1603-1604 1604-1605 1605-1606 1606-1607 1607-1608 Gymnasium 1.º 87 75 78 147 71 2.º 69 87 72 85 93 3.º 122 81 121 135 116 4.º 107 130 153 148 106 5.º 139 140 169 101 177 6.º 133 157 156 168 121 7.º 111 126 99 99 99 8.º 286 215 158 158 217 TOTAIS 1054 1011 1006 1041 1000 QUADRO N.º 4
NÚMERO DE ALUNOS DA ESCOLA ELEMENTAR (AULA DE LER E ESCREVER)99
Mestre de escrever Irmão Martinho da Fonseca Total
de alunos
1604 1605 1605-1606 1606-1607
33 25 57 41
No ano de 1559, foram graduados Bacharéis em Artes, os primeiros vinte e sete discípulos100:
O primeiro grau, que se deu na Universidade foi de Bacharel em Artes. Este se deu em dia de São Nicolau, a 6 de Dezembro, um mês e seis dias depois da fundação da Univer- sidade. A vinte e sete que tinham sido discípulos do Padre Inácio Martins, se conferiu o dito grau pelo Padre Jorge Serrão lente de prima, e Cancelário. Ao 24 de Abril de 1560, estando presente o Cardeal e Francisco de Borja, se deu o grau de Doutor em Teologia ao Padre Inácio Tolosa da Companhia Espanhola, natural de Medina (...). Aos 20 do mês de Abril, se deu o grau de Licenciado em Artes a 24 discípulos do Padre Inácio Martins, assistindo o Cardeal e Francisco de Borja101.
98 B.N.P., cód. 368, (Microfilme F. 6420), Lista de estudantes da Universidade de Évora entre 1603-1608, “Gym-
nasium”.
99 B.N.P., cód. 368, (Microfilme F. 6420), Número de alunos da escola elementar.
100 A.R.S.I., Lus. Nº 51, Litterae Annuae Quadrimestrales, (1557-1562), fls. 81-82v. Ver também, B.P.A.D.E., cód. CIV/1-40, fl. 216v., “Évora Ilustrada”.
Mais tarde, como sublinha Isabel Cid, este número sobe consideravelmente, to- mando por exemplo os anos de 1660 a 1717, onde o número de bacharéis, licencia- dos e doutores aumentará de 248 indivíduos para 404102. Registe-se, ainda, que no
ano lectivo de 1758-1759, estavam matriculados na Universidade de Évora cerca de trezentos e vinte estudantes; note-se também que, no ano de 1758, último ano em que houve graduações da Universidade, obtiveram o grau de Bacharel em Filosofia quarenta e um estudantes e de Licenciado, dez alunos103. Tal facto constitui desta
forma um número modesto, se compararmos com alguns anos de maior esplendor, possivelmente consequência do período conturbado da vida da Companhia de Jesus, e que termina de forma abrupta com a prisão dos Padres e consequente encerramen- to da Instituição a 8 de Fevereiro de 1759104. A Universidade de Évora tinha poderes
para conferir graus de Bacharel, Licenciado e Doutor, como qualquer Universidade do seu tempo. A concessão destes graus era, porém, precedida de vários exames, todos eles cuidadosamente descritos nos Estatutos:
No exame de Bacharéis em Artes haverá três examinadores, dois da Companhia e outro que não será dela, os quais o Reitor da Universidade elegerá consul- tando-os, com seus conselheiros, Prefeito e com os Mestres acturegentes de Teologia, Casos e Artes, véspera de Nossa Senhora da Purificação; e neste do segundo curso presidirá sempre nestes exames, precedendo no lugar aos ou- tros examinadores; dos quais precederão os que tiverem maior grau, ao tendo igual forem mais antigos105. Acabada a dita aprovação dos ditos estudantes, o Reitor assinará num Domingo ou dia de festa o que melhor lhe parecer, ouvidos seus conselheiros; e se não houver o Domingo ou dia de festa, será em algum outro dia não lectivo no qual lhes dará o grau de Bacharel, e pelo Bedel das Artes mandará um ou dois dias antes de o anunciar pelas escolas, especialmente nos gerais de Teologia, dos de Casos de Consciência e Artes, para que os Doutores e Mestres em Artes, se juntem com o Reitor, na Sala das Escolas, onde se há-de dar o dito grau, o qual os estudantes terão bem consertada e limpa, e pelo mes- mo Bedel mandará avisar ambos os conservadores do dia e hora em que o dito
