8 DETERMINAÇÃO DA MATÉRIA COLECTÁVEL 32
8.1 Métodos e regras de determinação da matéria colectável 32
8.2.10 Qual é o regime aplicável às mais e menos valias? 58
Como já referido anteriormente as mais valias realizadas constituem
proveitos e as menos valias realizadas constituem custos e ambos contribuem para a formação
do lucro tributável. Pretende-se agora definir o que são e como se calculam as mais e menos
valias realizadas para efeitos fiscais, de acordo com o respectivo regime estabelecido pelo
Código.
Art. 37 a 39 do CIRPC
8.2.10.1
Conceito de mais e menos valias realizadas
Consideram-se mais valias ou menos valias realizadas as provenientes das seguintes situações:
Transmissão onerosa de elementos do activo imobilizado
1;
Sinistros ocorridos em elementos do activo imobilizado;
Afectação permanente de elementos do activo imobilizado a fins alheios à actividade
exercida.
Contudo, para efeitos fiscais, não constituam mais valias ou menos valias os resultados obtidos
nas seguintes situações:
Entrega pelo locatário ao locador dos bens objecto de locação financeira;
Transmissão onerosa, ou afectação permanente a fins alheios à actividade exercida, de
títulos de dívida (obrigações) cuja remuneração seja constituída, total ou parcialmente,
pela diferença entre o valor de reembolso e o preço de emissão
2.
8.2.10.2
Apuramento das mais e menos valias
As mais valias e as menos valias obtêm-se da seguinte forma:
Mais ou Menos Valia = VR – [(VA – RAac) x CDM]
Em que:
VR - Valor de realização líquido dos encargos que lhe sejam inerentes
VA - Valor de aquisição
RAac - Reintegrações ou Amortizações acumuladas
CDM - Coeficiente de Desvalorização Monetária
Relativamente ao valor de realização, apresenta-se no esquema seguinte os diferentes valores
a considerar consoante a situação:
1 “Considera-se também transmissão onerosa a promessa de compra e venda ou de troca, logo que verificada a tradição
dos bens “
2 As obrigações podem ser reembolsadas pelo valor nominal (valor inscrito no próprio título) ou por um valor superior, caso em que origina um prémio de reembolso para o obrigacionista, equivalente a um juro suplementar.
M
ANUAL DOI
MPOSTO SOBRE O RENDIMENTO DASP
ESSOASC
OLECTIVASTroca
Expropriações ou bens sinistrados Bens afectos permanentemente a fins alheos à actividade exercida
Fusão ou Cisão
Alienação de títulos de dívida
Outras situações
o valor de mercado + ou – importância em dinheiro conjuntamente recebida
ou paga
o valor da correspondente indemnização o valor de mercado
o valor por que os elementos são inscritos na contabilidade da entidade para a qual se transmitem em consequência daqueles actos
valor da transacção – (juros contados desde o último vencimento até à data da alienação) –
(valor de emissão – valor do reembolso) o valor da contraprestação
No caso de troca por bens futuros, o valor de mercado é o que corresponderia à data da troca
No que diz respeito aos coeficientes de desvalorização da moeda, apesar destes não terem
sido publicados até à data do presente manual, refira-se que só são aplicáveis ao valor de
aquisição dos activos imobilizados que não sejam investimentos financeiros e que tenham sido
adquiridos há mais de dois anos.
Para efeitos de apuramento do lucro tributável, o M/22 apresenta campos para depurar o
resultado do exercício das mais valias e menos valias contabilísticas, de forma a somar e deduzir
as mais valias e menos valias fiscais, respectivamente.
A razão deste procedimento explica-se pelo facto do apuramento das mais valias e menos valias
ser diferente para efeitos contabilísticos ou para efeitos fiscais, na medida em que:
Para efeitos contabilísticos, o valor de aquisição pode ser corrigido pelo valor de
reavaliação;
Para efeitos fiscais, o valor de aquisição pode ser corrigido pelo coeficiente de
desvalorização monetária.
Contudo, apesar desta diferença, a Autoridade Tributária tem aceite o valor de reavaliação,
desde que este tenha sido previamente autorizado, para efeitos de cálculo da mais valia ou
menos valia.
8.2.10.3
Reinvestimento dos valores de realização
O saldo positivo entre as mais-valias e as menos valias decorrentes da transmissão onerosa de
elementos do activo imobilizado corpóreo ou de indemnizações por sinistros ocorridos nestes
elementos não concorre para a formação do lucro tributável (ou seja, é deduzido ao resultado do
exercício) sempre que:
O valor de realização correspondente à totalidade dos referidos elementos seja
reinvestido na aquisição, fabricação ou construção de elementos do activo imobilizado, e
M
ANUAL DOI
MPOSTO SOBRE O RENDIMENTO DASP
ESSOASC
OLECTIVAS
O reinvestimento seja efectuado até ao fim do terceiro exercício seguinte
1.
Este mecanismo da dedução do referido saldo ao resultado do exercício traduz-se
aparentemente numa não tributação que constitui na realidade um diferimento da mesma, na
medida em que esse saldo é deduzido ao custo de aquisição ou de produção dos bens do activo
imobilizado corpóreo em que se concretizou o reinvestimento para efeitos da respectiva
reintegração.
Sempre que haja intenção de reinvestir os valores de realização, os sujeitos passivos deverão
mencioná-la na declaração periódica de rendimentos do exercício da realização e comprovar nas
declarações anuais de informação contabilística e fiscal dos três exercícios seguintes os
reinvestimentos efectuados.
Em caso de reinvestimento parcial como proceder?
Sempre que seja reinvestido apenas parcialmente o valor de realização, não será considerada
no lucro tributável a mais valia que lhe corresponder, calculada da seguinte forma:
Mais valia imputada
ao valor reinvestido
= Valor da mais valia x Valor reinvestido ÷ Valor de realização
Assim, nesse caso, para efeitos de reintegração, essa mais valia imputada ao valor reinvestido
deverá ser deduzida ao valor de aquisição do bem em que se concretizou o reinvestimento.
Quais as consequências do não reinvestimento?
Sempre que o sujeito passivo tenha manifestado a intenção de reinvestir os valores de
realização e o reinvestimento não se tenha concretizado, será somado ao valor do imposto
liquidado relativamente ao terceiro exercício posterior ao da realização o IRPC que deixou de ser
liquidado, acrescido de juros compensatórios, ou, não havendo lugar ao apuramento do IRPC, o
prejuízo fiscal declarado será corrigido.
1 O período de reinvestimento poderá ser alargado até ao quarto exercício, mediante autorização do Ministro das Finanças, obtida através de requerimento, submetido pelos interessados até ao fim do exercício a que respeitam as mais-valias.