perversidade. (BRASIL, Constituição de 1937).

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Também voltou a pena de morte durante o Ato Institucional nº 5 (AI-5), que durou de 1964 até 1978. Previa uma alteração na Constituição do Brasil, em seu Art. 150 § 11:

Não haverá pena de morte, de prisão perpétua, de banimento, ou confisco, salvo nos casos de guerra externa psicológica adversa, ou revolucionária ou subversiva nos termos que a lei determinar. Esta disporá também, sobre o perdimento de bens por danos causados ao Erário, ou no caso de enriquecimento ilícito no exercício de cargo, função ou emprego na Administração Pública, Direta ou Indireta. (BRASIL, AI-5, 1964).

Somente com a Consituição Federal de 1988 é que ficou vetado novamente a condenação com pena de morte no Brasil. Em seu Art. 5º, inciso XLVII, alínea “a”, fica totalmente vetado a pena de morte para civis, sendo essa somente autorizada em caso de guerra declarada. (BRASIL, CF, 2014).

A declaração de guerra fica de responsabilidade do Presidente da Republica, autorizado pelo Congresso Nacional:

Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da República: XIX - declarar guerra, no caso de agressão estrangeira, autorizado pelo Congresso Nacional ou referendado por ele, quando ocorrida no intervalo das sessões legislativas, e, nas mesmas condições, decretar, total ou parcialmente, a mobilização nacional. (BRASIL, CF, 2014).

Segundo Leite (2014) o Código Penal Militar prevê também pena de morte para os crimes de traição, favorecimento de inimigo, etc. ...para crimes praticados durante tempos de Guerra.

O Art. 5º da CF/88, inciso XLVII, alínea “a” prevê: [...]

LVII - não haverá penas:

a) de morte, salvo em caso de guerra declarada, nos termos do art. 84, XIX; (BRASIL, CF, 2014)

Os direitos e garantias individuais estão elencados no Art. 5º da CF de 1988. Sendo que estes direito são protegidos por serem cláusulas pétreas, no Artigo 60, § 4º, inciso IV:

Art. 60 - A Constituição poderá ser emendada mediante proposta: [...]

§ 4º - Não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a abolir: [...]

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Leite (2014) cita como cláusulas pétreas “aquelas cuja matéria o Constituinte Originário gravou como impossíveis de serem abolidas por meio de emenda constitucional [...]”

Logo, temos a noção que a pena de morte é inconstitucional, por estar elencada no Art. 5º da CF/88 a sua proibição. Considerada assim como direito e garantia individual, não podendo ser emendada por causa do Art. 60, § 4º, inciso IV.

No que tange à prisão perpetua, esta também está elencada no Art. 5º da CF/88, inciso XLVII, alínea “b”:

Art. 5º:

XLVII – não haverá penas: [...]

b) de caráter perpétuo. (BRASIL, 2014).

Então, é também um direito e garantia individual, não podendo ser alterado ou emendado por conta do Artigo 60, § 4º, inciso IV da CF/88. Portanto, a prisão perpétua também é proibida no Brasil.

Mas temos que saber diferenciar prisão perpétua, da prisão de caráter perpétuo. O artigo anterior menciona pena de caráter perpétuo. Pena perpétua segundo Gustavo Romário (2014) é a prisão por tempo indeterminado. Enquanto a prisão de caráter perpétuo é quando ocorre que a pena é tão grande, que o condenado só sairá da prisão morto.

Para então determinar qual o limite de uma prisão, o Art. 75 do Código Penal, através da Lei 7.209/84 especificou:

Art. 75 - O tempo de cumprimento das penas privativas de liberdade não pode ser superior a 30 (trinta) anos.

§ 1º - Quando o agente for condenado a penas privativas de liberdade cuja soma seja superior a 30 (trinta) anos, devem elas ser unificadas para atender ao limite máximo deste artigo. (BRASIL, CP, 2014).

Entendemos, então, que um preso pode ficar no máximo 30 anos na prisão, e se os crimes que ele cometer somarem mais do que 30 anos, essa deve ser a pena máxima a ser cumprida.

