FRITURA. Tabela 1. Composição percentual e nutricional das dietas experimentais...46 Tabela 2. Características físicas da carne de cordeiros terminados com dieta alto grão e dieta com inclusão de óleo residual de fritura...48 Tabela 3. Composição química da carne de cordeiros terminados com dieta alto grão e dieta com inclusão de óleo residual de fritura...49 SUMÁRIO CAPÍTULO I - FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA ... 13 1. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA ... 14 1.1 OVINOCULTURA DE CORTE NO BRASIL ... 14 1.2 DIETA DE ALTO GRÃO... 15 1.3 ÓLEO RESIDUAL DE FRITURA NA ALIMENTAÇÃO ANIMAL ... 17 REFERÊNCIAS ... 19 2. OBJETIVOS... 22 2.1 GERAL... 22 2.2 ESPECÍFICOS ... 22 CAPÍTULO II - EFEITO DE DIETA ALTO GRÃO E DIETA COM INCLUSÃO DE ÓLEO RESIDUAL DE FRITURA NO DESEMPENHO, CARACTERÍSTICAS DE CARCAÇA E INDÍCES ECONÔMICOS DE CORDEIROS CONFINADOS ... 23 RESUMO ... 24 ABSTRACT ... 25 INTRODUÇÃO ... 26 MATERIAL E MÉTODOS ... 27 RESULTADOS E DISCUSSÃO ... 30 CONCLUSÃO ... 37 REFERÊNCIAS ... 38 CAPITULO III - QUALIDADE DA CARNE DE CORDEIROS ALIMENTADOS COM DIETA ALTO GRÃO E DIETA COM INCLUSÃO DE ÓLEO RESIDUAL DE FRITURA ... 41 RESUMO ... 42 ABSTRACT ... 43 INTRODUÇÃO ... 44 MATERIAL E MÉTODOS ... 45 RESULTADOS E DISCUSSÃO ... 48 CONCLUSÃO ... 50 REFERÊNCIAS ... 51 CAPÍTULO I 1.FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 1.1OVINOCULTURA DE CORTE NO BRASIL A produção de carne ovina no Brasil, de acordo com dados divulgados pela FAO referentes ao primeiro semestre de 2018, ainda é discreta, constituindo 0,45% de toda a carne produzida em território nacional (FAO, 2018). Da mesma forma, o consumo de carne ovina também é baixo quando comparado com o consumo de outras carnes, em torno de 0,6 kg/habitante/ano (EMBRAPA, 2018). Contudo, nos últimos anos o mercado interno desse produto tem crescido, o que Viana et al. (2015) atribuem ao aumento de renda da população, ao maior número de nichos sociais que a carne ovina tem conseguido alcançar e a utilização dessa carne como substituto de outras carnes consumidas tradicionalmente, como a bovina e a de aves. Apesar do baixo consumo da carne ovina, de acordo com Esturrani (2017), o Brasil importa mais de 7.000 toneladas desse tipo de carne para atender a demanda interna do produto. O mesmo autor aponta que a preferência dada pelo consumidor brasileiro à carne oriunda de importação se deve a melhor qualidade do produto, bem como pela oferta em diversos pontos de venda, facilitando o acesso ao produto. No ano de 2017 foi registrado aumento de 10,1% no volume de importações de produtos da ovinocaprinocultura, e na mesma proporção diminuíram-se as exportações desses produtos, com destaque para a carne ovina não desossada congelada, que representou 58,2% das importações (BRASIL, 2017). Diante do cenário atual da carne ovina no mercado nacional, questiona-se o motivo pelo qual os produtores ainda não conseguem atender a lacuna do mercado que consome a carne importada de países vizinhos, atribuindo-se esse problema à fatores culturais e aspectos organizacionais da cadeia produtiva. Alencar e Rosa (2006) destacam que dessa falta de organização da cadeia, derivam problemas como a falta de frigoríficos, baixo consumo, alto preço de reprodutores, abate clandestino, entre outros. Além disso, as características do atual modelo de produção de pequenos ruminantes adotado no Brasil, principalmente na região Nordeste, que detêm a maior parcela do rebanho nacional, não condiz com o crescente aumento do consumo de carne ovina. Essa criação é fundamentada na utilização de pastagens nativas, em uma região onde a irregularidade hídrica e as variações climáticas acarretam em estagnação em um determinado período na produção de pastagens, tanto qualitativamente como quantitativamente, resultando em baixo