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4 ANALISE E DISCUSSÃO DOS DADOS

4.4 Qualidade do Sono dos Trabalhadores e Características Sócio-

A Tabela 12 apresenta as características sócio demográficas, relacionadas

ao índice de qualidade do sono, em que os pesquisados foram classificados de

acordo com o PSQI: PSQI bom (índice < 4 pontos) e PSQI ruim (índice = ou > 5

pontos).

Tabela 12 - Classificação do PSQI dos funcionários. Criciúma-SC.

PSQI Bom PSQI Ruim p

Número de sujeitos 4 15

Idade média (anos) 38,75 ± 5,06 35,53 ± 8,18 0,43

IMC (kg /m2) 25,25 ± 1,89 27,33 ± 4,20 0,33

Tempo no trabalho noturno (anos) 6,75 ± 3,20 6,20 ± 4,49 0,85

Exercício físico regular (%) 25% 20% 0,76

* Atividade física no lazer (kcal) 1.444 ± 2147 1.508 ± 1.751 0,95

Atividade física no trabalho (kcal) 10.779 ± 947 15.169 ± 3.289 0,00

Atividade física habitual total (kcal) 18.688 ± 3881 24.083 ± 5959 0,00

PSQI 3,25 ± 0,50 6,67 ± 2,04 0,00

* Foi considerado apenas quem teve gasto energético semanal igual ou acima de 2.000kcal no exercício de lazer.

Em todas as escalas de 0 – 3, quem teve o escore 0 possui a questão mais positiva.

A partir do teste-t (significância p<0,05) observa-se que das variáveis

analisadas somente a atividade física no trabalho e a atividade física habitual total

tiveram uma diferença de médias significativas estatisticamente. Esses resultados

indicam que o gasto energético médio no trabalho e nas atividades habituais totais

são diferentes de acordo com o índice de qualidade do sono, ou seja, quanto maior

o gasto energético, pior o índice de qualidade de sono dos trabalhadores

pesquisados. Esses dados corroboram com o pressuposto de que um elevado gasto

energético no trabalho não indica uma boa qualidade de sono. Nahas (2003) afirma

que toda atividade física deve vir seguida de um bom programa de exercícios, pois

cada indivíduo reage ao programa de maneira única, dependendo de sua idade, do

grau de obesidade, dos hábitos de repouso e sono, da nutrição, da existência ou não

de doenças, do nível de condicionamento físico e até mesmo da motivação pessoal

(NAHAS, 2003). Somente desta maneira é possível melhorar a saúde de maneira

em geral.

No que se refere a atividade física de lazer, que é a parte que define se a

pessoa possui um bom nível de atividade física, constata-se que em nenhum dos

dois grupos, houve um gasto energético semanal médio suficiente para produzir

efeitos benéficos à saúde. De acordo com Nahas (2003), a atual recomendação para

um adulto jovem, é que o mesmo acumule um gasto energético semanal em

atividades físicas moderadas a vigorosas, em torno de 2.000 kcal (NAHAS, 2003).

No que se refere a relação do exercício físico e qualidade de sono, o estudo

conduzido por Costa e colaboradores (2005) com mulheres com lupus sistêmico

erimatoso sobre qualidade do sono, através do PSQI, constatou que a falta de

exercício físico contribuiu para uma qualidade total de sono diminuída. Singh,

Clements e Fiatarone (1997) também corroboram com esta idéia. No estudo sobre a

qualidade de sono com idosos de 60 a 84 anos, no qual os autores testaram a

hipótese de que o exercício físico com peso, realizado durante 10 semanas,

melhoraria a qualidade do sono e a atividade de idosos deprimidos, foi verificada

uma melhora significativa de todos os aspectos da qualidade de sono e de força,

apesar do nível de atividade física habitual não ter tido um aumento significativo

Outra diferença de média significativa estatisticamente foi entre os grupos

do PSQI. No intuito de verificar quais os componentes que contribuíram para que

houvesse essa diferença, foi realizado o teste de associação do qui-quadrado

(significância ÷

2

<0,05) (Tabelas 13.1 a 13.7).

Tabela 13.1 - Teste de associação do componente qualidade do sono.

Criciúma-SC.

Qualidade do sono PSQI bom PSQI ruim ÷

2

Muito boa / Boa 4 14 0,60

Ruim / Muito ruim 0 1

Tabela 13.2 - Teste de associação do componente latência do sono.

Criciúma-SC.

Latência do sono PSQI bom PSQI ruim ÷

2

< = 15 min / 16-30 min 4 12 0,33

31-60 min / > 60 min 0 3

Tabela 13.3 - Teste de associação do componente duração do sono.

Criciúma-SC.

Duração do sono PSQI bom PSQI ruim ÷

2

> 7h / 6-7h 4 13 0,44

5-6h / < 5h 0 2

Tabela 13.4 - Teste de associação do componente eficiência do sono.

Criciúma-SC.

Eficiência do sono PSQI bom PSQI ruim ÷

2

> 85% / 75-84% 4 15 Não se aplica

65-74% / < 65% 0 0

Tabela 13.5 - Teste de associação do componente distúrbios do sono.

Criciúma-SC.

Distúrbios do sono PSQI bom PSQI ruim ÷

2

Nenhum /

Menos de 1 vez/semana 4 6 0,03

1 a 2 vezes/semana /

3 ou mais vezes/semana 0 9

Tabela 13.6 - Teste de associação do componente uso de medicamentos para

dormir. Criciúma-SC.

Uso de medicamentos

para dormir PSQI bom PSQI ruim ÷

2

Nenhum /

Menos de 1 vez/semana 4 14 0,60

1 a 2 vezes/semana /

Tabela 13.7 - Teste de associação do componente sonolência diurna.

Criciúma-SC.

Sonolência diurna PSQI bom PSQI ruim ÷

2

Nenhuma / Pequena 4 7 0,05

Moderada / Muita 0 8

Verifica-se que dos componentes do PSQI, os distúrbios do sono e a

sonolência diurna, foram os que apresentaram associação estatística significativa.

Esses dados se assemelham aos encontrados por Konrad (2005), que em estudos

sobre o efeito agudo do exercício físico sobre a qualidade de vida de mulheres com

síndrome da fibromialgia, encontrou esses mesmos componentes influenciando a

qualidade do sono, além dos componentes qualidade subjetiva do sono e latência.

No estudo conduzido por Osório et al (2002) com pacientes com fibromialgia e

outras síndromes de dor localizada a latência, os distúrbios do sono e a sonolência

diuna foram os componentes que mais influenciaram no PSQI.

Também se realizou o teste de associação entre o item horas extras e o

índice de qualidade do sono (Tabela 14).

Tabela 14 - Teste de associação das horas extras. Criciúma-SC.

Realiza horas extras PSQI bom PSQI ruim ÷

2

Sim 3 5 0,13

Não 1 10

Verifica-se que realizar ou não horas extras não está associado ao índice

de qualidade do sono.

Uma diferença estatística significante em pesquisa de Mello et al entre o

número de indivíduos que praticam atividade física e aqueles que não a praticam foi

observado (p < 0.0001). Do mesmo modo, uma diferença significante também foi

obtida quando as queixas de distúrbios do sono quando foram comparadas entre os

indivíduos fisicamente ativos e aqueles que não praticam atividade física regular (p <

0.03).

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