3.2 RESPONSABILIDADE PENAL

O critério usado para responsabilizar uma pessoa por seu crime pode ser biológico, psicológico ou biopsicológico. No que concerne ao aspecto biológico, indica a

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possível existência de um transtorno mental. Já o psicológico é para saber se o individuo tem totalmente capacidade de determinação. Noronha (2001 apud Serafim, 2012, p. 99) afirma que “a responsabilidade penal refere-se à obrigação que alguém tem de arcar com as conseqüências jurídicas do crime.” Dependendo da imputabilidade que o individuo tem, ele pode ser ou não responsabilizado por seus atos, tendo que arcar com as conseqüências penais resultantes, ou simplesmente, sofrer um tratamento psiquiátrico. Imputabilidade é a capacidade que uma pessoa tem de entender o ato que está cometendo, nesse caso o crime. Inimputabilidade nesse caso é quando a pessoa não tem total capacidade de entender o ato gerador do ato ilícito. É totalmente incapaz de entender que a sua ação é ilícita.

Fuhrer (2000 apud SERAFIM. 2012, p. 99) cita os três critérios que caracterizam a inimputabilidade:

a)Biológico: O indivíduo não tem capacidade de autodeterminação. Possui uma mentalidade deficiente, tanto uma deficiência mental completa, como também um desenvolvimento mental retardado, incompleto.

b)Psicológico: Nesse caso a inimputabilidade ocorre quando o individuo no momento do crime era privado de compreender a ilicitude do ato. Não possuindo necessariamente uma doença mental.

c)Biopsicológico: Nesse caso mescla a deficiência mental do causador do crime, não tendo ainda uma capacidade compreensiva de entender a ilicitude do ato.

Nosso Código Penal usa para indicar a responsabilização de uma pessoa o critério biopsicológico. Ainda permite ele a condição de semi-imputabilidade, onde a capacidade de autodeterminação é diminuída. No tempo do crime o agente é parcialmente incapaz de entender a ilicitude. A semi-imputabilidade é definida por psiquiatras como a psicopatia por exemplo, onde o individuo sabe que está cometendo um crime, mas por sua ausência sentimental, é incapaz de entender o sofrimento que o ato pode gerar. Segundo Serafim (2012) o Código Penal cita a diferenciação:

Art. 26 - É isento de pena o agente que, por doença mental ou desenvolvimento mental incompleto ou retardado, era, ao tempo da ação ou da omissão, inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento. Parágrafo único - A pena pode ser reduzida de um a dois terços, se o agente, em virtude de perturbação de saúde mental ou por desenvolvimento mental incompleto ou retardado não era inteiramente capaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento. (BRASIL, CP, 2014).

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Segundo ele, a doença mental citada no caput compreende a incapacidade total do entendimento do agente do crime. Já a perturbação da saúde metal do parágrafo único refere-se a incapacidade parcial. Essas são pessoas que tem discernimento para compreender o ato, mas a impulsividade e ausência de sentimentos , nessa ultima presente nos psicopatas, é o que define a psicopatia no Código Penal. Com psiquiatras e psicólogos afirmando que psicopatas devem ter um tratamento mais especifico, seria uma brecha na lei classificá-los como pessoas com perturbação da saúde mental, e nesse caso reduzir a pena de a dois terços. Pessoas ainda mais perigosas, impulsivas, que têm uma maior capacidade de reincidência criminal, com uma punibilidade menor do que a dos presos comuns.