ganho de peso e um longo período necessário para que os animais atinjam o peso ideal de abate (SILVA et al., 2010). A implantação de sistema de produção em confinamento ou semiconfinamento tornou-se uma alternativa para contornar estornou-se problema, principalmente pela indisponibilidade de alimento volumoso durante o período de escassez, diminuindo assim a quantidade de volumoso fornecido e aumentando a qualidade nutricional da dieta (GOMES et al., 2018). Assim, diante da perspectiva de crescimento da demanda da carne ovina no mercado nacional, torna-se necessário a intensificação do processo de terminação de cordeiros, visando obter melhores índices produtivos, diminuindo o ciclo de produção e melhorando a qualidade da carcaça (SÓRIO et al., 2010). Apesar do confinamento de ovinos não ser uma prática usual dos ovinocultores brasileiros, segundo Andrade et al. (2014), o confinamento de animais para terminação, proporcionaria um maior ganho de peso aos animais em menor tempo de engorda, promovendo assim uma maior rotatividade do sistema produtivo, além da possibilidade de produção em grande escala utilizando áreas menores quando comparada ao sistema extensivo (MEDEIROS et al., 2009), e possibilitaria a produção de ovinos no período de entressafra (LAGE et al., 2010). O confinamento de animais para terminação exige investimentos em instalações, mão de obra e, principalmente, alimentação, tendo em vista a necessidade de suplementação com alimentos concentrados e o alto custo dos insumos (ANDRADE et al., 2014; BERNARDES et al., 2015). Nesse contexto, Ortiz et al. (2005), ressaltam a importância da utilização de dietas que possibilitem máxima eficiência na produção de carne e custo mínimo de produção dentro dos sistemas. Assim, o abate de animais ainda jovens através da terminação em confinamento com dietas balanceadas e de densidade energética adequada, permite que o consumidor tenha acesso a um produto de qualidade superior e padronizado (BORGES et al., 2011). 1.2DIETA DE ALTO GRÃO Dietas com pouca participação ou isentas de volumoso tem sido adotadas nos últimos anos nos sistemas de terminação de animais para a produção de carne visando, entre outros aspectos, diminuir o tempo de confinamento dos animais e substituir o volumoso (BELTRAME; UENO, 2011). Nesse sentindo, ao avaliar dietas com diferentes níveis de concentrado (20, 40, 60 e 80%), Medeiros et al. (2009) relataram que houve redução no período de confinamento, favorecendo ainda as características de carcaça e proporcionando maior rotatividade de animais em confinamento durante o ano. Nesse contexto, levando em consideração as vantagens de dietas ricas em grãos, surgiu o conceito de dietas de alto grão, usada na terminação de bovinos, e em menor escala empregada na terminação de ovinos. Dietas como estas, além de proporcionar a redução na idade de abate permite ao produtor elevar o ganho de peso dos seus animais, menor custo com mão de obra, obter carcaças de melhor qualidade sem a necessidade de grandes áreas e maquinário para produção e armazenamento dos alimentos (CARVALHO et al., 2007; LIMA et al., 2012; VECHIATO; ORTOLANI, 2008). A adesão de dietas com altos teores de concentrados energéticos é vantajosa, pois ingredientes concentrados dificilmente apresentam variações em sua composição nutricional, devido ao seu processamento de secagem ocorrer em nível industrial (BERNARDES et al., 2015). Leme et al. (2002), destacam ainda como vantagem do fornecimento de dietas com elevada quantidade de concentrado para animais jovens, um acabamento de gordura na carcaça adequado em menor tempo, sem causar danos à qualidade da carne. Apesar das citadas vantagens de dietas com elevada quantidade de ingredientes concentrados, o emprego de dietas com pouca ou sem a participação de volumoso na terminação de ruminantes