grau se dará, para que possam estar presentes (...)106. Nenhum será admitido
neste exame (de Licenciado), sem trazer a cédula como é dito nos Bacharéis, da
102 Apud, Cid, Isabel, “A Universidade de Évora”, in op. cit., Vol. I, Tomo II, (1537-1771), p. 606.
103 Idem, ibidem.
104 A.R.S.I., Lus. Nº 40b, Catalogus Person., (1758-1760), fl. 10. Ver também, (Doc. Anexo, Nº 21).
105 B.N.P., cód. 8014, Livro 3.º, Cap. 5, fl. 187, “terceiros Estatutos da Universidade de Évora”.
qual constará como o tal Bacharel ouviu um curso inteiro de três anos e meio, e que ouviu o que se requer para ser admitido ao exame de Licenciado. A saber: toda a Lógica, os Livros dos Físicos de Aristóteles, do Céu, Metauros, Párcios, Naturais, os Livros da Geração e Alma e as Éticas e Metafísica107.
Era na primitiva Igreja do Colégio, a “Sala dos Actos” da Universidade, que depois de construída, se passou a conferir os graus de Bacharel, Licenciado, Mestre em Ar- tes e todos os de Teologia108, à excepção do de Doutor, cuja cerimónia se realizava na
Igreja Nova do Colégio109, construída posteriormente em 1567 - «lançou-se a primeira
pedra, na véspera, ou no dia de São Francisco, no ano de 1564, pelo Arcebispo de Évora D. João de Mello. Desta primeira pedra fica esculpida o Santíssimo nome de Jesus»110. Nunca será demais salientar, ainda, que dos múltiplos alunos que frequen-
taram a Universidade de Évora, para além dos nomeados como “mestres insignes”, de que daremos conta posteriormente (Doc. Anexo Nº 30), podemos realçar a pre- sença de D. José de Bragança, meio irmão de D. João V, futuro arcebispo primaz de Braga111, e Luís António Verney112.
3.4.1. Proveniência geográfica, perfil socioprofissional e caracterização económica dos estudantes
Quanto à evolução quantitativa dos alunos, apresentada anteriormente, através do Quadro N.º 2, para o período compreendido, entre 1553 - 1588 e início do sé- culo XVII, que reúne dados relativos aos cursos ministrados na Universidade e ex- traídos de vária documentação, para o período compreendido, entre 1553 - 1588 107 Idem, ibidem, Cap. 8, fl. 211.
108 B.P.A.D.E., cód. CIV/1-40, fl. 224v., “Évora Ilustrada”. Refere ainda, Maria Luísa Guerra, in A Universidade
de Évora – Mestres e Discípulos Notáveis (Séc. XVI-XVIII), Évora, 2005, p. 158, que a «primitiva Igreja do Colégio
era a actual Sala dos Actos, onde se realizavam as funções religiosas e académicas. Contudo por iniciativa de ilustres senhoras da cidade, e em nome destas se pediu ao Cardeal D. Henrique a construção de uma Igreja fora do espaço do Colégio, que aquelas pudessem frequentar. A construção iniciou-se a 4 de Outubro de 1566 e em 1573, já estava pronta, celebrando-se ali a primeira missa da Páscoa».