3.3 PRIMEIRA LEGISLAÇÃO SOBRE PSICOPATIA

A primeira citação sobre psicopatia nas leis brasileiras foi o Decreto N. 24.559 de 3 de Julho de 1934 que está em anexo. Nele estavam previstas um tratamento psiquiátrico para os psicopatas, dividindo de acordo com a avaliação médica os que precisariam de internação ou não. Os regimes seriam divididos em aberto, fechado e misto. Incluiam também o tratamento para toxicômanos A internação poderia ser solicitada pelos familiares ou pelo próprio estado. Se dava por ordem judicial, mas quando solicitada por autoridade policial deveria ter um exame psicológico para sua comprovação. Embora o texto legal seja pequeno, era visto que pacientes psicopatas eram considerados doentes mentais. O que a lei previa era também uma proteção dos bens, não podendo psicopatas administrarem seus bens. O psicopata deveria permanecer 90 dias internado, caso a “doença mental” não se curasse, os bens seriam provisoriamente de acordo com o Art. 27 .§ 1º do decreto citado, administrados por pessoas elencadas no Art. 454 do Código Civil de 1916. Seriam elas:

Art. 454. O cônjuge, não separado judicialmente, é, de direito, curador do outro, quando interdito (art. 455).§ 1º - Na falta do cônjuge, é curador legítimo o pai; na falta deste, a mãe; e, na desta, o descendente maior.§ 2o - Entre os descendentes, os mais próximos precedem aos mais remotos, e, dentre os do mesmo grau, os varões às mulheres.§ 3o Na falta das pessoas mencionadas, compete ao juiz a escolha do curador. (BRASIL, CC, 1916).

Em uma sentença seria definido então quem ficaria com a guarda e a administração dos bens em definitivo, caso se passassem os noventa dias e o diagnostico de psicopatia permanecesse. Sendo a decisão sobre a guarda dos bens da escolha do juiz, não

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sendo superior a dois anos esta decisão. Caso decorridos os dois anos e o “doença mental” permanecesse, seria intimado o Ministério Público para fazer a devida interdição.

Com a evolução sobre o diagnostico de psicopatia, poderíamos falar em um tratamento diferenciado nos dias de hoje, mas completamente diferente da situação de 1934, pois não se tratam de doentes mentais com surtos ou demência mental, mas sim de pessoas frias e com uma capacidade de raciocínio bem desenvolvida.

3.4 DA SITUAÇÃO ATUAL, LEI DE EXECUÇÃO PENAL E A CTC

A lei de Execução Penal (Lei 7.210/84) é clara no seu art. 3º quanto a não diferenciação dos presos por natureza racial, social, religiosa ou política. Mas permite em seu Art. 5º a diferenciação dos presos por seus antecedentes e sua personalidade:

Art. 5º Os condenados serão classificados, segundo os seus antecedentes e personalidade, para orientar a individualização da execução penal. (BRASIL, LEP, 2014).

No que tange a personalidade se aplica no caso dos psicopatas pela diferença que eles apresentam dos demais presos, diferenças não somente comportamentais, como também genéticas. No que tange aos antecedentes podemos também classificar os psicopatas, já que como não existe tratamento para esse tipo de transtorno, os mesmos voltam a cometer crimes, alguns até de maior periculosidade.

Indica ainda a lei em seu Art. 88 que o condenado deverá ser separado em cela individual, tendo está que conter lavatório, aparelho sanitário e dormitório. Tudo isso em uma área mínima de 6 metros quadrados. Se isso já se faz necessário a um preso sem qualquer tipo de transtorno psicológico, não seria diferente com pacientes que sofrem algum tipo de transtorno psicológico. Além da estrutura também o tratamento médico psiquiátrico. Todos os presos devem ser encaminhados a um Centro de Observação, onde deve ser feitos exames gerais e exames psicológicos segundo o Art. 97 da mesma lei:

Art. 97. O Centro de Observação será instalado em unidade autônoma ou em anexo a estabelecimento penal. (BRASIL, LEP, 2014).