exige que os animais passem por um período de adaptação a nova dieta, a fim de evitar distúrbios metabólicos, pois anterior à fase de terminação esses animais se alimentam quase que exclusivamente de volumosos (TEIXEIRA, 2015). A adaptação dos animais se faz necessária tendo em vista que, a flora ruminal, responsável pela metabolização dos alimentos, necessita de faixas ótimas de pH para o seu desenvolvimento, normalmente com limitações em condições de acidez, tendo a alimentação forte influência sobre a concentração e distribuição dos gêneros de protozoários ruminais (REIS, 2015). Dentre os principais distúrbios em ruminantes associados a reduzida ingestão de fibra em confinamentos cuja principal fonte de alimentos é o concentrado, destacam-se a acidose ruminal, laminite e o timpanismo, que comprometem o desempenho do animal (PANIAGO, 2009). A acidose ruminal caracteriza-se pelo acúmulo de ácido lático no rúmen, em decorrência da ingestão de grande quantidade de dietas com alto teor de carboidratos não fibrosos (CNF) (SABES et al. 2016). Animais com acidose ruminal lática reduzem o consumo de matéria seca e, consequentemente, a ingestão de energia, ocorrendo queda no desempenho do animal (SANTANA NETO et al., 2014). Além disso, a laminite, doença associada a quadros de acidose ruminal, provocam claudicação discreta a severa e deformidades no casco, dificultando a movimentação dos animais (SANTOS, 2006). Já o timpanismo, distúrbio também associado à alta ingestão de alimentos concentrado, ocorre com o acúmulo de gases no rúmen, que reduz a ação fermentativa microbiana e o fluxo de alimentos pelo sistema digestivo, podendo, neste caso, o animal chegar à óbito (SANTANA NETO et al., 2014). Portanto, deve-se estabelecer através da avaliação do desempenho produtivo de ovinos com dietas com altos níveis de concentrado, aquela que irá proporcionar melhor ganho de peso, caracteristicas de carcaça superiores e melhor retorno econômico, sem prejuízos para o animal (MARQUES et al., 2016). 1.3ÓLEO RESIDUAL DE FRITURA NA ALIMENTAÇÃO ANIMAL No Brasil, o óleo de cozinha residual é utilizado, principalmente, na produção de biodiesel, sendo reutilizado em menor escala como matéria prima para produção de sabão ou tinta (ANTUNES, 2018), ressaltando a importância pesquisas com objetivo de aproveitar esse resíduo que se descartado de maneira incorreta pode trazer grandes prejuízos ao meio ambiente. Como relatado por Santos et al. (2018), quando o óleo utilizado é descartado diretamente na pia, acarreta entupimentos na rede coletora de esgoto ao formar uma película que retém os sólidos. Quando está película se forma em rios ou córregos, dificulta a troca de gases e, consequentemente, diminuição dos níveis de oxigênio na água, causando a morte dos peixes. A utilização de óleo residual de fritura em dietas de animais de produção tem se tornado tema recorrente de pesquisas visando a padronização de qualidade e regulamentação específica para seu uso na alimentação animal (VAN CLEEF et al., 2016), porém, os poucos estudos referentes ao uso desse subproduto na alimentação de ovinos não permite o entendimento da influência exercida pela adição do óleo residual na dieta sobre a produção e a nutrição desses (PEIXOTO et al., 2018). Nesse aspecto, a complexidade em se empregar um subproduto na alimentação de animais ruminantes, exige que seja realizada uma avaliação criteriosa quanto aos seus valores nutricionais e efeitos no ambiente ruminal (SANTOS, 2016), uma vez que a quebra da homeostase reduz o desempenho zootécnico, além de acarretar doenças (GONZÁLEZ, 2000; SCARPINO et al., 2014). Para identificar transtornos metabólicos em ovinos recebendo ração com inclusão de óleo de soja residual, Scarpino et al. (2014) avaliaram os parâmetros bioquímicos séricos desses animais e concluíram