109 B.P.A.D.E., cód. CIV/1-40, fl. 226v., “Évora Ilustrada”. Ver também, José Maria de Queirós Veloso, op. cit., p. 82.
110 B.P.A.D.E., cód. CIV/1-40, fl. 232., “Évora Ilustrada”.
111 Lima, Manuel C. Baptista de, Um filho de D. Pedro II, na Universidade de Évora, Évora V (2) Março 1947, pp. 163-182. Ver também, Maria do Rosário Castiço de Campos, D. José de Bragança: Estadia e Educação no Colégio
e Universidade de Évora. Subsídios para a História da Educação no século XVIII em Portugal, Évora, 1994. 112 Caeiro, F. da Gama, “Nótula sobre Verney”, in Separata da Revista da Universidade de Coimbra, Coimbra, 31, 1984, pp. 205-209. Ver também, José de Pina Martins, “Luís António Verney contra a Escolástica entre 1745 e 1750”, in Separata do Arquivo do Centro Cultural Português, pp. 609-622, Fundação Calouste Gulbenkian, 1980; Francisco
e início do século XVII, ela indica o êxito do edifício pedagógico eborense. Mas será de facto, que corresponderia esta Instituição às necessidades de formação dos jovens desta região? Teria absorvido a maioria da população estudantil da área do Arcebispado de Évora? Cremos poder afirmar, na sequência do que sugere Amélia Polónia da Silva113, ao referir-se ao trabalho de Ángel Marcos de Diós, “Estudiantes
de la Archidiocésis de Évora en la Universidad de Salamanca”, durante os reinados dos Filipes (1580-1640), que em relação aos graus ministrados, nomeadamente Artes e Teologia, tal acontecia. Com efeito, era insignificante o número de alunos, oriundos de dioceses do Sul do país, que em Salamanca frequentavam as Facul- dades de Cânones, Teologia, Leis e Gramática. Pelo contrário sublinha, o mesmo autor, afluía a Salamanca, para frequentar o curso da Faculdade de Medicina, ine- xistente na Universidade de Évora, uma maioria de alunos oriundos da diocese de Évora, Elvas, Portalegre e Faro114.
Regista-se, pois, com significado, a presença dos estudantes em Salamanca, apenas nas áreas não contempladas pela estrutura curricular eborense. Assim, parece inequívoco pensar, que nos domínios em que a Universidade assegurava a leccionação, concentrava, de facto, os estudantes naturais e residentes destas regiões Sul, em maior número. Mas de onde provinham em concreto os estudantes que frequentavam a Universidade eborense? A análise de diversos documentos, a partir dos quais nos foi possível trabalhar os dados presentes no Quadro N.º 5, le- vou-nos à seguinte conclusão: ao Alentejo cabia a primazia, seguindo à distância a Estremadura, entre o Douro e o Minho, o Algarve e, por fim, a região da Beira. Cabia à cidade de Évora o número mais significativo de estudantes (Quadro N.º 6), vindo depois as restantes cidades alentejanas. No entanto, podemos registar também a presença de alunos estrangeiros e das Ilhas Atlânticas, embora em número pouco significativo.
Mediante esta análise, cremos poder afirmar, que os estudos criados pelo Cardeal D. Henrique na cidade de Évora garantiam a formação de um número considerável de jovens, particularmente, da região do Alentejo, entre os quais se encontravam os candidatos à carreira eclesiástica, ou já nela integrados. Fora esse, aliás, um dos ar-
113 Cfr. cit., Silva, Amélia Maria Polónia da, op. cit., p. 148. Ver também, Marcos de Diós, Ángel, “Estudiantes de la Archidiocésis de Évora en la Universidad de Salamanca (1580-1640)”, in Separata de A Cidade de Évora, Évora, Vol. XXXIII, Nº 59, Jan.-Dez., 1970, pp. 71 e segs.
gumentos para a criação da própria Universidade115, e parece confirmar a realização
de uma das pretensões do Cardeal: a de na sua Instituição vir a formar pregadores e curas idóneos que servissem não só o Reino, mas também em todas as possessões ultramarinas. Embora não fosse esta a sua única finalidade, pois era uma Universi- dade que pretendia ir muito mais longe na formação dos jovens.
Quadro N.º 5