Esse centro deve ser instalado em uma unidade autônoma ou em um estabelecimento em anexo ao presídio, e faz todo os tipos de exames criminológicos necessários. Esses dados devem ser encaminhados à Comissão Técnica de Classificação. Essa

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Comissão Técnica deverá ser formada por 2 chefes de serviço, 1 psiquiatra, 1 psicologo, e 1 assistente social. Se essa comissão determinar que o paciente possui algum tipo de transtorno psicológico, o art. 99 desta lei exige que ele seja encaminhado ao Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico. Nesse hospital ficarão todos os presos considerados inimputáveis (que não podem ser responsabilizados por suas ações) e os semi-inumputáveis (que é temporariamente incapaz ou não tem a plena consciência). Fala sobre esses o Art. 26 do Código Penal:

Art. 26 - É isento de pena o agente que, por doença mental ou desenvolvimento mental incompleto ou retardado, era, ao tempo da ação ou da omissão, inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento. Parágrafo único - A pena pode ser reduzida de um a dois terços, se o agente, em virtude de perturbação de saúde mental ou por desenvolvimento mental incompleto ou retardado não era inteiramente capaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento.(BRASIL, CP, 2014).

Segundo Hilda Morana (2003), as CTCs não são devidamente treinadas para passar um diagnóstico preciso, sendo que eles realizam apenas exames criminológicos para a concessão dos benefícios. Esses benefícios não são somente a liberdade condicional como também a comutação da pena. Especifíca o art. 8 da Lei 7.210:

Art. 8º O condenado ao cumprimento de pena privativa de liberdade, em regime fechado, será submetido a exame criminológico para a obtenção dos elementos necessários a uma adequada classificação e com vistas à individualização da execução. Parágrafo único. Ao exame de que trata este artigo poderá ser submetido o condenado ao cumprimento da pena privativa de liberdade em regime semi-aberto.(BRASIL, LEP, 2014).

No Brasil o Departamento Penitenciário Nacional (DEPEN), divulgou dados em 2003 que 82% dos presos brasileiros são reincidentes. Um dado que ajuda a esclarecer o quanto as CTCs são ineficientes. Hilda Morana diz:

é preciso estudar a personalidade do agente criminoso para poder dizer quem, entre eles, tem a maior probabilidade de reincidência criminal considerando que simples medidas categorizadas de comportamento não são avaliadores eficientes [...] a avaliação da personalidade a fim de o grau no qual os criminosos apresentam tendencias como a falta de controle dos impulsos e insensibilidade afetiva, que são as características de pior prognóstico, entre os sujeitos com características anti-sociais de personalidade. (MORANA, 2003, p. 7).

Os psicopatas enganam facilmente a CTC. Seu raciocínio e sua ótima capacidade de atuar podem facilmente enganar um profissional da área da psicologia, ou até um psiquiatra. Eles podem muito bem fingir que estão ressocializados, podendo fingir por um

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bom tempo, ou somente na consulta com a CTC. Basta um momento para eles voltarem ao normal.

Nesse caso deveriam também ter uma avaliação específica, pois diferentemente dos pacientes que entram em surto, como os esquizofrênicos por exemplo, os psicopatas podem passar por uma avaliação comum apenas como pessoas frias.

Apesar da lei especificar como deve funcionar o sistema, ela é uma lei morta. No caso do estado de Santa Catarina, os presos ao chegar no presídio passam por uma avaliação médica comum. Se entram em surto são encaminhados a um hospital. Voltando ao seu estado normal, são novamente encaminhados ao presídio. E se os surtos se repetirem, daí então são encaminhados ao Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico (HCTP). Os presos, agora pacientes psiquiátricos ficam por alguns meses no HCTP. Caso melhorem voltam novamente para o presídio da cidade de onde vieram. No caso dos psicopatas onde não se tem conhecimento de surtos, eles se misturam aos presos comuns e conseguem regalias como qualquer outra pessoa( informação verbal)2.

O Tribunal de Justiça tem reconhecido a psicopatia em algumas de suas decisões, no que tange a progressão de regime temos esta jurisprudência do Tribunal de Justiça de Santa Catarina:

RECURSO DE AGRAVO. EXECUÇÃO PENAL. IRRESIGNAÇÃO CONTRA DECISÃO QUE INDEFERIU O PEDIDO DE PROGRESSÃO DE REGIME DO FECHADO PARA O SEMIABERTO. REQUISITO OBJETO. AUSÊNCIA DE ANÁLISE PELO JUÍZO A QUO. EXAME POR ESTE JUÍZO AD QUEM QUE IMPORTARIA EM SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. NÃO CONHECIMENTO NO PONTO. Não sendo apreciado o requisito objetivo na decisão agravada, não cabe, nesse momento, o conhecimento e análise do pedido neste Tribunal de Justiça, sob pena de incidir em supressão de instância. REQUISITO SUBJETIVO. NÃO PREENCHIMENTO. PARECER DA COMISSÃO TÉCNICA, RELATÓRIO SOCIAL E LAUDO PSIQUIÁTRICO DESFAVORÁVEIS. INTELIGÊNCIA DO ART. 112 DA LEI N. 7.201/84. DECISÃO MANTIDA. Não preenche o pressuposto subjetivo o apenado que não apresenta uma perspectiva de melhorar sua vida, assim como possui características de psicopatia e pedofilia, evidenciando um alto risco de reincidência criminal. RECURSO PARCIALMENTE CONHECIDO E, NA PARTE CONHECIDA, NÃO PROVIDO. (SANTA CATARINA, TJSC, 2014).

Com o diagnóstico no laudo pericial é possível evitar a progressão do regime, ou até mesmo evitar a liberdade de um psicopata, como cita esta jurisprudência do Tribunal de

2

( Informação fornecida pelo enfermeiro Jean Assunção que trabalha no Presídio Regional de Araranguá-SC. No dia 20 de março de 2014.)

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Justiça do Rio Grande do Sul:

Ementa: HABEAS CORPUS. ECA. ATO INFRACIONAL GRAVE. ROUBO. MANUTENÇÃO DA INTERNAÇÃO PROVISÓRIA. INTELIGÊNCIA DO CAPUT DO ART. 108 DA LEI Nº 8.069/90. PRECEDENTES. DECISÃO POR ATO DA RELATORA. Não há ilegalidade na medida segregatória aplicada ao adolescente, considerando a gravidade do ato infracional que lhe é imputado, havendo nos autos fortes indícios acerca da sua autoria e materialidade. Alegada psicopatia - retardo mental não especificado (CID 79) - que não prejudica a aplicação da medida de internação, considerando que está assegurado o acompanhamento psicológico e psiquiátrico do menor internado. ORDEM DENEGADA. (SEGREDO DE JUSTIÇA) _ DECISÃO MONOCRÁTICA_ (RIO GRANDE DO SUL, TJRS, 2014).

As jurisprudências que citam a psicopatia não mencionam apenas a liberdade por Habeas Corpus ou progressão do regime penal, mas também internação provisória. Sendo a psicopatia elencada como o motivo ou um dos motivos da internação, acompanhadas de outros problemas psiquiátricos ou até mesmo como dependência química.

Com a presença de laudos periciais é possível o magistrado tomar uma decisão mais concreta. Mesmo que a lei seja falha no que diz a respeito ao tratamento exigido, a aplicação de um teste psiquiátrico facilita o entendimento penal, além de privar os psicopatas de regalias aplicadas à pessoas comuns.

3.5 PROJETO DE LEI

O Deputado Federal Marcelo Itagiba entrou com um projeto de lei tentando alterar a execução penal da Lei 7210/84 no que tange aos pacientes psicopatas. No projeto apresentado a Comissão Técnica de Classificação ficaria responsável por avaliar cada paciente individualmente, aplicar o teste PCL-R para diagnosticar os pacientes psicopatas. Qualquer tipo de beneficio como indulto teria que ser aprovado por especialista competente da Comissão e, na maioria dos casos os psicopatas cumpririam a pena em regime fechado e separados dos demais presos. São os seguintes artigos que seriam alterados e criados:

Art. 1º Esta Lei tem por finalidade alterar a Lei nº 7.210, de 1984, para estabelecer que a realização de exame criminológico do condenado à pena privativa de liberdade, no momento em que entrar no estabelecimento prisional e em cada progressão de regime a que tiver direito, seja feita por comissão técnica independente da administração prisional.