que apesar da adição de 6% de óleo residual aumentar as concentrações de colesterol e da enzima AST (Aspartato-aminotransferase), estas não são suficientes para causarem prejuízos à saúde do animal. Van Cleef et al. (2016) ao estudar os efeitos da substituição parcial do milho e da casca de soja por óleo de fritura, destacaram que a adição de 6% de óleo na dieta de cordeiros aumentou a eficiência alimentar, porém diminui a digestibilidade da matéria seca (MS), fibra solúvel em detergente neutro (FDN) e fibra solúvel em detergente ácido (FDA), e aumentou a gordura intramuscular, ressaltando que a utilização desse subproduto pode ser viável economicamente, principalmente para pequenos produtores, por minimizar o custo com alimentação. Vale ressaltar, que o uso de óleo residual de fritura na alimentação animal deve seguir o que diz o artigo 1º da instrução normativa nº 8, de 25 de março de 2004, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA, 2004) que proíbe o uso de alimentos de origem animal para ruminantes, devendo o óleo residual ter sido utilizado exclusivamente no preparo de alimentos de origem vegetal. REFERÊNCIAS ALENCAR, L., ROSA, F., R. T. Ovinos: Panorama e mercado. 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As dietas controle e com óleo residual de fritura foram balanceadas para ganho de 200 gramas diários (NRC 2007), mantendo a relação volumoso:concentrado de 40:60, e a dieta alto grão consistia em concentrado comercial farelado utilizado na terminação de ovinos. Foram utilizados 15 cordeiros mestiços de Dorper x Santa Inês, não castrados, com seis meses de idade, confinados e distribuídos em delineamento inteiramente casualizado (DIC). Após 40 dias de confinamentos os animais foram abatidos. Não houve diferença (P>0,05) entre as dietas controle e com óleo residual de fritura para consumo diário de matéria seca (CMS), proteína bruta (CPB), matéria mineral (CMM), fibra insolúvel em detergente neutro (CFDN) e carboidratos totais (CCT), as menores médias para estas variáveis foram obtidas com a dieta alto grão. Os valores obtidos para peso final (PF), ganho de peso total (GPT) e ganho de peso diário (GPD) não diferiram (P>0,05) entre as dietas controle e com inclusão de óleo de fritura, sendo que a dieta alto grão apresentou o menor desempenho com base nestas variáveis. Não houve efeito (P>0,05) dos tratamentos sobre os rendimentos de carcaça. A dieta com óleo residual de fritura, quando comparada às demais dietas, apresentou lucro adicional de 10,29 R$/animal. A dieta com inclusão de 6% de óleo residual de fritura apresentou o melhor desempenho produtivo e econômico, tornando-se a alternativa mais viável neste estudo. Palavras-chave: avaliação de dietas, confinamento de cordeiros, nutrição de cordeiros, CHAPTER II- EFFECT OF HIGH GRAIN DIET AND DIET WHIT INCLUSION OF RESIDUAL FRYING OIL IN PERFORMANCE, CARCASS CHARACTERISTICS AND ECONOMIC INDEXES OF LAMB CONFINED ABSTRACT: The objective of this study was to evaluate the effects of high-grain diet and diet with the inclusion of 6% residual frying oil on productive performance, carcass characteristics and feed costs of feedlot lambs. Control and with with residual frying oil diets were balanced for gain of 200g daily (NRC 2007), maintaining the bulky:concentrated in the ratio 40:60, and the high grain diet consisted of commercial bran concentrate used on finishing in sheep. Fifteen crossbreed Dorper x Santa Inês lambs from were used, six-month-old, confined and distributed in a completely randomized design (DIC). After 40 days of No documento UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DO SEMI-ÁRIDO PRÓ-REITORIA DE PESQUISA E PÓS-GRADUAÇÃO PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM PRODUÇÃO ANIMAL MESTRADO EM PRODUÇÃO ANIMAL NAYANE VALENTE BATISTA (páginas 11-52)