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Química Ricardo Feltre Editora Moderna, 2004

No documento Download/Open (páginas 126-134)

O livro destaca 36 páginas ao conteúdo modelos atômicos, dessas páginas 7 delas apresentam, contudo histórico no intuito de facilitar a aprendizagem correspondendo em termos percentuais 19,4% das páginas apresentam algo de histórico na apresentação dos conteúdos.

80,6% 19,4%

LIVRO 03

O início do capítulo de modelos atômicos do livro diferencia-se dos outros analisados no que se refere ao modelo atômico de Dalton o crédito do pioneirismo, de suas bases experimentais são dados e aponta para um possível modelo que possa ser complementar a ele.

A qualidade das imagens referentes ao processo histórico é muito boa além de uma linguagem acessível para os alunos.

O conceito de radioatividade é abordado antes dos modelos de Thomson e Rutherford, o que não é comum nos livros, pois o conceito de radioatividade tão importante na construção histórica dos modelos atômicos é trabalhado em um capítulo aparte na maioria dos livros.

A construção do modelo de Rutherford feita pelo livro apresenta um diferencial, pois o autor tenta construir o modelo dialogando com o leitor a medida que ele trabalha a experiência de Rutherford vai fazendo indagações e perguntas que são respondidas ao longo do texto com outras questões.

... Rutherford observou, então, que a maior parte das partículas alfa atravessava a lâmina de ouro facilmente apenas algumas partículas desviavam ou até mesmo retrocediam. Como explicar esse fato?...(p.78).

A historia é utilizada como problematizadora na construção desse conceito um aspecto relevante que deve ser destacado.

No que se refere ao modelo de Bohr, o livro introduz o modelo através do paradoxo da instabilidade do elétron no átomo admitindo o modelo de Rutherford. O livro traz uma figura mostrando o que aconteceria com o átomo caso o modelo de Rutherford obedecesse aos parâmetros da física clássica.

O importante dessa introdução é descrever que esse fato foi relevante na construção dos modelos e foi motivo para muitas discussões a esse respeito. Como o próprio Bohr descreve em trabalho publicado pela Philosophical Magazine, em julho de 1913(NIAZ 2009).

Bohr, no terceiro parágrafo, faz uma comparação entre os modelos atômicos de Thomson e Rutherford:

...surge, porém, uma pergunta: se o ouro apresenta núcleos positivos, como explicar o fato de a lâmina de ouro ser eletricamente neutra?... (P.79).

..no modelo de Rutherford surgiu, porem, uma dúvida muito importante:se o núcleo atômico é formado por partículas positivas , porque essas partículas não se repelem e núcleo não desmorona?..(P.79).

A diferença principal (...) consiste nas circunstâncias nas quais as forças agindo sobre os elétrons no modelo atômico de Thomson permitem certas configurações e ações dos mesmos que mantém o equilíbrio do sistema; tais configurações aparentemente não existem para o segundo modelo atômico (NIAZ, 2009, p.2).

O autor não deixa de fora esse paradoxo como também não deixa de fora na construção desse mesmo modelo a aproximação com a teoria quântica de Planck ao descrever um estudo detalhado entre luz e onda nas páginas 87 a 91.

Assim, o livro da crédito a boa parte da construção teórica do modelo que também nessa mesma publicação de 1913 Bohr aponta segundo Niaz( 2009):

No quarto parágrafo Bohr formula o seu postulado que fez época.

A maneira de considerar um problema como esse tem sofrido alterações essenciais ultimamente, devido a [(...)] experimentos em fenômenos muitos específicos como: calor específico, efeito fotoelétrico, raios de Rõntgen etc. O resultado das discussões dessas questões parece levar a um acordo geral da inadequação da eletrodinâmica clássica em descrever o comportamento dos sistemas de tamanho atômico [(...),] parece necessário introduzir nas leis em questão uma grandeza externa a eletrodinâmica clássica, por exemplo, a constante de Planck, ou como é geralmente chamada de ação quântica elementar (NIAZ 2009 p.2).

Na perspectiva Bachelardiana encontramos filosofia do não na abordagem do modelo atômico atual, pois descreve que não é possível prever posição e velocidade do elétron, mas essas medidas são possíveis em corpos maiores o que não desvaloriza a questão da medição apenas a física clássica não contempla o nível atômico em questão( NIAZ 2009 p.94).

A descrição com detalhes da ampola de raios catódicos foi um aspecto relevante no livro, pois a simples descrição do experimento pelo experimento vai de encontro a uma perspectiva contextual de utilizar a HFC como uma ferramenta facilitadora.

A descrição apenas do experimento não contribui para uma adequada utilização do experimento como mostra Niaz (2009):

Muitos livros textos apresentam os detalhes experimentais, sem conceitualizar que o progresso da ciência está baseado em estruturas que competem para compreensão do fenômeno em face das evidências Concluímos que os livros textos deveriam enfatizar não somente os detalhes experimentais, mas também os “princípios heurísticos” necessários para a “investigação estrutural” (NIAZ, 2009, p. 01).

Porém o livro em questão ao trabalhar com o modelo atômico de Thomson abusa dos detalhes experimentais sem levar em consideração os princípios heurísticos necessários como vimos anteriormente. Vejamos o exemplo da página76.

Embora os detalhes experimentais sejam importantes nós não podemos ignorar a racionalidade por trás da determinação de Thomson da razão massa-carga dos raios catódicos. Essa racionalidade que ajudou Thomson a identificar os raios catódicos

como partícula de carga universal em oposição aos íons (hipóteses rivais), constitui precisamente o “princípio heurístico”.

De acordo com Schwab (1974), a pesquisa científica tende a olhar as estruturas de mudanças e relações, que constitui o princípio heurístico (a explicação) de nosso conhecimento. Em outras palavras, “Uma linha de pesquisa científica tem sua origem não somente em fatos objetivos, mas numa concepção, uma construção deliberada da mente [(...)] essa concepção (princípio heurístico) [(...)] nos diz qual o fato que devemos olhar na pesquisa. Orienta-nos para construir significado relacionado ao fato” (SCHWAB, 1974, p. 164 apud NIAZ).

Com relação a aspectos Bachelardianos os obstáculos de natureza verbal também estão presentes quando descreve o modelo de Thomson como pudim de passas.

Bachelard chama atenção para o perigo das imagens porque nem sempre são imagens passageiras, pois tendem a completar-se. Segundo Bachelard é na mentalidade pré- científica que a imagem entra antes da teoria, enquanto na mentalidade científica ela entra depois, já suficientemente pensada e explicada.

Vários hipertextos, mas sempre com a foto do busto do cientista mostrando uma imagem inacessível para o aluno e enaltecendo feitos conquistados por eles. Mostrando uma postura positivista de ver a ciência que coloca os cientistas como herói detentor de saber inesgotável. Diferente de como foi apresentado nesse trabalho, que também apresenta fotos ilustrativas dos cientistas que contribuíram para os modelos, os livros analisados apresentam de forma descontextualizada apenas a título de informação completamente fora do contexto histórico.

Os exercícios de todo o capítulo computam 100 desses abordam história da química e construção dos modelos historicamente 10, com questões todas de múltipla escolha, o que corresponde 10% dos exercícios.

No documento Download/Open (páginas 126-134)