Art. 2º A Lei nº 7.210, de 1984, Lei de Execução Penal, passa a vigorar acrescida das seguintes disposições:

Art. 6º A classificação será feita por Comissão Técnica de Classificação que elaborará o programa individualizador da pena privativa de liberdade adequada ao

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condenado ou preso provisório, levando em consideração o resultado de exame criminológico.

Art. 8º-A Sem prejuízo do disposto nos artigos 6º, 7º e 8º, para a obtenção dos elementos necessários a uma adequada classificação e com vistas à individualização da execução, o condenado ao cumprimento de pena privativa de liberdade, em regime fechado, será submetido a exame criminológico realizado também por comissão técnica independente.

§1º A comissão técnica de que trata este artigo deverá identificar os presos portadores de psicopatia para orientar a individualização da execução penal de que trata o art. 5º.

§2º A comissão será composta de profissionais da área de saúde mental e de psicologia criminal especialmente designados para a função, presidida por especialista de notório saber, com mandato de dois anos, permitida recondução. Art. 84 §3º. O condenado ou preso provisório classificado como psicopata cumprirá pena em seção distinta daquela reservada aos demais presos.

Art. 112§ 3º A transferência para regime menos rigoroso, a concessão de livramento condicional, o indulto e a comutação de penas do condenado classificado como psicopata depende de laudo permissivo emitido pela comissão técnica de que trata o art. 8º-A. (BRASIL, PL 6858/2010, 2013).

O projeto PL 6858/2010 segue a tese de Doutorado de Hilda Morana, sendo sua obra citada como fonte de justificativa, no entanto o projeto de lei não foi aprovado, e ainda é válida a Lei de Execução Penal n°7.210/84 sem qualquer alteração. Sendo de competência do Juiz da execução, de acordo com o artigo 66 desta mesma lei, a decisão de progressão ou regressão dos regimes; livramento condicional; autorizar as saídas temporárias; etc. Não precisando obedecer qualquer laudo psiquiátrico ou psicológico.

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4 INTRODUÇÃO SOBRE EXAME PERICIAL PSIQUIÁTRICO

O exame pericial pode ser feito por psiquiatras ou psicólogos, dependendo das características do periciando. A psicologia é a área que estuda sobre comportamentos humanos, responsável esta pela avaliação do comportamento do individuo, bem como seu histórico de desenvolvimento mental, visual, motor, escolar e social, desde a gestação até sua idade atual. Assim relacionando o fato dito como ilícito penal com as características do periciado. Já a psiquiatria é uma área da medicina, na qual o médico faz uma especialização, sendo esta uma especialização em doenças mentais. Para o acompanhamento de um psicopata podemos usar os dois profissionais. O psiquiatra é responsável pelo diagnóstico e pelas medicações, enquanto o psicólogo fica responsável pelas terapias, que podem ser individuais ou em grupos.3 Quando falamos em pericia estamos nos relacionando a um laudo pericial, feito por um profissional competente aquela área. Nesse caso, estamos falando sobre exame pericial em psicopatas, e temos que nos referir ao exame pericial psiquiátrico, responsável pelo diagnóstico da patologia de psicopatia.

A palavra pericia vem do latim “peritia”, que significa habilidade. No ramo do Direito a pericia é o meio que uma pessoa capacitada tecnicamente gera um laudo, constando nesse todas as características relevantes e técnicas sobre a causa examinada. Esse laudo é uma das provas do processo, que o juiz utiliza para julgar a lide e também deixa o julgamento do processo mais claro. Logo, no exame pericial psiquiátrico nomeiam um perito psiquiatra para levar provas técnicas ao magistrado que não tem conhecimentos técnicos sobre o assunto. A perícia é o meio de prova, enquanto o perito é um auxiliar do juízo, este sempre imparcial. (TABORDA, 2004).

4.1 RAZÕES PARA A ESCUSA

O médico perito em regra não pode negar a prestar um laudo. Mas a lei permite em algumas situações, a escusa do médico periciar determinados casos. São eles quando houver:

3 (Informação fornecida pela psicóloga Aline Cizewski Borb que trabalha no Presídio Regional de Araranguá-SC. No dia 14 de abril de 2014.)

Referências

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