Todas as políticas de classificação e marcação, gerenciamento de con- gestionamento, evitar congestionamento, policiamento e moldagem podem ser utilizadas no backbone MPLS. Porém, quando configuramos QoS em redes MPLS, o roteador de borda LSR irá traduzir o domínio IP QoS para o domínio MPLS QoS e vice-versa. Isso significa que o pacote IP puro, que será recebido de um CE (Customer Edge) com marcação em Precedência IP ou DSCP, ao entrar no backbone MPLS, é remarcado como EXP. Ou seja, o roteador de borda LSR copia o valor dos bits de precedência IP para os bits EXP. No roteador de borda de saída é feito um processo contrário, ou seja, a marcação em EXP é converti- da em marcação em Precedência IP ou DSCP para entrega ao CE final (Odom e Cavanaugh, 2004).
Nada muda com relação ao comportamento do QoS, porém é importante observar que, se a marcação for em DSCP, somente os três bits mais significativos desse campo serão copiados para o EXP do cabeçalho MPLS, o que nos leva à primeira regra de QoS sobre MPLS (De Ghein, 2007).
• Regra 1: os bits de precedência ou os três primeiros bits do campo DSCP no cabeçalho IP são copiados para os bits EXP de todos os rótulos inseri- dos no LSR de entrada. O encaminhamento do pacote com rótulo é um pouco mais complicado. É importante distinguir dois casos: a troca de ró- tulo com a possibilidade de adicionar um ou mais rótulos ao pacote e, por outro lado, a troca de rótulo com a possibilidade de remover um ou mais rótulos do pacote. No primeiro caso, os bits EXP são copiados do rótulo de entrada para o rótulo de saída, sendo também verdadeiro quando um rótulo é trocado e são adicionados um ou mais rótulos. Nesses casos, o valor dos bits EXP é copiado do rótulo de entrada para o rótulo de saída e também para os rótulos que são empilhados no pacote encaminhado. Já o encaminhamento de pacotes com a retirada do rótulo é um pou- co diferente; isso porque, quando o roteador retira o rótulo do topo da pilha de um pacote que encaminha, o valor dos bits EXP não é copiado para o novo rótulo do topo ou para os bits de precedência do cabeçalho do pacote IP sem rótulo. Isso significa que, por padrão, os bits EXP do novo rótulo do topo ou o campo DSCP do cabeçalho IP não são alterados, ditando o novo QoS do pacote, que o leva à segunda, terceira e quarta regras do QoS sobre MPLS (Odom e Cavanaugh, 2004). Porém, esse com- portamento pode ser alterado para manter o valor de QoS quando os rótulos são retirados.
• Regra 2: os bits EXP do rótulo de entrada são copiados para o rótulo de saída e para qualquer outro rótulo empilhado no pacote.
• Regra 3: os bits EXP do rótulo do topo da pilha não são copiados para o rótulo de saída quando o rótulo do pacote de entrada é removido. • Regra 4: os bits EXP do rótulo de entrada não são copiados para os bits
de precedência ou os bits DSCP quando a pilha de rótulos é removida e o cabeçalho IP é exposto. Quando o QoS de um pacote rotulado é alterado manualmente em algum LSR, este valor de QoS será novamente alterado na rede algum tempo depois, ou seja, quando um rótulo é retirado do topo da pilha, o valor do campo EXP não é copiado para o novo rótulo exposto, conforme regra 3, significando que o antigo valor de QoS do pacote está novamente ativo, nos levando à quinta regra.
• Regra 5: quando o valor do campo EXP é alterado por meio de configu- ração, os rótulos que estão abaixo do topo da pilha não recebem o novo valor do campo EXP.
A Figura 5.18 mostra alguns exemplos das regras citadas (De Ghein, 2007):
A MPLS QoS regra 4 dá origem ao seguinte comportamento: indiferente- mente do valor dos bits EXP introduzidos pelo LSR de entrada ou em qualquer ou- tro LSR, este não é copiado para o pacote IP no LSR de saída da rede MPLS. Os bits de precedência ou DSCP do pacote IP são preservados, por padrão. É possível fa- zer um tunelamento de QoS, fazendo com que o valor de QoS do pacote IP possa ser transportado através da rede MPLS sem sofrer alteração. A grande vantagem é que a rede MPLS pode ter um esquema diferente de QoS do esquema com que o cliente se conecta a ele, porque o esquema MPLS QoS pode ser independente do esquema IP QoS dos clientes (De Ghein, 2007).
Esse modelo se chama tunelamento DiffServ e é oferecido por uma rede MPLS para transportar o valor DiffServ de um pacote IP, de forma transparente, de uma borda a outra da rede MPLS. O túnel tem início quando o rótulo é adicionado ao pacote e termina quando o rótulo é removido, conforme Figura 5.19.
O IETF define três modos de túneis DiffServ (Lobo, 2008):
• Modo uniforme (Uniform Mode): neste modo, as mudanças feitas no va- lor do campo EXP do rótulo do topo da pilha são propagadas tanto para os rótulos inseridos na pilha como para os rótulos de baixo, quando os rótu- los da pilha são removidos. A premissa é que a rede está em um domínio
DiffServ; logo, qualquer mudança feita no campo EXP do pacote em trânsi-
to será aplicada a todos os rótulos do pacote, bem como ao pacote IP. • Modo de tubo curto (Short Pipe Mode): modo útil para aplicação de
políticas de QoS nos provedores, independentemente da política de QoS
do cliente. Os bits de precedência do pacote IP são propagados para cima na pilha de rótulos. Quando o rótulo é trocado, o valor do campo EXP é mantido. Se o valor do campo EXP do rótulo do topo da pilha é alterado, esta mudança é propagada para todos os rótulos da pilha, mas não para o pacote IP.
• Modo de tubo (Pipe Mode): neste modo duas marcações são importan- tes para um pacote quando ele percorre a rede MPLS. Primeiro, a marca- ção usada pelos LSRs intermediários ao longo do LSP, incluindo o LSR de saída. Segundo, a marcação original do pacote antes da entrada na rede MPLS, que continuará sendo usada quando o pacote sair da rede MPLS. No LSR de saída todos os rótulos são removidos, mas, a fim de preservar a marcação transportada no rótulo, o LSR de borda copia este valor antes de remover os rótulos. Esta cópia interna é utilizada para classificar os pacotes na interface de saída.